{"id":11285,"date":"2013-01-29T08:35:52","date_gmt":"2013-01-29T08:35:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11285"},"modified":"2013-01-29T08:35:52","modified_gmt":"2013-01-29T08:35:52","slug":"reportagem-buenos-aires-se-debate-entre-crticas-e-meta-de-limpeza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/reportagem-buenos-aires-se-debate-entre-crticas-e-meta-de-limpeza\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Buenos Aires se debate entre cr&iacute;ticas e meta de limpeza"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 29\/01\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O governo da capital argentina promete superar a crise do lixo, enquanto ambientalistas e opositores apontam para o lixo amontoado que se reproduz nas esquinas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11285\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/613_basura_bsas_PhotostockIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11285\" class=\"size-medium wp-image-11285\" title=\"Res\u00c3\u00adduos domiciliares convivem com transeuntes na esquina das avenidas de Mayo e 9 de julho, no centro de Buenos Aires - Photostock\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/613_basura_bsas_PhotostockIPS.jpg\" alt=\"Res\u00c3\u00adduos domiciliares convivem com transeuntes na esquina das avenidas de Mayo e 9 de julho, no centro de Buenos Aires - Photostock\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11285\" class=\"wp-caption-text\">Res\u00c3\u00adduos domiciliares convivem com transeuntes na esquina das avenidas de Mayo e 9 de julho, no centro de Buenos Aires - Photostock\/IPS<\/p><\/div>  O lixo espalhado por muitas ruas e avenidas da capital argentina em parte do dia reflete, segundo organiza&ccedil;&otilde;es sociais e opositores, a inefici&ecirc;ncia de um sistema de coleta e tratamento que, paradoxalmente, cada vez custa mais &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. A crise do lixo na cidade de Buenos Aires se deve &agrave; satura&ccedil;&atilde;o dos aterros sanit&aacute;rios, diante do aumento do consumo na &uacute;ltima d&eacute;cada, e ao deficiente servi&ccedil;o de coleta, com caminh&otilde;es compactadores que costumam deixar &agrave; sua passagem restos espalhados, especialmente no centro da cidade.<\/p>\n<p>A gera&ccedil;&atilde;o de lixo s&oacute;lido, como pl&aacute;sticos, t&ecirc;xteis, borrachas, couro e alimentos, cresceu entre 24% e 35% entre 2001 e 2011. Assim, as toneladas de lixo de Buenos Aires com destino &agrave; &quot;disposi&ccedil;&atilde;o final&quot; passaram de 1,4 milh&atilde;o para 2,2 milh&otilde;es, entre 2002 e 2010, sem que houvesse uma varia&ccedil;&atilde;o significativa na quantidade de habitantes, segundo dados do opositor partido Projeto Sul. Os dep&oacute;sitos ficam em localidades da &aacute;rea metropolitana de Buenos Aires, como Jos&eacute; Le&oacute;n Su&aacute;rez, Gonz&aacute;lez Cat&aacute;n e Punta Lara, todas na jurisdi&ccedil;&atilde;o da vizinha prov&iacute;ncia de mesmo nome.<\/p>\n<p>A proximidade desses populosos munic&iacute;pios representa um enorme risco sanit&aacute;rio. Foram criados em depress&otilde;es do terreno que s&atilde;o cobertas com uma membrana sobre a qual se deposita o lixo e, teoricamente, a ele s&atilde;o aplicados sistemas de coleta de gases e dissolventes para separar partes sol&uacute;veis dos l&iacute;quidos, para depois cobrir a superf&iacute;cie. A administra&ccedil;&atilde;o desses locais est&aacute; a cargo da empresa Coordena&ccedil;&atilde;o Ecol&oacute;gica &Aacute;rea Metropolitana Sociedade do Estado, resultado de acordo entre os dois distritos.<\/p>\n<p>No entanto, a coleta &eacute; feita por cinco empresas privadas, que dividem &aacute;reas vizinhas, e uma sexta, propriedade do governo local, embora uma iminente licita&ccedil;&atilde;o preveja um redesenho para sete &aacute;reas. Al&eacute;m da quest&atilde;o sanit&aacute;ria, o colapso do sistema tamb&eacute;m repercute no plano econ&ocirc;mico. O gasto destinado ao setor de limpeza da cidade passou de 641 milh&otilde;es de pesos (US$ 128 milh&otilde;es) para 2,517 bilh&otilde;es (US$ 503 milh&otilde;es) desde 2008, primeiro ano do conservador Mauricio Macri, um dos principais opositores da presidente da Argentina, Cristina Fern&aacute;ndez.<\/p>\n<p>Com quase 2,9 milh&otilde;es de habitantes, a cidade de Buenos Aires ter&aacute;, assim, um gasto anual por pessoa de US$ 176 quando for aprovado o projeto do or&ccedil;amento deste ano. Desde maio de 2007 vigora na cidade a Lei do Lixo Zero, aprovada no ano anterior, pelo qual o governo local est&aacute; comprometido a reduzir drasticamente a quantidade de lixo com destino &agrave; &quot;disposi&ccedil;&atilde;o final&quot;. O cronograma estabelecia redu&ccedil;&otilde;es graduais de res&iacute;duos de 30% em 2010, 50% em 2012 e 75% em 2017. Finalmente, fixava como meta para 2020 a proibi&ccedil;&atilde;o total de dep&oacute;sitos de lixo recicl&aacute;veis.<\/p>\n<p>Nos fatos, o lixo enviado para os aterros sanit&aacute;rios deveriam diminuir at&eacute; 748.828 toneladas no ano passado, mas foi o triplo, com m&eacute;dia di&aacute;ria superior a seis mil toneladas. &quot;N&atilde;o h&aacute; um governo que tenha avan&ccedil;ado tanto como o nosso no cumprimento da lei de Lixo Zero&quot;, disse o ministro do Meio Ambiente e Espa&ccedil;o P&uacute;blico da Cidade, Diego Santilli. Embora admitam dificuldades no come&ccedil;o para cumprir a meta, garantem que a tend&ecirc;ncia ser&aacute; revertida gra&ccedil;as aos acordos selados com o governador da prov&iacute;ncia de Buenos Aires, Daniel Scioli, do mesmo Partido Justicialista (peronista) que a presidente, embora de tend&ecirc;ncia centrista.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, organiza&ccedil;&otilde;es sociais e dirigentes pol&iacute;ticos opositores apontaram a falta de vontade do governo de Macri para implantar a Lei de Lixo Zero. Rafael Gentili, deputado pelo centro-esquerdista Projeto Sul na legislatura local, disse ao Terram&eacute;rica que a pol&iacute;tica de Macri &eacute; &quot;p&eacute;ssima, j&aacute; que n&atilde;o cumpriu nenhum dos par&acirc;metros que a norma estabelece. A cidade est&aacute; hoje mais suja do que h&aacute; cinco anos&quot;, afirmou. Al&eacute;m dos objetivos citados, a Lei de Lixo Zero pro&iacute;be a incinera&ccedil;&atilde;o e estabelece a promo&ccedil;&atilde;o da separa&ccedil;&atilde;o do lixo nos domic&iacute;lios, um ponto crucial e que gera as maiores reclama&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Por sua vez, Consuelo Bilbao, encarregada da campanha de t&oacute;xicos da organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista Greenpeace, apontou ao Terram&eacute;rica &quot;uma defasagem e um desequil&iacute;brio enorme entre o sistema para coletar e enterrar e o dinheiro destinado a reciclagem, de 200 milh&otilde;es de pesos (US$ 40 milh&otilde;es). A crise que em 2001 devastou a economia argentina disparou um sistema de reciclagem informal, ao colocar milhares de fam&iacute;lias nas ruas para coletar vidro, papel, metal e papel&atilde;o (cartones, da&iacute; o nome dados a eles de cartoneros). A melhoria nos indicadores econ&ocirc;micos e sociais a partir de 2005 reduziu o tr&acirc;nsito dos cartoneros. H&aacute; dois anos, o governo local implantou um sistema que dotou de certa formalidade a tarefa que realizam.<\/p>\n<p>Os pr&eacute;dios com mais de 19 andares, centros comerciais, reparti&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e escolas est&atilde;o obrigadas a separar material recicl&aacute;vel, e este &eacute; entregue a cooperativas de cartoneros registradas junto &agrave; administra&ccedil;&atilde;o. Bilbao e Gentili concordam que isto permitiu recuperar 15% do lixo gerado na cidade, o que n&atilde;o exclui que se continue fazendo uma coleta e reciclagem artesanais. O foco das cr&iacute;ticas do Greenpeace e de outros est&aacute; no fato de que, segundo afirmam, o governo local resiste em avan&ccedil;ar na separa&ccedil;&atilde;o de material recicl&aacute;vel na origem, isto &eacute;, nos domic&iacute;lios, o que elevaria a reutiliza&ccedil;&atilde;o do lixo em at&eacute; 40% das toneladas produzidas.<\/p>\n<p>&quot;A Macri n&atilde;o interessa reduzir os n&iacute;veis de produ&ccedil;&atilde;o de lixo, pelo contr&aacute;rio, quer que haja muito para que o neg&oacute;cio seja mais lucrativo&quot;, afirmou Gentili. E argumentou que os contratados do Estado encarregados de processar o lixo para transform&aacute;-lo em biog&aacute;s, adubo ou fertilizante cobram em fun&ccedil;&atilde;o do volume e que por isto h&aacute; um interesse econ&ocirc;mico de que n&atilde;o diminua a quantidade de lixo na origem. Gentili denuncia que algumas empresas, como o Grupo Roggio, um dos mais importantes do pa&iacute;s, participam das duas pontas da cadeia: coleta e tratamento, causando um conflito de interesses.<\/p>\n<p>Por sua vez, Bilbao concorda que a pol&iacute;tica do governo de Buenos Aires tem como &quot;objetivo o tratamento, n&atilde;o as fases pr&eacute;vias que consideramos cruciais, ou para pol&iacute;ticas claras que apontem para uma medida de longo prazo&quot;. Para a ecologista, &eacute; esclarecedor o fato de &quot;se pagar &agrave;s plantas de tratamento e aos cartoneros dar um subs&iacute;dio e n&atilde;o um sal&aacute;rio, com o qual ficam &agrave; merc&ecirc; do valor do mercado. Assim, o que existe &eacute; uma desigualdade total&quot;, ressaltou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 29\/01\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O governo da capital argentina promete superar a crise do lixo, enquanto ambientalistas e opositores apontam para o lixo amontoado que se reproduz nas esquinas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/reportagem-buenos-aires-se-debate-entre-crticas-e-meta-de-limpeza\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,11],"tags":[21],"class_list":["post-11285","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11285"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11285\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}