{"id":11256,"date":"2013-01-23T02:23:55","date_gmt":"2013-01-23T02:23:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11256"},"modified":"2013-01-23T02:23:55","modified_gmt":"2013-01-23T02:23:55","slug":"um-rio-que-corre-sem-gua-na-tanznia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/africa\/um-rio-que-corre-sem-gua-na-tanznia\/","title":{"rendered":"Um rio que corre sem &aacute;gua na Tanz&acirc;nia"},"content":{"rendered":"<p>Dar es Salaam, 23\/01\/2013 &ndash; Avelina Elias Mkenda, agricultora de pequena escala de 52 anos do distrito de Mbarali, na regi&atilde;o de Mbeya, no sudoeste da Tanz&acirc;nia, pressente uma mudan&ccedil;a no meio ambiente. <!--more--> Residente na bacia do Rio Grande Ruaha, nunca teve problemas para regar as suas colheitas e dar de beber aos seus animais<\/p>\n<p>Mas nos &uacute;ltimos anos o rio tem trazido um volume cada vez menor do seu precioso recurso; a relva que outrora era abundante agora escasseia, deixando o gado com fome, enquanto que a produ&ccedil;&atilde;o de caf&eacute;, a principal colheita da regi&atilde;o, caiu drasticamente. Designado de &quot;espinha dorsal ecol&oacute;gica&quot; da Tanz&acirc;nia, o Rio Grande Ruaha nasce nas montanhas Kipengere e apresenta uma extens&atilde;o de cerca de 84.000 quil&oacute;metros, atravessando as zonas h&uacute;midas do Vale do Usangu e o Parque Nacional de Ruaha at&eacute; desembocar finalmente no Rio Rufiji. A &aacute;rea da sua bacia hidrogr&aacute;fica irriga uma grande extens&atilde;o do campo tanzaniano. Mais de um milh&atilde;o de pequenos agricultores produz uma importante por&ccedil;&atilde;o dos alimentos locais no f&eacute;rtil solo da bacia de Ruaha, que tamb&eacute;m fornece 70 por cento da energia hidroel&eacute;ctrica da Tanz&acirc;nia, de acordo com fontes governamentais. Os funcion&aacute;rios do Gabinete da Bacia Hidrogr&aacute;fica de Rufiji (RWBO), que gere a bacia de Ruaha, juntamente com quadros acad&eacute;micos da prestigiosa Universidade de Agricultura de Sokoine da Tanz&acirc;nia (SUA), avisam agora que o rio est&aacute; sob &quot;press&atilde;o alarmante&quot;. &quot;O rio agora fica seco durante longos per&iacute;odos, que chegam a atingir tr&ecirc;s meses (de cada vez), comparado com o curto per&iacute;odo de tr&ecirc;s semanas que se verificava anteriormente,&quot; explicou &agrave; IPS Damian Gabagambi, economista agr&iacute;cola da Universidade de Agricultura de Sokoine. Ele acredita que a crise se deve, em larga medida, ao facto de um crescente n&uacute;mero de agricultores desviar &aacute;gua do rio para irriga&ccedil;&atilde;o. &quot;Antes de 1993 o rio nunca estava seco,&quot; disse &agrave; IPS Andrew Temu, professor da Universidade de Agricultura de Sokoine, acrescentando que o per&iacute;odo de seca de tr&ecirc;s meses come&ccedil;ou em 1999. Durante este per&iacute;odo, a popula&ccedil;&atilde;o que vivia na zona da bacia hidrogr&aacute;frica aumentou de tr&ecirc;s para seis milh&otilde;es de pessoas. &quot;Com o aumento populacional, h&aacute; uma correspondente procura de mais &aacute;gua,&quot; apontou Temu. O aumento das pastagens e a desfloresta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m contribu&iacute;ram para a crise iminente. Al&eacute;m disso, a aus&ecirc;ncia de infra-estruturas de irriga&ccedil;&atilde;o adequadas significa que uma grande parte da &aacute;gua &eacute; desperdi&ccedil;ada, acrescentou Gabagambi, O Funcion&aacute;rio Respons&aacute;vel pelo Desenvolvimento Comunit&aacute;rio da RWBO, David Muginya, disse &agrave; IPS que os projectos agr&iacute;colas empreendidos por grandes e pequenos agricultores n&atilde;o respeitavam a Lei de Gest&atilde;o dos Recursos H&iacute;dricos de 2009, que obriga todos os consumidores a instalarem as infra-estruturas adequadas para evitar o desperd&iacute;cio de &aacute;gua. <\/p>\n<p>Um relat&oacute;rio efectuado pela Universidade de Dar es Salaam em 2012 publicado em Julho do ano passado, &#39;Vulnerabilidade dos Meios de Vida das Popula&ccedil;&otilde;es &agrave; Disponibilidade dos Recursos H&iacute;dricos em &Aacute;reas Semi-&aacute;ridas da Tanz&acirc;nia&#39;, revelou que o desperd&iacute;cio de &aacute;gua tinha tornado um milh&atilde;o de pessoas dependentes dos recursos h&iacute;dricos a jusante do Rio Grande Ruaha extremamente vulner&aacute;veis a uma grave escassez de &aacute;gua. Todos os ind&iacute;cios apontam para que a actual gest&atilde;o dos recursos naturais n&atilde;o seja sustent&aacute;vel e poder&aacute; resultar em danos irrepar&aacute;veis para o meio ambiente. &quot;A situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; a colocar em perigo a vida de milh&otilde;es de pessoas que vivem no sul e no centro da Tanz&acirc;nia, que correm o perigo de ficarem mais pobres se se deixar o meio ambiente neste estado de degrada&ccedil;&atilde;o,&quot; avisou Gabagambi. Os especialistas acreditam que o impacto na agricultura e na produ&ccedil;&atilde;o alimentar se alargar&aacute; muito para al&eacute;m da vizinhan&ccedil;a imediata da bacia hidrogr&aacute;fica, afectando uma grande propor&ccedil;&atilde;o das 46 milh&otilde;es de pessoas da Tanz&acirc;nia. Entretanto, os funcion&aacute;rios da RWBO est&atilde;o preocupados com o futuro fornecimento de energia hidroel&eacute;ctrica.<\/p>\n<p>De quem &eacute; a culpa?<\/p>\n<p>Oa grandes agricultores na regi&atilde;o, que dizem ter planos para construir infra-estruturas de irriga&ccedil;&atilde;o adequadas, acusam os pequenos agricultores de ter acesso ilegal aos canais de &aacute;gua devendo, por isso, pagar a &aacute;gua que utilizam. O Director-Geral da Companhia A&ccedil;ucareira de Kilombero Limitada, Don Carter, explicou &agrave; IPS que os pequenos agricultores &quot;exercem press&atilde;o sobre os recursos h&iacute;dricos porque est&atilde;o todos envolvidos na agricultura e retiram &aacute;gua ilegalmente sem pagar por esses direitos&quot;. Mas os pequenos agricultores como Mkenda, no distrito de Mbarali, afirmam n&atilde;o ter outra op&ccedil;&atilde;o. As altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, um sol mais forte e agora a escassez da &aacute;gua do rio t&ecirc;m tido um impacto negativo na sua colheita de caf&eacute;, resultando em rendimentos ainda mais baixos. &quot;N&atilde;o temos dinheiro para construir (as infra-estruturas de irriga&ccedil;&atilde;o),&quot; lamentou Mkenda. Ironicamente, os pequenos agricultores ser&atilde;o os mais afectados pela escassez de &aacute;gua &agrave; medida que lutam para sobreviver ao lado de um rio que est&aacute; a morrer. Outros peritos como Bariki Kaale, especialista de energia e meio ambiente junto do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), atribuem o problema &agrave;&quot;destrui&ccedil;&atilde;o das fontes de recursos h&iacute;dricos pelo homem&quot;. Kaale diz que a bacia de Ruaha costumava ter &aacute;gua abundante at&eacute; &agrave; altura em que todas as &aacute;rvores foram abatidas. Esta opini&atilde;o &eacute; corroborada pelas conclus&otilde;es de um relat&oacute;rio apresentado ao Fundo Mundial para a Natureza (WWF)-Tanz&acirc;nia sobre as causas da perda de biodiversidade na bacia hidrogr&aacute;fica de Ruaha: &quot;Os habitantes locais (do) Distrito de Makete acreditam que as planta&ccedil;&otilde;es de &aacute;rvores (especialmente as diversas esp&eacute;cies de ciprestres e eucaliptos) est&atilde;o associadas &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o ambiental que se faz sentir nesta &aacute;rea. &quot;Devido ao excessivo abate de &aacute;rvores para obten&ccedil;&atilde;o de madeira, algumas das &aacute;reas foram desmatadas e ficaram expostas aos agentes de eros&atilde;o. O abate de &aacute;rvores para obten&ccedil;&atilde;o de madeira e troncos tamb&eacute;m tem contribu&iacute;do para a desfloresta&ccedil;&atilde;o generalizada da zona, levando &agrave; eros&atilde;o do solo e ao assoreamento dos rios,&quot; acrescentou o relat&oacute;rio. &quot;Agora n&atilde;o temos &aacute;gua para a energia hidroel&eacute;ctrica (e) n&atilde;o vamos ter &aacute;gua para beber no futuro mais pr&oacute;ximo,&quot; avisou este especialista das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dar es Salaam, 23\/01\/2013 &ndash; Avelina Elias Mkenda, agricultora de pequena escala de 52 anos do distrito de Mbarali, na regi&atilde;o de Mbeya, no sudoeste da Tanz&acirc;nia, pressente uma mudan&ccedil;a no meio ambiente. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/africa\/um-rio-que-corre-sem-gua-na-tanznia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1405,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-11256","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1405"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11256\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}