{"id":11356,"date":"2013-02-13T08:41:54","date_gmt":"2013-02-13T08:41:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11356"},"modified":"2013-02-13T08:41:54","modified_gmt":"2013-02-13T08:41:54","slug":"por-uma-roupa-limpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/america-latina\/por-uma-roupa-limpa\/","title":{"rendered":"Por uma roupa limpa"},"content":{"rendered":"<p>M&aacute;laga, Espanha, 13\/02\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- Ler as etiquetas de proced&ecirc;ncia da roupa, informar-se sobre a explora&ccedil;&atilde;o do trabalho t&ecirc;xtil em pa&iacute;ses pobres e se perguntar como podem ser t&atilde;o baratos certos produtos, s&atilde;o os primeiros passos para ser respons&aacute;vel ao consumir vestu&aacute;rio.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11356\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/EspanhaMalagaBrecho.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11356\" class=\"size-medium wp-image-11356\" title=\"Fachada de uma loja de roupas de segunda m&atilde;o na cidade de M&aacute;laga. - In&eacute;s Ben\u00c3\u00adtez\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/EspanhaMalagaBrecho.jpg\" alt=\"Fachada de uma loja de roupas de segunda m&atilde;o na cidade de M&aacute;laga. - In&eacute;s Ben\u00c3\u00adtez\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11356\" class=\"wp-caption-text\">Fachada de uma loja de roupas de segunda m&atilde;o na cidade de M&aacute;laga. - In&eacute;s Ben\u00c3\u00adtez\/IPS<\/p><\/div>  A explora&ccedil;&atilde;o trabalhista praticada pela ind&uacute;stria globalizada do vestu&aacute;rio n&atilde;o &eacute; um segredo para o p&uacute;blico consumidor espanhol. Contudo, os pre&ccedil;os baixos, os bolsos magros e o poder das marcas exercem uma poderosa dissuas&atilde;o contra o consumo respons&aacute;vel. &quot;Sabemos o que ocorre, mas como vamos agir? Nestes tempos de crise, o pouco que se compra tem de custar barato&quot;, justifica Virginia ao sair de uma loja de um grande centro comercial na cidade de M&aacute;laga. &quot;Aquela roupa vem de Bangladesh, n&atilde;o?&quot;, pergunta apontando para uma vitrine pr&oacute;xima.<\/p>\n<p>Para a coordenadora da Campanha Roupa Limpa (CRL) na Espanha, Eva Kreisler, &eacute; &quot;repugnante&quot; que as trabalhadoras que confeccionam roupas para grandes corpora&ccedil;&otilde;es em pa&iacute;ses como Bangladesh &quot;subvencionem o baixo custo de produ&ccedil;&atilde;o das empresas e o baixo pre&ccedil;o para os consumidores&quot;, &agrave; custa de sal&aacute;rios miser&aacute;veis e prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. Os cidad&atilde;os &quot;est&atilde;o mais conscientes do que antes&quot; dos abusos contra trabalhadores na ind&uacute;stria t&ecirc;xtil, &quot;mas ainda resta muito por fazer&quot;, ponderou Kreisler. &quot;O problema da explora&ccedil;&atilde;o trabalhista &eacute; estrutural e merece medidas estruturais&quot; por parte das grandes empresas.<\/p>\n<p>A CRL n&atilde;o promove boicotes &agrave; compra de roupa de determinadas marcas, mas pede aos consumidores que questionem as empresas e participem das campanhas de press&atilde;o que organiza a favor de melhores sal&aacute;rios na ind&uacute;stria t&ecirc;xtil e de respeito aos conv&ecirc;nios internacionais da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT). Presente em 14 pa&iacute;ses europeus, a CRL &eacute; uma rede internacional de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, de consumidores e de sindicatos da &Aacute;sia, &Aacute;frica, Europa oriental e Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>H&aacute; 11 anos, Lourdes trabalha como vendedora de uma loja do grupo espanhol Inditex, o maior conglomerado t&ecirc;xtil do mundo, propriet&aacute;rio das redes de lojas de moda Zara, Pull &amp; Bear, Massimo Dutti, Bershka e Stradivarius, entre outras. Mas a vendedora n&atilde;o sabe o que &eacute; um c&oacute;digo de conduta, e ignora se a empresa o possui e o aplica. Nenhum cliente nunca lhe perguntou sobre a proced&ecirc;ncia da roupa e reconhece que ela mesma compra sem ler as etiquetas. O Terram&eacute;rica perguntou sobre as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos que confeccionam as roupas, como um vestido preto made in Romania e uma camiseta sem mangas made in Turkey, penduradas em um expositor pr&oacute;ximo. &quot;Isso n&atilde;o sei. Os trabalhadores daqui est&atilde;o contentes na empresa&quot;, respondeu.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos meses aconteceram tr&ecirc;s inc&ecirc;ndios em f&aacute;bricas de Bangladesh que produzem roupas para Inditex, GAP, H&amp;M e Levi&#39;s, entre outras marcas. O resultado foram centenas de trabalhadoras mortas. No &uacute;ltimo, ocorrido em 26 de janeiro, morreram sete mulheres, quatro delas de 17 anos, lamenta Kreisler, partid&aacute;ria de que as empresas com confec&ccedil;&otilde;es nesses pa&iacute;ses se unam em um programa de seguran&ccedil;a proposto pelos sindicatos locais e internacionais para prevenir sinistros. Dois dias depois a Inditex informou que se desvinculava de seus fornecedores nesse pa&iacute;s.<\/p>\n<p>As mulheres representam 90% da for&ccedil;a de trabalho dessas f&aacute;bricas, e muitas vezes &quot;s&atilde;o procedentes de &aacute;reas rurais e desconhecem seus direitos&quot;, indicou Kreisler. E ali se respira um claro ambiente antissindical. &quot;Somente 1% dos trabalhadores de Bangladesh est&atilde;o sindicalizados. H&aacute; muitos trabalhadores morrendo para produzir a roupa que vestimos&quot;, ressaltou. Comprar roupa limpa destas injusti&ccedil;as pode custar um pouco mais. E o poder aquisitivo dos espanh&oacute;is registra baixas hist&oacute;ricas.<\/p>\n<p>&quot;Outro dia estive em uma loja de com&eacute;rcio justo e s&oacute; pude olhar, porque os pre&ccedil;os eram altos&quot;, contou Virginia ao Terram&eacute;rica, diante de uma vitrine que anunciava descontos de 70% em plena temporada de descontos. Mar&iacute;a, vendedora em uma loja de cosm&eacute;ticos, antes era mais seletiva com suas compras em fun&ccedil;&atilde;o da proced&ecirc;ncia dos produtos. &quot;Mas, agora n&atilde;o&quot;. E a raz&atilde;o &eacute; simples: h&aacute; menos dinheiro. Mercedes passeia entre os mostradores de roupa com cartazes anunciando &quot;tudo a tr&ecirc;s euros&quot;. Ela garante que l&ecirc; as etiquetas nas pe&ccedil;as, sabe pela imprensa de casos de explora&ccedil;&atilde;o, e se pergunta: &quot;como &eacute; poss&iacute;vel pre&ccedil;os t&atilde;o baixos?&quot;.<\/p>\n<p>O poder das grandes empresas para exigir custos baixos repercute nas trabalhadoras da confec&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses fornecedores, explica Kreisler. Para ela n&atilde;o seria ruim uma &quot;mudan&ccedil;a de mentalidade&quot; no consumo de roupas, que muitas vezes &eacute; &quot;compulsivo e desnecess&aacute;rio&quot;, e escravo da moda. Por&eacute;m, a crise tamb&eacute;m revela outras facetas. &quot;H&aacute; quem se interesse mais pela roupa de segunda m&atilde;o&quot;, destacou ao Terram&eacute;rica o jornalista Pepe Morales, que tamb&eacute;m dirige h&aacute; um ano e meio uma loja deste tipo na capital malaguenha.<\/p>\n<p>O com&eacute;rcio de roupa de segunda m&atilde;o n&atilde;o &eacute; muito difundido na Espanha, ao contr&aacute;rio da Gr&atilde;-Bretanha e dos pa&iacute;ses n&oacute;rdicos. Entretanto, &quot;este &eacute; um bom momento para que as coisas mudem&quot;, afirmou ao Terram&eacute;rica a coordenadora da Associa&ccedil;&atilde;o Espanhola de Recuperadores de Economia Social e Solid&aacute;ria, Laura Rubio. Esta associa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma plataforma de entidades sem fins lucrativos que realizam servi&ccedil;os de gest&atilde;o ambiental, como reutiliza&ccedil;&atilde;o e reciclagem de roupa, para ajudar a inser&ccedil;&atilde;o trabalhista de pessoas desfavorecidas. &quot;Tentamos aumentar a vida &uacute;til da roupa incentivando sua reutiliza&ccedil;&atilde;o&quot; por meio de um circuito de lojas de segunda m&atilde;o, disse Rubio.<\/p>\n<p>Em M&aacute;laga, a Funda&ccedil;&atilde;o Cudeca, de cuidados do c&acirc;ncer, conta com uma dezena de lojas beneficentes de roupas de segunda m&atilde;o, que se abastecem de doa&ccedil;&otilde;es e cujas vendas ajudam a financiar um hospital de cuidados paliativos. A brit&acirc;nica Katie O&#39;Neil, coordenadora dessas lojas mantidas por mais de 400 volunt&aacute;rios, defende que &quot;&eacute; preciso dar uma segunda vida &agrave; roupa&quot;. &quot;N&atilde;o se deve jogar a roupa no lixo. Prejudica o meio ambiente. A que descartamos devemos colocar em cont&ecirc;ineres destinados &agrave; reciclagem de t&ecirc;xteis&quot;, enfatizou Katie, enquanto um homem entrega a uma volunt&aacute;ria uma jaqueta &quot;que est&aacute; impec&aacute;vel&quot;.<\/p>\n<p>Comerciantes ouvidos pelo Terram&eacute;rica disseram que a crise tamb&eacute;m fez ressurgir estabelecimentos de trocas de roupas e sapatos, cada vez mais procurados por consumidores que buscam prolongar o uso desses produtos. Envolverde\/Terram&eacute;rica<\/p>\n<p>* A autora &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&aacute;laga, Espanha, 13\/02\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- Ler as etiquetas de proced&ecirc;ncia da roupa, informar-se sobre a explora&ccedil;&atilde;o do trabalho t&ecirc;xtil em pa&iacute;ses pobres e se perguntar como podem ser t&atilde;o baratos certos produtos, s&atilde;o os primeiros passos para ser respons&aacute;vel ao consumir vestu&aacute;rio. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/america-latina\/por-uma-roupa-limpa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[18,21],"class_list":["post-11356","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11356","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11356"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11356\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}