{"id":11257,"date":"2013-01-23T02:29:13","date_gmt":"2013-01-23T02:29:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11257"},"modified":"2013-01-23T02:29:13","modified_gmt":"2013-01-23T02:29:13","slug":"entrevista-pr-as-sanitas-na-moda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/africa\/entrevista-pr-as-sanitas-na-moda\/","title":{"rendered":"Entrevista: P&ocirc;r as Sanitas na moda"},"content":{"rendered":"<p>DURBAN &Aacute;frica do Sul, 23\/01\/2013 &ndash; Fatima Asmal-Motala entrevista JACK SIM, fundador da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Casas Sanitas <!--more--> Quando o fundador da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sanitas, Jack Sim, fez 40 anos. come&ccedil;ou literalmente a contar os dias de vida que lhe sobravam e sentiu a necessidade urgente de fazer algo com significado durante o resto da vida. &quot;Imaginem algu&eacute;m que chega a este mundo e passa a vida a ajudar-se a si pr&oacute;prio? Quando essa pessoa morrer, a sua vida n&atilde;o teve qualquer sentido, portanto qual &eacute; a raz&atilde;o de estar aqui?&quot; perguntou.<\/p>\n<p> Homem de neg&oacute;cios bem sucedido, Sim voltou a sua aten&ccedil;&atilde;o para uma &aacute;rea que achou estar severamente negligenciada. <\/p>\n<p>&quot;A sanita foi completamente negligenciada em Singapura (o seu pa&iacute;s de origem). Percebi que a situa&ccedil;&atilde;o era igual em todo o mundo. As pessoas sentiam-se constrangidas. Agora quebrei o tabu e dei legitimidade a esta quest&atilde;o, com 12 anos de verdadeiro activismo neste campo. Tenho orgulho em dizer que quebrei o tabu relacionado com a quest&atilde;o do saneamento. Seguem-se excertos da entrevista:<\/p>\n<p>P: Porque &eacute; t&atilde;o importante ter um bom saneamento? R: Para que um pa&iacute;s se desenvolva, &eacute; necess&aacute;rio haver pessoas saud&aacute;veis. &Eacute; melhor impedir que as pessoas fiquem doentes do que tentar cur&aacute;-las depois de estarem doentes. A sanita &eacute; a melhor medicina preventiva do mundo. O saneamento apropriado, juntamente com a lavagem das m&atilde;os com sab&atilde;o, reduz a preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;as entre 50 a 80 por cento. Muitas doen&ccedil;as &#8211; diarreia, parasitas e outras doen&ccedil;as &#8211; ocorrem basicamente devido ao alastramento de organismos patog&eacute;nicos provenientes de fezes, transmiss&atilde;o atrav&eacute;s dos dedos, p&eacute;s, moscas e flu&iacute;dos. Se se quebrar esta cadeia, as pessoas tornam-se saud&aacute;veis. Precisamos de sanitas cobertas aonde as moscas n&atilde;o possam chegar, que as pessoas n&atilde;o possam pisar, que as chuvas n&atilde;o possam arrastar e espalhar, e ainda um local onde se possa lavar as m&atilde;os. Para se conseguir isto &eacute; necess&aacute;rio educar &#8211; por que motivo uma casa de banho &eacute; algo positivo para as pessoas &#8211; fazer dela uma moda em vez de uma obriga&ccedil;&atilde;o. Se for moda, as pessoas ir&atilde;o segui-la. As sanitas tamb&eacute;m precisam de donos. Se n&atilde;o tiverem um dono, ficam disfuncionais muito rapidamente. Se algu&eacute;m comprar uma sanita, essa pessoa sente que ela lhe pertence. Se n&atilde;o lhe pertencer, ser&aacute; necess&aacute;rio incutir um sentimento de posse. As pessoas devem ser ensinadas a limp&aacute;-las e a guard&aacute;-las. Se n&atilde;o houver sanitas, haver&aacute; pessoas infelizes e pouco saud&aacute;veis &#8211; resultando em baixa produtividade e baixos rendimentos. Ser&aacute; ent&atilde;o necess&aacute;rio incorrer em despesas devido a doen&ccedil;as, o que pode enfraquecer a sobreviv&ecirc;ncia baseada na subsist&ecirc;ncia, criando um novo ciclo de pobreza que se transforma num problema politico. As boas condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias podem impedir a deflagra&ccedil;&atilde;o de todas estas bombas-rel&oacute;gio.<\/p>\n<p>P: Que progressos se fizeram no continente africano em termos de saneamento? R: A boa not&iacute;cia &eacute; que actualmente &Aacute;frica vive um dos seus per&iacute;odos mais tranquilos na hist&oacute;ria recente. Por esse motivo, o seu crescimento econ&oacute;mico &eacute; em m&eacute;dia mais r&aacute;pido do que o crescimento asi&aacute;tico. Quando as pessoas t&ecirc;m um pouco mais de dinheiro, t&ecirc;m expectativas mais elevadas. Portanto torna-se mais f&aacute;cil desenvolver a procura de sanitas. No continente africano tem-se registado algum progresso em termos da abordagem ao saneamento integral vinda da comunidade, levando as pessoas a cavar as suas pr&oacute;prias fossas, encorajando-as desse modo a terem as suas pr&oacute;prias sanitas rudimentares. Atrav&eacute;s desta abordagem, as pessoas rapidamente compreendem a necessidade de uma sanita adequada. Come&ccedil;am a cavar um buraco e a visitar o mesmo local para defecar. Esta ac&ccedil;&atilde;o j&aacute; &eacute; uma grande mudan&ccedil;a de comportamento &#8211; repentinamente sentem que s&atilde;o disciplinados, sentem a necessidade de privacidade, de proteger os vizinhos. Portanto, a primeira fase &eacute; a visita ao mesmo local e a cobertura da fossa. &Eacute; muito rudimentar, mas sempre &eacute; melhor do que estar exposto na rua, onde as mulheres podem ser molestadas. Na segunda fase, as pessoas s&atilde;o encorajadas a comprarem sanitas, que custam entre 50 a 100 d&oacute;lares. Depois de as possu&iacute;rem, come&ccedil;am as invejas e as compara&ccedil;&otilde;es &#8211; e ningu&eacute;m gosta de ser menosprezado.<\/p>\n<p>P: Actualmente, qual &eacute; a &quot;procura&quot; em &Aacute;frica? R: O que precisamos de fazer &eacute; transferir a sanita para um n&iacute;vel mais elevado na lista de prioridades pessoais &#8211; t&atilde;o elevado como o telem&oacute;vel. A maioria das pessoas no continente tem dado prioridade &agrave; televis&atilde;o, seguida do telem&oacute;vel, mas n&atilde;o &agrave; sanita. O que precisamos de fazer &eacute; tornar moda possuir uma sanita &#8211; transmitir a mensagem que quem n&atilde;o tem uma sanita vive numa situa&ccedil;&atilde;o animalesca. <\/p>\n<p>P: E o que se passa do lado da oferta &#8211; &eacute; f&aacute;cil uma pessoa ter acesso a uma sanita? R: &Eacute; preciso disponibilizar sanitas, atrav&eacute;s do governo ou tornando-as acess&iacute;veis em termos de pre&ccedil;o para as pessoas que as querem comprar, com tratamento no local, saneamento seguro, pessoal de limpeza para as manter, pessoal esse que tamb&eacute;m receber&aacute; forma&ccedil;&atilde;o professional como t&eacute;cnicos. E tamb&eacute;m devemos ensinar as comunidades a cuidar das sanitas para que possam continuar a us&aacute;-las. Por outras palavras, do lado da oferta, o esfor&ccedil;o exige uma combina&ccedil;&atilde;o de pessoas, governo e sector privado.<\/p>\n<p>P: E a respeito da &Aacute;frica do Sul? Tem havido algum progresso aqui? R: Um pouco. Mas o crescimento dos bairros de lata est&aacute; a criar muitas dificuldades, n&atilde;o s&oacute; a n&iacute;vel da disponibiliza&ccedil;&atilde;o de sanitas mas tamb&eacute;m onde coloc&aacute;-las. N&atilde;o se pode colocar uma estrutura permanente em terra ilegal. Contudo, as pessoas precisam de sanitas. &Eacute; necess&aacute;rio haver uma reforma a n&iacute;vel da pol&iacute;tica legislativa que autorize sanitas permanentes. Porque &eacute; que ela precisa de ser m&oacute;vel? Por vezes uma sanita m&oacute;vel est&aacute; demasiado afastada para se ter acesso confort&aacute;vel a ela. Al&eacute;m disso, as pessoas t&ecirc;m o h&aacute;bito de defecar ao ar livre &#8211; portanto existe a barreira da altera&ccedil;&atilde;o de de um h&aacute;bito. As pessoas podem perguntar porque &eacute; que t&ecirc;m de usar sanitas que n&atilde;o est&atilde;o em bom estado de manuten&ccedil;&atilde;o, que est&atilde;o sujas, mal cheirosas e cheias e que nem sequer podem ser usadas? O governo tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; suficientemente r&aacute;pido quanto &agrave; sua disponibiliza&ccedil;&atilde;o, mas penso que est&aacute; interessado em acelerar o programa porque sabe que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ter uma na&ccedil;&atilde;o de pessoas doentes.<\/p>\n<p>P: Qual &eacute; o envolvimento da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sanitas na melhoria do saneamento em &Aacute;frica? P: Fizemos uma parceria com a Unilever para o lan&ccedil;amento de uma academia. Vamos &agrave;s escolas para encorajar as crian&ccedil;as a come&ccedil;arem a usar as sanitas mais cedo; quando utilizam sanitas na escola, promovendo desse modo a respectiva utiliza&ccedil;&atilde;o em casa. O fonecimento de sanitas no continente africano ainda n&atilde;o acompanha a procura. Esta academia vai formar pessoas no fabrico de sanitas em f&aacute;bricas muito pequenas, fazendo delas empres&aacute;rios que podem produzir produtos a pre&ccedil;os ass&iacute;veis com lucros, vendendo-os nas pr&oacute;prias comunidades. O que acontece agora &eacute; que o saneamento ultrapassa a sa&uacute;de e a higiene; quando uma mulher tem uma fonte de rendimento, tem mais poder em casa, pode usar o seu dinheiro de forma prudente erm benef&iacute;cio da fam&iacute;lia, a sua voz tem mais peso quando se dirige &agrave; sogra e ao marido. Portanto, estamos a promover a igualdade do g&eacute;nero e a sustentabilidade. Tivemos sucesso no Camboja. Em tr&ecirc;s anos foram produzidas 24.000 sanitas, gerando 48.000 d&oacute;lares para os vendedores. Aguardamos com expectativa o dia em que cada pessoa em qualquer parte do mundo tenha acesso a uma sanita limpa e segura em qualquer altura que precisar de a usar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DURBAN &Aacute;frica do Sul, 23\/01\/2013 &ndash; Fatima Asmal-Motala entrevista JACK SIM, fundador da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Casas Sanitas <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/africa\/entrevista-pr-as-sanitas-na-moda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1337,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-11257","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1337"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11257\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}