{"id":1131,"date":"2005-10-24T00:00:00","date_gmt":"2005-10-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1131"},"modified":"2005-10-24T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-24T00:00:00","slug":"direitos-humanos-mortes-misteriosas-de-prisioneiros-da-guerra-de-bush","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/mundo\/direitos-humanos-mortes-misteriosas-de-prisioneiros-da-guerra-de-bush\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Mortes misteriosas de prisioneiros da guerra de Bush"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 24\/10\/2005 &ndash; Apesar das repetidas promessas norte-americanas de que seriam investigadas todas as mortes de pessoas detidas pela &quot;guerra contra o terrorismo&quot;, os procedimentos grosseiramente inadequados e defeituosos tornam dif&iacute;cil ou imposs&iacute;vel acusar e condenar os culpados. Esta &eacute; a conclus&atilde;o a que chegou a organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Human Rights First (HRF), com 25 anos de trajet&oacute;ria nessa &aacute;rea. Os registros de mortes de prisioneiros, 108 desde 2020, segundo o Departamento de Defesa, s&atilde;o &quot;extremamente inadequados&quot; e os investigadores n&atilde;o conseguiram interrogar testemunhas importantes nem arrecadar e preservar provas &uacute;teis, como partes de corpos ou evid&ecirc;ncia bal&iacute;stica b&aacute;sica para realizar as acusa&ccedil;&otilde;es.<br \/> <!--more--> <br \/> Entre as repetidas falhas dos comandantes militares, figura a de n&atilde;o informar sobre as mortes de pessoas detidas sob cust&oacute;dia de suas tropas, ou demorar dias e at&eacute; semanas para relat&aacute;-las, complicando muito a possibilidade de reunir evid&ecirc;ncias. Um exemplo foi a morte de um preso iraquiano que foi informada um ano depois de ocorrer, e o caso foi encerrado sem que se determinasse a causa da morte. Em algumas ocasi&otilde;es, o Ex&eacute;rcito fez investiga&ccedil;&otilde;es s&eacute;rias, mas s&oacute; depois de os meios de comunica&ccedil;&atilde;o terem divulgado as mortes. Em outras, os falecimentos eram inicialmente atribu&iacute;dos a causas naturais, segundo a HRF, que prepara um relat&oacute;rio sobre estes fatos para divulga&ccedil;&atilde;o em breve.<\/p>\n<p> Entre as 108 mortes informadas pelo Pent&aacute;gono (sede do Departamento de Defesa), o Ex&eacute;rcito identificou 27 homic&iacute;dios, poss&iacute;veis ou confirmados, e pelo menos sete nos quais os prisioneiros foram torturados ou golpeados at&eacute; a morte. A informa&ccedil;&atilde;o da HRF vem a p&uacute;blico pouco antes da realiza&ccedil;&atilde;o de reuni&otilde;es de um comit&ecirc; do Congresso norte-americano que dever&aacute; decidir se inclui no projeto de or&ccedil;amento da Defesa uma emenda proibindo qualquer tipo de tratamento abusivo contra prisioneiros, em concord&acirc;ncia com o Manual de Campo do Ex&eacute;rcito dos Estados Unidos, que, em geral, se ajusta &agrave;s conven&ccedil;&otilde;es de Genebra. Estas conven&ccedil;&otilde;es constituem a base do direito internacional humanit&aacute;rio, que protege os prisioneiros de guerra e a popula&ccedil;&atilde;o civil em zonas de conflito.<\/p>\n<p> No in&iacute;cio deste m&ecirc;s, os senadores do governante Partido Republicano se distanciaram em massa do governo do presidente George W. Bush, que havia se oposto &agrave; emenda, e somaram-se aos democratas para aprovar a emenda por 90 votos contra nove. A C&acirc;mara de Representantes agora deve decidir, mediante as reuni&otilde;es do Comit&ecirc;, se introduz essa emenda na vers&atilde;o do projeto de lei que dever&aacute; votar. O governo insiste em que os suspeitos de terrorismo n&atilde;o t&ecirc;m direito &agrave; prote&ccedil;&atilde;o das conven&ccedil;&otilde;es de Genebra e adverte reiteradamente que vetar&aacute; o projeto se a emenda foi inclu&iacute;da.<\/p>\n<p> Entretanto, o governo est&aacute; assediado por uma muito baixa aprova&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e preocupado com a possibilidade de que altos funcion&aacute;rios da Casa Branca possam ser acusados criminalmente na pr&oacute;xima semana por revelarem a identidade da agente secreta da Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA), Valerie Plame, cujo marido acusou Washington de empreender a guerra contra o Iraque apresentando informa&ccedil;&atilde;o fraudulenta. Portanto, o governo poderia optar por manter sil&ecirc;ncio e deixar que a emenda sobre maus-tratos seja inclu&iacute;da no texto final da lei. Na quarta-feira, o Pent&aacute;gono anunciou que o Ex&eacute;rcito havia come&ccedil;ado uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre os informes de que soldados norte-americanos no Afeganist&atilde;o queimaram os cad&aacute;veres de dois combatentes do Talib&atilde; e depois usaram os restos como parte de uma opera&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica para escapaar dos insurgentes e de seus seguidores em uma aldeia pr&oacute;xima.<\/p>\n<p> &quot;Esta suposta a&ccedil;&atilde;o resulta repugnante para nossos valores comuns&quot;, disse na quinta-feira um porta-voz do Pent&aacute;gono na base norte-americana de Bagram, no Afeganist&atilde;o. &quot;Este comando leva a s&eacute;rio todas as den&uacute;ncias de m&aacute; conduta ou comportamento inapropriado e ordenou uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre as circunst&acirc;ncias que cercaram esta den&uacute;ncia&quot;, acrescentou. As den&uacute;ncias da Human Rights First tamb&eacute;m refor&ccedil;ar&atilde;o a convic&ccedil;&atilde;o dos legisladores e de um crescente n&uacute;mero de militares da reserva &#8211; que publicamente pediram urg&ecirc;ncia ao Congresso para aprovar a emenda &#8211; de que a decis&atilde;o do governo de n&atilde;o aplicar as conven&ccedil;&otilde;es de Genebra contra suspeitos de terrorismo criou um ambiente prop&iacute;cio para perdoar os abusos.<\/p>\n<p> Aproximadamente tr&ecirc;s dezenas de generais da reserva assinaram uma carta de apoio &agrave; emenda. O ex-secret&aacute;rio de Estado e ex-chefe do Estado Maior Conjunto, Colin Powell, tamb&eacute;m assinou a carta. O coronel da reserva Lawrence Wilkerson acusou, na semana passada, o presidente Bush; seu vice, Dick Cheney, e o secret&aacute;rio de Defesa, Donald Rumsfeld, de serem respons&aacute;veis por &quot;dizer aos nossos soldados: &#039;Voc&ecirc;s n&atilde;o deveriam se preocupar. porque este &eacute; um tipo diferente de conflito&#039;&quot;.<\/p>\n<p> &quot;Sab&iacute;amos que as coisas n&atilde;o eram como deveriam ser&quot;, disse Wilkerson, se referindo &agrave; sua rea&ccedil;&atilde;o e &agrave; de Powell diante dos abusos contra presos. &quot;E, como ex-soldados, sab&iacute;amos que as pessoas n&atilde;o t&ecirc;m esse tipo de atitude dali para fora, a menos que sejam perdoadas&quot;, acrescentou. &quot;&Eacute; irrelevante se algu&eacute;m fez explicitamente, ou n&atilde;o. Se o fez indireta, impl&iacute;cita, tacitamente (escolha a palavra) est&aacute; com problemas, porque essa encosta &eacute; realmente escorregadia e levar&aacute; anos para se reverter a situa&ccedil;&atilde;o, e provavelmente teremos de cultivar um novo Ex&eacute;rcito&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p> O fracasso em investigar as mortes de presos foi outro resultado da decis&atilde;o do governo de n&atilde;o aplicar as conven&ccedil;&otilde;es de Genebra, segundo Deborah Pearlstein, que supervisionou o novo estudo da HRF. &quot;Estas pesquisas cheias de falhas s&atilde;o parte dos efeitos mais amplos de enviar soldados para combater com uma pauta ilegal sobre interrogat&oacute;rios e deten&ccedil;&otilde;es, ou sem nenhuma orienta&ccedil;&atilde;o em absoluto&quot;, disse a ativista. &quot;Existe um velho aforismo do Ex&eacute;rcito: a unidade faz o que o comandante revisa. Se qualquer comandante realmente tivesse se preocupado em respeitar as conven&ccedil;&otilde;es de Genebra, pode estar certo de que teriam sido respeitadas, e isto vai diretamente ao integrante mais alto da cadeia de comando&quot;, disse o general da reserva David Irvine, um oficial de intelig&ecirc;ncia estrat&eacute;gica que ensinou t&eacute;cnicas de interrogat&oacute;rio de prisioneiros e lei militar durante 18 anos.<\/p>\n<p> &quot;Se uma rigorosa aplica&ccedil;&atilde;o do tratamento humanit&aacute;rio tivesse sido considerada importante, algu&eacute;m usando estrelas teria determinado uma investiga&ccedil;&atilde;o minuciosa e imparcial de cada morte de prisioneiros&quot;, acrescentou Irvine. Um porta-voz do Pent&aacute;gono insistiu em que circunst&acirc;ncias al&eacute;m do controle dos investigadores militares freq&uuml;entemente tornaram imposs&iacute;vel realizar investiga&ccedil;&otilde;es meticulosas.<\/p>\n<p> Estes procedimentos &quot;n&atilde;o podem ser comparados com as investiga&ccedil;&otilde;es penais realizadas em uma t&iacute;pica cidade norte-americana&quot;, disse o tenente-coronel Mark Ballesteros. &quot;&Eacute; muito importante compreender que a maioria destas investiga&ccedil;&otilde;es de mortes &eacute; feita em ambientes muito austeros e perigosos&quot;, acrescentou. (IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 24\/10\/2005 &ndash; Apesar das repetidas promessas norte-americanas de que seriam investigadas todas as mortes de pessoas detidas pela &quot;guerra contra o terrorismo&quot;, os procedimentos grosseiramente inadequados e defeituosos tornam dif&iacute;cil ou imposs&iacute;vel acusar e condenar os culpados. Esta &eacute; a conclus&atilde;o a que chegou a organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Human Rights First (HRF), com 25 anos de trajet&oacute;ria nessa &aacute;rea. Os registros de mortes de prisioneiros, 108 desde 2020, segundo o Departamento de Defesa, s&atilde;o &quot;extremamente inadequados&quot; e os investigadores n&atilde;o conseguiram interrogar testemunhas importantes nem arrecadar e preservar provas &uacute;teis, como partes de corpos ou evid&ecirc;ncia bal&iacute;stica b&aacute;sica para realizar as acusa&ccedil;&otilde;es.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/mundo\/direitos-humanos-mortes-misteriosas-de-prisioneiros-da-guerra-de-bush\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1131","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1131"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1131\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}