{"id":11262,"date":"2013-01-23T10:06:52","date_gmt":"2013-01-23T10:06:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11262"},"modified":"2013-01-23T10:06:52","modified_gmt":"2013-01-23T10:06:52","slug":"a-classe-mdia-portuguesa-em-risco-de-extino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/economia\/a-classe-mdia-portuguesa-em-risco-de-extino\/","title":{"rendered":"A classe m&eacute;dia portuguesa em risco de extin&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 23\/01\/2013 &ndash; A pobreza em Portugal aumentou at&eacute; ganhar uma dimens&atilde;o que poucos podiam prever h&aacute; um ano, embora as dr&aacute;sticas medidas impostas pela troika de credores para o resgate financeiro do pa&iacute;s permitissem prognosticar tempos de pen&uacute;ria.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11262\" style=\"width: 156px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Portugual.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11262\" class=\"size-medium wp-image-11262\" title=\"&quot;Especiais troika&quot;\u009d, pratos de pre&ccedil;o baixo para acompanhar a queda da renda, em um estabelecimento de Lisboa. - Katalin Muharay \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Portugual.jpg\" alt=\"&quot;Especiais troika&quot;\u009d, pratos de pre&ccedil;o baixo para acompanhar a queda da renda, em um estabelecimento de Lisboa. - Katalin Muharay \/IPS\" width=\"146\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11262\" class=\"wp-caption-text\">&quot;Especiais troika&quot;\u009d, pratos de pre&ccedil;o baixo para acompanhar a queda da renda, em um estabelecimento de Lisboa. - Katalin Muharay \/IPS<\/p><\/div>  Milhares de fam&iacute;lias, desesperadas por n&atilde;o terem dinheiro para pagar sua alimenta&ccedil;&atilde;o e suas despesas fixas, tiveram que recorrer a institui&ccedil;&otilde;es de caridade. Muitas vezes o fazem escondidas, diante do fen&ocirc;meno cada vez mais comum da &quot;pobreza envergonhada&quot;.<\/p>\n<p>As institui&ccedil;&otilde;es de solidariedade social, como as privadas Caritas e Banco Alimentar, denunciam que o gosto amargo da pobreza inclui um alto &iacute;ndice de suic&iacute;dios, produto do desemprego e do endividamento com os bancos. Segundo o Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas, um quinto dos portugueses viviam em 2012 com menos de US$ 478 por m&ecirc;s, em um pa&iacute;s onde o sal&aacute;rio m&iacute;nimo legal &eacute; de US$ 644 mensais, com d&eacute;cimo-terceiro e d&eacute;cimo-quarto sal&aacute;rios.<\/p>\n<p>Em junho de 2012, um ano ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s pela troika formada por Uni&atilde;o Europeia (UE), Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) e Banco Central Europeu, reaparecia em Lisboa a &quot;sopa dos pobres&quot;, que na d&eacute;cada de 1950 era distribu&iacute;da pelas institui&ccedil;&otilde;es cat&oacute;licas. Agora, voltaram as longas filas de pessoas diante de centros assistenciais &agrave; espera de receber a &uacute;nica refei&ccedil;&atilde;o quente do dia. Em muitas escolas do pa&iacute;s os professores relatam casos dram&aacute;ticos, de tonturas e desmaios de meninos e meninas da classe m&eacute;dia, por n&atilde;o terem comido nada pela manh&atilde; em suas casas e esconderem isso para evitar serem confundidos com os mais pobres.<\/p>\n<p>Em todos os n&iacute;veis da sociedade s&atilde;o registrados casos de uma classe m&eacute;dia que n&atilde;o aceita o fato, que parece inevit&aacute;vel, de se afastar cada vez mais de uma classe m&eacute;dia alta, da qual pretendeu se aproximar nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Na verdade, segundo os especialistas, ocorre exatamente o contr&aacute;rio. Imersa em uma montanha de d&iacute;vidas que n&atilde;o consegue pagar, a classe m&eacute;dia est&aacute; cada vez mais perto da baixa, que j&aacute; constitui 24,4% dos 10,6 milh&otilde;es de portugueses, mais de dois pontos percentuais acima do &iacute;ndice de 2009. O Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas situa na classe m&eacute;dia aquelas pessoas cuja renda oscila entre US$ 768 e US$ 2.660, em um pa&iacute;s onde metade da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ganha mais do que US$ 932. Oficialmente, a essa classe pertencem 60% dos portugueses.<\/p>\n<p>&quot;Em Portugal a pobreza j&aacute; est&aacute; se transformando em paisagem&quot;, disse &agrave; IPS o jovem Jo&atilde;o Pedro da Fonseca, um desempregado que ap&oacute;s uma d&eacute;cada de bonan&ccedil;a regressou &agrave; casa dos pais e vive gra&ccedil;as &agrave;s suas miser&aacute;veis pens&otilde;es, com poucas esperan&ccedil;as de encontrar trabalho e voltar ao seu of&iacute;cio de t&eacute;cnico eletricista, especializado em geradores. Sem trabalho h&aacute; 11 meses e sem aux&iacute;lio desemprego, este lisboeta de 29 anos afirma que &quot;este &eacute; apenas o come&ccedil;o de uma longa jornada de mis&eacute;ria, uma crise terr&iacute;vel pela qual n&atilde;o sou respons&aacute;vel, provocada pelos grandes senhores de sempre&quot;.<\/p>\n<p>Marina Oliveira, psic&oacute;loga de 26 anos sem trabalho h&aacute; 13 meses, disse &agrave; IPS que, em uma crise, em qualquer parte do mundo, &quot;a mis&eacute;ria s&oacute; bate &agrave; porta dos mais necessitados&quot;. Ela sobrevive gra&ccedil;as &agrave; ajuda dos pais, at&eacute; poder emigrar e tentar concretizar os sonhos que tinha, &quot;o que lamentavelmente n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel em meu pa&iacute;s, porque toda esta pobreza aumentar&aacute; ainda mais, com novas medidas para pagar o que a troika nos emprestou&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O cr&eacute;dito concedido, destinado a cumprir com a d&iacute;vida, enfrentar os pagamentos da administra&ccedil;&atilde;o e, mais criticado, ajudar bancos com problemas, &eacute; de US$ 110 bilh&otilde;es. A jovem Marina destacou que em outros lugares tamb&eacute;m foi registrada &quot;esta crise imposta pelos credores do ideal consumista, que nunca pagam a conta&quot;. &quot;O caso mais obsceno &eacute; o dos Estados Unidos, onde os principais causadores da crise de 2008, que depois se espalhou por todo o mundo, foram convidados pelo presidente Barack Obama para serem assessores e conselheiros de seu governo&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo Marina, &quot;em Portugal somos obrigados a viver sob as regras ditadas por esta troika de incalcul&aacute;vel poder, que nos obriga a ficarmos de joelhos diante de um sistema financeiro internacional sem escr&uacute;pulos e sem o m&iacute;nimo senso humanista, que nos obriga a entregar o pa&iacute;s e esse punhado de abutres que s&atilde;o os grandes bancos&quot;.<\/p>\n<p>Pelos &uacute;ltimos dados estat&iacute;sticos dispon&iacute;veis, de 2011, naquele ano o produto interno bruto portugu&ecirc;s era de US$ 214 bilh&otilde;es e o poder de compra estava em 77,4% da m&eacute;dia da UE. Dados provis&oacute;rios indicam que em 2012 o PIB caiu 2,9%, confirmando a perda de seu valor desde o come&ccedil;o da crise. Entre 2009 e o encerramento de 2013, acumular&aacute; retrocesso de 7,4%, segundo estimativas do Banco de Portugal divulgadas no dia 15. A gota d&#39;&aacute;gua que encheu o copo da indigna&ccedil;&atilde;o entre as v&iacute;timas da crise foi colocada no dia 10 pelo FMI.<\/p>\n<p>Em um documento dirigido ao governo portugu&ecirc;s, recomenda somar ainda mais austeridade &agrave; que j&aacute; &eacute; aplicada &agrave; classe m&eacute;dia, que em um ano e meio perdeu quase 25% de seu poder aquisitivo. O Fundo prop&otilde;e uma nova onda de medidas, com mais cortes nas aposentadorias e nos sal&aacute;rios, especialmente nos setores da educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e for&ccedil;as de seguran&ccedil;a. O FMI tamb&eacute;m recomenda novos aumentos nos pagamentos em hospitais p&uacute;blicos, demiss&atilde;o de 14 mil professores, coloca&ccedil;&atilde;o em regime de transfer&ecirc;ncia obrigat&oacute;ria de 50 mil professores e a passagem do ensino p&uacute;blico para o setor privado.<\/p>\n<p>Em sua coluna de toda ter&ccedil;a-feira no jornal P&uacute;blico de Lisboa, o analista Jos&eacute; V&iacute;tor Malheiros destacou ontem que essa pol&iacute;tica dr&aacute;stica de cortes acontece &quot;somente nas &aacute;reas sociais e nunca nos benef&iacute;cios pagos a 1% da c&uacute;pula&quot; mais rica, e pretende &quot;agradar os credores e eternizar a depend&ecirc;ncia de Portugal em rela&ccedil;&atilde;o ao sistema financeiro&quot;.<\/p>\n<p>No Centro de Emprego, em um bairro de Lisboa, um homem em torno dos 40 anos passa seus dias engrossando a longa fila de desempregados em busca de &quot;qualquer trabalho que me oferecerem, porque estamos passando fome com minha filha de 12 anos&quot;. Ele concordou em conversar com a IPS mas sem se identificar, &quot;porque gostaria de dizer algumas verdades e, se me identifico, certamente nunca conseguirei trabalho&quot;, explicou.<\/p>\n<p>Tampouco revelou sua profiss&atilde;o limitando-se a dizer que &quot;teve a m&aacute; ideia de se licenciar na universidade ao pensar que seria uma garantia para o futuro, mas aqui estou, disposto a aceitar qualquer coisa&quot;. Acrescentou que &quot;o medo est&aacute; se instalando em Portugal, e crescendo gra&ccedil;as a pol&iacute;ticas vergonhosas, e os que ainda t&ecirc;m trabalho agradecem aos patr&otilde;es todos os dias, com medo de serem demitidos e come&ccedil;arem a fazer parte de nosso grupo, o dos novos pobres&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 23\/01\/2013 &ndash; A pobreza em Portugal aumentou at&eacute; ganhar uma dimens&atilde;o que poucos podiam prever h&aacute; um ano, embora as dr&aacute;sticas medidas impostas pela troika de credores para o resgate financeiro do pa&iacute;s permitissem prognosticar tempos de pen&uacute;ria. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/economia\/a-classe-mdia-portuguesa-em-risco-de-extino\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[18],"class_list":["post-11262","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11262"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11262\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}