{"id":1127,"date":"2005-10-21T00:00:00","date_gmt":"2005-10-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1127"},"modified":"2005-10-21T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-21T00:00:00","slug":"indgenas-venezuela-terras-sim-minas-no","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/indgenas-venezuela-terras-sim-minas-no\/","title":{"rendered":"Ind&iacute;genas-Venezuela: Terras sim, minas n&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 21\/10\/2005 &ndash; Ind&iacute;genas que defendem suas terras e o meio ambiente protestam contra o governo da Venezuela, apesar de algumas a&ccedil;&otilde;es oficiais para materializar direitos constitucionais de 30 etnias origin&aacute;rias. A explora&ccedil;&atilde;o de carv&atilde;o no extremo noroeste fronteiri&ccedil;o com a Col&ocirc;mbia &quot;trouxe desmatamento, contaminou os rios e o ar e deixou muitos irm&atilde;os doentes. As companhias de minera&ccedil;&atilde;o devem sair&quot;, disse &agrave; IPS a ativista way&uacute;u &Aacute;ngela Gonz&aacute;lez. &quot;N&atilde;o somos mineiros, mas plantadores, pastores e pescadores. As companhias acabam com as culturas. Por isso, se nos derem um t&iacute;tulo de posse de terra sem tirar essas empresas, n&atilde;o aceitaremos&quot;, disse Leonardo Martinez, l&iacute;der Yucpa de El Tokuko.<br \/> <!--more--> <br \/> O Estado venezuelano associou sua empresa Carbozulia &agrave;s multinacionais Vale do Rio Doce (Brasil), Anglo American (&Aacute;frica do Sul-Gr&atilde;-Bretanha), Shell (Holanda-Gr&atilde;-Bretanha), Ruhrkohle (Alemanha) e Chevron-Texaco (Estados Unidos) para explorar a partir de 2005 minas que triplicar&atilde;o a produ&ccedil;&atilde;o atual de oito milh&otilde;es de toneladas anuais. Para cada tonelada de carv&atilde;o extra&iacute;da &quot;s&atilde;o movimentadas entre quatro e sete toneladas de terra, devasta&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o amea&ccedil;a apenas o habitat dos ind&iacute;genas do noroeste, mas tamb&eacute;m as fontes dos rios que levam &aacute;gua para Maracaibo&quot;, a segundo cidade do pa&iacute;s, disse &agrave; IPS o antrop&oacute;logo Lusbi Portillo, da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Homo et Natura.<\/p>\n<p> O governo n&atilde;o responde &agrave;s reclama&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas, embora a ministra do Meio Ambiente, Jacqueline Faria, tenha dito que prefere dar prioridade &agrave;s necessidades de &aacute;gua de Maracaibo e dos abor&iacute;gines possu&iacute;rem suas terras. A Carbozulia havia afirmado que as minas a serem exploradas n&atilde;o estavam em terrenos que o Estado daria aos ind&iacute;genas. A defesa do meio ambiente se justap&otilde;e &agrave; demanda ind&iacute;gena de que, com sua participa&ccedil;&atilde;o, demarquem os territ&oacute;rios que lhes pertencem como propriedade coletiva, segundo manda a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1999, que dedicou um cap&iacute;tulo completo aos direitos dos povos origin&aacute;rios.<\/p>\n<p> &quot;Nossa maior conquista foi o reconhecimento e a visibilidade que a Constitui&ccedil;&atilde;o nos deu&quot;, disse &agrave; IPS Jos&eacute; Poyo, l&iacute;der do n&atilde;o-governamental Conselho Nacional Indiano da Venezuela (Conive), &quot;e que, por sua vez, traz a principal reivindica&ccedil;&atilde;o que agora fazemos, como &eacute; a entrega em propriedade coletiva da terra que habitamos&quot;, acrescentou. O Conive reconhece 35 etnias ind&iacute;genas na Venezuela, que falam 30 l&iacute;nguas mais alguns dialetos, e re&uacute;nem 580 mil indiv&iacute;duos, em 2.500 comunidades. A maior parte estabelecidas em Estados fronteiri&ccedil;os, neste pa&iacute;s de 26 milh&otilde;es de habitantes. Os ind&iacute;genas elegem tr&ecirc;s deputados para o parlamento nacional, de 165 membros, e uma dezena de parlamentares regionais nos Estados onde habitam.<\/p>\n<p> &quot;Reconhecemos em Hugo Ch&aacute;vez (promotor da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1999) o presidente que mais se preocupou com a gente, que j&aacute; entregou t&iacute;tulos de propriedade coletiva de 800 mil hectares&quot;, disse Poyo. &quot;Al&eacute;m disso, criou a Miss&atilde;o (programa) Guaicaipuro, para a delimita&ccedil;&atilde;o de terras, e expulsou a Novas Tribos&quot;. Os mission&aacute;rios da Novas Tribos, uma organiza&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica com sede nos Estados Unidos e implantada h&aacute; 60 anos no sul da Venezuela, dever&atilde;o deixar o pa&iacute;s em breve por ordem do governo, embora alguns grupos evang&eacute;licos e representantes de comunidades ind&iacute;genas onde atuam entraram na Justi&ccedil;a contra a medida. Por&eacute;m, o problema que sofrem quase todas as etnias &eacute; que &quot;n&atilde;o contamos com apoio efetivo para desenvolver os projetos a fim de incorporarmos a produ&ccedil;&atilde;o &agrave; vida econ&ocirc;mica do pa&iacute;s. H&aacute; muita lentid&atilde;o e burocracia&quot;, disse Poyo.<\/p>\n<p> No dia 12 deste m&ecirc;s, batizado pelo governo como &quot;dia da resist&ecirc;ncia ind&iacute;gena&quot;, Ch&aacute;vez entregou nas plan&iacute;cies do sul t&iacute;tulos de propriedade coletiva de terras para v&aacute;rias comunidades, motores para barcos, reses, ve&iacute;culos e cr&eacute;ditos. &quot;Mas isso j&aacute; n&atilde;o serve para os milhares e milhares de ind&iacute;genas que foram para os cintur&otilde;es de mis&eacute;ria em cidades como Maracaibo, onde desenvolvemos cerca de 90 bairros&quot;, disse Ember Iguar&aacute;n, dirigente da organiza&ccedil;&atilde;o Tawala (irmandade, em l&iacute;ngua wayunaekee). Mais da metade dos ind&iacute;genas venezuelanos &eacute; way&uacute;u, etnia que habita a pen&iacute;nsula de Guajira, compartilhada com a Col&ocirc;mbia, e tradicionalmente dedicada ao pastoreio e ao com&eacute;rcio, e em menor medida &agrave; pesca e ao artesanato.<\/p>\n<p> Dezenas de milhares vivem no norte e noroeste de Maracaibo &quot;e muitos carecem de escolas, moradias, servi&ccedil;os de &aacute;gua e g&aacute;s. Continuamos sendo uma sociedade muito maltratada pelo Estado e pela chamada sociedade civil&quot;, disse Iguar&aacute;n. Se em Maracaibo e em pequenos povoados do noroeste se ocupam do com&eacute;rcio, na maioria das vezes informal &#8211; e ocasionalmente tamb&eacute;m do contrabando e integrando grupos de vigil&acirc;ncia privada que agem na ilegalidade &#8211; em outras cidades a presen&ccedil;a dos ind&iacute;genas quase sempre &eacute; sin&ocirc;nimo de mendic&acirc;ncia.<\/p>\n<p> &Eacute; o caso de Fidelia, uma m&atilde;e warao (etnia que habita o oriental delta do Orenoco) que viaja v&aacute;rias vezes ao ano entre seu lugar de origem e Caracas, para pedir esmola junto a uma avenida da regi&atilde;o residencial do leste da capital venezuelana. &quot;&Agrave;s vezes consigo US$ 10, &agrave;s vezes US$ 15. Voltarei para juntar dinheiro para o Natal&quot;, conta. &Aacute;reas de algumas pra&ccedil;as e parques de Caracas s&atilde;o convertidas em espor&aacute;dicos acampamentos por fam&iacute;lias de ind&iacute;genas Warao, dedicadas &agrave; mendic&acirc;ncia. Um deles argumenta que &quot;n&atilde;o existe trabalho no Delta&quot;, zona em cuja vizinha plataforma atl&acirc;ntica v&aacute;rias multinacionais iniciam prospec&ccedil;&otilde;es em busca de g&aacute;s natural.<\/p>\n<p> A explora&ccedil;&atilde;o de minas ou hidrocarbonetos tamb&eacute;m &eacute; alvo de queixas e protestos no sudeste venezuelano, em cuja Serra de Imataca o governo pretende autorizar explora&ccedil;&otilde;es de ouro, diamantes e madeira. Entretanto, ficou para tr&aacute;s o protesto ind&iacute;gena pela rede el&eacute;trica que manda energia para o Brasil. Mas o lado mais conflitivo est&aacute; atualmente no projeto longamente acariciado pelo governo de Ch&aacute;vez dentro da alian&ccedil;a estrat&eacute;gica que montou com o Brasil e a inclus&atilde;o da Venezuela no Mercosul.<\/p>\n<p> &quot;Os ind&iacute;genas que hoje reclamam fazem parte da popula&ccedil;&atilde;o que retirou apoio aos partidos pol&iacute;ticos tradicionais e uniu-se a Ch&aacute;vez em 1998 (quando o ent&atilde;o tenente-coronel da reserva foi eleito presidente pela primeira vez), e agora consideram que n&atilde;o deve haver entrega de seus direitos para beneficiar as multinacionais&quot;, afirmou Portillo. &quot;Ao discutir por seu habitat, o quest&atilde;o da terra &eacute; o mais vistoso, mas n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico&quot;, afirmou o antrop&oacute;logo. &quot;A comunidade a&ntilde;&uacute; &#8211; etnia de aproximadamente tr&ecirc;s mil pessoas que habitam a laguna de Sianamica, entre o rio Lim&oacute;n e o Golfo da Venezuela &#8211; nem mesmo quer discutir a depreda&ccedil;&atilde;o que trar&aacute; a constru&ccedil;&atilde;o de um porto de &aacute;guas profundas na zona para, precisamente, exportar o carv&atilde;o&quot;. E tamb&eacute;m h&aacute; pleitos pela reivindica&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena sobre propriedades de criadores de gado nessa regi&atilde;o e que os abor&iacute;gines consideram parte de seu habitat.<\/p>\n<p> &Agrave; fazenda Ceil&aacute;n, ocupada por uma comunidade yucpa na colombo-venezuelana Serra de Perij&aacute;, chegaram, em meados do m&ecirc;s, a bordo de um caminh&atilde;o, 20 indiv&iacute;duos armados que assaltaram o lugar, destru&iacute;ram cerca de 50 cabanas e feriram sete ind&iacute;genas. &quot;O governo dever&aacute; decidir, encontrar sa&iacute;das. Mas os ind&iacute;genas v&atilde;o resistir e protestar com novas marchas no que resta do ano, em Maracaibo e Machiques (junto &agrave; Serra) e em janeiro pr&oacute;ximo no F&oacute;rum Social Mundial que se reunir&aacute; em Caracas&quot;, afirmou Portillo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> &quot;Mulheeres Wayuu em Yanama&quot; &#8211; Yameris Salas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 21\/10\/2005 &ndash; Ind&iacute;genas que defendem suas terras e o meio ambiente protestam contra o governo da Venezuela, apesar de algumas a&ccedil;&otilde;es oficiais para materializar direitos constitucionais de 30 etnias origin&aacute;rias. A explora&ccedil;&atilde;o de carv&atilde;o no extremo noroeste fronteiri&ccedil;o com a Col&ocirc;mbia &quot;trouxe desmatamento, contaminou os rios e o ar e deixou muitos irm&atilde;os doentes. As companhias de minera&ccedil;&atilde;o devem sair&quot;, disse &agrave; IPS a ativista way&uacute;u &Aacute;ngela Gonz&aacute;lez. &quot;N&atilde;o somos mineiros, mas plantadores, pastores e pescadores. As companhias acabam com as culturas. Por isso, se nos derem um t&iacute;tulo de posse de terra sem tirar essas empresas, n&atilde;o aceitaremos&quot;, disse Leonardo Martinez, l&iacute;der Yucpa de El Tokuko.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/indgenas-venezuela-terras-sim-minas-no\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1127","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1127"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1127\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}