{"id":11335,"date":"2013-02-06T07:33:13","date_gmt":"2013-02-06T07:33:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11335"},"modified":"2013-02-06T07:33:13","modified_gmt":"2013-02-06T07:33:13","slug":"os-diamantes-no-so-eternos-a-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/africa\/os-diamantes-no-so-eternos-a-terra\/","title":{"rendered":"Os diamantes n&atilde;o s&atilde;o eternos, a terra &eacute;"},"content":{"rendered":"<p>Freetown, Serra Leoa, 06\/02\/2013 &ndash; Mabinti j&aacute; n&atilde;o lembra a idade que tem. Cansada de tanto andar, se senta &agrave; sombra de uma palmeira em sua aldeia de Makonkonde, no oeste de Serra Leoa, e pega um mam&atilde;o papaia com suas m&atilde;os curtidas por toda uma vida de trabalho.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11335\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/diamantes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11335\" class=\"size-medium wp-image-11335\" title=\"A serra-leonesa Mabinti mostra um papaia. Para ela, e para muitos produtores de seu pa\u00c3\u00ads, custa fazer suas frutas chegarem ao mercado. - Tommy Trenchard\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/diamantes.jpg\" alt=\"A serra-leonesa Mabinti mostra um papaia. Para ela, e para muitos produtores de seu pa\u00c3\u00ads, custa fazer suas frutas chegarem ao mercado. - Tommy Trenchard\/IPS\" width=\"200\" height=\"134\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11335\" class=\"wp-caption-text\">A serra-leonesa Mabinti mostra um papaia. Para ela, e para muitos produtores de seu pa\u00c3\u00ads, custa fazer suas frutas chegarem ao mercado. - Tommy Trenchard\/IPS<\/p><\/div>  Contudo, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil ganhar o sustento nas &aacute;reas rurais deste pa&iacute;s. A &uacute;nica possibilidade real que Mabinti tem de vender sua fruta &eacute; esperar que os clientes viajem pelo arenoso caminho que leva &agrave; cidade, por onde passam apenas uma ou duas motocicletas por hora. A alternativa, que &eacute; transportar a fruta de bicicleta at&eacute; pr&oacute;ximo de Waterloo, custaria mais dinheiro do que Mabinti receberia pela venda.<\/p>\n<p>Como muitas outras pessoas na subdesenvolvida ind&uacute;stria da fruta desta na&ccedil;&atilde;o do ocidente da &Aacute;frica, ela sofre a falta de um mercado acess&iacute;vel e rent&aacute;vel para seus papaias. O mercado interno para as frutas de Serra Leoa tem seus limites. Oferece lucro muito baixo por alguns produtos como a manga, e pode ser inacess&iacute;vel para os produtores que vivem longe dos grandes centros urbanos.<\/p>\n<p>Nestas condi&ccedil;&otilde;es, boa parte da colheita de frutas do pa&iacute;s tradicionalmente &eacute; desperdi&ccedil;ada, particularmente em &aacute;reas rurais, e o setor continua se caracterizando por uma produ&ccedil;&atilde;o de subsist&ecirc;ncia e n&atilde;o comercial: a maior parte das frutas &eacute; consumida localmente. &quot;Nos &uacute;ltimos anos, muitas de nossas frutas se perderam. A maior parte simplesmente apodreceu na &eacute;poca de chuvas&quot;, disse &agrave; IPS Samuel Serry, porta-voz do Minist&eacute;rio da Agricultura.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio, junto com a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO), faz esfor&ccedil;os para comercializar os produtos agr&iacute;colas em Serra Leoa, melhorando o acesso aos mercados, promovendo o valor agregado das mat&eacute;rias-primas do pa&iacute;s e dando apoio a investidores socialmente respons&aacute;veis. A FAO tamb&eacute;m incentiva a forma&ccedil;&atilde;o de coletivos agr&iacute;colas, cada um integrado por 35 agricultores, e cria em todo o pa&iacute;s uma s&eacute;rie de Centros de Agroneg&oacute;cios que ser&atilde;o usados por tr&ecirc;s ou quatro coletivos.<\/p>\n<p>Segundo o representante de programas da FAO, Joseph Brima, espera-se que este sistema melhore a produ&ccedil;&atilde;o, permita acesso a equipamentos de processamento e instala&ccedil;&otilde;es de armazenamento, e facilite a chegada ao mercado. Por&eacute;m, a organiza&ccedil;&atilde;o, com seus s&oacute;cios no Minist&eacute;rio, tamb&eacute;m tenta atrair investidores capazes de progredir e agregar valor aos cultivos de Serra Leoa, e, ao faz&ecirc;-lo, dar um mercado novo e lucrativo para os agricultores locais.<\/p>\n<p>Uma dessas empresas &eacute; a Africa Felix Juice, fabricante de sucos tropicais e concentrados com selo Fairtrade (com&eacute;rcio justo), exportados para a Europa. A empresa representa um novo modelo empresarial que d&aacute; aos agricultores locais um mercado garantido e um pre&ccedil;o justo por suas frutas. Segundo seu fundador e presidente, o italiano Claudio Scotto, o que distingue essa firma &eacute; que &eacute; a primeira de Serra Leoa que exporta um produto manufaturado para a Europa desde que terminou a guerra civil de uma d&eacute;cada, em 2002.<\/p>\n<p>Como muitas na&ccedil;&otilde;es africanas, este pa&iacute;s tradicionalmente exporta mat&eacute;rias-primas, entre elas rutilo (&oacute;xido de tit&acirc;nio), min&eacute;rio de ferro e, o mais famoso, diamantes brutos. Ao elaborar concentrados em uma pequena f&aacute;brica na aldeia de Newton, perto de Freetown, a Africa Felix Juice, com 45 empregados permanentes, agrega valor ao seu produto e pode oferecer melhores pre&ccedil;os aos dois mil produtores de manga que vendem a fruta &agrave; empresa.<\/p>\n<p>&quot;Foi muito f&aacute;cil convencer os agricultores a me venderem suas mangas, porque elas apodreciam&quot;, contou Scotto, que diz que as origens de sua empresa remontam a quando conheceu sua mulher serra-leonesa. Foi f&aacute;cil, inclusive em lugares onde j&aacute; havia um mercado, porque, como a companhia tem o certificado Fairtrade, paga mais do que o pre&ccedil;o normal, at&eacute; o triplo, como ocorre com os produtores de manga. Estes, por sua vez, conseguem uma produ&ccedil;&atilde;o maior.<\/p>\n<p>Na aldeia de Garahun, o chefe local, Momodou Kamara, pensa em plantar mais mangueiras, ap&oacute;s ter come&ccedil;ado a vender suas frutas para a Africa Felix Juice. Antes, os alde&otilde;es tinham que transportar suas mangas at&eacute; Waterloo, onde vendiam a d&uacute;zia por US$ 0,10, mas agora ganham tr&ecirc;s vezes mais, contou Kamara. Scotto culpa o legado da guerra civil pelo lento crescimento do agroneg&oacute;cio na &uacute;ltima d&eacute;cada. &quot;A aus&ecirc;ncia de paz simplesmente destruiu toda a plataforma de neg&oacute;cios&quot;, afirmou, mencionando a falta de confian&ccedil;a como um obst&aacute;culo para o sucesso empresarial.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, Serra Leoa percorreu um longo caminho desde 2002. Ap&oacute;s elei&ccedil;&otilde;es presidenciais pac&iacute;ficas em novembro do ano passado, nas quais foi reeleito Ernest Bai Koroma, existe uma forte sensa&ccedil;&atilde;o de que agora o pa&iacute;s est&aacute; plenamente aberto aos neg&oacute;cios. Abdullah F. Koroma, que deixou de cultivar pinhas depois que os rebeldes destru&iacute;ram seu sistema de irriga&ccedil;&atilde;o durante a guerra, este ano reiniciou a produ&ccedil;&atilde;o em seu estabelecimento agr&iacute;cola da aldeia de Mobangba. &quot;No pa&iacute;s ainda n&atilde;o h&aacute; estabilidade&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria da ind&uacute;stria da fruta em Serra Leoa &eacute; de um vasto potencial, embora ainda pouco concreto. No Minist&eacute;rio, Serry v&ecirc; o setor agr&iacute;cola como um componente fundamental do futuro desenvolvimento econ&ocirc;mico de Serra Leoa. Embora se d&ecirc; muita aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s recentes opera&ccedil;&otilde;es de minera&ccedil;&atilde;o em grande escala no pa&iacute;s, a agricultura, segundo o porta-voz, contribui com 45% do produto interno bruto nacional e emprega 3,5 milh&otilde;es de pessoas, em uma popula&ccedil;&atilde;o de quase seis milh&otilde;es. &quot;O setor agr&iacute;cola tem um potencial enorme. Porque os diamantes n&atilde;o s&atilde;o eternos, mas a terra sempre estar&aacute; l&aacute;&quot;, resumiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Freetown, Serra Leoa, 06\/02\/2013 &ndash; Mabinti j&aacute; n&atilde;o lembra a idade que tem. Cansada de tanto andar, se senta &agrave; sombra de uma palmeira em sua aldeia de Makonkonde, no oeste de Serra Leoa, e pega um mam&atilde;o papaia com suas m&atilde;os curtidas por toda uma vida de trabalho. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/africa\/os-diamantes-no-so-eternos-a-terra\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1397,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-11335","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11335","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1397"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11335"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11335\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}