{"id":11210,"date":"2013-01-15T08:32:46","date_gmt":"2013-01-15T08:32:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11210"},"modified":"2013-01-15T08:32:46","modified_gmt":"2013-01-15T08:32:46","slug":"iemenitas-em-luta-contra-a-discriminao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/direitos-humanos\/iemenitas-em-luta-contra-a-discriminao\/","title":{"rendered":"Iemenitas em luta contra a discrimina&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>San&aacute;, I&ecirc;men, 15\/01\/2013 &ndash; As mulheres iemenitas desempenharam um papel crucial nos protestos contra o regime de Ali Abdullah Saleh, derrubado em 2012 ap&oacute;s 33 anos no poder. <!--more--> Apesar do processo de di&aacute;logo nacional, elas continuam enfrentando um muro de leis e pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias e um status quo disposto a submet&ecirc;-las.<\/p>\n<p>&quot;Nadia est&aacute; quebrada internamente&quot;, disse uma trabalhadora do abrigo feminino de San&aacute;. Esta jovem de 25 anos, origin&aacute;ria de um povoado montanhoso ao norte da capital do I&ecirc;men, foi for&ccedil;ada a uma &quot;permuta matrimonial&quot; para salvar seu irm&atilde;o do alto custo do dote. O risco da suposta solu&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica &eacute; que se um dos c&ocirc;njuges quebra sua parte do acordo e se divorcia, o outro est&aacute; obrigado a fazer o mesmo. Por isto, a negativa de Nadia em morar com seu novo marido teve consequ&ecirc;ncias devastadoras.<\/p>\n<p>Quando a m&atilde;e de Nadia descobriu que seus filhos planejavam mat&aacute;-la como castigo, ambas foram expulsas de casa. A jovem come&ccedil;ou a trabalhar como empregada de um xeque local, mas sua situa&ccedil;&atilde;o piorou quando foi vendida a um oper&aacute;rio na Ar&aacute;bia Saudita. O golpe final aconteceu quando seu novo marido quis obrig&aacute;-la a se prostituir estando gr&aacute;vida. A jovem fugiu com sua m&atilde;e at&eacute; encontrar ref&uacute;gio no abrigo secreto da Uni&atilde;o de Mulheres Iemenitas, onde vivem desde ent&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta grave discrimina&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero n&atilde;o existiu sempre nos pap&eacute;is. Antes da unifica&ccedil;&atilde;o do I&ecirc;men, em 1990, as mulheres da costa sul gozavam de mais direitos do que as do norte montanhoso e conservador. Ap&oacute;s a guerra civil de 1994, as reformas constitucionais significaram um retrocesso. &quot;As mulheres e as meninas do I&ecirc;men sofrem uma generalizada discrimina&ccedil;&atilde;o na legisla&ccedil;&atilde;o e na pr&aacute;tica&quot;, diz o informe de 2012 da Anistia Internacional, com sede em Londres.<\/p>\n<p>A atual Constitui&ccedil;&atilde;o do I&ecirc;men marca o tom para um tratamento desigual entre g&ecirc;neros, chamando-as de &quot;irm&atilde;s dos homens&quot;. As leis de Status Pessoal, que marcam as pautas para casamento, div&oacute;rcio e heran&ccedil;a, tamb&eacute;m s&atilde;o retr&oacute;gradas. A idade m&iacute;nima de 15 anos para se casar foi eliminada em 1999. Uma d&eacute;cada depois, parlamentares conservadores bloquearam esfor&ccedil;os para fix&aacute;-la em 17 anos. Atualmente, n&atilde;o h&aacute; limite, apenas &eacute; preciso o consentimento do tutor, e as rela&ccedil;&otilde;es sexuais est&atilde;o permitidas a partir de quando a menina chega &agrave; puberdade.<\/p>\n<p>Falta de educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o profissionais, complica&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica s&atilde;o males que costumam estar associados com o casamento precoce. As mulheres tamb&eacute;m devem obedecer aos seus maridos em todos os assuntos, sob pena de perderem apoio econ&ocirc;mico. Um homem pode se casar quatro vezes se notificar suas esposas e se puder mant&ecirc;-las, e tamb&eacute;m pode anular um casamento por meio de uma declara&ccedil;&atilde;o oral feita na hora.<\/p>\n<p>O C&oacute;digo Penal do I&ecirc;men tamb&eacute;m &eacute; muito favor&aacute;vel aos homens que cometem &quot;assassinatos por honra&quot;, como matar mulheres acusadas de manterem rela&ccedil;&otilde;es sexuais fora do casamento. Os homens que matam ad&uacute;lteras recebem no m&aacute;ximo um ano de pris&atilde;o, ou devem pagar uma multa. Segundo o &Iacute;ndice de Disparidade de G&ecirc;nero do F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial de 2012, a discrimina&ccedil;&atilde;o figura em &uacute;ltimo lugar segundo crit&eacute;rios de economia, pol&iacute;tica, educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Sarah Jamal Ahmad, de 24 anos, &eacute; uma ativista din&acirc;mica que esteve &agrave; frente dos protestos em San&aacute; no ano passado. Al&eacute;m disto, &eacute; uma das mulheres que lutam pela igualdade de g&ecirc;nero no processo de di&aacute;logo nacional, na Constitui&ccedil;&atilde;o e na legisla&ccedil;&atilde;o. Segundo Sarah, &eacute; preciso come&ccedil;ar por fixar um sistema de cotas para o governo com candidatas formadas, que rompam o impasse em mat&eacute;ria de disparidade. &quot;Cada vez que falo de cota, tenho que esclarecer que sou a favor dos 50%. Mas agora luto por 30% e quero que seja com qualidade, n&atilde;o apenas quantidade. N&atilde;o se trata somente de n&uacute;meros, mas de quem se trata&quot;, destacou.<\/p>\n<p>A destru&iacute;da cidade portu&aacute;ria de Ad&eacute;n fica perto de um grande vulc&atilde;o no Oceano &Iacute;ndico. Seus governantes s&atilde;o diferentes dos do norte do I&ecirc;men. Foi col&ocirc;nia brit&acirc;nica at&eacute; 1967 e depois fez parte da Rep&uacute;blica Popular Democr&aacute;tica do I&ecirc;men, apoiada pela antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. As mulheres das organiza&ccedil;&otilde;es femininas foram profissionais, advogadas, empres&aacute;rias e dirigentes pol&iacute;ticas cujas carreiras ficaram truncadas. &quot;O norte ganhou a guerra, se apropriou de tudo e o governo de San&aacute; nos disse para ficarmos em casa&quot;, contou Khadija Alhirsi, engenheira em geologia que agora dirige a Associa&ccedil;&atilde;o Solidariedade para o Desenvolvimento.<\/p>\n<p>Fatima Meresse, diretora da Uni&atilde;o de Mulheres Iemenitas de Ad&eacute;n concorda: &quot;Antes da unifica&ccedil;&atilde;o foi nossa melhor &eacute;poca. Havia uma lei de fam&iacute;lia que nos dava direitos. Mas tudo mudou em 1994, nos tiraram a profiss&atilde;o e mudaram as leis. Foi um retrocesso&quot;. Uma mulher que Meresse insiste em ajudar &eacute; Susan Shebab, de 50 anos, com rosto abatido e melanc&oacute;lico, que esteve casada por 30 anos e nos &uacute;ltimos dez apanhava de seu marido alco&oacute;latra.<\/p>\n<p>Shebab chora ao recordar o que sofreu. Uma vez foi &agrave; delegacia com o corpo e o rosto gravemente feridos, mas lhe disseram para ir embora porque seu marido havia pago propina aos oficiais. Al&eacute;m disso, ele a obrigou a entregar sua parte da casa e a colocou na rua. Agora ela paga aluguel para morar em um apartamento sozinha e est&aacute; em um julgamento pelo div&oacute;rcio e pela propriedade da casa. A Uni&atilde;o de Mulheres Iemenitas conseguiu um advogado para ela. &quot;Parece que &eacute; um jogo, meu marido est&aacute; pagando o juiz. Amea&ccedil;ou nossos filhos. Mas n&atilde;o dizem nada porque t&ecirc;m medo&quot;, denunciou Shebab.<\/p>\n<p>Meresse contou outro caso semelhante, em que um homem se divorciou e tentou colocar a mulher na rua. &quot;Reunimos 20 mulheres e homens para ajud&aacute;-la. Formamos um muro em volta dela e contamos com o apoio de um advogado. O caso est&aacute; na justi&ccedil;a, e &eacute; &uacute;nico&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>San&aacute;, I&ecirc;men, 15\/01\/2013 &ndash; As mulheres iemenitas desempenharam um papel crucial nos protestos contra o regime de Ali Abdullah Saleh, derrubado em 2012 ap&oacute;s 33 anos no poder. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/direitos-humanos\/iemenitas-em-luta-contra-a-discriminao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":779,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[21,24,16],"class_list":["post-11210","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/779"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11210\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}