{"id":11413,"date":"2013-02-21T09:08:55","date_gmt":"2013-02-21T09:08:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11413"},"modified":"2013-02-21T09:08:55","modified_gmt":"2013-02-21T09:08:55","slug":"a-violncia-de-gnero-cai-sobre-a-mesa-dos-sul-africanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/africa\/a-violncia-de-gnero-cai-sobre-a-mesa-dos-sul-africanos\/","title":{"rendered":"A viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero cai sobre a mesa dos sul-africanos"},"content":{"rendered":"<p>Durban, &Aacute;frica do Sul, 21\/02\/2013 &ndash; O caso do atleta paraol&iacute;mpico Oscar Pistorius, acusado de matar sua noiva, Reeva Steenkamp, colocou a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica no centro da aten&ccedil;&atilde;o da sociedade sul-africana. <!--more--> As &uacute;ltimas estat&iacute;sticas policiais mostram que sete mulheres foram assassinadas por dia, em m&eacute;dia, em 2011. Os especialistas em criminalidade estimam que uma mulher &eacute; violada a cada 17 segundos, o que converte a &Aacute;frica do Sul na capital mundial da viola&ccedil;&atilde;o, segundo a Interpol (Pol&iacute;cia Internacional). Inclusive, se estima que menos de 2% dos casos s&atilde;o denunciados.<\/p>\n<p>No caso de Pistorius, acusado por homic&iacute;dio premeditado, a promotoria afirma que &quot;colocou suas pr&oacute;teses de pernas, caminhou sete metros e disparou quatro vezes contra a porta do banheiro fechada &agrave; chave&quot;, matando sua noiva, no dia 14. O velocista, que registrou marca hist&oacute;rica ao competir com colegas n&atilde;o deficientes nos Jogos Ol&iacute;mpicos de Londres 2012, negou as acusa&ccedil;&otilde;es feitas formalmente no dia 19, por ocasi&atilde;o de seu pedido de fian&ccedil;a. Ele afirmou ter confundido Steenkamp com um invasor.<\/p>\n<p>O pedido de fian&ccedil;a, cuja audi&ecirc;ncia foi reiniciada ontem, atraiu a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico e deixa uma d&uacute;vida no ar quanto a este caso avivar um assunto delicado e escondido na &Aacute;frica do Sul, onde a viol&ecirc;ncia contra as mulheres atingiu propor&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas. H&aacute; duas semanas o pa&iacute;s se comoveu por outro caso, o de Anene Booysen, de 17 anos, que fio violentada, mutilada e estripada, morrendo em seguida. A professora de ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas da Universidade de Stellenbosch, Amanda Gouws, afirmou que, apesar do mal-estar gerado por estes dois assuntos, n&atilde;o acredita que haver&aacute; justi&ccedil;a no caso de Booysen.<\/p>\n<p>&quot;Vi muitos casos que come&ccedil;am com um big bang, mas n&atilde;o terminam bem porque as testemunhas n&atilde;o s&atilde;o bem interrogadas e as provas est&atilde;o contaminadas ou n&atilde;o servem por quest&otilde;es t&eacute;cnicas&quot;, ponderou Gouws, tamb&eacute;m integrante da Comiss&atilde;o de Igualdade de G&ecirc;nero da &Aacute;frica do Sul. &quot;Entretanto, talvez pela grande repercuss&atilde;o deste caso, e por ter sido horrendo, haja justi&ccedil;a. Mas h&aacute; centenas de milhares de casos para os quais n&atilde;o haver&aacute;&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>A deten&ccedil;&atilde;o de Pistorius ocorreu no mesmo dia do discurso do presidente Jocob Zuma sobre o estado da Na&ccedil;&atilde;o, que para muitos deveria ter marcado o rumo deste pa&iacute;s assediado por protestos devido &agrave; qualidade dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, pelas dificuldades econ&ocirc;micas e pelos crimes violentos. Segundo Gouws, Zuma n&atilde;o se referiu a este assunto como seria o caso. &quot;A justi&ccedil;a deve ser cega, mas isso n&atilde;o acontece no caso da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo Gouws, &quot;se prestarmos aten&ccedil;&atilde;o no que Zuma disse sobre os protestos violentos na &Aacute;frica do Sul, que precisamos de interven&ccedil;&atilde;o dos governos nacional, provinciais e locais e tamb&eacute;m priorizar o papel da justi&ccedil;a, mas n&atilde;o falou sobre a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero.&quot; &Agrave; luz dos cinco mil protestos que acontecem por ano e das 64 mil viola&ccedil;&otilde;es que houve em 2012, seu discurso foi muito decepcionante&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Uma pesquisa divulgada este ano pelo Conselho de Investiga&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica da &Aacute;frica do Sul revela que mais de um quarto dos 1.738 homens entrevistados, de diferentes origens &eacute;tnicas e econ&ocirc;mica, reconheceram ter violentado uma mulher pelo menos uma vez. Mas a viol&ecirc;ncia contra as mulheres na &Aacute;frica do Sul n&atilde;o se reduz &agrave; viola&ccedil;&atilde;o ou ao assassinato. Na defini&ccedil;&atilde;o de &quot;viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica&quot; est&atilde;o inclu&iacute;dos abusos f&iacute;sicos que n&atilde;o s&atilde;o de &iacute;ndole sexual, emocional ou econ&ocirc;mica, bem como o ass&eacute;dio.<\/p>\n<p>A imprensa do pa&iacute;s informou na semana passada que Judy Sexwale, mulher do ministro de Assentamentos Humanos, Tokyo Sexwale, o acusou de tr&ecirc;s crimes na declara&ccedil;&atilde;o juramentada apresentada no processo de div&oacute;rcio. N&atilde;o &eacute; a primeira vez que um alto dirigente pol&iacute;tico da &Aacute;frica do Sul &eacute; acusado de viol&ecirc;ncia contra a mulher. O pr&oacute;prio Zuma ocupou as manchetes da imprensa internacional em 2006. Na &eacute;poca vice-presidente do governante Congresso Nacional Africano, foi absolvido em um caso de viola&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As autoridades devem adotar uma posi&ccedil;&atilde;o clara sobre a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, disse &agrave; IPS a especialista Lubna Nadvi, presidente da Advice Desk for the Abused (Escrit&oacute;rio de Assessoramento para Pessoas que Sofreram Abuso). Esta organiza&ccedil;&atilde;o com sede em Durban oferece interven&ccedil;&atilde;o de crise &agrave;s v&iacute;timas e respons&aacute;veis por abusos de viol&ecirc;ncia. &quot;Creio que o presidente deve deixar claro que mulheres e crian&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o objetos sexuais dispon&iacute;veis para os homens, para serem usadas ou abusadas e nem a cultura africana, nem nenhuma outra, d&aacute; aos homens o direito de abusar delas&quot;, enfatizou Nadvi, professora de ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas na Universidade de Kwazulu-Natal.<\/p>\n<p>&quot;Com sorte, este tipo de declara&ccedil;&atilde;o forte de sua parte obrigue os homens a pensarem em como agir e se comportar no futuro, continue sendo, ou n&atilde;o, presidente por mais um mandato&quot;, acrescentou. Com mais casos de viol&ecirc;ncia contra as mulheres saindo &agrave; luz na &Aacute;frica do Sul, casos como os de Booysens, Pistorius e Sexwale demonstraram a necessidade de a m&iacute;dia dar maior aten&ccedil;&atilde;o a este assunto, ressaltou. &quot;Se a na&ccedil;&atilde;o como um todo n&atilde;o passar logo &agrave; a&ccedil;&atilde;o, correremos o risco de ficarmos conhecidos como o lugar onde nenhuma mulher ou menina est&aacute; segura em lugar algum, especialmente junto de seus companheiros &iacute;ntimos. N&atilde;o devemos desejar isso nem em pensamento&quot;, advertiu Nadvi.<\/p>\n<p>A soci&oacute;loga Shafinaaz Hassim concorda que o fato de &quot;estes casos ganharem destaque tira a sociedade civil de sua letargia apol&iacute;tica e sua nega&ccedil;&atilde;o insens&iacute;vel e exige que nos envolvamos em apoiar as mulheres de todas as maneiras poss&iacute;veis enquanto pessoas, comunidade e organiza&ccedil;&otilde;es&quot;. Hassim, moradora na prov&iacute;ncia de Gauteng, cuja capital &eacute; Johannesburgo, publicou um romance sobre viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica na comunidade mu&ccedil;ulmana. Contudo, mudar a tend&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; apenas apoiar as v&iacute;timas e punir os respons&aacute;veis, mas tamb&eacute;m significa reeducar meninos e meninas e eliminar os estere&oacute;tipos de g&ecirc;nero, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Nalisha Adams, de Johannesburgo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durban, &Aacute;frica do Sul, 21\/02\/2013 &ndash; O caso do atleta paraol&iacute;mpico Oscar Pistorius, acusado de matar sua noiva, Reeva Steenkamp, colocou a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica no centro da aten&ccedil;&atilde;o da sociedade sul-africana. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/africa\/a-violncia-de-gnero-cai-sobre-a-mesa-dos-sul-africanos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-11413","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11413\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}