{"id":11234,"date":"2013-01-21T08:10:07","date_gmt":"2013-01-21T08:10:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11234"},"modified":"2013-01-21T08:10:07","modified_gmt":"2013-01-21T08:10:07","slug":"no-chile-pesam-mais-as-injustias-acumuladas-do-que-a-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/no-chile-pesam-mais-as-injustias-acumuladas-do-que-a-economia\/","title":{"rendered":"No Chile pesam mais as injusti&ccedil;as acumuladas do que a economia"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 21\/01\/2013 &ndash; Os bons indicadores econ&ocirc;micos do Chile durante 2012 n&atilde;o serviram para o presidente Sebasti&aacute;n Pi&ntilde;era melhorar sua deca&iacute;da popularidade, porque sobre a popula&ccedil;&atilde;o pesam mais as injusti&ccedil;as acumuladas n&atilde;o resolvidas, afirmam analistas ouvidos pela IPS.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11234\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/2101131.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11234\" class=\"size-medium wp-image-11234\" title=\"Repress&atilde;o a um protesto em Santiago do Chile em julho do ano passado, em demanda de um sal&aacute;rio m\u00c3\u00adnimo digno. - Fernando Fiedler\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/2101131.jpg\" alt=\"Repress&atilde;o a um protesto em Santiago do Chile em julho do ano passado, em demanda de um sal&aacute;rio m\u00c3\u00adnimo digno. - Fernando Fiedler\/IPS\" width=\"200\" height=\"134\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11234\" class=\"wp-caption-text\">Repress&atilde;o a um protesto em Santiago do Chile em julho do ano passado, em demanda de um sal&aacute;rio m\u00c3\u00adnimo digno. - Fernando Fiedler\/IPS<\/p><\/div>  O Chile venceu com &ecirc;xito as inclem&ecirc;ncias da crise econ&ocirc;mica da Europa, ao fechar o ano passado com aumento do produto interno bruto (PIB) de 5,5% e uma taxa de infla&ccedil;&atilde;o de 1,5%. E o desemprego afetava apenas 6,2% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa ao final de 2012, ano em que os sal&aacute;rios cresceram ao ritmo de 6% tudo segundo dados oficiais.<\/p>\n<p>O governo comemorou cada um desses indicadores como um exemplo da for&ccedil;a da economia chilena. Em seu af&atilde; para tornar vis&iacute;veis esses &ecirc;xitos para a popula&ccedil;&atilde;o, criou o portal www.chilecumple.cl, onde destaca os avan&ccedil;os da administra&ccedil;&atilde;o do direitista Pi&ntilde;era, tamb&eacute;m um empres&aacute;rio de sucesso. Por&eacute;m, sua popularidade se mant&eacute;m em torno dos 30%, com alta rejei&ccedil;&atilde;o e apenas 28% de aprova&ccedil;&atilde;o da maneira como lida com a economia e o emprego.<\/p>\n<p>O especialista pol&iacute;tico Mauricio Morales, da Universidade Diego Portales, explicou que &quot;a aprova&ccedil;&atilde;o presidencial responde n&atilde;o apenas aos indicadores econ&ocirc;micos, mas tamb&eacute;m aos atributos pessoais&quot;. Disse que &quot;Pi&ntilde;era n&atilde;o &eacute; visto como um presidente honesto ou pr&oacute;ximo&quot;, ao contr&aacute;rio da ex-presidente socialista Michelle Bachelet (2006-2010), com uma taxa superior a 50% de aprova&ccedil;&atilde;o pela popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Isso coloca a atual diretora da ONU Mulheres como a candidata com maiores probabilidades de vencer as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de outubro, embora ela ainda n&atilde;o tenha apresentado oficialmente sua candidatura. Morales acrescentou que as pesquisas, em geral, mostram que sempre h&aacute; uma brecha entre a aprova&ccedil;&atilde;o ao manejo econ&ocirc;mico dos governos e quem est&aacute; na Presid&ecirc;ncia. Por&eacute;m, &quot;com Pi&ntilde;era os dois indicadores s&atilde;o quase id&ecirc;nticos, o que demonstra que, efetivamente, os atributos s&atilde;o muito relevantes&quot;, disse.<\/p>\n<p>O economista Manuel Riesco, do Centro de Estudos Nacionais de Desenvolvimento Alternativo, afirmou que a desaprova&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o e a pouca relev&acirc;ncia que d&aacute; aos indicadores econ&ocirc;micos s&atilde;o uma resposta a &quot;injusti&ccedil;as acumuladas&quot;. Riesco acrescentou que &quot;o descontentamento da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se deve aos indicadores econ&ocirc;micos mas ao abuso generalizado a que vem sendo submetida ao longo das duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, tanto em per&iacute;odos de vacas gordas, como agora, quando nos de vacas magras&quot;.<\/p>\n<p>Segundo o economista, &quot;as pessoas pensaram equivocadamente que os abusos terminaram com a ditadura (1973-1990). Mas isto n&atilde;o aconteceu, lamentavelmente, porque apesar da democratiza&ccedil;&atilde;o do sistema pol&iacute;tico, foi mantido o modelo sem mudan&ccedil;as fundamentais&quot;. Al&eacute;m disto, &quot;a popula&ccedil;&atilde;o chilena est&aacute; muito melhor informada do que se pensa e &eacute; muito paciente, mas a cada dez anos pode perder a paci&ecirc;ncia e agora j&aacute; completamos 20&quot;, pontuou. Isto explica, de acordo com Riesco, a situa&ccedil;&atilde;o atual em que &quot;novamente est&aacute; em ascens&atilde;o a participa&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a da popula&ccedil;&atilde;o nos assuntos p&uacute;blicos. E n&atilde;o vai diminuir at&eacute; serem resolvidos os grandes problemas&quot;.<\/p>\n<p>Os protestos sociais continuaram no Chile em 2012, quando ganhou protagonismo a demanda por uma reforma estrutural do sistema pol&iacute;tico e da governabilidade, em lugar da democratiza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o que marcou a luta no ano anterior. Se em 2011 os estudantes foram os atores indiscut&iacute;veis do protesto, em 2012 os cidad&atilde;os lutaram por temas ambientais, econ&ocirc;micos e sociais, que foram resumidos na demanda por uma reforma da Constitui&ccedil;&atilde;o, com a convoca&ccedil;&atilde;o de uma assembleia constituinte.<\/p>\n<p>A atual lei fundamental vigora desde 1980 e &eacute; uma heran&ccedil;a da ditadura do falecido general Augusto Pinochet (1973-1990). Ativistas sociais afirmam que seu texto limita o desenvolvimento institucional necess&aacute;rio para o desenvolvimento da democracia e de uma sociedade mais igualit&aacute;ria e moderna.<\/p>\n<p>As pessoas se unem a especialistas do mundo acad&ecirc;mico, pol&iacute;tico e social na cr&iacute;tica ao fato de o crescimento econ&ocirc;mico n&atilde;o se traduzir em uma redu&ccedil;&atilde;o da desigualdade social da pobreza ou da degrada&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica. Mercedes Mu&ntilde;oz, professora de educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica por quase 40 anos e que est&aacute; para se aposentar, disse &agrave; IPS que os n&uacute;meros anunciados pelo governo &quot;em nada&quot; refletem o dia a dia de um cidad&atilde;o comum. &quot;O governo parece n&atilde;o investir em educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, em nada que nos fa&ccedil;a viver mais tranquilos e melhor, em que a economia de toda uma vida seja capaz de sustentar a velhice, em que os pais n&atilde;o se endividem eternamente para que seus filhos estudem&quot;, acrescentou a professora.<\/p>\n<p>Mu&ntilde;oz acrescentou que esses indicadores econ&ocirc;micos &quot;se refletem apenas nos mais ricos do pa&iacute;s&quot; e ressaltou que se a macroeconomia do Chile se salvar dos embates da crise financeira internacional &quot;ser&aacute; &agrave; custa do sacrif&iacute;cio do povo&quot;. O Chile, pa&iacute;s que h&aacute; d&eacute;cadas &eacute; considerado o &quot;milagre latino-americano&quot; pela pujan&ccedil;a de sua economia e redu&ccedil;&atilde;o da pobreza, se caracteriza por ter uma das maiores brechas entre ricos e pobres da Am&eacute;rica Latina. Segundo a Pesquisa de Caracteriza&ccedil;&atilde;o Socioecon&ocirc;mica Nacional 2012 (Casen), a diferen&ccedil;a entre o que recebem os setores mais ricos e os mais pobres caiu de 46 vezes em 2009 para 35 vezes em 2011.<\/p>\n<p>Riesco explicou que, al&eacute;m da percep&ccedil;&atilde;o da sociedade, &quot;certamente &eacute; motivo de comemora&ccedil;&atilde;o o fato de o pa&iacute;s conseguir sair em boa forma da crise financeira mundial&quot;, que come&ccedil;ou em 2008 nos Estados Unidos e que desde 2010 tem seu foco na Europa. No entanto, alertou para o fato de esse &ecirc;xito depender de um fator externo, &quot;o incomum aumento do pre&ccedil;o do cobre, a principal riqueza do pa&iacute;s&quot;.<\/p>\n<p>Os ingressos com esse metal &quot;s&atilde;o quase pura renda, isto &eacute;, excedente sobre o custo de produ&ccedil;&atilde;o do cobre. Assim, n&atilde;o &eacute; valor agregado pelo trabalho dos chilenos mas uma renda transferida do exterior e da qual se apropriam as grandes mineradoras em sua maior parte&quot;, explicou Riesco, acrescentando que pelo menos um quinto do PIB chileno se refere &agrave; renda com minera&ccedil;&atilde;o, &quot;a qual, por defini&ccedil;&atilde;o, &eacute; ef&ecirc;mera e pode desaparecer como ocorreu com o salitre em sua &eacute;poca&quot;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, segundo Riesco, &quot;o pre&ccedil;o do cobre inevitavelmente baixar&aacute;, e isso contrair&aacute; a economia chilena em suas verdadeiras propor&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o s&atilde;o outras que n&atilde;o o valor agregado internamente, ou se preferirmos, a soma dos custos de produ&ccedil;&atilde;o; tudo o que excede estes &uacute;ltimos &eacute; renda, ef&ecirc;mera&quot;. O governo, no entanto, se prepara neste come&ccedil;o de ano para antecipar que em seu fechamento a economia crescer&aacute; 5%, a infla&ccedil;&atilde;o baixar&aacute; a uma taxa anual de 3% e o gasto fiscal aumentar&aacute; 5%, em um ano marcado pelas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais e legislativas.<\/p>\n<p>Apesar desse cen&aacute;rio otimista, para Morales &quot;o presidente j&aacute; deixou de alcan&ccedil;ar uma grande popularidade&quot; e em 2013, seu &uacute;ltimo ano de governo, &quot;enfrentar&aacute; como nunca a solid&atilde;o do poder&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 21\/01\/2013 &ndash; Os bons indicadores econ&ocirc;micos do Chile durante 2012 n&atilde;o serviram para o presidente Sebasti&aacute;n Pi&ntilde;era melhorar sua deca&iacute;da popularidade, porque sobre a popula&ccedil;&atilde;o pesam mais as injusti&ccedil;as acumuladas n&atilde;o resolvidas, afirmam analistas ouvidos pela IPS. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/no-chile-pesam-mais-as-injustias-acumuladas-do-que-a-economia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[],"class_list":["post-11234","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11234"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11234\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}