{"id":11246,"date":"2013-01-22T08:04:09","date_gmt":"2013-01-22T08:04:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11246"},"modified":"2013-01-22T08:04:09","modified_gmt":"2013-01-22T08:04:09","slug":"reportagem-mapa-de-risco-climtico-ataca-clientelismo-em-construo-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/reportagem-mapa-de-risco-climtico-ataca-clientelismo-em-construo-no-rio\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Mapa de risco clim&aacute;tico ataca clientelismo em constru&ccedil;&atilde;o no Rio"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 22\/01\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Uma lei, em estudo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, proibir&aacute; as prefeituras de desenvolverem obras de infraestrutura que facilitem assentamentos em &aacute;reas expostas a desastres naturais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11246\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/612_Rio_de_Janeiro_Fabiola_OrtizIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11246\" class=\"size-medium wp-image-11246\" title=\"As favelas do Rio de Janeiro ficam em &aacute;reas de risco em casos de chuvas fortes. - Helda Mart\u00c3\u00adnez\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/612_Rio_de_Janeiro_Fabiola_OrtizIPS.jpg\" alt=\"As favelas do Rio de Janeiro ficam em &aacute;reas de risco em casos de chuvas fortes. - Helda Mart\u00c3\u00adnez\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11246\" class=\"wp-caption-text\">As favelas do Rio de Janeiro ficam em &aacute;reas de risco em casos de chuvas fortes. - Helda Mart\u00c3\u00adnez\/IPS<\/p><\/div>  Para romper a in&eacute;rcia diante das trag&eacute;dias que as chuvas trazem anualmente, as autoridades do Rio de Janeiro pretendem que as prefeituras desse Estado incluam um mapa de risco ambiental em suas obras de infraestrutura, para dessa forma impedir constru&ccedil;&otilde;es em &aacute;reas vulner&aacute;veis. A iniciativa, promovida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e que dever&aacute; ser aprovada pelos deputados estaduais, foi anunciada em meio a uma nova cat&aacute;strofe clim&aacute;tica neste Estado.<\/p>\n<p>Desde o come&ccedil;o do ano, a esta&ccedil;&atilde;o das chuvas de ver&atilde;o j&aacute; causou pelo menos tr&ecirc;s mortos, enquanto milhares de pessoas ficaram sem teto por causa de deslizamentos e inunda&ccedil;&otilde;es, segundo a Defesa Civil estadual. &quot;Decidimos enviar este projeto de lei &agrave; Assembleia para conter o populismo suicida de alguns prefeitos, que ignoram os mapas de &aacute;reas de risco&quot;, explicou ao Terram&eacute;rica o secret&aacute;rio do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc.<\/p>\n<p>&quot;J&aacute; vi prefeitos construindo ruas e instalando servi&ccedil;os para a popula&ccedil;&atilde;o em lugares apontados pelos estudos como vulner&aacute;veis aos desastres naturais, com risco de morte iminente&quot;, afirmou Minc. Os mapas de risco se converter&atilde;o em documentos p&uacute;blicos oficiais e &quot;as prefeituras estar&atilde;o obrigadas a incorporar suas determina&ccedil;&otilde;es e restri&ccedil;&otilde;es aos seus planos diretores e &agrave;s leis de uso do solo&quot;, destacou. Um estudo do Servi&ccedil;o Geol&oacute;gico estadual, divulgado no dia 7 pelo jornal O Globo, revela que no Estado h&aacute; &aacute;reas de risco em 67 de seus 92 munic&iacute;pios, nas quais residem cerca de 36 mil pessoas.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Terram&eacute;rica, o engenheiro geot&eacute;cnico Willy Lacerda atribuiu esse n&uacute;mero elevado ao fato de esses munic&iacute;pios se localizarem em &aacute;reas montanhosas e porque suas &quot;morfologia e geomorfologia&quot; s&atilde;o suscet&iacute;veis a deslizamentos diante de chuvas abundantes. Lacerda, professor de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que a chuva &eacute; determinante para diversas formas de cat&aacute;strofes.<\/p>\n<p>Uma &eacute; a da cont&iacute;nua e lenta satura&ccedil;&atilde;o do solo. &quot;Se a profundidade deste diante da satura&ccedil;&atilde;o for adequada, pode haver deslizamentos de terra dispersos&quot;, explicou o engenheiro. Se houver chuva intensa, depois de um per&iacute;odo de precipita&ccedil;&otilde;es cont&iacute;nuas, pode aumentar o caudal de &aacute;gua nos rios e nas ladeiras removendo os solos, j&aacute; com sua resist&ecirc;ncia reduzida devido &agrave; satura&ccedil;&atilde;o. &quot;Neste caso, os deslizamentos s&atilde;o generalizados&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu em 2011 em Teres&oacute;polis e Nova Friburgo, na regi&atilde;o serrana do Rio de Janeiro, onde os deslizamentos e transbordamentos fluviais provocaram mais de 900 mortos e deixaram cerca de 25 mil pessoas sem teto, segundo dados do governo do Estado. Uma terceira vari&aacute;vel &eacute; a de chuvas com intensidade superior a 60 mil&iacute;metros por hora, como a que caiu em 1996 na localidade de Jacarepagu&aacute;, capaz de derrubar encostas muito empinadas e provocar deslizamentos generalizados.<\/p>\n<p>A cartografia das &aacute;reas de risco servir&aacute; para evitar o pior ou, pelo menos, minimizar trag&eacute;dias clim&aacute;ticas, destacou Lacerda. Em alguns casos promoveria a evacua&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas vulner&aacute;veis e em outras a constru&ccedil;&atilde;o de obras estruturais de engenharia, por exemplo, para refor&ccedil;ar as ladeiras. O engenheiro, que participa da elabora&ccedil;&atilde;o dos mapas, explicou que eles devem ter como base par&acirc;metros como geologia, forma do terreno (inclina&ccedil;&atilde;o e concavidade), espessura e resist&ecirc;ncia do solo e o tipo de vegeta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;S&atilde;o definidas assim as &aacute;reas onde a probabilidade de deslizamentos &eacute; maior ou menor, e a partir disso &eacute; poss&iacute;vel determinar as moradias mais suscet&iacute;veis a eles&quot;, dentro de uma escala de risco muito alto, m&eacute;dio ou baixo, acrescentou Lacerda. Igualmente, pode-se qualificar o risco de inunda&ccedil;&otilde;es a partir da hidrologia local e dos &iacute;ndices de chuva m&aacute;ximo e m&eacute;dio esperados.<\/p>\n<p>Tudo isso, no entanto, n&atilde;o preveniria os efeitos de trombas d&#39;&aacute;gua como as que afetaram, em 2011, o Vale de Cuiab&aacute;, no distrito de Itaipava, na cidade de Petr&oacute;polis, e, no come&ccedil;o deste m&ecirc;s, Xer&eacute;m, na cidade de Duque de Caxias, que arrastou casas, pontes e autom&oacute;veis &quot;como um tsunami&quot;. Mas, poderia aliviar o impacto, disse o especialista.<\/p>\n<p>O mapa de risco permitir&aacute; tamb&eacute;m determinar as &aacute;reas em que &eacute; poss&iacute;vel construir moradias ou complexos habitacionais para os evacuados de &aacute;reas de risco. A prefeitura da cidade do Rio de Janeiro instalou sirenes em bairros localizados em &aacute;reas de risco, como algumas de suas favelas, que s&atilde;o ativados com seis horas de antecipa&ccedil;&atilde;o &agrave; chegada de chuvas fortes. Por sua vez, o governo federal anunciou que destinar&aacute; cerca de US$ 175 milh&otilde;es para obras de conten&ccedil;&atilde;o de encostas.<\/p>\n<p>O Estado do Rio de Janeiro j&aacute; destinou recursos para esse tipo de obras, mas em alguns munic&iacute;pios foram desviados dessa finalidade pela denunciada corrup&ccedil;&atilde;o de seus prefeitos. Al&eacute;m disso, em Xer&eacute;m, antes da tromba d&#39;&aacute;gua deste m&ecirc;s, a coleta de lixo tinha sido interrompida pelo governo municipal, por causa de den&uacute;ncias de irregularidades no contrato com a empresa de limpeza urbana. O ac&uacute;mulo de lixo, segundo Lacerda, n&atilde;o causou a fort&iacute;ssima chuva, mas agravou seu impacto, porque dificultou a drenagem e propagou doen&ccedil;as.<\/p>\n<p>O te&oacute;logo e ativista ambiental Leonardo Boff qualificou, em uma coluna publicada no dia 4, o &quot;tsunami&quot; de Xer&eacute;m como &quot;um crime de lesa humanidade&quot;, como outras cat&aacute;strofes socioambientais que se repetem cada vez com maior frequ&ecirc;ncia. Boff prop&ocirc;s &quot;uma lei nacional de responsabilidade socioambiental (&#8230;) com pesadas penas para quem n&atilde;o a respeitar&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Somos irrespons&aacute;veis perante a natureza quando desmatamos, derramamos milhares de milh&otilde;es de litros de agrot&oacute;xicos no solo, lan&ccedil;amos anualmente na atmosfera cerca de 30 bilh&otilde;es de toneladas de gases-estufa, contaminamos as &aacute;guas, destru&iacute;mos as matas ribeirinhas&quot;, resumiu o te&oacute;logo. Al&eacute;m disso, &quot;n&atilde;o respeitamos o declive das montanhas que podem desmoronar e matar pessoas, nem consideramos as margens que os rios necessitam para que as inunda&ccedil;&otilde;es n&atilde;o arrastem tudo com elas&quot;, advertiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 22\/01\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Uma lei, em estudo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, proibir&aacute; as prefeituras de desenvolverem obras de infraestrutura que facilitem assentamentos em &aacute;reas expostas a desastres naturais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/reportagem-mapa-de-risco-climtico-ataca-clientelismo-em-construo-no-rio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,11],"tags":[27,21],"class_list":["post-11246","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11246","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11246"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11246\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11246"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11246"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11246"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}