{"id":11221,"date":"2013-01-16T07:48:30","date_gmt":"2013-01-16T07:48:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11221"},"modified":"2013-01-16T07:48:30","modified_gmt":"2013-01-16T07:48:30","slug":"as-mulheres-iraquianas-buscam-sua-primavera-rabe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/direitos-humanos\/as-mulheres-iraquianas-buscam-sua-primavera-rabe\/","title":{"rendered":"&quot;As mulheres iraquianas buscam sua Primavera &Aacute;rabe&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Bagd&aacute;, Iraque, 16\/01\/2013 &ndash; A ativista Hanaa Edwar trabalha sem parar para que sejam recuperadas as liberdades das mulheres do Iraque, onde o poder pol&iacute;tico e a ortodoxia religiosa se juntam para isol&aacute;-las uma d&eacute;cada depois da invas&atilde;o da coaliz&atilde;o militar liderada pelos Estados Unidos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11221\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Hanaa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11221\" class=\"size-medium wp-image-11221\" title=\"A l\u00c3\u00adder iraquiana Hanaa Edwar durante a entrevista. - Karlos Zurutuza\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Hanaa.jpg\" alt=\"A l\u00c3\u00adder iraquiana Hanaa Edwar durante a entrevista. - Karlos Zurutuza\/IPS\" width=\"200\" height=\"112\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11221\" class=\"wp-caption-text\">A l\u00c3\u00adder iraquiana Hanaa Edwar durante a entrevista. - Karlos Zurutuza\/IPS<\/p><\/div>  Edwar, l&iacute;der da Rede de Mulheres Iraquianas e secret&aacute;ria-geral da Al Amal, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental de defesa dos direitos femininos neste pa&iacute;s, disse &agrave; IPS que as mulheres precisam de sua pr&oacute;pria Primavera &Aacute;rabe, para sa&iacute;rem desse grave retrocesso, que fica expl&iacute;cito na entrega de meninas em casamento ou na quase imposs&iacute;vel sobreviv&ecirc;ncia das vi&uacute;vas da guerra.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m recordou que neste pa&iacute;s as mulheres alcan&ccedil;aram a plena alfabetiza&ccedil;&atilde;o na d&eacute;cada de 1970, enquanto agora 40% delas s&atilde;o analfabetas. Afirmou, ainda, que o Iraque foi o primeiro pa&iacute;s a contar, em 1959, com uma ministra e uma ju&iacute;za.<\/p>\n<p>IPS: Que trabalho realiza sua organiza&ccedil;&atilde;o para proteger os direitos das iraquianas?<\/p>\n<p>HANAA EDWAR: A Al Amal administra a Rede de Mulheres Iraquianas, que promove a aproxima&ccedil;&atilde;o entre as organiza&ccedil;&otilde;es de mulheres locais e entidades internacionais, bem como a participa&ccedil;&atilde;o delas nas diversas atividades sociais e cursos de forma&ccedil;&atilde;o. Um de nossos maiores &ecirc;xitos foi conseguir a cota de 25% reservada para deputadas. Agora trabalhamos em uma nova campanha, no contexto da Primavera &Aacute;rabe, para proteger as liberdades pessoais.<\/p>\n<p>IPS: Quais s&atilde;o os problemas agora mais graves agora para as mulheres?<\/p>\n<p>HE: Representamos mais de 55% da popula&ccedil;&atilde;o iraquiana, mas vivemos submetidas em uma sociedade tra&ccedil;ada exclusivamente pelos padr&otilde;es masculinos. N&atilde;o h&aacute; mulheres liderando blocos pol&iacute;ticos ou em altos cargos no governo. Em todo caso, a marginaliza&ccedil;&atilde;o das iraquianas se deve mais a raz&otilde;es culturais do que pol&iacute;ticas. Um tema especialmente doloroso &eacute; o do milh&atilde;o de meio de vi&uacute;vas causadas pela guerra iniciada em 2003. O Iraque j&aacute; estava cheio delas antes, mas seu n&uacute;mero aumentou depois da invas&atilde;o militar. Vivem na mais absoluta precariedade, com pens&atilde;o equivalente a US$ 100, que permite que apenas sobrevivam. Sua integra&ccedil;&atilde;o na sociedade deveria ser uma prioridade, mas s&atilde;o incentivadas somente a se casarem de novo em um pa&iacute;s que permite a poligamia. Inclusive aquelas com forma&ccedil;&atilde;o, com t&iacute;tulos universit&aacute;rios, t&ecirc;m as portas fechadas para o emprego. Neste cen&aacute;rio, &eacute; quase imposs&iacute;vel romper a depend&ecirc;ncia de seu pai e, depois, de seu marido.<\/p>\n<p>IPS: O Iraque n&atilde;o foi pioneiro na regi&atilde;o quanto aos direitos das mulheres?<\/p>\n<p>HE: Em 1959, o pa&iacute;s tinha a primeira ministra e a primeira ju&iacute;za do Oriente M&eacute;dio. Um de nossos maiores &ecirc;xitos naquele ano foi a lei do status pessoal, que obrigava ao registro legal dos casamentos. Em 2013, grande n&uacute;mero de contratos matrimoniais s&atilde;o ilegais, por isso a mulher fica em uma situa&ccedil;&atilde;o muito fr&aacute;gil e isto significa problemas legais para seus filhos. Na verdade, hoje, muitas meninas s&atilde;o obrigadas a casar aos dez ou 12 anos com homens que, frequentemente, t&ecirc;m o triplo da idade. Inclusive acontecem casamentos &quot;tempor&aacute;rios&quot;, algo que, evidentemente, foi importado do Ir&atilde;. Tamb&eacute;m h&aacute; preocupantes e crescentes casos de viol&ecirc;ncia intrafamiliar, diante da total indiferen&ccedil;a do governo que, por sua vez, apoia a ortodoxia religiosa, que imp&otilde;e r&iacute;gidos c&oacute;digos de vestimenta. As mulheres que n&atilde;o usam o hijab (v&eacute;u isl&acirc;mico) s&atilde;o alvo de discrimina&ccedil;&atilde;o, e, o que &eacute; pior, as meninas s&atilde;o tiradas das escolas e as m&atilde;es de seus postos de trabalho.<\/p>\n<p>IPS: &Eacute; &uacute;til a cota legislativa para as mulheres?<\/p>\n<p>HE: Formalmente, h&aacute; 84 mulheres no parlamento, gra&ccedil;as &agrave; cota representativa de 25%. Mas a maioria delas ocupa suas cadeiras por afinidade pessoal com os l&iacute;deres dos partidos pol&iacute;ticos e n&atilde;o por m&eacute;ritos pr&oacute;prios. Apesar das dificuldades, ainda h&aacute; um grande n&uacute;mero de mulheres capazes de ocupar estes cargos com responsabilidade, mas a maioria destas &eacute; relegada a segundo plano.<\/p>\n<p>IPS: O Iraque conta com um minist&eacute;rio da mulher. Isto ajuda em seus direitos?<\/p>\n<p>HE: Chama-se Minist&eacute;rio de Estado para a Mulher, e existe um projeto de lei para mud&aacute;-lo para Minist&eacute;rio de Estado para a Mulher e a Fam&iacute;lia, o que &eacute; eloquente sobre o papel reservado &agrave;s iraquianas na sociedade atual. Seja como for, estamos contra qualquer tipo de minist&eacute;rio para as mulheres porque pensamos que n&atilde;o se trata de algo que deva estar vinculado a um minist&eacute;rio em particular, mas &agrave; sociedade em seu conjunto. Al&eacute;m de contar com um or&ccedil;amento muito baixo, um minist&eacute;rio da mulher sempre estar&aacute; vinculado a um partido pol&iacute;tico. O que precisamos &eacute; de uma comiss&atilde;o mais independente, que fa&ccedil;a o acompanhamento das pol&iacute;ticas governamentais e impulsione programas que ajudem a melhorar a vida das mulheres.<\/p>\n<p>IPS: Diversas organiza&ccedil;&otilde;es denunciam o dram&aacute;tico aumento do n&uacute;mero de suic&iacute;dios entre as iraquianas. Fala-se, inclusive, de casos de mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina&#8230;<\/p>\n<p>HE: Esses supostos &quot;suic&iacute;dios&quot; frequentemente ocultam assassinatos dentro da fam&iacute;lia por quest&atilde;o de &quot;honra&quot;. S&atilde;o cometidos com total impunidade, j&aacute; que s&atilde;o vistos como &quot;quest&otilde;es dom&eacute;sticas&quot; pelo aparelho judicial. Os casos de mutila&ccedil;&atilde;o feminina s&atilde;o mais isolados e limitados a zonas remotas, na regi&atilde;o aut&ocirc;noma curda. Cerca de 70% das mulheres dessas &aacute;reas a sofreram, mas quase nenhuma outra no restante do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>IPS: Como a divis&atilde;o sect&aacute;ria afeta a mulher e a sociedade em seu conjunto?<\/p>\n<p>HE: Trata-se de um &oacute;dio sect&aacute;rio fabricado, que come&ccedil;ou em 2006 e que foi impulsionado a partir dos mais altos n&iacute;veis, para dividir e governar por meio da viol&ecirc;ncia e do medo. A falta de di&aacute;logo entre os principais partidos pol&iacute;ticos e o papel cada vez maior da religi&atilde;o asfixiam nossa sociedade. Por exemplo, muitas fam&iacute;lias n&atilde;o permitem que suas filhas se casem com algu&eacute;m de outra seita, e isto &eacute; algo novo no Iraque.<\/p>\n<p>IPS: Em mar&ccedil;o completar&aacute; dez anos do in&iacute;cio da invas&atilde;o do pa&iacute;s. H&aacute; alguma melhora social desde 2003?<\/p>\n<p>HE: &Eacute; certo que depois da invas&atilde;o conseguimos romper nosso isolamento internacional e o tabu sobre a liberdade de pensamento. At&eacute; 2003, simplesmente n&atilde;o se podia falar de pluralismo pol&iacute;tico, nem de organiza&ccedil;&otilde;es civis ativas ou de qualquer outro tipo de contato com o mundo exterior. Contudo, ap&oacute;s a invas&atilde;o e posterior destrui&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, nossas fronteiras se abriram para os grupos terroristas que se somaram &agrave;s mil&iacute;cias locais, tanto xiitas quanto sunitas. Dez anos depois, vivemos em meio a um caos onde a instabilidade e a falta de seguran&ccedil;a s&atilde;o as &uacute;nicas constantes. Hoje enfrentamos uma crise pol&iacute;tica intensa. Passamos de uma ditadura de mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas para um Estado que carece de um governo efetivo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bagd&aacute;, Iraque, 16\/01\/2013 &ndash; A ativista Hanaa Edwar trabalha sem parar para que sejam recuperadas as liberdades das mulheres do Iraque, onde o poder pol&iacute;tico e a ortodoxia religiosa se juntam para isol&aacute;-las uma d&eacute;cada depois da invas&atilde;o da coaliz&atilde;o militar liderada pelos Estados Unidos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/direitos-humanos\/as-mulheres-iraquianas-buscam-sua-primavera-rabe\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":514,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[17,21,24],"class_list":["post-11221","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11221","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/514"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11221"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11221\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11221"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11221"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}