{"id":11402,"date":"2013-02-20T08:24:54","date_gmt":"2013-02-20T08:24:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11402"},"modified":"2013-02-20T08:24:54","modified_gmt":"2013-02-20T08:24:54","slug":"o-neoliberalismo-questiona-direitos-humanos-fundamentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/economia\/o-neoliberalismo-questiona-direitos-humanos-fundamentais\/","title":{"rendered":"&quot;O neoliberalismo questiona direitos humanos fundamentais&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 20\/02\/2013 &ndash; &quot;A Uni&atilde;o Europeia (UE) n&atilde;o deve ser c&uacute;mplice de pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas neoliberais que tratam as pessoas como objetos, atacando benef&iacute;cios sociais elementares, a ponto de se colocar em xeque a pr&oacute;pria Declara&ccedil;&atilde;o Universal de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU)&quot;.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11402\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Armenio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11402\" class=\"size-medium wp-image-11402\" title=\"Arm&eacute;nio Carlos: &quot;A fome voltou a Portugal&quot;\u009d. - Mario Queiroz\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Armenio.jpg\" alt=\"Arm&eacute;nio Carlos: &quot;A fome voltou a Portugal&quot;\u009d. - Mario Queiroz\/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11402\" class=\"wp-caption-text\">Arm&eacute;nio Carlos: &quot;A fome voltou a Portugal&quot;\u009d. - Mario Queiroz\/IPS<\/p><\/div>  Essa afirma&ccedil;&atilde;o foi feita por Arm&eacute;nio Carlos, secret&aacute;rio-geral da poderosa Central Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), em entrevista dada &agrave; IPS enquanto ajustava detalhes da Jornada Nacional de A&ccedil;&atilde;o e Luta, que aconteceu no dia 16 em todo o territ&oacute;rio continental de Portugal e em seus arquip&eacute;lagos de A&ccedil;ores e Madeira.<\/p>\n<p>A CGTP anunciou que apresentar&aacute; queixa contra o Estado portugu&ecirc;s perante a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT) pela viola&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de conven&ccedil;&otilde;es que protegem a negocia&ccedil;&atilde;o coletiva e a liberdade sindical.<\/p>\n<p>IPS: Estamos diante de uma substancial mudan&ccedil;a do sistema que garantia a chamada Europa social?<\/p>\n<p>Arm&eacute;nio Carlos: O que se questiona &eacute; um conjunto de pressupostos e princ&iacute;pios do trabalho digno, tal como definido pela OIT. N&atilde;o se pode brincar com a vida das pessoas, que n&atilde;o s&atilde;o cobaias de laborat&oacute;rios neoliberais para ensaiar aonde se pode ir, seja em Portugal, Gr&eacute;cia, Espanha ou Irlanda. Nossos pa&iacute;ses eram vistos como de menor import&acirc;ncia, com problemas econ&ocirc;micos e financeiros, mas agora j&aacute; se v&ecirc; que a quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; apenas de portugueses, gregos ou irlandeses. Tamb&eacute;m afeta a Alemanha, o motor da Europa, que entrou em uma situa&ccedil;&atilde;o de paralisia de sua economia. Isto deve levar os respons&aacute;veis da UE a refletirem.<\/p>\n<p>IPS: Como Portugal poder&aacute; pagar sua d&iacute;vida (de 78 bilh&otilde;es de euros, ou US$ 110 bilh&otilde;es) contra&iacute;da perante a troika UE\/Fundo Monet&aacute;rio Internacional\/Banco Central Europeu (BCE)?<\/p>\n<p>AC: Se a d&iacute;vida n&atilde;o for renegociada, Portugal n&atilde;o poder&aacute; pagar e ser&aacute; colonizado pela via financeira. Renegociar n&atilde;o significa n&atilde;o pagar, mas ter condi&ccedil;&otilde;es de poder pagar. Por&eacute;m, os pr&oacute;prios credores nos impedem de desenvolver pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas para cumprirmos esses compromissos. Por exemplo, o BCE ajuda o setor financeiro emprestando dinheiro com juros de 0,7% e, por sua vez, os bancos d&atilde;o cr&eacute;ditos a 8% para o Estado ou as empresas. Por isso o BCE neste momento &eacute; um incentivador da especula&ccedil;&atilde;o financeira. O desemprego continua crescendo em Portugal e j&aacute; estamos pr&oacute;ximos de um milh&atilde;o de desempregados, o que equivale &agrave; cifra recorde de 16,9% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa, a terceiro maior da UE, atr&aacute;s de Gr&eacute;cia e Espanha. A recess&atilde;o econ&ocirc;mica se manter&aacute; este ano. S&atilde;o dezenas de milhares de empresas que fecham ou entram em fal&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>IPS: Este futuro pouco animador faz prever tamb&eacute;m um aumento da pobreza?<\/p>\n<p>AC: Est&atilde;o se generalizando a pobreza e a exclus&atilde;o social, e tamb&eacute;m estamos diante do retorno da fome em Portugal. Temos milhares de crian&ccedil;as que passam fome e, naturalmente, isso significa que seus pais j&aacute; passam fome h&aacute; bastante tempo, devido a esta pol&iacute;tica neoliberal que est&aacute; sangrando os portugueses. Al&eacute;m do sofrimento generalizado causado &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, est&aacute; colocando em risco o futuro do pa&iacute;s. &Eacute; uma pol&iacute;tica que n&atilde;o resolve, e s&oacute; acentua os problemas.<\/p>\n<p>IPS: As duas greves gerais e as diversas manifesta&ccedil;&otilde;es de protesto de 2012 contaram com enorme ades&atilde;o. Esta convoca&ccedil;&atilde;o significa que as reivindica&ccedil;&otilde;es da CGTP agora v&atilde;o muito al&eacute;m do estritamente sindical?<\/p>\n<p>AC: Estamos diante de uma redu&ccedil;&atilde;o do poder de compra que afeta milh&otilde;es de pessoas e ocorre em dois n&iacute;veis. Primeiro, a infla&ccedil;&atilde;o sem atualiza&ccedil;&atilde;o salarial, o que significa que, em termos m&eacute;dios dos &uacute;ltimos dois anos, os trabalhadores do setor privado perderam mais de 10% de seu poder aquisitivo, enquanto os do setor p&uacute;blico perderam 25% e at&eacute; 30%, em alguns casos. Segundo, temos a implanta&ccedil;&atilde;o do Or&ccedil;amento Geral do Estado para 2013, que causar&aacute; nova redu&ccedil;&atilde;o da renda das pessoas, pelo aumento de impostos previsto, que ter&atilde;o um impacto de baixa entre 6% e 7% na renda das fam&iacute;lias. Por isso se pode deduzir que o poder de compra dos trabalhadores continuar&aacute; em queda livre. Por outro lado, h&aacute; enormes benef&iacute;cios fiscais concedidos aos grandes grupos econ&ocirc;micos e financeiros, sem que se verifique um combate real &agrave; fraude e &agrave; evas&atilde;o fiscal. &Eacute; &uacute;til saber, tamb&eacute;m, que estes crimes custam aproximadamente 25% do produto interno bruto. &Eacute; a&iacute; que os problemas devem ser atacados, o que n&atilde;o acontece, porque esse poder econ&ocirc;mico-financeiro &eacute; praticamente intoc&aacute;vel. As duas greves gerais e as grandes manifesta&ccedil;&otilde;es de 2012, bem como os protestos de 2013, constituem um movimento em desenvolvimento acelerado, um momento in&eacute;dito, no qual a esmagadora maioria dos portugueses pode expressar seu descontentamento e sua indigna&ccedil;&atilde;o e exigir o fim da pol&iacute;tica da troika.<\/p>\n<p>IPS: E quanto aos direitos trabalhistas?<\/p>\n<p>AC: Aumentou o desequil&iacute;brio das leis trabalhistas entre trabalhadores e patr&otilde;es, a favor destes &uacute;ltimos. Por exemplo, na redu&ccedil;&atilde;o do valor das horas extras, a facilita&ccedil;&atilde;o para demitir, a redu&ccedil;&atilde;o do valor das indeniza&ccedil;&otilde;es e da assist&ecirc;ncia social, assim como o ataque sem precedentes aos contratos coletivos. Estamos falando de uma desregulamenta&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista em favor dos empres&aacute;rios. Neste momento se discute colocar os portugueses em n&iacute;veis de indeniza&ccedil;&otilde;es miser&aacute;veis, para chegar a apenas 12% de um trabalhador irland&ecirc;s ou alem&atilde;o, e entre 25% e 30% de um trabalhador espanhol. Al&eacute;m do espiral recessivo, em Portugal tamb&eacute;m assistimos um espiral de retrocesso em termos de civiliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>IPS: Qual &eacute; o limite?<\/p>\n<p>AC: Para um governo com vis&atilde;o neoliberal n&atilde;o h&aacute; fronteiras. Para eles n&atilde;o existem as pessoas, apenas n&uacute;meros e objetivos. No final, um ajuste de contas com a Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril (o golpe dos capit&atilde;es do ex&eacute;rcito que em 1974 democratizou Portugal), que significou um conjunto de direitos que valorizaram o trabalho e dignificaram as pessoas. O governo (do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho) permanece imut&aacute;vel diante de pais e m&atilde;es que perdem o emprego e de filhos que t&ecirc;m negado seu direito ao trabalho, pais dos quais &eacute; retirada a prote&ccedil;&atilde;o social e filhos que s&atilde;o obrigados a emigrar e idosos que j&aacute; n&atilde;o t&ecirc;m dinheiro para comprar rem&eacute;dios indispens&aacute;veis para sua sobreviv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>IPS: O que a CGTP prop&otilde;e?<\/p>\n<p>AC: Pensamos que n&atilde;o basta falar sobre crescimento. S&oacute; se pode crescer com investimentos, mais produ&ccedil;&atilde;o, melhor distribui&ccedil;&atilde;o da renda e maior poder de compra. Estes componentes, para n&oacute;s, s&atilde;o fundamentais para responder ao problema de fundo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 20\/02\/2013 &ndash; &quot;A Uni&atilde;o Europeia (UE) n&atilde;o deve ser c&uacute;mplice de pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas neoliberais que tratam as pessoas como objetos, atacando benef&iacute;cios sociais elementares, a ponto de se colocar em xeque a pr&oacute;pria Declara&ccedil;&atilde;o Universal de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU)&quot;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/economia\/o-neoliberalismo-questiona-direitos-humanos-fundamentais\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,5,11],"tags":[18],"class_list":["post-11402","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11402","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11402"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11402\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}