{"id":11329,"date":"2013-02-05T07:41:40","date_gmt":"2013-02-05T07:41:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11329"},"modified":"2013-02-05T07:41:40","modified_gmt":"2013-02-05T07:41:40","slug":"jihadistas-abandonam-o-norte-de-mali-mas-o-medo-permanece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/africa\/jihadistas-abandonam-o-norte-de-mali-mas-o-medo-permanece\/","title":{"rendered":"Jihadistas abandonam o norte de Mali, mas o medo permanece"},"content":{"rendered":"<p>Diabali, Mali, 05\/02\/2013 &ndash; &quot;Sabemos que est&atilde;o perto. N&atilde;o nos sentimos seguros&quot;, disse Alassane Traor&eacute; olhando o caminho pelo qual um grupo de rebeldes isl&acirc;micos entrou nesta cidade do centro de Mali h&aacute; duas semanas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11329\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Mali.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11329\" class=\"size-medium wp-image-11329\" title=\"Autom&oacute;veis queimados e tanques do ex&eacute;rcito abandonados s&atilde;o testemunhas dos combates em Diabali, centro de Mali. - Marc-Andr&eacute; Boisvert\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Mali.jpg\" alt=\"Autom&oacute;veis queimados e tanques do ex&eacute;rcito abandonados s&atilde;o testemunhas dos combates em Diabali, centro de Mali. - Marc-Andr&eacute; Boisvert\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11329\" class=\"wp-caption-text\">Autom&oacute;veis queimados e tanques do ex&eacute;rcito abandonados s&atilde;o testemunhas dos combates em Diabali, centro de Mali. - Marc-Andr&eacute; Boisvert\/IPS<\/p><\/div>  Diabali fica 250 quil&ocirc;metros a nordeste de Bamako, capital do pa&iacute;s. Traor&eacute;, ele pr&oacute;prio mu&ccedil;ulmano e muezim, encarregado de chamar a ora&ccedil;&atilde;o e recit&aacute;-la na mesquita local, ficou nervoso quando viu a fila de caminhonetes com jihadistas da rede extremista Al Qaeda circulando pela cidade no dia 14 de janeiro, tanto que decidiu colocar sua mulher e filhos em local seguro.<\/p>\n<p>&quot;Eram violentos e destru&iacute;ram tudo, podem voltar a qualquer momento&quot;, disse Traor&eacute; &agrave; IPS diante de sua modesta mesquita pintada de azul. &quot;Os vimos aspirar um p&oacute; branco. N&atilde;o s&atilde;o bons mu&ccedil;ulmanos&quot;, acrescentou. No ano passado, quase dois ter&ccedil;os deste pa&iacute;s da &Aacute;frica ocidental foi ocupado por uma coaliz&atilde;o de grupos armados, integrada por Al Qaeda no Magreb Isl&acirc;mico (Aqim), Movimento pela Unidade, e Jihad e Ansar Dine, uma organiza&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica de tuaregues. Estes s&atilde;o um povo n&ocirc;made amazigh, que ocupa partes de Mali e N&iacute;ger.<\/p>\n<p>Os isl&acirc;micos radicais, que defendem a imposi&ccedil;&atilde;o da shari&aacute; (lei isl&acirc;mica), assumiram o controle de Diabali durante uma semana, at&eacute; que for&ccedil;as da Fran&ccedil;a e o ex&eacute;rcito de Mali conseguiram expuls&aacute;-los no dia 21 de janeiro. Precisamente, a tomada de Diabali pelos insurgentes motivou a interven&ccedil;&atilde;o francesa, solicitada pelo presidente interino, Dioncounda Traor&eacute;, que acabou expulsando os combatentes isl&acirc;micos de tr&ecirc;s importantes cidades do norte do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Dois autom&oacute;veis queimados e tanques do ex&eacute;rcito abandonados lembram aos visitantes os violentes enfrentamentos na pequena cidade rodeada por arrozais. Bandeiras francesas ondeiam em estabelecimentos comerciais e motocicletas, colocadas pela popula&ccedil;&atilde;o local, convencida de que os 2,5 mil soldados da Fran&ccedil;a a salvou de um regime isl&acirc;mico. Os rebeldes armados, apesar de analfabetos, &quot;estavam melhor treinados e equipados do que o ex&eacute;rcito de Mali&quot;, disse &agrave; IPS o soldado da reserva Diakaridia Doumbia, atual conselheiro desta localidade.<\/p>\n<p>&quot;Disseram que estavam contra o governo, n&atilde;o contra a popula&ccedil;&atilde;o. Mas n&atilde;o acreditamos&quot;, disse &agrave; IPS o prefeito de Diabali, Oumar Diakit&eacute;. &quot;Ouvimos sobre a shari&aacute; no norte, sobre amputa&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;oites. Muita gente fugiu sabendo o que aconteceria, apesar de os terroristas tentarem engan&aacute;-los se fazendo simp&aacute;ticos&quot;, destacou. As for&ccedil;as especiais francesas seguiram para o norte, e a vida aqui parece que voltou ao normal. Nos arredores foi estabelecida uma pequena guarni&ccedil;&atilde;o de soldados de Mali &agrave; espera de aproximadamente 4,5 mil soldados africanos, que ser&atilde;o enviados a este pa&iacute;s nas pr&oacute;ximas semanas.<\/p>\n<p>Um pouco mais ao norte, os residentes de Dogofiri n&atilde;o compartilham do entusiasmo dos moradores de Diabali. As pessoas olham para baixo e se recusam a falar com estrangeiros. &quot;Sabemos que os terroristas ainda est&atilde;o escondidos no mato. Podem voltar a qualquer momento e aplicar repres&aacute;lias&quot;, disse &agrave; IPS o comerciante Ousmane Diarra. Os poucos postos de controle no caminho poeirento, sob a guarda de dois ou tr&ecirc;s soldados do ex&eacute;rcito com sand&aacute;lias de pl&aacute;stico, n&atilde;o d&atilde;o garantias &agrave; popula&ccedil;&atilde;o local.<\/p>\n<p>&quot;O ex&eacute;rcito de Mali n&atilde;o conseguiu deter o avan&ccedil;o isl&acirc;mico, fugiu. E, apesar dos ataques, a seguran&ccedil;a n&atilde;o foi refor&ccedil;ada&quot;, disse &agrave; IPS um morador do lugar que n&atilde;o quis se identificar. &quot;Pode acontecer novamente a qualquer momento&quot;, destacou. Al&eacute;m disso, muita gente tamb&eacute;m teme o ex&eacute;rcito regular. &quot;Soldados bateram em um idoso. Tamb&eacute;m executaram um homem em plena luz do dia. Disseram que colaborava com os isl&acirc;micos&quot;, contou &agrave; IPS outro morador de Dogofiri. Nesta localidade os tuaregues e os &aacute;rabes, que se destacam por sua pele mais clara, costumam vender seus produtos no mercado local, mas se foram depois disso. &quot;H&aacute; ansiedade. As pessoas temem o ex&eacute;rcito&quot;, declarou uma fonte.<\/p>\n<p>No dia 1&ordm;, a organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch, com sede em Nova York, acusou o ex&eacute;rcito de Mali, respons&aacute;vel pela queda do governo em mar&ccedil;o de 2012, de executar 13 isl&acirc;micos em plena luz do dia. Em setembro, a poucos quil&ocirc;metros de Diabali, o ex&eacute;rcito de Mali executou 16 pregadores mu&ccedil;ulmanos desarmados que cruzavam a fronteira para a Maurit&acirc;nia. A Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Direitos Humanos (FIDH), com sede na Fran&ccedil;a, registrou pelo menos 11 execu&ccedil;&otilde;es extrajudiciais em janeiro por parte do ex&eacute;rcito.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o racial&quot;, disse Diakit&eacute;. &quot;A primeira pessoa assassinada em Diabali pelos isl&acirc;micos foi um tuaregue. Sabemos quem &eacute; bom e quem &eacute; mau. Em Mali, todos temos familiares de outras ra&ccedil;as. Inclusive tuaregues. H&aacute; delinquentes e h&aacute; maleses. Mali &eacute; um pa&iacute;s multicultural e vivemos todos juntos&quot;, ressaltou o prefeito. Contudo, h&aacute; outras suspeitas que mant&ecirc;m a cidade em estado de alerta e desejosa de que se fa&ccedil;a justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>Desde que a popula&ccedil;&atilde;o local viu entre as for&ccedil;as isl&acirc;micas dois militares de alta patente do ex&eacute;rcito de Mali que costumavam servir em Diabali, a comunidade acredita que os rebeldes tenham apoio local. &quot;As pessoas querem vingan&ccedil;a, especialmente os jovens&quot;, disse Doumbia. &quot;Identificamos colaboradores que passaram informa&ccedil;&atilde;o aos terroristas, os consideramos traidores&quot;, enfatizou. Uma vez que a situa&ccedil;&atilde;o se acalme, &quot;vou denunci&aacute;-los e haver&aacute; justi&ccedil;a&quot;, assegurou. &quot;Enquanto isso, somos um pa&iacute;s em guerra&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diabali, Mali, 05\/02\/2013 &ndash; &quot;Sabemos que est&atilde;o perto. 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