{"id":11385,"date":"2013-02-18T07:56:55","date_gmt":"2013-02-18T07:56:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11385"},"modified":"2013-02-18T07:56:55","modified_gmt":"2013-02-18T07:56:55","slug":"etanol-brasileiro-caminha-travado-para-a-globalizao-comercial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/america-latina\/etanol-brasileiro-caminha-travado-para-a-globalizao-comercial\/","title":{"rendered":"Etanol brasileiro caminha travado para a globaliza&ccedil;&atilde;o comercial"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 18\/02\/2013 &ndash; O sonho do Brasil de fazer do etanol um combust&iacute;vel de livre tr&acirc;nsito no mundo, em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es com os derivados de petr&oacute;leo, caminha travado por novos e velhos desafios ap&oacute;s um in&iacute;cio promissor.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11385\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/etanol.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11385\" class=\"size-medium wp-image-11385\" title=\"Colheitadeiras como esta aparecem entre as ferramentas fundamentais nas planta&ccedil;&otilde;es de cana - Mario Osava \/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/etanol.jpg\" alt=\"Colheitadeiras como esta aparecem entre as ferramentas fundamentais nas planta&ccedil;&otilde;es de cana - Mario Osava \/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11385\" class=\"wp-caption-text\">Colheitadeiras como esta aparecem entre as ferramentas fundamentais nas planta&ccedil;&otilde;es de cana - Mario Osava \/IPS<\/p><\/div>  A meta de posicionar com for&ccedil;a o etanol no mercado internacional s&oacute; ser&aacute; alcan&ccedil;ada quando houver &quot;mais pa&iacute;ses em posi&ccedil;&atilde;o de comprar e ofertar&quot;, disse Eduardo Le&atilde;o de Sousa, diretor da Uni&atilde;o da Ind&uacute;stria da Cana-de-A&ccedil;&uacute;car (Unica), organiza&ccedil;&atilde;o representativa das maiores produtoras deste biocombust&iacute;vel no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Brasil e Estados Unidos s&atilde;o respons&aacute;veis por quase 85% da produ&ccedil;&atilde;o mundial de etanol, segundo dados da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia (AIE). Como &eacute; destinado quase totalmente ao consumo interno, sua venda nos mercados internacionais ainda &eacute; m&iacute;nima. Sousa disse &agrave; IPS que a demanda indispens&aacute;vel para estimular a produ&ccedil;&atilde;o do etanol n&atilde;o nasce espontaneamente, dependendo de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, como a que obriga a mistur&aacute;-lo &agrave; gasolina.<\/p>\n<p>As maiores demandas tendem a se consolidar nos Estados Unidos, que em 2007 adotou um programa com metas anuais crescentes de consumo de biocombust&iacute;veis at&eacute; 2022, bem como na Uni&atilde;o Europeia (UE), que pretende elevar at&eacute; 2020, para 10% a propor&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis renov&aacute;veis para os motores usados no transporte. O mandato de Washington limita em 56,78 bilh&otilde;es de litros o consumo anual de etanol convencional, como o produzido a partir do milho, um volume j&aacute; quase alcan&ccedil;ado. O grosso do aumento para a meta de 132,5 bilh&otilde;es de litros at&eacute; 2022 dever&aacute;, portanto, proceder do elaborado a partir da celulose, um processo incipiente e ainda muito caro, e do &quot;avan&ccedil;ado&quot;.<\/p>\n<p>O etanol a partir da cana-de-a&ccedil;&uacute;car foi classificado como &quot;avan&ccedil;ado&quot; pela Ag&ecirc;ncia de Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental norte-americana, ao reconhecer que emite menos da metade dos gases-estufa gerados pela gasolina, considerando todo o processo de produ&ccedil;&atilde;o e consumo, incluindo o uso da terra para o cultivo do insumo. Desse modo se criar&aacute; para o Brasil e outros pa&iacute;ses produtores de cana uma demanda para seu etanol que chegar&aacute; a 15,14 bilh&otilde;es de litros em 2022.<\/p>\n<p>No entanto, o objetivo de consumo da UE para 2020 &eacute; de 15 bilh&otilde;es a 16 bilh&otilde;es de litros de etanol, metade dos quais poderiam chegar de fora do bloco, informou Sousa. Essas importa&ccedil;&otilde;es somadas &agrave;s dos Estados Unidos equivaleriam, ent&atilde;o, ao atual consumo brasileiro, um mercado em desenvolvimento h&aacute; quase quatro d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>No entanto, toda essa demanda ainda n&atilde;o est&aacute; consolidada. A Comiss&atilde;o Europeia &#8211; &oacute;rg&atilde;o executivo da UE &#8211; discute uma revis&atilde;o de sua meta para os transportes, buscando reduzir o etanol para evitar que afete a oferta de alimentos, enquanto nos Estados Unidos s&atilde;o os poderosos grupos de press&atilde;o dos cons&oacute;rcios petroleiros e dos produtores de milho que atuam contra o programa, pontuou o diretor da Unica.<\/p>\n<p>A China &eacute; outro gigantesco mercado potencial, mas s&oacute; adotar&aacute; um programa ambicioso quando houver &quot;seguran&ccedil;a de fornecimento de fontes variadas e permanentes&quot;, previu Sousa. Muitos pa&iacute;ses adotaram o etanol como aditivo a partir da d&eacute;cada de 1990. Por&eacute;m, s&atilde;o numerosos os casos de adiamento, de programas nacionais ou apenas experimentais. O Jap&atilde;o, por exemplo, hesita em tornar obrigat&oacute;ria a mistura de 3%, fixada desde 2003, mas que &eacute; volunt&aacute;ria.<\/p>\n<p>Pelo lado da oferta, os movimentos tamb&eacute;m s&atilde;o &quot;t&iacute;midos&quot;, embora j&aacute; se produza etanol de cana em outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul, na Am&eacute;rica Central, &Aacute;frica e tamb&eacute;m em pa&iacute;ses do sudeste asi&aacute;tico, onde a Unica identifica &quot;grandes potencialidades&quot;. No M&eacute;xico, que disp&otilde;e de &aacute;reas extensas para o cultivo, o obst&aacute;culo est&aacute; na fragmenta&ccedil;&atilde;o em min&uacute;sculas &aacute;reas privadas. Algo semelhante ocorre na &Iacute;ndia, onde tamb&eacute;m j&aacute; conta com muita cana em produ&ccedil;&atilde;o destinada &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car para seus 1,2 bilh&atilde;o de habitantes, indicou Sousa.<\/p>\n<p>Na &Aacute;frica, a falta de infraestrutura e m&atilde;o de obra adequadas travam a atividade. Em Angola e Mo&ccedil;ambique, onde empresas brasileiras realizam projetos a&ccedil;ucareiros, a situa&ccedil;&atilde;o da terra &eacute; contr&aacute;ria, j&aacute; que grande parte pertence ao Estado e seu uso depende de uma concess&atilde;o do governo. Isto permite economizar o custo de adquirir terras, mas afasta investidores que valorizam a propriedade como garantia. &quot;Tudo depende de regras claras e aplica&ccedil;&atilde;o &aacute;gil&quot;, segundo Felipe Cruz, diretor de Investimentos do Polo Agroindustrial de Capanda, em Angola, da empresa brasileira Odebrecht, que constr&oacute;i nesse pa&iacute;s a Companhia de Bioenergia (Biocom) para iniciar a produ&ccedil;&atilde;o ainda este ano.<\/p>\n<p>&quot;O foco &eacute; o a&ccedil;&uacute;car&quot;, afirmou Antonio Carlos de Carvalho, diretor administrativo e financeiro da Biocom. Angola, autossuficiente nesse produto antes da independ&ecirc;ncia em 1975, perdeu toda sua agroind&uacute;stria da cana em 27 anos de guerra civil. At&eacute; agora tenta recuper&aacute;-la com projetos em v&aacute;rias partes do pa&iacute;s. Al&eacute;m da produ&ccedil;&atilde;o de 260 mil toneladas de a&ccedil;&uacute;car, a Biocom est&aacute; planejada para produzir 30 milh&otilde;es de litros de etanol, que ter&atilde;o o objetivo de substituir aditivos contaminantes da gasolina.<\/p>\n<p>O Brasil impulsiona projetos de etanol em todos os continentes, gra&ccedil;as &agrave;s suas empresas e tecnologia desenvolvida como pa&iacute;s pioneiro no uso deste biocombust&iacute;vel e maior produtor de cana. Esta estrat&eacute;gia nasceu em meados dos anos 1970, para combater a alta dos pre&ccedil;os internacionais do petr&oacute;leo na &eacute;poca, quando o pa&iacute;s importava 80% do que consumia. Uma d&eacute;cada depois, quase todos os novos ve&iacute;culos fabricados no Brasil j&aacute; usavam exclusivamente etanol, enquanto o restante do parque automotivo passou a consumir gasolina com adi&ccedil;&atilde;o crescente do biocombust&iacute;vel. Hoje, a mistura varia de 18% a 25%.<\/p>\n<p>A esse &ecirc;xito seguiu-se a crise provocada pela queda dos pre&ccedil;os dos hidrocarbonos. Na d&eacute;cada de 1990 a quest&atilde;o ambiental proporcionou prest&iacute;gio internacional ao etanol brasileiro como uma poss&iacute;vel solu&ccedil;&atilde;o para moderar a contamina&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, surgiu na &eacute;poca, nos Estados Unidos, os chamados ve&iacute;culos flex, que aceitam qualquer mistura at&eacute; um m&aacute;ximo de 85% de etanol. No Brasil, uma vers&atilde;o aperfei&ccedil;oada de autom&oacute;veis sem limite na combina&ccedil;&atilde;o propiciou novo auge do biocombust&iacute;vel a partir de 2003.<\/p>\n<p>Sem os acordos clim&aacute;ticos esperados e com problemas econ&ocirc;micos mais urgentes do que os ambientais, o mundo parece ter reduzido seu interesse pelo etanol. A dificuldade de criar para esse produto um mercado global resiste inclusive ao carisma do ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (2003-2011), um ativista do tema.<\/p>\n<p>A forte ades&atilde;o dos Estados Unidos, o maior produtor mundial de etanol desde 2006, acabou com a solid&atilde;o brasileira, mas ampliou a rejei&ccedil;&atilde;o por parte dos que atribuem a esse combust&iacute;vel o encarecimento dos alimentos ao desviar enorme quantidade de milho para sua produ&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m o poss&iacute;vel desenvolvimento de ve&iacute;culos el&eacute;tricos e a hidrog&ecirc;nio acrescenta novas incertezas.<\/p>\n<p>&quot;O etanol de celulose alterar&aacute; toda essa equa&ccedil;&atilde;o&quot;, ampliando a produ&ccedil;&atilde;o e a sustentabilidade do biocombust&iacute;vel, opinou Sousa, destacando que as demais alternativas ser&atilde;o competitivas somente em um futuro distante. De todo modo, n&atilde;o se excluem, &quot;cada regi&atilde;o buscar&aacute; a solu&ccedil;&atilde;o mais adequada&quot; para suas condi&ccedil;&otilde;es, concluiu o empres&aacute;rio. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 18\/02\/2013 &ndash; O sonho do Brasil de fazer do etanol um combust&iacute;vel de livre tr&acirc;nsito no mundo, em igualdade de condi&ccedil;&otilde;es com os derivados de petr&oacute;leo, caminha travado por novos e velhos desafios ap&oacute;s um in&iacute;cio promissor. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/america-latina\/etanol-brasileiro-caminha-travado-para-a-globalizao-comercial\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10,4],"tags":[],"class_list":["post-11385","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11385","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11385"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11385\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}