{"id":11236,"date":"2013-01-21T08:12:41","date_gmt":"2013-01-21T08:12:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11236"},"modified":"2013-01-21T08:12:41","modified_gmt":"2013-01-21T08:12:41","slug":"acordo-para-reduzir-emisses-de-mercrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/mundo\/acordo-para-reduzir-emisses-de-mercrio\/","title":{"rendered":"Acordo para reduzir emiss&otilde;es de merc&uacute;rio"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 21\/01\/2013 &ndash; A comunidade internacional adotou, no dia 19, um tratado que obrigar&aacute; os pa&iacute;ses signat&aacute;rios a prevenirem as emiss&otilde;es de merc&uacute;rio, metal que prejudica a sa&uacute;de humana e tamb&eacute;m os ecossistemas dos quais dependem.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11236\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/2101132.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11236\" class=\"size-medium wp-image-11236\" title=\"O diplomata uruguaio Fernando Lugris conduziu bem as negocia&ccedil;&otilde;es para a Conven&ccedil;&atilde;o Minamata sobre Merc&uacute;rio. - Minist&eacute;rio de Relaciones Exteriores do Uruguai.\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/2101132.jpg\" alt=\"O diplomata uruguaio Fernando Lugris conduziu bem as negocia&ccedil;&otilde;es para a Conven&ccedil;&atilde;o Minamata sobre Merc&uacute;rio. - Minist&eacute;rio de Relaciones Exteriores do Uruguai.\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11236\" class=\"wp-caption-text\">O diplomata uruguaio Fernando Lugris conduziu bem as negocia&ccedil;&otilde;es para a Conven&ccedil;&atilde;o Minamata sobre Merc&uacute;rio. - Minist&eacute;rio de Relaciones Exteriores do Uruguai.<\/p><\/div>  O merc&uacute;rio tamb&eacute;m &eacute; uma neurotoxina que afeta os rins e muitos sistemas corporais, como o nervoso, cardiovascular, respirat&oacute;rio, gastrointestinal, hematol&oacute;gico, imunol&oacute;gico e reprodutivo.<\/p>\n<p>A denominada Conven&ccedil;&atilde;o Minamata sobre Merc&uacute;rio, que disp&otilde;e medidas de controle e redu&ccedil;&atilde;o do uso de produtos e processos que empregam esse metal, foi aprovada por representantes de mais de 140 governos, ser&aacute; assinada em setembro e entrar&aacute; em vigor ap&oacute;s ser ratificada por 50 pa&iacute;ses. As disposi&ccedil;&otilde;es do acordo assinado em Genebra proibir&atilde;o at&eacute; 2020 a produ&ccedil;&atilde;o, exporta&ccedil;&atilde;o e importa&ccedil;&atilde;o de alguns produtos que cont&ecirc;m merc&uacute;rio.<\/p>\n<p>A proibi&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;ar&aacute; diferentes tipos de pilhas, alguns tipos de l&acirc;mpadas fluorescentes, bem como sab&otilde;es e cosm&eacute;ticos, alguns instrumentos m&eacute;dicos n&atilde;o eletr&ocirc;nicos, como term&ocirc;metros e aparelhos de medi&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o arterial. O tratado exclui a proibi&ccedil;&atilde;o de outros elementos que at&eacute; agora care&ccedil;am de substitutos livres de merc&uacute;rio, com as vacinas em que o metal &eacute; usado para sua preserva&ccedil;&atilde;o e outros empregados em atividades religiosas ou tradicionais.<\/p>\n<p>As negocia&ccedil;&otilde;es da Conven&ccedil;&atilde;o Minamata sobre Merc&uacute;rio, que leva o nome de uma regi&atilde;o do Jap&atilde;o onde as emiss&otilde;es desse metal causaram graves danos humanos e ambientais no s&eacute;culo 20, foram presididas pelo diplomata uruguaio Fernando Lugris, assessorado por t&eacute;cnicos do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma) e, em particular, por seu diretor executivo, Achim Steiner. Lugris que levou a bom porto quatro anos de negocia&ccedil;&otilde;es, reconheceu &agrave; IPS sua satisfa&ccedil;&atilde;o pelo acordo alcan&ccedil;ado, durante entrevista concedida ao final dos trabalhos.<\/p>\n<p>IPS: Que balan&ccedil;o faz deste processo?<\/p>\n<p>FERNANDO LUGRIS: Creio que chegamos a um n&iacute;vel de ambi&ccedil;&atilde;o alto, onde as medidas de controle, sobretudo para regular as emiss&otilde;es de merc&uacute;rio no ar, no solo e na &aacute;gua, s&atilde;o realmente audaciosas. Poderemos obter redu&ccedil;&otilde;es em n&iacute;vel global que ser&atilde;o muito importantes.<\/p>\n<p>IPS: A quais tipos de emiss&otilde;es se refere o texto?<\/p>\n<p>FL: Esse tratado n&atilde;o busca reduzir as emiss&otilde;es que s&atilde;o naturais, porque o merc&uacute;rio &eacute; um elemento da natureza que se encontra presente no planeta, mas tentamos reduzir aquelas emiss&otilde;es antropog&ecirc;nicas, geradas pelo uso em produtos ou processos do homem, e buscamos alternativas para sua substitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>IPS: O conv&ecirc;nio afetar&aacute; a situa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses?<\/p>\n<p>FL: Basicamente, o tratado busca n&atilde;o impor limites ao desenvolvimento dos pa&iacute;ses, mas orientar para um desenvolvimento sustent&aacute;vel que fa&ccedil;a justamente com que os processos e os produtos no futuro sejam livres de merc&uacute;rio, isto &eacute;, buscar alternativas sustent&aacute;veis para eles.<\/p>\n<p>IPS: Representantes de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais questionaram as decis&otilde;es aprovadas, por entenderem que s&atilde;o insuficientes para reduzir as emiss&otilde;es mundiais de merc&uacute;rio e que, inclusive, podem chegar a provocar um aumento da contamina&ccedil;&atilde;o por esse metal.<\/p>\n<p>FL: Digo que a sociedade civil tem que manter sua voz reclamando que os governos realizem esfor&ccedil;os maiores e esse tratado &eacute; um ponto de partida muito importante. At&eacute; ontem n&atilde;o havia um esfor&ccedil;o da comunidade internacional de car&aacute;ter vinculante. Hoje contamos com ele. Contudo, este esfor&ccedil;o poder&aacute; ser refor&ccedil;ado com a&ccedil;&otilde;es futuras por meio da evolu&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio tratado em sua confer&ecirc;ncia das partes.<\/p>\n<p>IPS: Coube ao senhor durante as negocia&ccedil;&otilde;es lidar com a divis&atilde;o Norte-Sul que caracteriza a maioria dos debates multilaterais.<\/p>\n<p>FL: Em alguns assuntos a divis&atilde;o Norte-Sul continua existindo. Mas em outros j&aacute; percebemos que o mundo est&aacute; mudando. Claramente isto se v&ecirc; na quest&atilde;o das emiss&otilde;es a&eacute;reas, onde pa&iacute;ses como China e &Iacute;ndia s&atilde;o os grandes emissores na atmosfera pela combust&atilde;o de carbono para a gera&ccedil;&atilde;o de energia. Na mesma linha se encontram Estados Unidos e Uni&atilde;o Europeia. E ficou muito claro que, nas discuss&otilde;es pelas redu&ccedil;&otilde;es a&eacute;reas, o pacote negociador foi se estabelecendo entre os grandes emissores.<\/p>\n<p>IPS: Notou algum outro agrupamento de pa&iacute;ses durante as negocia&ccedil;&otilde;es?<\/p>\n<p>FL: Sim, nas libera&ccedil;&otilde;es de merc&uacute;rio na &aacute;gua vimos que os pa&iacute;ses em desenvolvimento, especialmente da &Aacute;frica e Am&eacute;rica Latina, apresentam uma realidade claramente similar, e que a necessidade maior &eacute; buscar coopera&ccedil;&atilde;o e poder ajudar as popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis.<\/p>\n<p>IPS: O que ocorreu com a iniciativa sobre a quest&atilde;o da sa&uacute;de do grupo de pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e do Caribe?<\/p>\n<p>FL: O Chamado Grulac buscou introduzir claramente o tema sa&uacute;de em toda a Conven&ccedil;&atilde;o, e basicamente o texto acordado cont&eacute;m muitas medidas que incluem de forma integral aspectos de prote&ccedil;&atilde;o nesse sentido. Al&eacute;m disso, o grupo insistiu na necessidade de contar com um artigo espec&iacute;fico sobre sa&uacute;de. Em princ&iacute;pio, os pa&iacute;ses industrializados entenderam que n&atilde;o era pertinente situar o item sobre sa&uacute;de em um acordo de meio ambiente. Mas a persist&ecirc;ncia da Am&eacute;rica Latina e seu interesse t&atilde;o claro na prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de humana conseguiu que o plen&aacute;rio acordasse um artigo espec&iacute;fico relativo &agrave; sa&uacute;de.<\/p>\n<p>IPS: O texto aprovado prev&ecirc; uma colabora&ccedil;&atilde;o de fundos para sustentar essa prote&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de humana?<\/p>\n<p>FL: Como a Conven&ccedil;&atilde;o ter&aacute; que ter um &oacute;rg&atilde;o financeiro que assistir&aacute; sua implanta&ccedil;&atilde;o, &eacute; claro que as medidas que ser&atilde;o tomadas afetar&atilde;o de forma positiva a prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de humana. E, sobretudo, &eacute; preciso destacar que a sa&uacute;de humana, em mat&eacute;ria de contamina&ccedil;&atilde;o de merc&uacute;rio, n&atilde;o &eacute; protegida apenas com medidas nesse sentido, e que o controle das emiss&otilde;es atmosf&eacute;ricas &eacute; a a&ccedil;&atilde;o mais importante para preservar os humanos.<\/p>\n<p>IPS: No &uacute;ltimo momento, alguns pa&iacute;ses, como Bol&iacute;via, Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha, rejeitaram uma proposta boliviana para incorporar ao texto uma refer&ecirc;ncia &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas. Como foi esse debate?<\/p>\n<p>FL: A comunidade internacional conseguiu, por meio de um acordo n&atilde;o vinculante como a Declara&ccedil;&atilde;o sobre os Povos Ind&iacute;genas, ter claramente plasmado esse termo, mas, lamentavelmente, em n&iacute;vel de um acordo vinculante ainda existem alguns pa&iacute;ses que se op&otilde;em a essa denomina&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; o caso da Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>IPS: Qual sua opini&atilde;o a respeito?<\/p>\n<p>FL: A Am&eacute;rica Latina apoia a declara&ccedil;&atilde;o dos povos ind&iacute;genas e se refere claramente aos direitos coletivos que foram reconhecidos nesse acordo, tamb&eacute;m adotado em Genebra com apoio do Uruguai e sob a presid&ecirc;ncia do Peru. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 21\/01\/2013 &ndash; A comunidade internacional adotou, no dia 19, um tratado que obrigar&aacute; os pa&iacute;ses signat&aacute;rios a prevenirem as emiss&otilde;es de merc&uacute;rio, metal que prejudica a sa&uacute;de humana e tamb&eacute;m os ecossistemas dos quais dependem. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/mundo\/acordo-para-reduzir-emisses-de-mercrio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,10,4],"tags":[],"class_list":["post-11236","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-energia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11236"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11236\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}