{"id":11252,"date":"2013-01-22T08:24:25","date_gmt":"2013-01-22T08:24:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11252"},"modified":"2013-01-22T08:24:25","modified_gmt":"2013-01-22T08:24:25","slug":"violaes-na-ndia-desatam-debate-sobre-pena-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/direitos-humanos\/violaes-na-ndia-desatam-debate-sobre-pena-de-morte\/","title":{"rendered":"Viola&ccedil;&otilde;es na &Iacute;ndia desatam debate sobre pena de morte"},"content":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 22\/01\/2013 &ndash; Os maci&ccedil;os protestos e as promessas de l&iacute;deres pol&iacute;ticos n&atilde;o bastam para deter a viol&ecirc;ncia sexual na &Iacute;ndia, onde o clamor popular por justi&ccedil;a se transforma, pouco a pouco, em um chamado em favor da pena de morte.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11252\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/102253-20130121.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11252\" class=\"size-medium wp-image-11252\" title=\" - Sujoy Dhar\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/102253-20130121.jpg\" alt=\" - Sujoy Dhar\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11252\" class=\"wp-caption-text\"> - Sujoy Dhar\/IPS<\/p><\/div>  Na fria noite do dia 16, exatamente um m&ecirc;s depois que uma jovem foi violentada em grupo e torturada em um &ocirc;nibus em Nova D&eacute;lhi, centenas de pessoas se reuniram com velas nas m&atilde;os na capital indiana para expressar sua indigna&ccedil;&atilde;o pelo ocorrido.<\/p>\n<p>Uniram-se para recordar a v&iacute;tima que, 13 dias ap&oacute;s ser atacada, morreu em um hospital de Cingapura devido aos ferimentos internos causados pelos agressores. O caso provocou indigna&ccedil;&atilde;o neste pa&iacute;s de 1,2 bilh&atilde;o de habitantes que h&aacute; tempos sofre uma epidemia de viol&ecirc;ncia sexual. A raiva era vis&iacute;vel nas pessoas reunidas na semana passada em um lugar que representa um &iacute;cone para os moradores de Nova D&eacute;lhi, o hist&oacute;rico centro astron&ocirc;mico de Jantar Mantar. Ali homenagearam Jyoti Singh Pandey, estudante de medicina de 23 anos, que agora &eacute; lembrada como &quot;Cora&ccedil;&atilde;o valente&quot; ou &quot;A filha da &Iacute;ndia&quot;.<\/p>\n<p>Mas os protestos e os insistentes chamados para que seja feita justi&ccedil;a n&atilde;o s&atilde;o suficientes para frear a viol&ecirc;ncia. Uma s&eacute;rie de viola&ccedil;&otilde;es em grupo, incluindo algumas tamb&eacute;m dentro de &ocirc;nibus, foi denunciada em todo o pa&iacute;s nas &uacute;ltimas semanas. A brutalidade desses ataques &eacute; quase diretamente proporcional &agrave; paix&atilde;o dos protestos, afirmam ativistas e especialistas. Diante disto, as multid&otilde;es deixaram de exigir justi&ccedil;a e agora exigem diretamente a morte dos respons&aacute;veis: o cartaz &quot;Queremos justi&ccedil;a&quot;, o mais usado nas manifesta&ccedil;&otilde;es, foi substitu&iacute;do pelo &quot;Forca para os violadores&quot;.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a explos&atilde;o dos protestos de rua e as trocas de opini&otilde;es nas redes sociais na internet, o foco do debate agora &eacute; se a aplica&ccedil;&atilde;o da pena de morte pode acabar com os horr&iacute;veis ataques contra as mulheres, ou ao menos reduzi-los. A pol&ecirc;mica parece surgir de um forte sentimento de frustra&ccedil;&atilde;o. No m&ecirc;s passado, as autoridades indianas se esfor&ccedil;aram para tranquilizar os manifestantes com promessas de emendas legais e um fortalecimento da seguran&ccedil;a para as mulheres. Contudo, mesmo com os duros discursos pol&iacute;ticos e maior presen&ccedil;a policial nas ruas, os ataques continuaram.<\/p>\n<p>No come&ccedil;o deste m&ecirc;s, uma mulher sofreu viola&ccedil;&atilde;o em grupo dentro de um &ocirc;nibus no Estado de Punjab, enquanto no Estado de Rajasthan uma jovem se suicidou depois que a pol&iacute;cia a amea&ccedil;ou por ter apresentado uma den&uacute;ncia de ataque sexual. No Estado de Goa uma garota de sete anos foi violada no banheiro de uma escola. Estes casos obrigaram os pol&iacute;ticos e os cidad&atilde;os em geral a enfrentarem as limita&ccedil;&otilde;es de seu sistema judicial.<\/p>\n<p>A ministra de Desenvolvimento das Mulheres e da Inf&acirc;ncia, Krishna Tirath, afirmou que &eacute; preciso mudar as leis para contemplar a pena de morte como castigo para os casos mais brutais de viola&ccedil;&atilde;o. A l&iacute;der da oposi&ccedil;&atilde;o no parlamento, Sushma Swaraj, do nacionalista e hindu Partido Bharatiya Janata, tamb&eacute;m defendeu a aplica&ccedil;&atilde;o da pena capital. Estes chamados do setor pol&iacute;tico encontraram apoio entre muitos cidad&atilde;os indignados pelo crescente n&uacute;mero de ataques.<\/p>\n<p>Em uma pesquisa feita nas &uacute;ltimas semanas, 100% das mulheres entrevistadas disseram que o maior problema que o pa&iacute;s enfrenta &eacute; resolver o problema da inseguran&ccedil;a que muitas delas sofrem. &quot;&Eacute; uma completa bobagem dizer que os atacantes s&atilde;o humanos e merecem viver &agrave; custa dos contribuintes&quot;, disse Sanchita Guha, da &aacute;rea de m&iacute;dia, radicada em Nova D&eacute;lhi, em conversa com a IPS. A pena capital &quot;tamb&eacute;m d&aacute; &agrave; v&iacute;tima a sensa&ccedil;&atilde;o de que seu caso foi encerrado&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, a maioria dos grupos de mulheres se op&otilde;e &agrave; pena de morte ou a puni&ccedil;&otilde;es severas, como a castra&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica dos violadores, que, em geral, saem impunes por meio de brechas legais ou gra&ccedil;as &agrave; insensibilidade do sistema judicial.<\/p>\n<p>Kavita Krishnan, um dos rostos mais destacados nos protestos de rua e secret&aacute;ria da Associa&ccedil;&atilde;o de Todas as Mulheres Progressistas da &Iacute;ndia, disse &agrave; IPS que &quot;todo esse debate sobre a pena de morte &eacute; uma pista falsa para desviar a aten&ccedil;&atilde;o dos crimes de g&ecirc;nero e se concentrar na severidade do castigo. A pena de morte n&atilde;o &eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o para um pa&iacute;s com leis mis&oacute;ginas. N&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncia em nenhuma parte do mundo de que este castigo reduz as viola&ccedil;&otilde;es ou desestimule algu&eacute;m a cometer um crime&quot;.<\/p>\n<p>Em todo caso, a pena de morte poderia dissuadir os ju&iacute;zes de darem senten&ccedil;as severas contra os violadores, &quot;pois os tribunais ter&atilde;o muita cautela antes de dar um veredito&quot;, acrescentou Krishnan. Na &Iacute;ndia, um &quot;grande n&uacute;mero de ataques sexuais tamb&eacute;m ocorre dentro de casa, entre pessoas pr&oacute;ximas entre si. Se houver pena de morte, a v&iacute;tima estar&aacute; sob intensa press&atilde;o para n&atilde;o fazer a den&uacute;ncia&quot;, alertou. &quot;As taxas de condena&ccedil;&atilde;o devem aumentar na &Iacute;ndia, e o debate deve ser sobre a certeza de que haver&aacute; castigo e sobre leis com sensibilidade de g&ecirc;nero&quot;, ressaltou a ativista.<\/p>\n<p>Atualmente, os violadores sofrem uma condena&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de sete anos de pris&atilde;o, segundo o Artigo 376 do C&oacute;digo Penal, senten&ccedil;a que pode ser ampliada para dez anos dependendo da severidade do caso. Mas o Artigo 375 considera viola&ccedil;&atilde;o apenas a agress&atilde;o sexual que incluir penetra&ccedil;&atilde;o com o p&ecirc;nis, o que exclui o sexo oral for&ccedil;ado ou a penetra&ccedil;&atilde;o com um objeto estranho, que pode causar ferimentos ainda mais graves. Estas &uacute;ltimas agress&otilde;es s&oacute; est&atilde;o contempladas no Artigo 354, referente aos &quot;ataques a mulheres com inten&ccedil;&atilde;o de atentar contra sua mod&eacute;stia&quot; e no Artigo 377, que pune o &quot;contato carnal contra a ordem natural&quot;.<\/p>\n<p>Para Ranjana Kumari, diretora do Centro para Pesquisa Social, com sede em Nova D&eacute;lhi, incluir a pena de morte como castigo para a viola&ccedil;&atilde;o, paradoxalmente, pode fazer com que os respons&aacute;veis nunca sejam punidos. A especialista explicou que muitos condenados &agrave; morte poder&atilde;o solicitar clem&ecirc;ncia ao Presidente, que tem o poder de comutar a senten&ccedil;a. &quot;Se a pena capital for implantada, o processo judicial tamb&eacute;m ser&aacute; muito longo. J&aacute; h&aacute; cerca de 95 mil casos pendentes em v&aacute;rios tribunais e &eacute; imposs&iacute;vel aplicar a pena de morte em grande quantidade&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>&quot;Queremos um castigo severo, que inclua rigorosa pris&atilde;o, porque de outra forma ser&aacute; somente uma op&ccedil;&atilde;o entre pena de morte ou nenhum castigo&quot;, opinou Kumari. A taxa de condena&ccedil;&otilde;es a pris&atilde;o por viola&ccedil;&otilde;es &eacute; de 26% na &Iacute;ndia, afirmou, lembrando que &quot;tamb&eacute;m descobrimos que ningu&eacute;m recebe pena superior a tr&ecirc;s ou quatro anos de pris&atilde;o&quot;. Depois dos protestos em Nova D&eacute;lhi, o governo designou um comit&ecirc; integrado por tr&ecirc;s juristas, que apresentar&atilde;o recomenda&ccedil;&otilde;es sobre poss&iacute;veis emendas &agrave; lei para incrementar os castigos e acelerar a justi&ccedil;a. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 22\/01\/2013 &ndash; Os maci&ccedil;os protestos e as promessas de l&iacute;deres pol&iacute;ticos n&atilde;o bastam para deter a viol&ecirc;ncia sexual na &Iacute;ndia, onde o clamor popular por justi&ccedil;a se transforma, pouco a pouco, em um chamado em favor da pena de morte. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/direitos-humanos\/violaes-na-ndia-desatam-debate-sobre-pena-de-morte\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":197,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[17,26,21,24],"class_list":["post-11252","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-india","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/197"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11252\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}