{"id":11379,"date":"2013-02-18T07:46:23","date_gmt":"2013-02-18T07:46:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11379"},"modified":"2013-02-18T07:46:23","modified_gmt":"2013-02-18T07:46:23","slug":"salvando-o-lago-chade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/africa\/salvando-o-lago-chade\/","title":{"rendered":"Salvando o Lago Chade"},"content":{"rendered":"<p>Gulfe, Camar&otilde;es, 18\/02\/2013 &ndash; Ao se aproximar da bacia do Lago Chade, tendo partido da pequena localidade camaronesa de Gulfe, a atmosfera de desespero se faz palp&aacute;vel. Ar poeirento, ventos ferozes e implac&aacute;veis, plantas que murcham e dunas sugerem que esta &aacute;rea outrora exuberante sofre uma mudan&ccedil;a dr&aacute;stica.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11379\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/lago.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11379\" class=\"size-medium wp-image-11379\" title=\"O Lago Chade j&aacute; ocupou 25 mil metros quadrados de &aacute;rea, mas no &uacute;ltimo s&eacute;culo diminuiu 90%. - Mustapha Muhammad\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/lago.jpg\" alt=\"O Lago Chade j&aacute; ocupou 25 mil metros quadrados de &aacute;rea, mas no &uacute;ltimo s&eacute;culo diminuiu 90%. - Mustapha Muhammad\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11379\" class=\"wp-caption-text\">O Lago Chade j&aacute; ocupou 25 mil metros quadrados de &aacute;rea, mas no &uacute;ltimo s&eacute;culo diminuiu 90%. - Mustapha Muhammad\/IPS<\/p><\/div>  A vegeta&ccedil;&atilde;o escassa s&oacute; &eacute; interrompida pela ocasional presen&ccedil;a de &aacute;rvores definhadas e algumas matas chamuscadas.<\/p>\n<p>Vizinho a Chade, Camar&otilde;es, N&iacute;ger e Nig&eacute;ria, o Lago Chade ocupou no passado 25 mil quil&ocirc;metros quadrados, mas no &uacute;ltimo meio s&eacute;culo diminuiu em 90%. Pela falta de chuvas, os rios Chari e Logno, os dois principais que alimentam o Lago, fornecem menos &aacute;gua a cada ano. Criadores de gado, pescadores e agricultores, que por v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es tiraram seu sustento do rico solo desta bacia, agora se esfor&ccedil;am para sobreviver, enquanto o grande lago seca diante de seus olhos.<\/p>\n<p>Nas margens do Chade, Mahamat Aboubakar retira um pequeno bagre negro de uma enorme rede. &quot;Antes, era necess&aacute;rio lan&ccedil;ar a rede poucas vezes para obter milhares de pescados. Agora, para conseguir a mesma quantidade pode ser preciso um dia de trabalho&quot;, afirmou, apontando para sua m&iacute;sera captura, pela qual conseguir&aacute; cerca de dois d&oacute;lares que, provavelmente, ser&atilde;o sua &uacute;nica renda do dia. Quando o Lago estava saud&aacute;vel, este pescador de 64 anos podia ganhar at&eacute; US$ 50. Agora, s&oacute; pode esperar que sua captura diminua, e que ele mesmo empobre&ccedil;a, j&aacute; que as &aacute;guas do lago continuam baixando.<\/p>\n<p>&quot;Isto &eacute; um desastre&quot;, disse Sanusi Imran Abdullahi, diretor executivo da Comiss&atilde;o da Bacia do Lago Chade, &oacute;rg&atilde;o regional criado pelos pa&iacute;ses que fazem limite com o lago a fim de regular o uso de sua &aacute;gua e de outros recursos naturais da &aacute;rea. &quot;Isto j&aacute; est&aacute; fazendo v&iacute;timas entre os moradores da regi&atilde;o&quot;, afirmou Imran &agrave; IPS. Para impedir uma situa&ccedil;&atilde;o potencialmente catastr&oacute;fica, &quot;trabalhamos para salvar o Lago Chade e os 30 milh&otilde;es de pessoas cujo sustento depende de seus recursos naturais&quot;.<\/p>\n<p>&Eacute; imposs&iacute;vel culpar pela crise apenas um fator, dizem os especialistas. O ambientalista Paul Ghogomou, da Universidade de Iaund&eacute;, disse &agrave; IPS que &quot;s&atilde;o respons&aacute;veis a desertifica&ccedil;&atilde;o e a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, bem como o cont&iacute;nuo desvio de &aacute;gua dos rios que alimentam o Lago&quot;. Para ele, a &aacute;gua do camaronense Rio Chari (que &eacute; alimentado pelo tribut&aacute;rio Rio Logono, fornece cerca de 90% da &aacute;gua do Lago Chade) &eacute; desviada para projetos de irriga&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea. Enquanto isso, represas constru&iacute;das sobre os rios Jama&#39;are e Hadejia, no nordeste da Nig&eacute;ria s&atilde;o &quot;em parte respons&aacute;veis pela redu&ccedil;&atilde;o&quot; do Lago, disse Ghogomou.<\/p>\n<p>Abdullahi, da Comiss&atilde;o da Bacia do Lago Chade, acrescentou que a press&atilde;o exercida pela popula&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m est&aacute; levando o lago ao limite. &quot;H&aacute; 40 anos, a popula&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea era de aproximadamente 17 milh&otilde;es de pessoas. Agora, contabilizamos cerca de 30 milh&otilde;es. Assim, a maior demanda por parte da popula&ccedil;&atilde;o, o aumento das cabe&ccedil;as de gado e a evapora&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a devido &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica se combinaram para reduzir o lago&quot;, explicou.<\/p>\n<p>No momento, agricultores e pescadores demonstram resili&ecirc;ncia, se adaptando o melhor que podem &agrave; crise. Ahmadou Bello, um pescador de Gulfe, simplesmente passou a se dedicar &agrave; agricultura, produzindo feij&atilde;o-caupi, milho, arroz e pimentas sem usar fertilizantes. Orgulhoso de sua pr&oacute;spera fazenda, disse &agrave; IPS que o lago &quot;deixou para tr&aacute;s terra muito f&eacute;rtil&quot;. E, se o lago n&atilde;o voltar, inclusive a umidade remanescente se evaporar&aacute;, e os agricultores ter&atilde;o poucas op&ccedil;&otilde;es para ganhar a vida.<\/p>\n<p>Em um esfor&ccedil;o para implantar solu&ccedil;&otilde;es mais sustent&aacute;veis, pa&iacute;ses-membros da Comiss&atilde;o, como Chade, Camar&otilde;es, N&iacute;ger, Nig&eacute;ria e Rep&uacute;blica Centro-Africana, desenvolveram um ambicioso plano para voltar a encher o lago com &aacute;gua do Obangui, um tribut&aacute;rio do Rio Congo. Segundo Abdullahi, o projeto implicar&aacute; a &quot;constru&ccedil;&atilde;o de uma represa de conten&ccedil;&atilde;o em Palambo&quot;, para que sirva como &aacute;rea de capta&ccedil;&atilde;o. A &aacute;gua ser&aacute; bombeada para o Rio Fafa, afluente do Ouham, e, por for&ccedil;a da gravidade, atravessar&aacute; um canal de 1.350 quil&ocirc;metros de comprimento at&eacute; o Rio Chari, em Camar&otilde;es, e depois chegar&aacute; ao Lago Chade.<\/p>\n<p>&quot;No Congo h&aacute; muita &aacute;gua que vai para o oceano. Simplesmente vamos tomar uma fra&ccedil;&atilde;o da mesma para salvar as vidas de 30 milh&otilde;es de pessoas que dependem do Lago Chade para sobreviver&quot;, pontuou Abdullahi. &quot;O programa n&atilde;o est&aacute; desenhado s&oacute; para levar &aacute;gua ao lago Chade, mas tamb&eacute;m para melhorar a atividade econ&ocirc;mica e o sustento dos habitantes da bacia do Congo&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Entretanto, &eacute; prov&aacute;vel que a escassez de dinheiro atrase a implanta&ccedil;&atilde;o do projeto. Segundo Abdullahi, o programa est&aacute; or&ccedil;ado em US$ 14,5 bilh&otilde;es. Embora os chefes de Estado da regi&atilde;o mostrem certo compromisso pol&iacute;tico, a Comiss&atilde;o busca ajuda na comunidade mundial. &quot;No come&ccedil;o deste ano, realizaremos uma confer&ecirc;ncia internacional de doadores para ver o que podemos conseguir, e a partir da&iacute; avaliaremos quais Estados-membros contribuir&atilde;o&quot;, explicou.<\/p>\n<p>&Eacute; prov&aacute;vel que a maior parte dos fundos proceda do setor privado, desde que os que contribu&iacute;rem tenham garantido um retorno sobre seu investimento. &quot;Estou certo de que estar&atilde;o interessados&quot;, declarou, otimista, Abdullahi. O custo do projeto pode parecer assustador, mas o custo da falta de a&ccedil;&atilde;o pode ser muito mais devastador, afirmam especialistas. Segundo a firma canadense Cima-International, que realizou estudos de viabilidade sobre o projeto de transfer&ecirc;ncia de &aacute;guas, o Lago Chade poder&aacute; desaparecer totalmente at&eacute; 2025 se nada for feito para salv&aacute;-lo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gulfe, Camar&otilde;es, 18\/02\/2013 &ndash; Ao se aproximar da bacia do Lago Chade, tendo partido da pequena localidade camaronesa de Gulfe, a atmosfera de desespero se faz palp&aacute;vel. 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