{"id":11358,"date":"2013-02-13T08:46:58","date_gmt":"2013-02-13T08:46:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11358"},"modified":"2013-02-13T08:46:58","modified_gmt":"2013-02-13T08:46:58","slug":"aldeias-ecolgicas-no-auge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/america-latina\/aldeias-ecolgicas-no-auge\/","title":{"rendered":"Aldeias ecol&oacute;gicas no auge"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 13\/02\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- Mudar-se para uma ecoaldeia &quot;n&atilde;o se trata de voltar &agrave; &eacute;poca do garrote, mas de recuperar a capacidade de tomar as pr&oacute;prias decis&otilde;es&quot;.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11358\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ArgentinaAldeaItekoa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11358\" class=\"size-medium wp-image-11358\" title=\"Assim se constr&oacute;i uma moradia na aldeia i-tekoa - Cortesia i-tekoa\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ArgentinaAldeaItekoa.jpg\" alt=\"Assim se constr&oacute;i uma moradia na aldeia i-tekoa - Cortesia i-tekoa\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11358\" class=\"wp-caption-text\">Assim se constr&oacute;i uma moradia na aldeia i-tekoa - Cortesia i-tekoa<\/p><\/div>  Quase despercebidos, assentamentos sustent&aacute;veis que integram vida comunit&aacute;ria e preserva&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais se multiplicam na Argentina como alternativa ao consumismo desenfreado. Laborat&oacute;rios de vida em estreito contato com a natureza, as aldeias ecol&oacute;gicas com hortas comuns se expandem nas prov&iacute;ncias de Buenos Aires, Santa F&eacute; e Misiones (leste e nordeste), C&oacute;rdoba (centro-norte), Catamarca (noroeste), San Luis (oeste), Rio Negro (sul) e inclusive na capital.<\/p>\n<p>Algumas nascem como projetos familiares que se consolidam e servem de n&uacute;cleo para a forma&ccedil;&atilde;o de uma vila. Outras surgem como ideia coletiva de amigos que compartilham uma mesma vis&atilde;o do mundo. &quot;&Eacute; um pouco de recuperar a liberdade&quot;, define Tania Giuliani, uma bi&oacute;loga com mestrado em desenvolvimento sustent&aacute;vel que participa da cria&ccedil;&atilde;o de uma aldeia ecol&oacute;gica em uma Ilha do Tigre, no trecho final do delta do Rio Paran&aacute;, a nordeste da capital argentina. Giuliani mant&eacute;m um cargo docente em Buenos Aires, mas j&aacute; se despediu de seu apartamento na cidade, para acelerar os trabalhos de constru&ccedil;&atilde;o de sua casa na ilha, feita com materiais locais, em harmonia com a paisagem de terras &uacute;midas.<\/p>\n<p>No projeto i-tekoa (aldeia de &aacute;gua, na l&iacute;ngua guarani) participam, al&eacute;m de Giuliani, outros sete amigos que aceitaram o desafio. Planejam construir as oito casas e um centro comunit&aacute;rio onde realizar&atilde;o oficinas sobre arte, horta e permacultura. A permacultura &#8211; que pode ser entendida como a contra&ccedil;&atilde;o de &quot;permanente agricultura&quot; ou de &quot;permanente cultura&quot; &#8211; surgiu na d&eacute;cada de 1970 na Austr&aacute;lia. Segundo Carlos Straub explicou ao Terram&eacute;rica, &quot;trata-se de criar modelos de desenvolvimento sustent&aacute;vel onde o ser humano possa viver em harmonia com a natureza&quot;.<\/p>\n<p>Straub foi um dos pioneiros da permacultura na Argentina nos anos 1990, junto com os fundadores de Gaia, a primeira vila ecol&oacute;gica do pa&iacute;s que funciona desde 1996 na localidade de Navarro, prov&iacute;ncia de Buenos Aires. Al&eacute;m de compreender moradias constru&iacute;das com materiais naturais, em Gaia funciona o Instituto Argentino de Permacultura, que realiza oficinas de capacita&ccedil;&atilde;o para os interessados em reproduzir esta experi&ecirc;ncia. Os participantes aprendem os princ&iacute;pios da cozinha natural, horta ecol&oacute;gica, produ&ccedil;&atilde;o de sementes, constru&ccedil;&atilde;o natural, energias renov&aacute;veis e alternativas de saneamento sustent&aacute;veis e de vida comunit&aacute;ria. Gaia &eacute; parte da Rede Mundial de Ecoaldeias (GEN) que vincula milhares de iniciativas deste tipo.<\/p>\n<p>Straub coordena agora o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Ensino da Permacultura (Cidep), em uma ch&aacute;cara a 15 quil&ocirc;metros de El Bols&oacute;n, Rio Negro, na Patag&ocirc;nia. Junto &agrave; sede do Cidep, que realiza oficinas desde 2004, est&aacute; sendo erguida outra aldeia ecol&oacute;gica para 20 fam&iacute;lias. Enquanto &eacute; constru&iacute;da, oito pessoas vivem em instala&ccedil;&otilde;es do Centro. Al&eacute;m disso, Straub d&aacute; aula em comunidades da Patag&ocirc;nia Argentina e Chile. &quot;H&aacute; um movimento muito grande de gente que est&aacute; emigrando das cidades e compra terrenos com outras pessoas para iniciar esta experi&ecirc;ncia&quot;, contou.<\/p>\n<p>Antes de se lan&ccedil;ar ao projeto i-tekoa, Giuliani viveu em uma ecoaldeia na Nova Zel&acirc;ndia. Para ela, o capitalismo imp&otilde;e um estilo de vida individualista, consumista e antinatural, do qual cada vez mais pessoas buscam escapar. &quot;Uma pessoa leva uma vida solit&aacute;ria e materialista, para retornar a um apartamento e ter de comprar alimentos com produtos qu&iacute;micos&quot;, disse ao Terram&eacute;rica. Junto com amigos t&atilde;o descontentes quanto ela com seu estilo de vida, Giuliani comprou a &aacute;rea e est&aacute; construindo as casas e um centro comunit&aacute;rio.<\/p>\n<p>As obras s&atilde;o realizadas sem aterrar nem drenar o terreno que &eacute; pantanoso, para respeitar a fun&ccedil;&atilde;o purificadora do mangue. As &aacute;rvores de esp&eacute;cies introduzidas s&atilde;o cortadas e sua madeira &eacute; usada na constru&ccedil;&atilde;o das casas. Em seu lugar s&atilde;o plantadas esp&eacute;cies nativas. Para o saneamento, est&atilde;o examinando se usam banheiros secos ou um biodigestor. &quot;Viver somente da natureza nos parece um pouco ut&oacute;pico. A ideia &eacute; viver da horta e dos oficinas que daremos no centro e, aos poucos, ir soltando os trabalhos que temos na cidade, na medida do poss&iacute;vel&quot;, explicou Giuliani.<\/p>\n<p>Para Straub, a tend&ecirc;ncia se multiplica como rea&ccedil;&atilde;o a um estilo de vida esgotado. &quot;Busca-se uma vida mais tranquila, na qual se possa realizar velhos sonhos sem esperar a aposentadoria&quot;, enfatizou. &quot;N&atilde;o se trata de voltar ao primitivismo ou &agrave; &eacute;poca do garrote, mas de recuperar a capacidade de tomar as pr&oacute;prias decis&otilde;es. A ecoaldeia pode n&atilde;o ser a solu&ccedil;&atilde;o para todos, mas o projeto ajuda a recuperar uma vis&atilde;o mais humana da vida&quot;, opinou Straub. Trata-se de &quot;transformar o olhar. O milagre deve ocorrer dentro de n&oacute;s, e com esse caminho pode-se viver na ecoaldeia ou voltar &agrave; cidade, mas j&aacute; n&atilde;o submetido &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es do sistema&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Ele mesmo n&atilde;o vive no Cidep, mas em El Bols&oacute;n, a 15 quil&ocirc;metros da vila. N&atilde;o est&aacute; certo de querer viver ali, mas acredita que pode ser parte do processo como produtor de sementes. O interessante, disse, &eacute; que cada vez mais pessoas se animam a viver esse processo. &quot;Em Gaia, quando comecei, &eacute;ramos 15 ou 20, e h&aacute; pouco tempo participei de um encontro em que &eacute;ramos 500 os que se somaram &agrave; experi&ecirc;ncia&quot;, comemorou. Envolverde\/Terram&eacute;rica<\/p>\n<p>* A autora &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 13\/02\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- Mudar-se para uma ecoaldeia &quot;n&atilde;o se trata de voltar &agrave; &eacute;poca do garrote, mas de recuperar a capacidade de tomar as pr&oacute;prias decis&otilde;es&quot;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/america-latina\/aldeias-ecolgicas-no-auge\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-11358","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11358\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}