{"id":1141,"date":"2005-10-27T00:00:00","date_gmt":"2005-10-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1141"},"modified":"2005-10-27T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-27T00:00:00","slug":"minerao-canad-no-considera-obrigatria-a-boa-conduta-de-multinacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/minerao-canad-no-considera-obrigatria-a-boa-conduta-de-multinacionais\/","title":{"rendered":"Minera&ccedil;&atilde;o: Canad&aacute; n&atilde;o considera obrigat&oacute;ria a boa conduta de multinacionais"},"content":{"rendered":"<p>Toronto, 27\/10\/2005 &ndash; O pedido de parlamentares canadenses de estabelecer normas de conduta obrigat&oacute;rias para as empresas de minera&ccedil;&atilde;o que operam no exterior e de investigar as pol&ecirc;micas atividades de uma delas nas Filipinas foi rejeitado pelo chanceler Pierre Pettigrew. O Canad&aacute; prefere as pautas volunt&aacute;rias para as multinacionais, como estabelece a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE) &agrave; qual pertencem todas as na&ccedil;&otilde;es industriais, disse Kim Girtel, porta-voz do Departamento de Assuntos Exteriores. &quot;A natureza n&atilde;o obrigat&oacute;ria dessas pautas aumentou significativamente a capacidade dos governos de construir apoio internacional, o que n&atilde;o teria sido poss&iacute;vel com medidas obrigat&oacute;rias&quot;, afirmou.<br \/> <!--more--> <br \/> Girtel se recusou a mencionar os pa&iacute;ses que se oporiam ao estabelecimento de normas de conduta obrigat&oacute;rias para as multinacionais. A porta-voz disse &agrave; IPS que o informe sobre minera&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses em desenvolvimento divulgado pela multipartid&aacute;ria Comiss&atilde;o de Assuntos Externos e Com&eacute;rcio Internacional do parlamento canadense chamou a aten&ccedil;&atilde;o para &quot;quest&otilde;es muito complexas que precisam de uma reflex&atilde;o mais detalhada&quot;. Mas a escritora e jornalista empresarial Madelaine Drohan, em um artigo publicado pelo peri&oacute;dico Globe and Mail no &uacute;ltimo dia 20, disse que &quot;grandes partes&quot; da r&eacute;plica de Pettigrew aos legisladores, &quot;no melhor dos casos, e sendo generosos, poderiam ser catalogadas de necessidades, e outra s&atilde;o, simplesmente, enganosas e se prestam a confus&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p> Quase 60% das companhias de explora&ccedil;&atilde;o mineira do mundo s&atilde;o cotadas na bolsa de valores do Canad&aacute;, segundo a chancelaria. Esse setor representa um investimento direto acumulativo de US$ 42 bilh&otilde;es em todo o mundo, e h&aacute; planos para investir outros US$ 14 bilh&otilde;es nos pr&oacute;ximos cinco anos. Milhares de empresas de minera&ccedil;&atilde;o com sede no Canad&aacute; e que produzem dividendos em sua bolsa de valores operam em pa&iacute;ses em desenvolvimento que, segundo o Banco Mundial, &quot;est&atilde;o obrigados a gerar divisas para poderem pagar suas d&iacute;vidas, e a minera&ccedil;&atilde;o &eacute; uma boa forma de conseguir isso&quot;, explicou Jaimie Keneen, da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Mining Watch Canada (um observat&oacute;rio das atividades mineiras neste pa&iacute;s) com sede em Ottawa.<\/p>\n<p> A comiss&atilde;o parlamentar, que contou com apoio un&acirc;nime de todos os legisladores, inclusive do governante Partido Liberal, est&aacute; preocupada com o impacto das companhias canadenses que exploram recursos naturais no bem-estar econ&ocirc;mico e social dos trabalhadores e habitantes e no meio ambiente de pa&iacute;ses como Filipinas, Col&ocirc;mbia, Sud&atilde;o e Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo. A comiss&atilde;o tamb&eacute;m pediu &agrave; embaixada do Canad&aacute; nas Filipinas que n&atilde;o promovesse nem apoiasse publicamente a explora&ccedil;&atilde;o do ouro e da prata que a empresa canadense TVI Pacific, com sede em Calgary, realiza desde 1994 na regi&atilde;o filipina de Canatuan, enquanto n&atilde;o forem investigadas as acusa&ccedil;&otilde;es de viola&ccedil;&otilde;es dos direitos dos moradores e de danos ambientais.<\/p>\n<p> Canatuan &eacute; uma regi&atilde;o montanhosa no oeste de Mindanao &#8211; a segunda ilha em tamanho das Filipinas, na parte meridional do pa&iacute;s &#8211; habitada pelos subanons, o grupo &eacute;tnico mais numeroso das Filipinas. Cerca de dois mil subanons residem em Canatuan, e a explora&ccedil;&atilde;o da TVI Pacific, entre outras coisas, compete com as atividades mineiras de pequena escala dessa comunidade. O que aconteceu ali n&atilde;o &eacute; um exemplo at&iacute;pico de como operam as companhias canadenses nos pa&iacute;ses em desenvolvimento, afirmou Catherine Coumans, coordenadora de Investiga&ccedil;&otilde;es da Mining Watch Canada.<\/p>\n<p> Embora a legisla&ccedil;&atilde;o filipina pro&iacute;ba o desenvolvimento de qualquer atividade econ&ocirc;mica que n&atilde;o tenha autoriza&ccedil;&atilde;o expressa dos habitantes nativos, a TVI Pacific foi autorizada pelo governo a explorar as jazidas de ouro de uma montanha considerada sagrada pelos habitantes de Canatuan. Um dos problemas dos subanones e outros moradores pr&oacute;ximos da mina, em funcionamento desde o ano passado, &eacute; a falta de medidas de prote&ccedil;&atilde;o contra a contamina&ccedil;&atilde;o, acrescentou Coumans. Os produtos qu&iacute;micos utilizados na minera&ccedil;&atilde;o do ouro podem contaminar rios e correntes de &aacute;gua da regi&atilde;o, a fauna que habita essas &aacute;guas e planta&ccedil;&otilde;es de arroz e &aacute;rvores frut&iacute;feras.<\/p>\n<p> Segundo a ativista, a TVI Pacific pretende desalojar os moradores &#8211; muitos os quais n&atilde;o querem deixar suas casas &#8211; e guardas particulares da empresa colocados em barreiras impedem a passagem dos moradores at&eacute; o local. Tudo isso acontece em uma zona onde operam mais ou menos livremente grupos guerrilheiros e bandos de criminosos, e onde j&aacute; foram cometidos assaltos, emboscadas e seq&uuml;estros. &quot;A Anistia Internacional e outras organiza&ccedil;&otilde;es disseram que estas companhias n&atilde;o deveriam operar em &aacute;reas que requerem o uso da for&ccedil;a militar ou medidas extremas de seguran&ccedil;a para poderem desenvolver suas atividades, pois essas condi&ccedil;&otilde;es costumam derivar em viol&ecirc;ncia contra os direitos humanos&quot;, disse Coumans.<\/p>\n<p> N&atilde;o h&aacute; forma de controle dos respeitos aos princ&iacute;pios volunt&aacute;rios da OCDE, e o escrit&oacute;rio de contato no Canad&aacute; que recebe as den&uacute;ncias sobre atividades das empresas no exterior &quot;carece de instrumentos para for&ccedil;as as empresas a responderem&quot;, afirmou Craig Forcese, professor de direito da Universidade de Ottawa. Uma s&eacute;rie de pautas adicionais, tamb&eacute;m de ades&atilde;o volunt&aacute;ria, foi negociada entre os Estados Unidos e a Gr&atilde;-Bretanha durante o governo de Bill Clinton (1993-2001). Desse acordo estabelece um protocolo de seguran&ccedil;a para que as companhias vigiem suas opera&ccedil;&otilde;es de extra&ccedil;&atilde;o sem recorrer a for&ccedil;as militares ou a grupos paramilitares com hist&oacute;ricos de viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos.<\/p>\n<p> Segundo Forcese, o governo de George W. Bush n&atilde;o parece muito interessado em promover a ades&atilde;o a esse protocolo. O Canad&aacute; nunca assinou acordo semelhante. Embora a Mining Watch esperasse que finalmente o governo se pronunciasse a respeito, a porta-voz da chancelaria disse &agrave; IPS que &quot;ainda n&atilde;o foi tomada nenhuma decis&atilde;o&quot;. Para Coumans, isto se deve ao enorme peso que historicamente tem o setor mineiro na pol&iacute;tica canadense. Os tr&ecirc;s primeiros-ministros anteriores, Jean Chretien, Joe Clark e Brian Mulroney, foram membros da dire&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias companhias ou ajudaram a promover essa ind&uacute;stria nos pa&iacute;ses em desenvolvimento.<\/p>\n<p> Coumans contrasta a conduta do Canad&aacute; com a da B&eacute;lgica, pa&iacute;s com um pol&ecirc;mico passado colonial, hoje favor&aacute;vel a implementar um r&iacute;gido c&oacute;digo de conduta corporativo que todas as companhias devem assinar se querem conseguir financiamento para suas exporta&ccedil;&otilde;es. Na B&eacute;lgica, al&eacute;m disso, existe um firme procedimento de den&uacute;ncias, segundo o qual as empresas que n&atilde;o cumprem as normas perdem o apoio do governo. &quot;Se os belgas podem fazer isso, por que n&atilde;o podemos faz&ecirc;-lo no Canad&aacute;?&quot;, perguntou Coumans. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toronto, 27\/10\/2005 &ndash; O pedido de parlamentares canadenses de estabelecer normas de conduta obrigat&oacute;rias para as empresas de minera&ccedil;&atilde;o que operam no exterior e de investigar as pol&ecirc;micas atividades de uma delas nas Filipinas foi rejeitado pelo chanceler Pierre Pettigrew. O Canad&aacute; prefere as pautas volunt&aacute;rias para as multinacionais, como estabelece a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE) &agrave; qual pertencem todas as na&ccedil;&otilde;es industriais, disse Kim Girtel, porta-voz do Departamento de Assuntos Exteriores. &quot;A natureza n&atilde;o obrigat&oacute;ria dessas pautas aumentou significativamente a capacidade dos governos de construir apoio internacional, o que n&atilde;o teria sido poss&iacute;vel com medidas obrigat&oacute;rias&quot;, afirmou.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/minerao-canad-no-considera-obrigatria-a-boa-conduta-de-multinacionais\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1141","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1141"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1141\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}