{"id":11266,"date":"2013-01-24T07:01:45","date_gmt":"2013-01-24T07:01:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11266"},"modified":"2013-01-24T07:01:45","modified_gmt":"2013-01-24T07:01:45","slug":"compradas-vendidas-e-abusadas-no-imen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/direitos-humanos\/compradas-vendidas-e-abusadas-no-imen\/","title":{"rendered":"Compradas, vendidas e abusadas no I&ecirc;men"},"content":{"rendered":"<p>Aden, I&ecirc;men, 24\/01\/2013 &ndash; Aisha, de 21 anos, segura firme seus dois filhos enquanto conta sua hist&oacute;ria de horror. Ela cresceu em Mogad&iacute;scio, capital da Som&aacute;lia, onde se apaixonou e, h&aacute; quatro anos, teve um filho sem ter se casado.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11266\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Aisha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11266\" class=\"size-medium wp-image-11266\" title=\"Aisha, de 21 anos, segura seu filho enquanto relata como foi v\u00c3\u00adtima de tr&aacute;fico. - Rebecca Murray\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Aisha.jpg\" alt=\"Aisha, de 21 anos, segura seu filho enquanto relata como foi v\u00c3\u00adtima de tr&aacute;fico. - Rebecca Murray\/IPS\" width=\"200\" height=\"126\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11266\" class=\"wp-caption-text\">Aisha, de 21 anos, segura seu filho enquanto relata como foi v\u00c3\u00adtima de tr&aacute;fico. - Rebecca Murray\/IPS<\/p><\/div>  Quando sua fam&iacute;lia a amea&ccedil;ou de morte por ter destru&iacute;do sua &quot;honra&quot;, fugiu. A jovem animou-se a fazer uma perigosa viagem com contrabandistas, pelo Oceano &Iacute;ndico at&eacute; o I&ecirc;men, para o que acreditava que seria uma vida melhor.<\/p>\n<p>No entanto, agora Aisha e outras quatro mulheres ocupam ilegalmente uma moradia em um assentamento de Basateen, na cidade portu&aacute;ria de Aden. Todos os dias pede esmola, e, frequentemente, se prostituem por dois d&oacute;lares. Depois dividem o pouco que ganharam com sua proxeneta. &quot;S&oacute; quero ir para um lugar mais seguro para meus filhos. Em outro pa&iacute;s&quot;, suspira Aisha.<\/p>\n<p>As redes internacionais de tr&aacute;fico humano se expandem no I&ecirc;men, e com a pobreza como fator crucial, as mulheres exploradas sexualmente s&atilde;o as v&iacute;timas mais vulner&aacute;veis. Embora o futuro de Aisha possa parecer sombrio, seu destino &eacute; melhor do que o de uma jovem et&iacute;ope de 17 anos, que morreu abandonada em um hospital de Haradh, na fronteira entre I&ecirc;men e Ar&aacute;bia Saudita. Comprada e vendida dentro da rede de tr&aacute;fico que opera em todo o I&ecirc;men, foi violentada e surrada reiteradamente, at&eacute; que morreu. Agora est&aacute; enterrada longe de seu lar e o traficante que a assassinou est&aacute; livre.<\/p>\n<p>&quot;Entre 2011 e 2012 houve aumento significativo no tr&aacute;fico de pessoas, bem como nos casos informados de viol&ecirc;ncia e abusos cometidos contra rec&eacute;m-chegadas&quot;, disse Edward Leposky, do escrit&oacute;rio do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados (Acnur). Em 2011, esta ag&ecirc;ncia registrou 103 mil novas chegadas ao I&ecirc;men. Trata-se do maior fluxo de entrada registrado desde que se come&ccedil;ou a documentar estat&iacute;sticas, h&aacute; seis anos, e Leposky suspeita que em 2012 houve um aumento. Acredita-se que os n&uacute;meros reais s&atilde;o muito superiores.<\/p>\n<p>As mulheres que emigram, principalmente et&iacute;opes e somalianas, frequentemente fogem da pobreza e da viol&ecirc;ncia reinantes em seus pa&iacute;ses de origem. Pagam centenas de d&oacute;lares para chegar a pontos de tr&acirc;nsito em Djibuti ou Puntlandia (autoproclamado Estado aut&ocirc;nomo da Som&aacute;lia), e tamb&eacute;m para serem levadas ao I&ecirc;men em perigosas embarca&ccedil;&otilde;es lotadas, cujos trajetos podem durar entre um e tr&ecirc;s dias. Seu objetivo &eacute; chegar aos Estados do Golfo, como a Ar&aacute;bia Saudita, para ali poderem trabalhar. Mas no caminho costumam ser violentadas por gangues, asfixiadas pela lota&ccedil;&atilde;o ou jogadas ao mar por contrabandistas, al&eacute;m de serem feitas ref&eacute;ns por traficantes ao chegarem a solo iemenita.<\/p>\n<p>&quot;A maior parte do tr&aacute;fico que vemos aqui &eacute; o de quem chega do Chifre da &Aacute;frica para a Ar&aacute;bia Saudita&quot;, disse Eman Mashour, integrante da equipe antitr&aacute;fico da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional para as Migra&ccedil;&otilde;es (OIM) no I&ecirc;men. &quot;Existe uma rede. As mulheres podem ser severamente exploradas pelos traficantes. Elas nos contaram que ao longo do caminho mantinham rela&ccedil;&otilde;es sexuais com os contrabandistas&quot;, afirmou a especialista.<\/p>\n<p>A confirma&ccedil;&atilde;o est&aacute; nas sombrias conclus&otilde;es do estudo Escolhas desesperadas, divulgado em outubro pelo Conselho Dinamarqu&ecirc;s para os Refugiados e pela Secretaria Regional de Migra&ccedil;&otilde;es Mistas. &quot;As redes criminosas se estendem por Eti&oacute;pia, I&ecirc;men, Djibuti e Ar&aacute;bia Saudita. Parece altamente prov&aacute;vel que esses grupos tenham contatos em outros pa&iacute;ses&quot;, afirma o documento.<\/p>\n<p>Cidad&atilde;s locais s&atilde;o v&iacute;timas do tr&aacute;fico<\/p>\n<p>Entretanto, nem todas as v&iacute;timas do tr&aacute;fico sexual no I&ecirc;men s&atilde;o imigrantes. Os breves casamentos entre mo&ccedil;as iemenitas e visitantes dos Estados do Golfo (pr&aacute;tica conhecida como turismo sexual) s&atilde;o o resultado da pobreza entre grandes fam&iacute;lias iemenitas, principalmente nas &aacute;reas rurais. &quot;Adolescentes de 15 anos s&atilde;o objeto de com&eacute;rcio sexual em hot&eacute;is e clubes, nas localidades de Sanaa, Aden e Taiz&quot;, diz o informe de 2012 sobre tr&aacute;fico do Departamento de Estado norte-americano.<\/p>\n<p>&quot;A maioria dos turistas que buscam sexo com meninas e meninos no I&ecirc;men procede da Ar&aacute;bia Saudita, e uma quantidade menor possivelmente chegue de outras na&ccedil;&otilde;es da regi&atilde;o. As jovens iemenitas que se casam com turistas sauditas n&atilde;o se d&atilde;o conta da natureza tempor&aacute;ria e exploradora destes acordos, e algumas s&atilde;o submetidas ao tr&aacute;fico sexual ou abandonadas nas ruas da Ar&aacute;bia Saudita&quot;, acrescenta o estudo.<\/p>\n<p>Leila, uma v&iacute;tima de outro tipo de tr&aacute;fico sexual, tinha 15 anos quando finalmente conseguiu se esconder no ref&uacute;gio secreto de uma mulher, em um tranquilo bairro de Sanaa. Leila, que apanhava de sua fam&iacute;lia, havia fugido de casa dois anos antes e vivia nas ruas. Logo uma mulher mais velha a recolheu e a levou para um bordel. Ali, para fazer com que ficassem, as garotas eram fotografadas mantendo rela&ccedil;&otilde;es sexuais e chantageadas, eram drogadas e obrigadas a atender clientes &agrave; noite. A mulher ficava com o dinheiro que recebiam.<\/p>\n<p>Leila e a mulher que trabalhava como sua proxeneta foram presas quando a jovem estava para ser traficada para a Ar&aacute;bia Saudita. Leila passou dois anos na pris&atilde;o por seu &quot;crime&quot;. Sua fam&iacute;lia a repudiou, acusando-a de destruir sua honra, e seu irm&atilde;o a amea&ccedil;ou de morte. Quando o pessoal da Uni&atilde;o de Mulheres Iemenitas visitou a pris&atilde;o, Leila soube que existia o pequeno ref&uacute;gio de mulheres, uma raridade no I&ecirc;men, e foi um de seus primeiros casos. Com ajuda psicol&oacute;gica e trabalhos pr&aacute;ticos os dias foram passando, e ficou no abrigo at&eacute; que o pessoal resolveu a disputa familiar.<\/p>\n<p>O C&oacute;digo Penal do I&ecirc;men prev&ecirc; dez anos de pris&atilde;o para quem participa da compra ou venda de seres humanos. Embora reconhe&ccedil;a a atual crise pol&iacute;tica no pa&iacute;s, o informe do Departamento de Estado ressalta que em 2012 faltaram esfor&ccedil;os governamentais para enfrentar o tr&aacute;fico. &quot;O governo do I&ecirc;men n&atilde;o foi capaz de fornecer dados sobre a aplica&ccedil;&atilde;o da lei para contribuir com este informe, e tampouco instituiu procedimentos formais para identificar e proteger as v&iacute;timas de tr&aacute;fico ou para adotar medidas a fim de abordar o tr&aacute;fico com fins de explora&ccedil;&atilde;o sexual comercial&quot;, diz o documento.<\/p>\n<p>Nicoletta Giordano, diretora das atividades da OIM no I&ecirc;men, alertou para a inatividade. &quot;H&aacute; um florescente neg&oacute;cio de contrabando e tr&aacute;fico. &Eacute; um neg&oacute;cio internacional. Muitos pa&iacute;ses ocidentais se centram nos assuntos da pirataria, e a aten&ccedil;&atilde;o que se deveria dedicar ao contrabando e ao tr&aacute;fico ficam pelo caminho&quot;, ressaltou. Seria de interesse para todos os pa&iacute;ses envolvidos adotar um enfoque mais integral sobre o manejo de fronteiras, para dar assist&ecirc;ncia e prote&ccedil;&atilde;o a quem necessita e para enfrentar quem possa representar uma amea&ccedil;a, acrescentou Giordano. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Os nomes das v&iacute;timas de tr&aacute;fico sexual s&atilde;o fict&iacute;cios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aden, I&ecirc;men, 24\/01\/2013 &ndash; Aisha, de 21 anos, segura firme seus dois filhos enquanto conta sua hist&oacute;ria de horror. 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