{"id":11366,"date":"2013-02-13T09:08:25","date_gmt":"2013-02-13T09:08:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11366"},"modified":"2013-02-13T09:08:25","modified_gmt":"2013-02-13T09:08:25","slug":"escassez-pauta-nova-geopoltica-dos-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/mundo\/escassez-pauta-nova-geopoltica-dos-alimentos\/","title":{"rendered":"Escassez pauta nova geopol&iacute;tica dos alimentos"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 13\/02\/2013 &ndash; O mundo transita de uma era de abund&acirc;ncia de alimentos para uma de escassez. Na &uacute;ltima d&eacute;cada, as reservas mundiais de gr&atilde;os diminu&iacute;ram um ter&ccedil;o.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11366\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Ruinas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11366\" class=\"size-medium wp-image-11366\" title=\"Ru\u00c3\u00adnas de Tikla, na Guatemala: o decl\u00c3\u00adnio da civiliza&ccedil;&atilde;o maia, aparentemente, se deveu \u00c3\u00a0 incurs&atilde;o em uma agricultura ambientalmente insustent&aacute;vel. - cc by 3.0\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Ruinas.jpg\" alt=\"Ru\u00c3\u00adnas de Tikla, na Guatemala: o decl\u00c3\u00adnio da civiliza&ccedil;&atilde;o maia, aparentemente, se deveu \u00c3\u00a0 incurs&atilde;o em uma agricultura ambientalmente insustent&aacute;vel. - cc by 3.0\" width=\"200\" height=\"115\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11366\" class=\"wp-caption-text\">Ru\u00c3\u00adnas de Tikla, na Guatemala: o decl\u00c3\u00adnio da civiliza&ccedil;&atilde;o maia, aparentemente, se deveu \u00c3  incurs&atilde;o em uma agricultura ambientalmente insustent&aacute;vel. - cc by 3.0<\/p><\/div>  Os pre&ccedil;os internacionais dos alimentos cresceram mais que o dobro, disparando uma febre pela terra e dando lugar a uma nova geopol&iacute;tica alimentar. Os alimentos s&atilde;o o novo petr&oacute;leo. A terra &eacute; o novo ouro.<\/p>\n<p>Esta nova era se caracteriza pela carestia dos alimentos e pela propaga&ccedil;&atilde;o da fome. Do lado da demanda, o aumento demogr&aacute;fico, uma crescente prosperidade e a convers&atilde;o de alimentos em combust&iacute;vel para autom&oacute;veis se combinam para elevar o consumo a um grau sem precedentes.<\/p>\n<p>Do lado da oferta, a extrema eros&atilde;o do solo, o aumento da escassez h&iacute;drica e temperaturas cada vez mais altas fazem com que seja mais dif&iacute;cil expandir a produ&ccedil;&atilde;o. A menos que se possa reverter essas tend&ecirc;ncias, os pre&ccedil;os dos alimentos continuar&atilde;o subindo e a fome continuar&aacute; se espalhando, derrubando o atual sistema social.<\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel reverter essas tend&ecirc;ncias a tempo? Ou os alimentos s&atilde;o o elo fr&aacute;gil da civiliza&ccedil;&atilde;o do come&ccedil;o do s&eacute;culo 21, em boa parte como o foi em civiliza&ccedil;&otilde;es anteriores, cujos vest&iacute;gios arqueol&oacute;gicos agora s&atilde;o estudados?<\/p>\n<p>Essa redu&ccedil;&atilde;o no fornecimento de alimentos no mundo contrasta drasticamente com a segunda metade do s&eacute;culo 20, quando os problemas dominantes na agricultura eram a superprodu&ccedil;&atilde;o, os enormes excedentes de gr&atilde;os e o acesso aos mercados por parte dos exportadores desses produtos.<\/p>\n<p>Nesse tempo, o mundo tinha duas reservas estrat&eacute;gicas: grandes sobras de gr&atilde;os (com uma quantidade no lixo ao come&ccedil;ar a nova colheita) e ampla superf&iacute;cie de terras de cultivo n&atilde;o utilizadas, no contexto de programas agr&iacute;colas norte-americanos para evitar superprodu&ccedil;&atilde;o. Quando as colheitas mundiais eram boas, os Estados Unidos faziam com que mais terras estivessem ociosas. Quando eram inferiores ao esperado, voltava a colocar as terras para produzirem.<\/p>\n<p>A capacidade de produ&ccedil;&atilde;o excessiva foi usada para manter a estabilidade nos mercados mundiais de gr&atilde;os. As grandes reservas de gr&atilde;os amortizavam a escassez de cultivos no planeta. Quando a mon&ccedil;&atilde;o n&atilde;o chegou &agrave; &Iacute;ndia em 1965, por exemplo, os Estados Unidos enviaram um quinto de sua colheita de trigo para esse pa&iacute;s, para evitar uma fome de potencial catastr&oacute;fico. E gra&ccedil;as &agrave;s abundantes reservas, isto teve pouco impacto sobre o pre&ccedil;o mundial dos gr&atilde;os.<\/p>\n<p>Ao come&ccedil;ar este per&iacute;odo de abund&acirc;ncia alimentar, o mundo tinha 2,5 bilh&otilde;es de pessoas. Atualmente tem sete bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Entre 1950 e 2000, houve ocasionais altas no pre&ccedil;o dos gr&atilde;os, devido a eventos como uma seca severa na R&uacute;ssia ou uma intensa onda de calor no Meio-Oeste norte-americano. Mas seus efeitos sobre o pre&ccedil;o tiveram vida curta. No prazo de um ano as coisas voltaram &agrave; normalidade. A combina&ccedil;&atilde;o de reservas abundantes e terras de cultivo ociosas converteu esse per&iacute;odo em um dos quais houve maior seguran&ccedil;a alimentar na hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Contudo, isso n&atilde;o duraria. Em 1986, o constante aumento da demanda mundial de gr&atilde;os e o custo or&ccedil;ament&aacute;rio inaceitavelmente alto levaram &agrave; elimina&ccedil;&atilde;o do programa norte-americano de reservas de terras agr&iacute;colas.<\/p>\n<p>Atualmente, os Estados Unidos t&ecirc;m algumas terras ociosas no contexto de seu Programa de Reserva para a Conserva&ccedil;&atilde;o, mas s&atilde;o solos muito suscet&iacute;veis &agrave; eros&atilde;o. Acabaram-se os dias em que havia terras com potencial produtivo prontas para serem cultivadas rapidamente em caso de necessidade.<\/p>\n<p>Agora o mundo vive com o olhar voltado apenas para o ano seguinte, sempre esperando produzir o suficiente para cobrir o aumento da demanda. Os agricultores de todas as partes realizam enormes esfor&ccedil;os para acompanhar esse acelerado crescimento da demanda, mas t&ecirc;m dificuldades para consegui-lo.<\/p>\n<p>A escassez de alimentos conspirou contra civiliza&ccedil;&otilde;es anteriores. As dos sum&eacute;rios e maias foram apenas duas das muitas cujo decl&iacute;nio, aparentemente, se deveu &agrave; incurs&atilde;o por um caminho agr&iacute;cola que era ambientalmente insustent&aacute;vel.<\/p>\n<p>No caso dos sum&eacute;rios, o aumento da salinidade do solo em consequ&ecirc;ncia de um defeito em seu sistema de irriga&ccedil;&atilde;o, que a n&atilde;o ser por isso estava bem planejado, acabou devastando seu sistema alimentar e, por fim, sua civiliza&ccedil;&atilde;o. Quanto aos maias, a eros&atilde;o do solo foi uma das chaves de seu desmoronamento, como o foi para tantas outras civiliza&ccedil;&otilde;es antigas.<\/p>\n<p>A nossa tamb&eacute;m est&aacute; nesse caminho. Mas, ao contr&aacute;rio dos sum&eacute;rios, o que a agricultura moderna sofre &eacute; o aumento dos n&iacute;veis de di&oacute;xido de carbono na atmosfera. E, como os maias, tamb&eacute;m est&aacute; manejando mal a terra e gerando perdas sem precedentes de solo a partir da eros&atilde;o.<\/p>\n<p>Atualmente, tamb&eacute;m enfrentamos tend&ecirc;ncias mais novas, como o esgotamento dos aqu&iacute;feros, a paralisa&ccedil;&atilde;o dos rendimentos dos gr&atilde;os nos pa&iacute;ses mais avan&ccedil;ados do ponto de vista agr&iacute;cola e o aumento da temperatura. Neste contexto, n&atilde;o surpreende que a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) informe que agora os pre&ccedil;os dos alimentos duplicaram em rela&ccedil;&atilde;o ao per&iacute;odo 2002-2004.<\/p>\n<p>Para a maioria dos cidad&atilde;os dos Estados Unidos, que gasta, em m&eacute;dia, 9% de sua renda em alimentos, este n&atilde;o &eacute; o maior problema. Mas, para os consumidores que gastam entre 50% e 70% de sua renda com comida, duplicar os pre&ccedil;os &eacute; um assunto muito s&eacute;rio.<\/p>\n<p>Estreitamente ligada &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das reservas de gr&atilde;os e ao aumento do pre&ccedil;o dos alimentos est&aacute; a propaga&ccedil;&atilde;o da fome. Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo passado, o n&uacute;mero de famintos no mundo caiu, chegando a 792 milh&otilde;es em 1997. Depois come&ccedil;ou a aumentar, chegando a um bilh&atilde;o. Lamentavelmente, se as coisas continuam sendo feitas como de costume, as filas dos famintos continuar&atilde;o crescendo.<\/p>\n<p>O resultado &eacute; que para os agricultores do mundo est&aacute; ficando cada vez mais dif&iacute;cil ajustar a produ&ccedil;&atilde;o &agrave; crescente demanda por gr&atilde;os. As exist&ecirc;ncias mundiais de gr&atilde;os diminu&iacute;ram h&aacute; uma d&eacute;cada e n&atilde;o foi poss&iacute;vel recomp&ocirc;-las. Se isso n&atilde;o for feito, a previs&atilde;o &eacute; que, com a pr&oacute;xima m&aacute; colheita, os alimentos encare&ccedil;am, a fome se intensifique e se propaguem os dist&uacute;rbios vinculados &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O mundo est&aacute; entrando em uma era de escassez alimentar cr&ocirc;nica, que leva a uma intensa competi&ccedil;&atilde;o pelo controle da terra e dos recursos h&iacute;dricos. Em outras palavras, est&aacute; come&ccedil;ando uma nova geopol&iacute;tica dos alimentos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Lester Brown preside o Earth Policy Institute e &eacute; autor de Full Planet, Empty Plates: The New Geopolitics of Food Scarcity (Planeta Cheio, Pratos Vazios: a Nova Geopol&iacute;tica da Escassez Alimentar), W.W. Norton: Outubro de 2012.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 13\/02\/2013 &ndash; O mundo transita de uma era de abund&acirc;ncia de alimentos para uma de escassez. 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