{"id":11279,"date":"2013-01-28T09:53:55","date_gmt":"2013-01-28T09:53:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11279"},"modified":"2013-01-28T09:53:55","modified_gmt":"2013-01-28T09:53:55","slug":"a-diplomacia-da-construo-de-angola-e-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/a-diplomacia-da-construo-de-angola-e-brasil\/","title":{"rendered":"A diplomacia da constru&ccedil;&atilde;o de Angola e Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Luanda, Angola, 28\/01\/2013 &ndash; O Brasil fez das grandes obras de infraestrutura um caminho pr&oacute;prio para a expans&atilde;o internacional de sua economia e de sua influ&ecirc;ncia, com forte incid&ecirc;ncia no desenvolvimento de pa&iacute;ses pequenos, mas tamb&eacute;m com riscos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11279\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ex-combatentes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11279\" class=\"size-medium wp-image-11279\" title=\"Ex-combatentes angolanos em um curso de pedreiro do Programa Acreditar, da Odebrecht, em Luanda. - Mario Osava \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ex-combatentes.jpg\" alt=\"Ex-combatentes angolanos em um curso de pedreiro do Programa Acreditar, da Odebrecht, em Luanda. - Mario Osava \/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11279\" class=\"wp-caption-text\">Ex-combatentes angolanos em um curso de pedreiro do Programa Acreditar, da Odebrecht, em Luanda. - Mario Osava \/IPS<\/p><\/div>  Em Angola, onde mais sobressai o papel das construtoras brasileiras, existem os riscos econ&ocirc;micos de um pa&iacute;s jovem, dependente de exporta&ccedil;&otilde;es petrol&iacute;feras e com alta corrup&ccedil;&atilde;o, em um ambiente sem fronteiras entre interesses p&uacute;blicos e privados.<\/p>\n<p>A Companhia Bioenerg&eacute;tica de Angola (Biocom) &eacute; um exemplo. Para o projeto, destinado a atender o consumo nacional de a&ccedil;&uacute;car, etanol e eletricidade, que manejar&aacute; 32 mil hectares de cana, o grupo brasileiro Odebrecht se associou com a Sonangol, estatal petroleira angolana, e com a empresa Damer. A Damer foi criada &agrave;s v&eacute;speras da constitui&ccedil;&atilde;o da Biocom, em 2007, pelo ent&atilde;o presidente da Sonangol, Manuel Domingos Vicente, e por dois generais, Manuel Helder Vieira Dias, chefe da Casa Militar da Presid&ecirc;ncia, e Leopoldino Fragoso, seu principal conselheiro.<\/p>\n<p>Vicente, agora vice-presidente do pa&iacute;s, tem com esses dois generais investimentos em diversos setores, do petr&oacute;leo ao ramo imobili&aacute;rio. S&atilde;o os exemplos mais vis&iacute;veis da incubadora de empres&aacute;rios emanada do Estado e da consequente cria&ccedil;&atilde;o de uma &quot;burguesia nacional&quot;. Em Angola quase tudo depende do governo. A terra &eacute; propriedade do Estado e qualquer empreendimento come&ccedil;a por uma concess&atilde;o oficial do terreno ou local. A Sonangol &eacute; s&oacute;cia de in&uacute;meras empresas, onde investe seus elevados ganhos obtidos com petr&oacute;leo.<\/p>\n<p>Nepotismo e favoritismo s&atilde;o evidentes, mas a sociedade, escassamente organizada, pouco reage. &quot;Inclusive Deus, ao buscar um salvador da humanidade, escolheu seu pr&oacute;prio filho&quot;, diz uma anedota popular a respeito das fortunas de governantes, militares e seus familiares. O jornalista Rafael Marques de Moraes, l&iacute;der de um grupo anticorrup&ccedil;&atilde;o, publica den&uacute;ncias graves no site www.makaangola.org, muitas documentadas, mas at&eacute; agora sem provocar esc&acirc;ndalos demolidores, como ocorreria em outros pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>Nesse terreno movedi&ccedil;o se insere a Odebrecht, com rela&ccedil;&otilde;es privilegiadas com o governo por executar obras estrat&eacute;gicas, muito demandadas pela popula&ccedil;&atilde;o, nas &aacute;reas vi&aacute;ria, de eletricidade e de &aacute;gua. H&aacute; 28 anos no pa&iacute;s, tamb&eacute;m &eacute; uma grande investidora, nos setores mais variados e com lucros milion&aacute;rios, cujo valor n&atilde;o &eacute; p&uacute;blico. O presidente do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o do conglomerado brasileiro de constru&ccedil;&atilde;o e outros neg&oacute;cios, Emilio Odebrecht, visita Luanda todos os anos para reuni&otilde;es com Jos&eacute; Eduardo dos Santos, presidente angolano desde 1979.<\/p>\n<p>O grupo multiplicou sua visibilidade por operar a rede de supermercados Nosso Super, presente em todas as prov&iacute;ncias, o Belas Shopping, joia comercial de Luanda, e participar da reestrutura&ccedil;&atilde;o da capital com reformas de bairros lotados, abertura de avenidas e saneamento b&aacute;sico. Seu peso na constru&ccedil;&atilde;o se multiplica pela disposi&ccedil;&atilde;o de empregar e capacitar m&atilde;o de obra local. &Eacute; sua estrat&eacute;gia nos quatro continentes em que opera, mas ganha maior relev&acirc;ncia em Angola, onde a escassez de trabalhadores qualificados trava o desenvolvimento, apesar do auge do petr&oacute;leo.<\/p>\n<p>A Odebrecht &eacute; atualmente a maior empregadora privada do pa&iacute;s, com cerca de 20 mil funcion&aacute;rios diretos, 93% angolanos. A central hidrel&eacute;trica de Capanda, sua primeira obra no pa&iacute;s, &quot;foi a escola de uma elite&quot; de t&eacute;cnicos, agora em importantes cargos no governo e em empresas, disse Justino Amaro, o primeiro angolano que chegou a gerente na dire&ccedil;&atilde;o central da Odebrecht Angola.<\/p>\n<p>O agora respons&aacute;vel de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais quase abandonou a empresa, quando chegou &agrave; selva de Capanda, onde aceitou trabalhar em 1989, abandonando as comodidades de Luanda e assumindo os perigos da longa guerra civil (1975-2002), que por v&aacute;rias vezes interrompeu a constru&ccedil;&atilde;o e a prolongou por 17 anos. Seu chefe o convenceu a ficar, por causa das possibilidades de subir dentro da empresa. P&ocirc;de seguir seus estudos de economia &agrave; dist&acirc;ncia e fazer cursos no Brasil, em uma apoiada dedica&ccedil;&atilde;o que impulsionou sua carreira.<\/p>\n<p>A capacita&ccedil;&atilde;o de trabalhadores &eacute; essencial nos projetos da Odebrecht, e at&eacute; meados do ano passado 79 mil angolanos se beneficiaram do processo. Estudantes universit&aacute;rios selecionados recebem treinamento especial, como poss&iacute;veis dirigentes futuros da empresa. O grupo tamb&eacute;m oferece forma&ccedil;&atilde;o profissional &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es vizinhas aos seus grandes projetos, preparando jovens para trabalhos em constru&ccedil;&atilde;o, sem necessariamente contrat&aacute;-los. Para isto, criou o Programa Acreditar, que j&aacute; formou cerca de tr&ecirc;s mil trabalhadores em suas tr&ecirc;s unidades em Angola.<\/p>\n<p>Jos&eacute; Sim&atilde;o, de 54 anos, tem sete filhos de seu casamento e mais seis em distantes prov&iacute;ncias, onde participou da guerra. &quot;A vida era combater e fazer filhos&quot;, ironizou. Em outubro se formou como pedreiro no Acreditar de Luanda, com tr&ecirc;s salas de aula, laborat&oacute;rio e biblioteca no Zango, um bairro do Programa de Realojamento de Popula&ccedil;&otilde;es, iniciativa governamental executada pela Odebrecht para reassentar fam&iacute;lias deslocadas pela urbaniza&ccedil;&atilde;o ou vulnerabilidade de sua moradia anterior.<\/p>\n<p>Sim&atilde;o j&aacute; constru&iacute;a casas por conta pr&oacute;pria, mas no curso adquiriu novas t&eacute;cnicas. &quot;Em 18 dias se aprende muito, n&atilde;o s&oacute; sobre a profiss&atilde;o, mas de sa&uacute;de, meio ambiente e seguran&ccedil;a do trabalho&quot;, ressaltou. Agora pede um emprego ao governo. &quot;Servimos por longo tempo ao Estado como combatentes&quot;, acrescentou, coincidindo com seus colegas, dezenas de soldados desmobilizados que o Acreditar acolhe para melhorar sua reinser&ccedil;&atilde;o profissional.<\/p>\n<p>Essa e outras a&ccedil;&otilde;es de responsabilidade social, como levar &aacute;gua, escolas, luz e esportes a comunidades pobres, acentuam a imagem de coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento passada pela atividade construtora. Isto tem especial valor neste pa&iacute;s ainda em constru&ccedil;&atilde;o, 37 anos depois de sua independ&ecirc;ncia, e em reconstru&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-guerra. Contudo, Angola foi, sobretudo, um grande neg&oacute;cio e impulsionou a convers&atilde;o da Odebrecht em uma das maiores empresas brasileiras e a mais internacionalizada. Uma queixa comum entre angolanos bem informados &eacute; o alto custo de suas obras.<\/p>\n<p>Outras construtoras brasileiras, com Andrade Gutierrez, Camargo Correa e Queiroz Galv&atilde;o, tamb&eacute;m aproveitam o grande mercado angolano. Essa ampla presen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; uma opera&ccedil;&atilde;o claramente privada. Seus grandes projetos contam com cr&eacute;ditos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social, que financia a exporta&ccedil;&atilde;o de insumos e servi&ccedil;os necess&aacute;rios &agrave;s obras de empresas brasileiras.<\/p>\n<p>Isso contribuiu para colocar Angola, em 2008, como principal importador africano de produtos brasileiros, superando &Aacute;frica do Sul e Nig&eacute;ria, com popula&ccedil;&otilde;es e economias muito maiores. Mas, em 2010, essas compras ca&iacute;ram pela metade, se recuperando um pouco nos anos seguintes. S&atilde;o riscos de operar em uma economia dependente dos altos e baixos do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo e com elevados custos de vida e de produ&ccedil;&atilde;o pela bonan&ccedil;a energ&eacute;tica. Sua moeda tende a sobrevalorizar e isto encarece os produtos nacionais e barateia os importados.<\/p>\n<p>O governo angolano fomenta a produ&ccedil;&atilde;o nacional para substituir as importa&ccedil;&otilde;es, que dominam o mercado interno. A Biocom &eacute; parte desse esfor&ccedil;o, como a Zona Econ&ocirc;mica Especial, onde haver&aacute; 73 ind&uacute;strias a 30 quil&ocirc;metros de Luanda e cuja infraestrutura inicial foi constru&iacute;da pela Odebrecht. Por&eacute;m, uma abertura do mercado pode inviabilizar muitos empreendimentos agr&iacute;colas e industriais.<\/p>\n<p>Por isso, Angola ignora o livre com&eacute;rcio proposto pela Comunidade de Desenvolvimento da &Aacute;frica Austral, que integra junto com outros 13 pa&iacute;ses. O risco &eacute; de mudan&ccedil;a na pol&iacute;tica econ&ocirc;mica e tamb&eacute;m do poder, especialmente para projetos vinculados a governantes cujas decis&otilde;es podem ser questionadas no futuro. Nada parece amea&ccedil;ar a estabilidade do regime de 33 anos de Santos, mas projetos industriais como o da Biocom s&atilde;o de longu&iacute;ssimo prazo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luanda, Angola, 28\/01\/2013 &ndash; O Brasil fez das grandes obras de infraestrutura um caminho pr&oacute;prio para a expans&atilde;o internacional de sua economia e de sua influ&ecirc;ncia, com forte incid&ecirc;ncia no desenvolvimento de pa&iacute;ses pequenos, mas tamb&eacute;m com riscos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/a-diplomacia-da-construo-de-angola-e-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2,12,5,9,11],"tags":[27],"class_list":["post-11279","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-globalizacao","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11279"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11279\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}