{"id":11331,"date":"2013-02-05T07:44:54","date_gmt":"2013-02-05T07:44:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11331"},"modified":"2013-02-05T07:44:54","modified_gmt":"2013-02-05T07:44:54","slug":"agricultura-nativa-da-ndia-ganha-status","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/economia\/agricultura-nativa-da-ndia-ganha-status\/","title":{"rendered":"Agricultura nativa da &Iacute;ndia ganha status"},"content":{"rendered":"<p>Koraput, &Iacute;ndia, 05\/02\/2013 &ndash; Na &uacute;ltima temporada de mon&ccedil;&otilde;es, Sunadhar Ramaparia plantou variedades aut&oacute;ctones de arroz, milho e oleaginosas em sua &aacute;rea nas terras altas do Estado indiano de Orissa e suportou as inclem&ecirc;ncias do clima.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11331\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/102311-20130204.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11331\" class=\"size-medium wp-image-11331\" title=\" - Manipadma Jena\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/102311-20130204.jpg\" alt=\" - Manipadma Jena\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11331\" class=\"wp-caption-text\"> - Manipadma Jena\/IPS<\/p><\/div>  Depois vieram as chuvas e ficou 23 dias sem trabalhar. Com o calor abrasador, at&eacute; os brotos de arroz h&iacute;brido dos agricultores das terras baixas queimaram. Mas Ramaparia, um homem de 65 anos da tribo bhumia, colheu tudo o que plantou.<\/p>\n<p>O desmatamento e a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica est&atilde;o provocando chuvas err&aacute;ticas, que reduzem os corpos de &aacute;gua e degradam o solo na localidade de Ramaparia em Tentulipar, na regi&atilde;o dos Ghats orientais, prov&iacute;ncia de Koraput, em Orissa. Muitos agricultores correm risco de passar fome. Contudo, a tribo bhumia recorre &agrave; sabedoria de seu sistema agr&iacute;cola de tr&ecirc;s mil anos de antiguidade para garantir alimentos de qualidade o ano todo.<\/p>\n<p>Estes nativos usam sementes origin&aacute;rias dos Ghats orientais, uma cadeia montanhosa descont&iacute;nua de grande diversidade biol&oacute;gica, que corre paralela &agrave; Ba&iacute;a de Bengala no leste da &Iacute;ndia, com cerca de 900 metros de altitude. O sistema agr&iacute;cola dos bhumias se adaptou ao terreno &aacute;spero, se tornou resiliente &agrave;s mudan&ccedil;as ambientais e desenvolveu um mecanismo natural de controle de pragas. Os agricultores semeiam variedades resistentes nas terras altas, e aquelas que exigem mais &aacute;gua, nas de m&eacute;dia e baixa altitude.<\/p>\n<p>O governo lhes ofereceu arroz h&iacute;brido, com rendimentos entre 3,7 e 4,8 toneladas por hectare, enquanto as sementes tradicionais rendem entre 2,4 e 3,3 toneladas. Por&eacute;m, Ramaparia e sua fam&iacute;lia de 20 membros n&atilde;o t&ecirc;m inten&ccedil;&otilde;es de abandonar o sistema ancestral. &quot;O arroz do governo n&atilde;o tem gosto nem aroma, e exige um cuidado muito caro (pesticidas e fertilizantes qu&iacute;micos), e deixa doente quem o come&quot;, afirmou Ramaparia &agrave; IPS. &quot;Toda uma vida comendo nossos gr&atilde;os faz com que uma pessoa idosa como eu esteja forte; desafio qualquer jovem a lutar comigo&quot;, disse, divertido, enquanto olhava as pessoas reunidas ao seu redor.<\/p>\n<p>Segundo a Pesquisa Nacional da &Iacute;ndia, sobre a qual se baseia a Pol&iacute;tica Nacional para os Agricultores (de 2007) e os programas agr&iacute;colas do 11&ordm; Programa Quinquenal, 69% dos 1,2 bilh&atilde;o de habitantes deste pa&iacute;s vivem em zonas rurais. As comunidades tribais constituem 10% da popula&ccedil;&atilde;o rural, e destas 8% recorrem a m&eacute;todos agr&iacute;colas tradicionais. Al&eacute;m disso, 46% dos agricultores utilizam as sementes h&iacute;bridas oferecidas pelo Estado e 47% usam as conservadas de suas pr&oacute;prias colheitas.<\/p>\n<p>&quot;O cultivo m&uacute;ltiplo, no qual se mesclam seis produtos diferentes, oferece uma dieta vari&aacute;vel&quot;, disse &agrave; IPS o pai da Revolu&ccedil;&atilde;o Verde na &Iacute;ndia, Saujanendra Swain, cientista principal e presidente em&eacute;rito da Funda&ccedil;&atilde;o de Pesquisa M. S. Swaminathan, com sede na cidade de Jeypore, a mais importante de Koraput. &quot;S&atilde;o produzidos mais alimentos em uma terra limitada e com menor trabalho, e a colheita escalonada reduz em grande parte o risco de perder tudo, porque os diferentes cultivos amadurecem em momentos distintos&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Um estudo da Funda&ccedil;&atilde;o Swaminathan, realizado em sete aldeias tribais em 2009, concluiu que 80% dos entrevistados preferiam combinar cultivos de milho e legumes resistentes que prometiam alto grau de seguran&ccedil;a alimentar. A colheita come&ccedil;a em setembro, com a matura&ccedil;&atilde;o do primeiro milho de dedo (ou milho africano), e termina em janeiro, com a do guandu ou feij&atilde;o de pau. N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio trabalho intensivo. No come&ccedil;o da temporada de mon&ccedil;&otilde;es s&atilde;o plantadas as sementes em sulcos pouco fundos que s&atilde;o cobertas com esterco de vaca e deixadas para que se desenvolvam sozinhas.<\/p>\n<p>Nas parcelas, as mulheres s&atilde;o as que sustentam essa pr&aacute;tica. Segundo Chandra Pradhani, agricultor de 46 anos da aldeia de Nuaguda, as tr&ecirc;s palavras-chave que definem o sistema agr&iacute;cola tradicional s&atilde;o: org&acirc;nico, recicl&aacute;vel e sustent&aacute;vel. O cultivo para alimento e combust&iacute;vel &eacute; feito em seu ambiente natural, sem insumos artificiais e depois &eacute; colhido &agrave; m&atilde;o. Os desperd&iacute;cios agr&iacute;colas s&atilde;o usados para tratar os cultivos e controlar as pragas, e as sementes s&atilde;o conservadas em bancos gen&eacute;ticos para a pr&oacute;xima gera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Enquanto caem as chuvas de mon&ccedil;&otilde;es, em julho e agosto (os mais pobres quanto &agrave; disponibilidade de alimentos), os agricultores colhem &quot;verduras e cogumelos&quot; na floresta, disse &agrave; IPS a camponesa Gari Mathabaria enquanto prepara arroz inflado que depois troca no mercado semanal por uma medida de arroz com casca. &quot;Frutas e bagas da esta&ccedil;&atilde;o fazem parte da nossa deita, embora sua quantidade diminua com a redu&ccedil;&atilde;o das florestas&quot;, lamentou.<\/p>\n<p>Os legumes, que s&atilde;o uma pequena por&ccedil;&atilde;o na mesa local, s&atilde;o cultivados para a venda. As verduras s&atilde;o plantadas nas hortas familiares, onde os feij&otilde;es s&atilde;o o sustento de muitas comunidades agr&iacute;colas. Estas pr&aacute;ticas n&atilde;o t&ecirc;m motivo para serem exclu&iacute;das dos Ghats orientais. Segundo a Pesquisa Nacional da &Iacute;ndia, 60% dos 140 milh&otilde;es de hectares cultivados s&atilde;o regados com chuva, por isso esses m&eacute;todos ou outros semelhantes podem ser ampliados.<\/p>\n<p>Os Ghats orientais t&ecirc;m uma longa hist&oacute;ria de zona de grande biodiversidade. Numerosas variedades de arroz se originaram no Vale de Jeypore, em Koraput, h&aacute; cerca de tr&ecirc;s mil anos. No entanto, a interfer&ecirc;ncia humana neste delicado ecossistema e a industrializa&ccedil;&atilde;o da agricultura destru&iacute;ram grande parte dessa riqueza biol&oacute;gica. Uma pesquisa feita em 1950, pelo Instituto Central de Pesquisas do Arroz, constatou 1.750 variedades locais. Em 1990, apenas 40 anos depois, a Funda&ccedil;&atilde;o de Pesquisa M. S. Swaminathan registrou apenas 324.<\/p>\n<p>&quot;Uma estimativa informada &eacute; que, talvez, haja cem variedades dispon&iacute;veis&quot;, destacou Swain. A Funda&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m registrou oito esp&eacute;cies de milhos menores, nove de legumes, cinco de oleaginosas, tr&ecirc;s de plantas fibrosas e sete de verduras. Entretanto, os especialistas temem que essas variedades desapare&ccedil;am. &quot;H&aacute; apenas 15 anos, registramos 25 variedades de feij&otilde;es locais, chamados simba, e hoje s&atilde;o apenas quatro&quot;, pontuou Swain. Entretanto, a situa&ccedil;&atilde;o poderia melhorar.<\/p>\n<p>Em janeiro a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO) concedeu ao m&eacute;todo agr&iacute;cola tradicional de Koraput o status de Sistema Engenhoso do Patrim&ocirc;nio Agr&iacute;cola Mundial (Sipam). Este status permite aos agricultores receberem ajuda para manter e adaptar suas pr&aacute;ticas ancestrais &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e &agrave; cont&iacute;nua redu&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os para garantir a seguran&ccedil;a alimentar sem sucumbir &agrave;s t&eacute;cnicas modernas.<\/p>\n<p>&quot;Os sistemas de Koraput s&atilde;o sustent&aacute;veis no que diz respeito ao meio ambiente e climaticamente inteligentes. Sua import&acirc;ncia aumentar&aacute; com as altera&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas mais frequentes. Por isto, &eacute; bom que a FAO os tenha reconhecido como Sipam&quot;, opinou Swain. Os festivais agr&iacute;colas s&atilde;o um meio &uacute;nico para promover a preserva&ccedil;&atilde;o de sementes. Chandrama Bhumia, de 41 anos, possui meio hectare, mas nunca passou fome.<\/p>\n<p>&quot;Em abril temos o Bali Yatra (festival da areia). As fam&iacute;lias recolhem a camada superior do solo arenoso das margens do rio em recipientes de folhas onde plantam sementes selecionadas que ser&atilde;o utilizadas em junho&quot;, explicou Bhumia. Nove dias depois, quase dez mil pessoas se re&uacute;nem com suas sementes germinadas e o &quot;dasari&quot;, homem de medicina, avalia o estado dos brotos, descartando ou aprovando seu posterior cultivo. A feira permite trocar sementes com os que ficaram com brotos descartados. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Koraput, &Iacute;ndia, 05\/02\/2013 &ndash; Na &uacute;ltima temporada de mon&ccedil;&otilde;es, Sunadhar Ramaparia plantou variedades aut&oacute;ctones de arroz, milho e oleaginosas em sua &aacute;rea nas terras altas do Estado indiano de Orissa e suportou as inclem&ecirc;ncias do clima. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/economia\/agricultura-nativa-da-ndia-ganha-status\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":127,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5],"tags":[17,26,21],"class_list":["post-11331","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico","tag-india","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11331","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/127"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11331"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11331\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11331"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}