{"id":1140,"date":"2005-10-26T00:00:00","date_gmt":"2005-10-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1140"},"modified":"2005-10-26T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-26T00:00:00","slug":"paquisto-um-pedao-de-lona-para-os-desabrigados-do-terremoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/paquisto-um-pedao-de-lona-para-os-desabrigados-do-terremoto\/","title":{"rendered":"Paquist&atilde;o: Um peda&ccedil;o de lona para os desabrigados do terremoto"},"content":{"rendered":"<p>Carachi,  Paquist&atilde;o, 26\/10\/2005 &ndash; Mais de duas semanas depois do devastador terremoto do Paquist&atilde;o, os sobreviventes se protegem como podem do inverno do Himalaia. As barracas de campanha ajudam, mas n&atilde;o bastam para isol&aacute;-los das inclem&ecirc;ncias do clima. Muitos continuam debaixo de tetos de pl&aacute;stico e papel&atilde;o. Aqueles com maior sorte conseguiram barracas. Por&eacute;m, a qualidade das lonas com que s&atilde;o feitas pode marcar a diferen&ccedil;a entre a vida e a morte nos vales da Caxemira paquistanesa, epicentro do terremoto de 7,8 graus na escala Richter que no &uacute;ltimo dia 8 matou cerca de cem mil pessoas.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Barracas, barracas, barracas e casas pr&eacute;-fabricadas&quot;, disse o primeiro-ministro paquistan&ecirc;s, Shaukat Aziz, refletindo a solu&ccedil;&atilde;o escolhida pelo governo para dar abrigo imediato aos quase quatro milh&otilde;es de sobreviventes na Caxemira e na prov&iacute;ncia da Fronteira Noroeste. Mas muitos afirmam que, ainda que houvesse um n&uacute;mero suficiente de barracas, estas s&atilde;o muito caras e n&atilde;o t&atilde;o resistentes como os materiais aos quais t&ecirc;m acesso os habitantes das &aacute;reas afetadas, por exemplo, a folha-de-flandres, capaz de suportar ventos e eventuais inc&ecirc;ndios, um risco sempre presente porque as fam&iacute;lias acendem fogo para cozinhar e se aquecer.<\/p>\n<p> Tanvir Abdullah se transferiu para a pequena aldeia caxemira de Rehra em busca de Hanif, seu cozinheiro, e o encontro abrigado com sua fam&iacute;lia sobre uma l&acirc;mina de folha-de-flandres, a &uacute;nica parte de sua casa que n&atilde;o foi destru&iacute;da pelo terremoto. &quot;As pessoas precisam de barracas &agrave; prova de &aacute;gua&quot;, disse &agrave; IPS este paquistan&ecirc;s rico que doou 15 barracas, cada uma ao pre&ccedil;o de US$ 115. Mas, com temperaturas baix&iacute;ssimas e diante de um inverno prematuro, estes abrigos, especialmente os de lona comum, n&atilde;o ser&atilde;o a resposta adequada, embora quantidades deles, de v&aacute;rias formas e tamanhos, estejam empilhados entre as provis&otilde;es preparadas pelo governo e envidas por outros pa&iacute;ses.<\/p>\n<p> Os modelos &quot;de inverno&quot;, como para sobreviver a v&aacute;rios meses de frio, nevadas e chuvas, s&atilde;o caros. &quot;Os pre&ccedil;os aumentaram de US$ 150 para US$ 300, e a oferta n&atilde;o acompanha a demanda. E neste momento n&atilde;o se avalia a qualidade&quot;, disse Jiwan Das, especialista de campo da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Save the Children. &quot;Para que servir&atilde;o as barracas, milhares delas, se n&atilde;o conseguem aquecer os sobreviventes? Tem de haver outra solu&ccedil;&atilde;o para escapar do frio&quot;, afirmou Shabnam Abdul&aacute;, um empres&aacute;rio de Carachi que decidiu doar barracas em lugar de alimentos e roupas. &quot;Ainda s&atilde;o necess&aacute;rias barracas de lona, mas sua utilidade se reduzir&aacute; nas pr&oacute;ximas seis semanas, quando come&ccedil;ar a nevar&quot;, afirmou Das.<\/p>\n<p> &quot;A partir desta semana, come&ccedil;aremos a fornecer um kit que incluir&aacute; martelo, pregos, alicates e uma serra, para que as pessoas possam utilizar as folhas-de-flandres e a madeira dos escombros e construir um abrigo tempor&aacute;rio. A folha-de-flandres j&aacute; &eacute; usada nestas &aacute;reas para tetos inclinados, que permitem que a neve escorra, e tamb&eacute;m favorece o isolamento e ajuda a manter o calor&quot;, explicou Das. As l&acirc;minas de folha-de-flandres refor&ccedil;adas com bambu foram &uacute;teis para reabilitar rapidamente os sobreviventes do terremoto de 1991 no Estado indiano de Uttaranchal, tamb&eacute;m parte da regi&atilde;o do Himalaia, onde as condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas s&atilde;o semelhantes &agrave;s da Caxemira.<\/p>\n<p> Por outro lado, os dados oficiais de mortos, cerca de 52 mil, s&atilde;o intensamente discutidos pelas autoridades da Caxemira, que acreditam que morreram mais de cem mil pessoas. Mais de duas semanas depois da trag&eacute;dia, os socorristas ainda n&atilde;o t&ecirc;m acesso a milhares de sobreviventes isolados em inacess&iacute;veis &aacute;reas montanhosas. Paradoxalmente, os que sobreviveram correm agora maior perigo de serem v&iacute;timas de enfermidades, do frio e da falta de alimentos e, sobretudo, por n&atilde;o terem abrigo onde se proteger do inverno que chega mais cedo e da chuva intermitente. A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas advertiu sobre uma nova onda de mortes se o aux&iacute;lio n&atilde;o chegar logo.<\/p>\n<p> O governo, as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil e doadores individuais doaram milhares de tendas, mas ainda s&atilde;o necess&aacute;rias mais. O governo est&aacute; importando 20 mil da &Iacute;ndia e de outros pa&iacute;ses para estabelecer aldeias inteiras nas &aacute;reas afetadas pelo terremoto. Como medida de curto prazo, as autoridades pretendem estabelecer 16 locais em cada distrito, cada um com 500 a 700 barracas, ao custo de US$ 1,3 milh&atilde;o. Uma cidade de barracas j&aacute; est&aacute; brotando perto de Muzzaffarabad para abrigar 500 mil pessoas que ficaram sem teto. &quot;Vi essas aldeias em Balakot e Muzzaffarabad, e vi hospitais em barracas, mas o sistema sanit&aacute;rio &eacute; um desastre&quot;, disse Amjad Rashid, da Funda&ccedil;&atilde;o Taraqee. Ele e outras pessoas disseram que &quot;as barracas doadas eram vendidas no mercado negro da cidade de Rawalpindi e em Islamabad&quot;.<\/p>\n<p> Mas se &eacute; preciso viver em barracas, ent&atilde;o &quot;as pessoas v&atilde;o querer que sejam instaladas perto de onde moravam, para n&atilde;o se afastarem de seus escombros&quot;, disse o conhecido arquiteto Arif Hasan, planejador, professor e consultor. &quot;Penso que as aldeias de barracas n&atilde;o s&atilde;o uma boa id&eacute;ia e deveriam ser desestimuladas&quot;, afirmou Shershah Syed, um m&eacute;dico em Carachi que estabeleceu um acampamento de assist&ecirc;ncia m&eacute;dica em Mansehra, na Fronteira Nordeste. Formar cidades de barracas tempor&aacute;rias viola direitos humanos elementais, pois pode transformar-se em guetos, afirmou. O governo estimula os sobreviventes a descerem para as aldeias montanhosas em busca de abrigo nestas aldeias de lona, mas algumas pessoas, como Sughra, de 80 anos, se negam a faz&ecirc;-lo, apesar de todas as dificuldades.<\/p>\n<p> &quot;Conheci Sughra em Buttal, em Bagh. Havia perdido o marido e sua casa foi completamente arrasada, mas n&atilde;o estava disposta a descer para a aldeia de barracas de Muzzaffarabad. Por outro lado, quis que algu&eacute;m retirasse os escombros de sua casa, onde havia salvado a irris&oacute;ria quantia de US$ 5 e quatro mudas de roupa&quot;, disse Abdul&aacute;. As organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais tamb&eacute;m mostram cautela quanto &agrave;s aldeias de lona, j&aacute; que podem propiciar abusos contra mulheres e crian&ccedil;as. A &aacute;gua e os servi&ccedil;os sanit&aacute;rios tamb&eacute;m podem ser um grande problema nesses assentamentos e criar riscos de epidemia.<\/p>\n<p> Depois do pedido governamental de maior produ&ccedil;&atilde;o de barracas e da proibi&ccedil;&atilde;o de export&aacute;-las, a Associa&ccedil;&atilde;o de Fabricantes e Exportadores de Lona e Barracas garantiu que forneceria oito mil unidades por dia e que suspenderia por quatro semanas o fornecimento a outros clientes. Casualmente, o Paquist&atilde;o &eacute; um dos maiores fornecedores de barracas do mundo. Al&eacute;m disso, o sistema da ONU j&aacute; entregou 32 mil unidades e 150 mil estavam a caminho. O Partido Comunista Paquistan&ecirc;s sugeriu pedir emprestadas ao governo da Ar&aacute;bia Saudita as barracas usadas durante a peregrina&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana anual &agrave; cidade de Meca, e, inclusive, dirigir-se &agrave; entidade Tableeghi Jamaat, que administra essa enorme mobiliza&ccedil;&atilde;o religiosa.<\/p>\n<p> Em Carachi, alguns tentam solu&ccedil;&otilde;es inovadoras. &quot;Penso que podemos usar panflex (um tecido sint&eacute;tico) em lugar de lona&quot;, disse Nasir Lotia, arquiteto que esta projetando com esse material uma sala provis&oacute;ria de interna&ccedil;&atilde;o no p&aacute;tio da frente de um hospital de mulheres e crian&ccedil;as em Abbotabad, na prov&iacute;ncia da Fronteira Nordeste. O hospital necessita desesperadamente de outra sala geral, j&aacute; que a existente est&aacute; lotada. Podemos cri&aacute;-la com em uma tenda com 40 camas, com a ajuda desse material utilizado para construir pain&eacute;is de outdoors, e podemos faz&ecirc;-lo rapidamente&quot;, disse Lotia. O panaflex &eacute; resistente e pode suportar as inclem&ecirc;ncias do tempo e as chuvas, os outdoors feitos desse material podem ser vistas em toda Carachi e outras cidades paquistanesas. &quot;Pode-se usar para fazer barracas menores, j&aacute; que ficamos sem as comuns&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Outro abrigo r&aacute;pido &eacute; uma simples estrutura semi-cil&iacute;ndrica montada a partir de tubula&ccedil;&otilde;es de ferro galvanizado com um pl&aacute;stico fino ajustado sobre ele, que &eacute; distribu&iacute;do e promovido pela organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria internacional Oxfam. Aditi Kapoor, da Oxfam, disse &agrave; IPS desde a &Iacute;ndia que essa estrutura faz com que a neve e a chuva n&atilde;o se acumulem sobre elas, e tem a vantagem adicional de permitir acender dentro os tradicionais braseiros da Caxemira &quot;kangris&quot;, que queimam carv&atilde;o incandescente, ou, inclusive, um fogareiro, sem medo de asfixia ou inc&ecirc;ndio. A Oxfam afirma que pode ser fabricada com materiais dispon&iacute;veis em todas as zonas afetadas pelo terremoto. Segundo Kapoor, a ONG utilizou com sucesso estes abrigos na prov&iacute;ncia aut&ocirc;noma de Kosovo. &Eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o essencial, porque &eacute; imposs&iacute;vel enviar barracas em quantidade suficiente para a montanhosa Caxemira, antes que a neve comece a cair e diante da certeza de que far&aacute; mais mortes pelo frio, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carachi,  Paquist&atilde;o, 26\/10\/2005 &ndash; Mais de duas semanas depois do devastador terremoto do Paquist&atilde;o, os sobreviventes se protegem como podem do inverno do Himalaia. As barracas de campanha ajudam, mas n&atilde;o bastam para isol&aacute;-los das inclem&ecirc;ncias do clima. Muitos continuam debaixo de tetos de pl&aacute;stico e papel&atilde;o. Aqueles com maior sorte conseguiram barracas. Por&eacute;m, a qualidade das lonas com que s&atilde;o feitas pode marcar a diferen&ccedil;a entre a vida e a morte nos vales da Caxemira paquistanesa, epicentro do terremoto de 7,8 graus na escala Richter que no &uacute;ltimo dia 8 matou cerca de cem mil pessoas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/paquisto-um-pedao-de-lona-para-os-desabrigados-do-terremoto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2025,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1140","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2025"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1140\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}