{"id":11349,"date":"2013-02-08T08:33:51","date_gmt":"2013-02-08T08:33:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11349"},"modified":"2013-02-08T08:33:51","modified_gmt":"2013-02-08T08:33:51","slug":"energia-regula-destino-poltico-da-presidente-dilma-rousseff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/america-latina\/energia-regula-destino-poltico-da-presidente-dilma-rousseff\/","title":{"rendered":"Energia regula destino pol&iacute;tico da presidente Dilma Rousseff"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 08\/02\/2013 &ndash; Corrigir a anomalia de uma eletricidade car&iacute;ssima, apesar de gerada pela fonte mais barata, a hidr&aacute;ulica, &eacute; o novo desafio da presidente Dilma Rousseff, cuja carreira pol&iacute;tica decolou precisamente por sua elogiada gest&atilde;o do setor energ&eacute;tico.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11349\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/construcao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11349\" class=\"size-medium wp-image-11349\" title=\"Constru&ccedil;&atilde;o da hidrel&eacute;trica de Santo Ant&ocirc;nio, na Amaz&ocirc;nia, uma das megacentrais com que o Brasil busca atender sua voracidade energ&eacute;tica. - Mario Osava \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/construcao.jpg\" alt=\"Constru&ccedil;&atilde;o da hidrel&eacute;trica de Santo Ant&ocirc;nio, na Amaz&ocirc;nia, uma das megacentrais com que o Brasil busca atender sua voracidade energ&eacute;tica. - Mario Osava \/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11349\" class=\"wp-caption-text\">Constru&ccedil;&atilde;o da hidrel&eacute;trica de Santo Ant&ocirc;nio, na Amaz&ocirc;nia, uma das megacentrais com que o Brasil busca atender sua voracidade energ&eacute;tica. - Mario Osava \/IPS<\/p><\/div>  A conjuntura &eacute; adversa. A escassez de chuvas em 2012 aumentou o custo da gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica, ao for&ccedil;ar no &uacute;ltimo trimestre a ativa&ccedil;&atilde;o das usinas t&eacute;rmicas de petr&oacute;leo que complementam o aporte das centrais hidrel&eacute;tricas durante as secas.<\/p>\n<p>Ainda assim, o governo cumpriu sua promessa de reduzir o pre&ccedil;o da eletricidade, um dos mais altos do mundo. Dilma anunciou, no dia 23 de janeiro, redu&ccedil;&atilde;o de 18% para o consumo residencial e de at&eacute; 32% para o industrial. &quot;O governo quer revogar a lei da oferta e da procura por decreto&quot;, com o contrassenso de reduzir tarifas e assim estimular o consumo, quando h&aacute; escassez de energia, disse &agrave; IPS o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires.<\/p>\n<p>No futuro ter&atilde;o que voltar a subir porque as centrais t&eacute;rmicas &quot;cobrar&atilde;o sua conta&quot; ao operar mais tempo devido &agrave; previs&iacute;vel insufici&ecirc;ncia de chuvas para encher as represas durante o ver&atilde;o, acrescentou o economista. Pires considera que a energia &eacute; cara no Brasil por falta de est&iacute;mulos &agrave; oferta e &agrave; competi&ccedil;&atilde;o no setor, al&eacute;m de &quot;pr&aacute;ticas monop&oacute;licas&quot; e de elevados impostos.<\/p>\n<p>Por raz&otilde;es opostas, Roberto D&#39;Ara&uacute;jo, diretor do Ilumina Instituto de Desenvolvimento Estrat&eacute;gico do Setor Energ&eacute;tico, acrescentou outras cr&iacute;ticas. O governo &quot;est&aacute; desmantelando o sistema el&eacute;trico brasileiro ao usar as empresas estatais&quot; para atender demandas dos industriais de S&atilde;o Paulo, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>D&#39;Ara&uacute;jo calcula que a estatal Furnas, onde foi chefe do Departamento de Estudos Energ&eacute;ticos, perder&aacute; 60% de sua renda ao cumprir as medidas governamentais, e n&atilde;o ser&aacute; a mais afetada. As empresas de eletricidade sob controle do Estado operam em n&iacute;vel nacional, como Furnas, ou regional, e todas t&ecirc;m participa&ccedil;&atilde;o minorit&aacute;ria privada, por isso a maioria &eacute; cotada na bolsa de valores.<\/p>\n<p>O al&iacute;vio nas contas de luz prov&eacute;m de subs&iacute;dios e de empresas estatais que operam velhas centrais hidrel&eacute;tricas com concess&otilde;es que caducariam entre 2015 e 2017. O governo prop&ocirc;s prorrog&aacute;-las em troca de indeniza&ccedil;&otilde;es e redu&ccedil;&atilde;o tarif&aacute;ria de mais de 90% em alguns casos.<\/p>\n<p>Algumas destas empresas, situadas em Estados governados pela oposi&ccedil;&atilde;o, recha&ccedil;aram a medida, mas, por serem dependentes do poder central, tiveram que acat&aacute;-la e ver desmoronar sua cota&ccedil;&atilde;o na bolsa e sua capacidade de investimento. Furnas, que fornece 10% da eletricidade do pa&iacute;s, v&ecirc; agravar sua situa&ccedil;&atilde;o. Possui 1.700 funcion&aacute;rios com idade para se aposentarem este ano, e ter&aacute; que promover demiss&otilde;es para adaptar-se &agrave; redu&ccedil;&atilde;o tarif&aacute;ria.<\/p>\n<p>Com isso estar&aacute; se privado de &quot;intelig&ecirc;ncia, de gente com experi&ecirc;ncia&quot;, lamentou D&#39;Ara&uacute;jo, um defensor da energia como servi&ccedil;o p&uacute;blico em um &quot;monop&oacute;lio natural&quot; no Brasil, pelo predom&iacute;nio das hidrel&eacute;tricas. Os pre&ccedil;os da eletricidade &quot;duplicaram desde 1995&quot;, quando come&ccedil;ou a privatiza&ccedil;&atilde;o do setor e a implanta&ccedil;&atilde;o do &quot;modelo de mercado&quot;, disse o engenheiro.<\/p>\n<p>Os protestos de movimentos sociais n&atilde;o sensibilizaram o governo at&eacute; que os industriais se mobilizassem reclamando energia mais barata para recuperar competitividade e superar a &quot;desindustrializa&ccedil;&atilde;o&quot; do pa&iacute;s. Antes da redu&ccedil;&atilde;o de janeiro, a ind&uacute;stria denunciava que um megawatt\/hora custava US$ 165, enquanto o custo m&eacute;dio de seus maiores s&oacute;cios comerciais &eacute; de US$ 108. As tarifas residenciais s&atilde;o imensamente variadas, mas em um bairro de classe m&eacute;dia do Rio de Janeiro, por exemplo, o custo do quilowatt\/hora era de US$ 0,24 em dezembro.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; positivo baixar o custo da energia&quot;, mas n&atilde;o com subs&iacute;dios que transferem recursos de contribuintes para consumidores em &quot;uma transfus&atilde;o de sangue que n&atilde;o tira o paciente da UTI&quot;, advertiu Pires, se referindo ao risco de apag&otilde;es e ao uso de tarifas el&eacute;tricas para conter uma infla&ccedil;&atilde;o que h&aacute; anos supera a meta anual de 4,5%.<\/p>\n<p>O governo atua do mesmo modo com os combust&iacute;veis, cujos pre&ccedil;os ao consumidor s&atilde;o contidos desde 2005 por meio da Petrobras, que vende internamente produtos a pre&ccedil;os inferiores aos que paga para import&aacute;-los. Esse subs&iacute;dio custaria US$ 2 bilh&otilde;es mensais, segundo analistas. No dia 30 de janeiro, a gasolina aumentou 6,6% e o diesel 5,4%. A alta foi permitida pelo governo porque seu impacto inflacion&aacute;rio ser&aacute; neutralizado pela baixa da eletricidade, mas n&atilde;o elimina as perdas da Petrobras, cujo lucro l&iacute;quido caiu 36% no ano passado, em rela&ccedil;&atilde;o a 2011.<\/p>\n<p>&Eacute; outro enredo que desafia a fama de excelente gestora de Dilma na &aacute;rea energ&eacute;tica, que impulsionou sua ascens&atilde;o pol&iacute;tica at&eacute; a Presid&ecirc;ncia. Dilma se destacou como secret&aacute;ria de Energia do Rio Grande do Sul, Estado iluminado e alheio &agrave; crise que levou ao racionamento el&eacute;trico nacional entre junho de 2001 e fevereiro de 2002. Esse foi o trampolim para sua nomea&ccedil;&atilde;o como ministra das Minas e Energia em 2003, e da Casa Civil da Presid&ecirc;ncia em 2005. Este &uacute;ltimo posto a preparou como candidata &agrave; sucess&atilde;o de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (2003-2001). Como ministra comandou a reforma do sistema el&eacute;trico em 2004 para melhorar a seguran&ccedil;a e o planejamento do setor.<\/p>\n<p>O &quot;trauma&quot; do desabastecimento de 2001 alimenta o temor de uma nova crise, mas a situa&ccedil;&atilde;o mudou com investimentos em todo o sistema, antes inexistentes, disse Emilio La Rovere, professor de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foram constru&iacute;das muitas centrais t&eacute;rmicas para o fornecer energia quando a estiagem reduzir a gera&ccedil;&atilde;o hidrel&eacute;trica, explicou, embora tenha sido descartada a seguran&ccedil;a absoluta, porque &quot;o risco zero custa car&iacute;ssimo&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O planejamento do governo &eacute; &quot;correto&quot;, mas h&aacute; falhas na execu&ccedil;&atilde;o, reconheceu La Rovere, diante dos grandes atrasos na constru&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios projetos. H&aacute;, por exemplo, plantas e&oacute;licas que n&atilde;o operam por falta de linhas de transmiss&atilde;o para aproveitar sua energia. A pol&ecirc;mica sobre os pre&ccedil;os da eletricidade &eacute; &quot;uma disputa entre capitalistas&quot;, disse Gilberto Cervinski, um dos coordenadores do Movimento de Afetados pelas Represas. Essa batalha, disse &agrave; IPS, &eacute; entre as empresas el&eacute;tricas, cujo lucro se multiplicou depois da privatiza&ccedil;&atilde;o, e dos industriais, que agora ganharam com a redu&ccedil;&atilde;o na tarifa.<\/p>\n<p>O movimento, que estima em mais de um milh&atilde;o os afetados nos &uacute;ltimos 30 anos, apoia a redu&ccedil;&atilde;o no pre&ccedil;o, mas pede maior barateamento na conta de luz das fam&iacute;lias brasileiras, reduzindo os ganhos das empresas distribuidoras e n&atilde;o apenas das geradoras, como acontece agora. Al&eacute;m disso, &eacute; injusto privilegiar o setor industrial, com uma redu&ccedil;&atilde;o de 30%, que j&aacute; paga menos pela energia el&eacute;trica, enquanto reduz em apenas 18% a tarifa residencial, opinou Cervinski. Ele tamb&eacute;m se preocupa com a sa&uacute;de financeira das companhias estatais pela redu&ccedil;&atilde;o excessiva de suas tarifas, e afirmou que estas deveria ser o dobro dos menos de US$ 5 por quilowatt\/hora fixados pelo governo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 08\/02\/2013 &ndash; Corrigir a anomalia de uma eletricidade car&iacute;ssima, apesar de gerada pela fonte mais barata, a hidr&aacute;ulica, &eacute; o novo desafio da presidente Dilma Rousseff, cuja carreira pol&iacute;tica decolou precisamente por sua elogiada gest&atilde;o do setor energ&eacute;tico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/america-latina\/energia-regula-destino-poltico-da-presidente-dilma-rousseff\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,10,11],"tags":[27],"class_list":["post-11349","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-energia","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11349\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}