{"id":1136,"date":"2005-10-25T00:00:00","date_gmt":"2005-10-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1136"},"modified":"2005-10-25T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-25T00:00:00","slug":"onu-fundo-para-atender-os-desastres-naturais-a-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/onu-fundo-para-atender-os-desastres-naturais-a-tempo\/","title":{"rendered":"ONU: Fundo para atender os desastres naturais a tempo"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 25\/10\/2005 &ndash; Depois da onda de desastres naturais que assolou todas as regi&otilde;es do planeta desde dezembro passado, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas espera que o Fundo Central de Resposta &agrave; Emerg&ecirc;ncia, cuja cria&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e que esteja funcionando no in&iacute;cio de 2006. &quot;O velho Fundo Rotat&oacute;rio Central para Emerg&ecirc;ncias, poderia dar assist&ecirc;ncia tr&ecirc;s ou quatro semanas e &agrave;s vezes meses&quot; depois de uma cat&aacute;strofe, mas &quot;com o novo fundo, se poderia come&ccedil;ar a trabalhar em tr&ecirc;s ou quatro dias&quot;, disse Jan Egeland, subsecret&aacute;rio-geral da ONU para Assuntos Humanit&aacute;rios. Egeland disse que v&aacute;rios pa&iacute;ses das Na&ccedil;&otilde;es Unidas j&aacute; se comprometeram a doar um total de US$ 160 milh&otilde;es ao Fundo em quest&atilde;o, conhecido pelas siglas Cerf.<br \/> <!--more--> <br \/> A proposta de revitalizar o fundo existente, j&aacute; aprovada pela C&uacute;pula Mundial, realizada em setembro na sede da ONU em Nova York, ser&aacute; apresentada em novembro &agrave; Assembl&eacute;ia Geral para sua ratifica&ccedil;&atilde;o final. Espera-se que o Cerf esteja em opera&ccedil;&atilde;o no in&iacute;cio do pr&oacute;ximo ano, disse Egeland. No entanto, Greg Puley, assessor pol&iacute;tico da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Oxfam, n&atilde;o se mostra muito otimista em torno dos compromissos de contribui&ccedil;&atilde;o para o Fundo feitos at&eacute; agora. Como primeiro passo, disse Puley, os governos deveriam doar US$ 1 bilh&atilde;o adicionais ao fundo de emerg&ecirc;ncia da ONU, sem contar o dinheiro que j&aacute; destinam a esse fim, para garantir uma resposta imediata &agrave;s cat&aacute;strofes.<\/p>\n<p> &quot;Este fundo de emerg&ecirc;ncia ter&aacute; resposta r&aacute;pida, o que ajudar&aacute; a reduzir a demora que custam tantas vidas e assegurar&aacute; que todas as crises obtenham financiamento, n&atilde;o apenas as mais noticiadas&quot;, explicou Puley. Entretanto, governos de alguns pa&iacute;ses doadores &#8211; como Austr&aacute;lia, B&eacute;lgica, Canad&aacute;, Estados Unidos, Fran&ccedil;a e It&aacute;lia &#8211; ainda n&atilde;o deram um centavo ao Fundo, segundo a Oxfam. Somente sete governos (Gr&atilde;-Bretanha, Holanda, Irlanda, Luxemburgo, Noruega, Su&eacute;cia e Su&iacute;&ccedil;a) o fizeram. Freq&uuml;entemente &quot;chegamos muito tarde, porque temos de esperar o financiamento&quot;, admitiu Egeland, que de todo modo acredita que o novo fundo ser&aacute; constitu&iacute;do para a ocasi&atilde;o.<\/p>\n<p> A secret&aacute;ria de Estado brit&acirc;nica para o Departamento de Desenvolvimento Internacional, Hillary Benn, disse no m&ecirc;s passado que o principal objetivo do novo fundo &eacute; gerar uma emerg&ecirc;ncia e uma resposta r&aacute;pida aos desastres humanit&aacute;rios em todo o mundo. &quot;Quando ocorre uma crise humanit&aacute;ria, a ONU aciona o alarme antifogo&quot;, destacou. &quot;Mas para fazer o carro de bombeiros avan&ccedil;ar, &eacute; preciso passar o chap&eacute;u para recolher dinheiro a fim de comprar gasolina e &aacute;gua para as mangueiras&quot;, disse. &quot;Necessitava-se de um sistema mais efetivo, j&aacute; que os fundos n&atilde;o chegavam &agrave;s pessoas t&atilde;o rapidamente quanto deveriam&quot;, acrescentou Benn.<\/p>\n<p> Por sua vez, o ministro de Coopera&ccedil;&atilde;o e A&ccedil;&atilde;o Humanit&aacute;ria de Luxemburgo, Jean-Louis Schiltz, disse: &quot;Est&aacute; claro para n&oacute;s que j&aacute; n&atilde;o se pode continuar esperando pelos pa&iacute;ses, quando h&aacute; crian&ccedil;as morrendo pela necessidade desesperada de alimentos e &aacute;gua limpa&quot;. A Oxfam informou na semana passada que os governos n&atilde;o conseguiram responder efetivamente a um ano de desastres. &quot;O terremoto da &Aacute;sia meridional&quot;, que desde 8 de outubro deixou cerca de cem mil mortos no Paquist&atilde;o, &quot;&eacute; o &uacute;ltimo desastre em um ano em que ocorreram alguns dos piores jamais vistos. Os governos n&atilde;o responderam adequadamente e assim perderam-se vidas&quot;, disse a organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria.<\/p>\n<p> O estudo publicado pela Oxfam, intitulado &quot;2005: ano de desastres&quot;, constata que a quantidade de afetados por desastres naturais aumentou drasticamente na &uacute;ltima d&eacute;cada, com dezenas de milh&otilde;es de pessoas afetadas somente no ano passado. Em dezembro de 2004, o tsunami asi&aacute;tico matou 224.495 pessoas. Os furac&otilde;es Stan (na Am&eacute;rica Central) e Katrina (nos Estados Unidos) mataram muito menos gente, mas suas inunda&ccedil;&otilde;es e deslizamentos de terra afetaram aproximadamente 2,5 milh&otilde;es de pessoas, respectivamente. A m&eacute;dia anual de desastres registrados no per&iacute;odo 2000-2004 foi 55% maior do que durante 1995-1999. Com 719 desastres registrados, o ano passado foi o terceiro pior da d&eacute;cada (1994-2004), segundo a Oxfam.<\/p>\n<p> Durante 2000-2004, os desastres afetaram um ter&ccedil;o de pessoas a mais do que durante 1995-1999. No mesmo per&iacute;odo, os afetados por desastres naturais em pa&iacute;ses de baixo desenvolvimento humano duplicaram. A &Aacute;frica apresentou o maior aumento. O estudo da Oxfam tamb&eacute;m diz que a resposta a estas emerg&ecirc;ncias se caracterizou por &quot;um desempenho humanit&aacute;rio internacional irregular, freq&uuml;entemente tardio e, &agrave;s vezes, ineficiente, que foi debilitado por um financiamento inadequado dos pedidos vitais da ONU&quot;. O estudo afirma que a ajuda humanit&aacute;ria ainda n&atilde;o atende todas as necessidades, costuma chegar muito tarde e freq&uuml;entemente &eacute; dominada pelo destaque que lhe d&atilde;o os meios de comunica&ccedil;&otilde;es ou por crit&eacute;rios pol&iacute;ticos mais do que pela necessidade humanit&aacute;ria. O documento conclui que &quot;estes fracassos est&atilde;o condenando milhares de pessoas a um sofrimento desnecess&aacute;rio e &agrave; morte&quot;.<\/p>\n<p> Em um estudo sobre as crises mais importantes de 2005, a Oxfam afirma que a resposta internacional aos chamados da ONU para muitas emerg&ecirc;ncias humanit&aacute;rias, incluindo as de N&iacute;ger, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, Darfur e &Aacute;frica austral, foram &quot;vastamente inadequadas&quot;. Segundo a organiza&ccedil;&atilde;o, houve uma maci&ccedil;a subcontribui&ccedil;&atilde;o de fundos para algumas das piores crises mundiais. Na Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, 2,3 milh&otilde;es de pessoas deixaram suas casas por causa do conflito e 3,8 milh&otilde;es morreram desde 1997. Apenas 53% dos US$ 194,2 milh&otilde;es requeridos pela ONU foram recebidos em meados de outubro. De modo semelhante, em Darfur, onde estima-se que 200 mil pessoas morreram e 1,8 milh&atilde;o foram obrigadas a abandonar suas casas em raz&atilde;o do conflito, apenas 46% do US$ 1,9 milh&atilde;o solicitados haviam sido recebidos at&eacute; meados deste m&ecirc;s. Para Puley, 2005 ser&aacute; lembrado como o ano dos desastres e que &quot;devemos aprender li&ccedil;&otilde;es com isso&quot;.<\/p>\n<p> Enquanto os governos responderam generosamente ao tsunami de dezembro &#8211; e se mostraram dispostos a repetir essa resposta depois do terremoto asi&aacute;tico deste m&ecirc;s &#8211; virtualmente ignoraram crises menos vis&iacute;veis em lugares como Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo, Malawi e N&iacute;ger, disse o ativista. A falta de um financiamento r&aacute;pido e adequado se traduz em dezenas de milh&otilde;es de mulheres, crian&ccedil;as e homens ao redor do mundo que sofrem desnecessariamente e, em alguns casos, &eacute; uma senten&ccedil;a de morte para milhares. A ONU estima que atualmente 16 milh&otilde;es de pessoas est&atilde;o em risco imediato em 10 emerg&ecirc;ncias n&atilde;o atendidas, apenas na &Aacute;frica.<\/p>\n<p> No ano passado, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas enfrentaram um d&eacute;ficit anual de mais de US$ 1,3 bilh&atilde;o em seus pedidos, &quot;abandonando efetivamente as pessoas &agrave; indig&ecirc;ncia, fome e morte, uma vez que suas pr&oacute;prias estrat&eacute;gias para enfrentar isto e os recursos nacionais estiveram exaustos&quot;. O relat&oacute;rio da Oxfam conclui que os defeitos do atual sistema que amea&ccedil;am a vida requerem uma reforma urgente do sistema humanit&aacute;rio. Reformar o Fundo Rotat&oacute;rio Central para Emerg&ecirc;ncias da ONU &eacute; um primeiro passo vital que os governos devem acertar quando se reunirem para avaliar a a&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria na Assembl&eacute;ia Geral de novembro, diz o documento. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 25\/10\/2005 &ndash; Depois da onda de desastres naturais que assolou todas as regi&otilde;es do planeta desde dezembro passado, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas espera que o Fundo Central de Resposta &agrave; Emerg&ecirc;ncia, cuja cria&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e que esteja funcionando no in&iacute;cio de 2006. &quot;O velho Fundo Rotat&oacute;rio Central para Emerg&ecirc;ncias, poderia dar assist&ecirc;ncia tr&ecirc;s ou quatro semanas e &agrave;s vezes meses&quot; depois de uma cat&aacute;strofe, mas &quot;com o novo fundo, se poderia come&ccedil;ar a trabalhar em tr&ecirc;s ou quatro dias&quot;, disse Jan Egeland, subsecret&aacute;rio-geral da ONU para Assuntos Humanit&aacute;rios. Egeland disse que v&aacute;rios pa&iacute;ses das Na&ccedil;&otilde;es Unidas j&aacute; se comprometeram a doar um total de US$ 160 milh&otilde;es ao Fundo em quest&atilde;o, conhecido pelas siglas Cerf.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/onu-fundo-para-atender-os-desastres-naturais-a-tempo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1136","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1136\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}