{"id":11268,"date":"2013-01-24T07:07:03","date_gmt":"2013-01-24T07:07:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11268"},"modified":"2013-01-24T07:07:03","modified_gmt":"2013-01-24T07:07:03","slug":"a-eterna-transio-entre-golpe-e-golpe-da-guin-bissau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/africa\/a-eterna-transio-entre-golpe-e-golpe-da-guin-bissau\/","title":{"rendered":"A eterna transi&ccedil;&atilde;o entre golpe e golpe da Guin&eacute;-Bissau"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 24\/01\/2013 &ndash; A instabilidade cr&ocirc;nica, a extrema pobreza, as m&aacute;fias do tr&aacute;fico de drogas e a corrup&ccedil;&atilde;o marcam a tr&aacute;gica sina da Guin&eacute;-Bissau, em um ano em que o pa&iacute;s completa quatro d&eacute;cadas de sua independ&ecirc;ncia de Portugal.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11268\" style=\"width: 159px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Kaffit.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11268\" class=\"size-medium wp-image-11268\" title=\" - Cr&eacute;dito: Mario Queiroz \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Kaffit.jpg\" alt=\" - Cr&eacute;dito: Mario Queiroz \/IPS\" width=\"149\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11268\" class=\"wp-caption-text\"> - Cr&eacute;dito: Mario Queiroz \/IPS<\/p><\/div>  Desde esta independ&ecirc;ncia, declarada em setembro de 1973 e reconhecida por Lisboa um ano mais tarde, este pa&iacute;s africano de 1,5 milh&atilde;o de habitantes conheceu poucos momentos de paz e &eacute; um dos mais pobres do mundo, com renda anual por pessoa de US$ 485, que o coloca na 178&ordf; posi&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel mundial.<\/p>\n<p>A instabilidade &eacute; provocada especialmente por uma sucess&atilde;o de golpes de Estado de &quot;um poder militar sempre em transi&ccedil;&atilde;o, suspendendo a Constitui&ccedil;&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS o professor Kafft Costa, moderador de um encontro sobre o futuro da Guin&eacute;-Bissau realizado no dia 17 na capital portuguesa. O semin&aacute;rio Guin&eacute;-Bissau: A encruzilhada multidimensional reuniu dirigentes pol&iacute;ticos, acad&ecirc;micos, estudantes e empres&aacute;rios da di&aacute;spora guineense, que vivem em Portugal, devido &agrave; situa&ccedil;&atilde;o criada pelo &uacute;ltimo golpe, que em abril de 2012 n&atilde;o permitiu que assumisse o governo democraticamente eleito um m&ecirc;s antes.<\/p>\n<p>Naquela oportunidade, o homem forte do pa&iacute;s, general Antonio Injai, nomeou como presidente Serifo Nhamadjo, e como primeiro-ministro Rui Duarte de Barros, para um chamado per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o. O general acusou Portugal de &quot;aproveitar-se da crise com a inten&ccedil;&atilde;o de voltar a colonizar Guin&eacute;-Bissau&quot;. Estas afirma&ccedil;&otilde;es foram recha&ccedil;adas pelo chanceler portugu&ecirc;s, Paulo Portas, que, por outro lado, denunciou que os golpistas obedecem aos des&iacute;gnios dos narcotraficantes que se instalaram no pa&iacute;s. &quot;Todas as informa&ccedil;&otilde;es de que Portugal disp&otilde;e relacionam o golpe de Estado de 12 de abril na Guin&eacute;-Bissau com o narcotr&aacute;fico&quot;, afirmou Portas.<\/p>\n<p>A convers&atilde;o da Guin&eacute;-Bissau no primeiro Estado africano fr&aacute;gil diante do narcotr&aacute;fico preocupa os f&oacute;runs mais envolvidos em sua crise institucional: Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), Uni&atilde;o Africana (UA), Comunidade de Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa (CPLP) e Comunidade Econ&ocirc;mica dos Estados da &Aacute;frica Ocidental (Cedeao). No entanto, apesar da condena&ccedil;&atilde;o de ONU, UA, CPLP e Uni&atilde;o Europeia, o regime Injai se mant&eacute;m no poder e analistas se aventuram em dizer que a situa&ccedil;&atilde;o ocorre com benepl&aacute;cito da Nig&eacute;ria.<\/p>\n<p>Segundo o acad&ecirc;mico e pesquisador guineense Kafft Costa, o problema principal est&aacute; no papel influente que a Nig&eacute;ria tem na Cedeao, que s&oacute; lamentou timidamente a derrubada do regime democr&aacute;tico, impedindo o ex-primeiro-ministro Carlos Gomes J&uacute;nior de assumir a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica ap&oacute;s sua vit&oacute;ria nas urnas. &quot;Isto tem a ver com a duplicidade de alguns pa&iacute;ses da Cedeao, que resguardam mais seus interesses nacionais do que os da Guin&eacute;-Bissau ou da sub-regi&atilde;o, e a Nig&eacute;ria &eacute; o grande jogador geoestrat&eacute;gico na &aacute;rea&quot;, opinou Costa.<\/p>\n<p>Na atua&ccedil;&atilde;o da Nig&eacute;ria, um grande produtor de petr&oacute;leo da regi&atilde;o, influi, segundo especialistas, sua aberta corrida na competi&ccedil;&atilde;o de influ&ecirc;ncias com Angola, outro pa&iacute;s emergente exportador de peso de petr&oacute;leo. &quot;A Nig&eacute;ria est&aacute; descontente com a forte presen&ccedil;a de Angola em Guin&eacute;-Bissau, o que acabou motivando sua atitude, ao considerar que aumenta a influ&ecirc;ncia de Luanda em uma &aacute;rea onde os nigerianos n&atilde;o est&atilde;o dispostos a ceder espa&ccedil;o&quot;, detalhou Costa, catedr&aacute;tico universit&aacute;rio que ensina em Lisboa.<\/p>\n<p>A nomea&ccedil;&atilde;o este m&ecirc;s do ex-presidente de Timor Leste Jos&eacute; Ramos-Horta como enviado especial do secret&aacute;rio-geral da ONU para a media&ccedil;&atilde;o na Guin&eacute;-Bissau foi considerada &quot;muito positiva&quot; por Costa. &quot;Facilitar&aacute; o di&aacute;logo e vai recuperar algum tempo perdido no trabalho j&aacute; feito&quot;, acrescentou. Com vasto prest&iacute;gio nos pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa, &quot;Ramos-Horta conta tamb&eacute;m com o importante fato de ter sido um dos l&iacute;deres da independ&ecirc;ncia de seu pa&iacute;s, chanceler e chefe de Estado, e ganhou o pr&ecirc;mio Nobel da Paz&quot; em 1996, acrescentou o coordenador do semin&aacute;rio.<\/p>\n<p>Apesar do otimismo em conseguir o restabelecimento da democracia em seu pa&iacute;s, Costa deplora que as v&aacute;rias condena&ccedil;&otilde;es ao regime n&atilde;o tenham surtido efeito. Considerou que isso se deve n&atilde;o apenas &agrave; atitude passiva da Nig&eacute;ria, mas &quot;&agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, com exce&ccedil;&atilde;o da CPLP, e muitos pa&iacute;ses, que usam a velha receita de condenar veementemente e depois n&atilde;o fazer absolutamente nada&quot;. &quot;Neste caso, o que foi feito? Qual a consequ&ecirc;ncia das declara&ccedil;&otilde;es de condena&ccedil;&atilde;o? Nada. Exceto a CPLP, que ficou isolada, n&atilde;o h&aacute; nenhum resultado pr&aacute;tico vis&iacute;vel para o restabelecimento da democracia na Guin&eacute;-Bissau&quot;, apontou Costa.<\/p>\n<p>Esta opini&atilde;o, ainda que em termos mais diplom&aacute;ticos e comedidos, &eacute; refor&ccedil;ada pelo Brasil, que sozinho constitui dois ter&ccedil;os da CPLP. O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, utilizou a reuni&atilde;o ministerial da Zona de Paz e Coopera&ccedil;&atilde;o do Atl&acirc;ntico Sul, realizada no dia 15 em Montevid&eacute;u, para recordar que a situa&ccedil;&atilde;o na Guin&eacute;-Bissau figura entre os maiores desafios da regi&atilde;o.<\/p>\n<p>Patriota afirmou que &quot;n&atilde;o podemos permanecer indiferentes&quot; diante da situa&ccedil;&atilde;o de conflito em um pa&iacute;s &quot;muito pr&oacute;ximo do Brasil&quot;, pelos la&ccedil;os culturais e hist&oacute;ricos que nos unem. O chanceler admitiu que os esfor&ccedil;os do Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU, em conjunto com Cedeao, UA e CPLP n&atilde;o tiveram resultados satisfat&oacute;rios e de consenso para a solu&ccedil;&atilde;o do problema, &quot;o que prejudica a pr&oacute;pria Guin&eacute;-Bissau&quot;.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental norte-americana Freedom House colocou mais for&ccedil;a no rep&uacute;dio ao regime do general Injai, ao divulgar no dia 16 deste m&ecirc;s um informe no qual a Guin&eacute;-Bissau compartilha com outros 46 pa&iacute;ses o estatuto de &quot;Estado n&atilde;o livre&quot;. Na lista aparecem como piores do que este pa&iacute;s somente as situa&ccedil;&otilde;es de Eritreia, Coreia do Norte, Ar&aacute;bia Saudita, Som&aacute;lia, Sud&atilde;o, S&iacute;ria, Turcomenist&atilde;o, Uzbequist&atilde;o, Guin&eacute; Equatorial e dos territ&oacute;rios do Tibete, na China, e Saara Ocidental, no Marrocos.<\/p>\n<p>Em sua interven&ccedil;&atilde;o no semin&aacute;rio de Lisboa, dirigida &agrave; plateia da di&aacute;spora guineense, &quot;onde vejo muitos c&eacute;rebros, que est&atilde;o aqui porque tiveram que deixar a Guin&eacute;-Bissau&quot;, o professor guineense Eduardo Costa Dias disse que &quot;o que vivemos neste per&iacute;odo &eacute; uma normaliza&ccedil;&atilde;o da anormalidade&quot;. Em qualquer parte do mundo &quot;a viol&ecirc;ncia, os levantes militares, os golpes de Estado, os conflitos &eacute;tnicos, em princ&iacute;pio s&atilde;o coisas anormais, mas na Guin&eacute;-Bissau se converteram em assuntos normais&quot;, pontuou o professor da Universidade Cl&aacute;ssica de Lisboa.<\/p>\n<p>Costa Dias acrescentou que a explica&ccedil;&atilde;o &eacute; que neste pa&iacute;s as institui&ccedil;&otilde;es armadas &quot;nasceram diretamente de destacamentos guerrilheiros (que combateram o ex&eacute;rcito colonial portugu&ecirc;s entre 1961 e 1974), cujos comandantes receberam patentes de oficiais&quot;. Por outro lado, em Angola, que tamb&eacute;m viveu uma guerra anticolonial contra a metr&oacute;pole de Lisboa, &quot;o ex&eacute;rcito foi constru&iacute;do de raiz pelos cubanos&quot;, que participaram da guerra civil vivida nesse pa&iacute;s entre 1975 e 2002.<\/p>\n<p>Costa Dias lamentou fato de &quot;as rela&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas serem valores que se perderam na Guin&eacute;-Bissau e que os golpes militares j&aacute; nem mesmo se chamam golpes, mas levantes&quot;, protagonizados por umas for&ccedil;as armadas &quot;onde n&atilde;o existe uma cadeia de comando, mas uma esp&eacute;cie de arquip&eacute;lago de l&iacute;deres castrenses carism&aacute;ticos&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 24\/01\/2013 &ndash; A instabilidade cr&ocirc;nica, a extrema pobreza, as m&aacute;fias do tr&aacute;fico de drogas e a corrup&ccedil;&atilde;o marcam a tr&aacute;gica sina da Guin&eacute;-Bissau, em um ano em que o pa&iacute;s completa quatro d&eacute;cadas de sua independ&ecirc;ncia de Portugal. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/africa\/a-eterna-transio-entre-golpe-e-golpe-da-guin-bissau\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,11],"tags":[18],"class_list":["post-11268","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11268","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11268"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11268\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}