{"id":11414,"date":"2013-02-21T09:15:54","date_gmt":"2013-02-21T09:15:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11414"},"modified":"2013-02-21T09:15:54","modified_gmt":"2013-02-21T09:15:54","slug":"promessas-de-escolas-gratuitas-desaparecem-no-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/economia\/promessas-de-escolas-gratuitas-desaparecem-no-haiti\/","title":{"rendered":"Promessas de escolas gratuitas desaparecem no Haiti"},"content":{"rendered":"<p>Porto Pr&iacute;ncipe, Haiti, 21\/02\/2013 &ndash; Desde que foi eleito 2011, o presidente do Haiti, Michel Martelly, invoca seu programa de &quot;escolas gratuitas&quot; como um dos principais eixos de seu governo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11414\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/estudantes.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11414\" class=\"size-medium wp-image-11414\" title=\"Estudantes em uma escola p&uacute;blica de Croix-des-Bouquets, no Haiti. - Haiti Grassroots Watch\/Marc Schindler Saint Val\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/estudantes.jpg\" alt=\"Estudantes em uma escola p&uacute;blica de Croix-des-Bouquets, no Haiti. - Haiti Grassroots Watch\/Marc Schindler Saint Val\" width=\"200\" height=\"127\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11414\" class=\"wp-caption-text\">Estudantes em uma escola p&uacute;blica de Croix-des-Bouquets, no Haiti. - Haiti Grassroots Watch\/Marc Schindler Saint Val<\/p><\/div>  &quot;Uma vit&oacute;ria para os estudantes&quot;, se l&ecirc; nos cartazes. O Programa de Educa&ccedil;&atilde;o Universal Gratuita e Obrigat&oacute;ria (Psugo) custa US$ 43 milh&otilde;es ao ano e pretende que um milh&atilde;o de haitianos se matriculem anualmente nas escolas e estudem durante cinco anos.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada durante dois meses pela organiza&ccedil;&atilde;o Haiti Grassroots Watch (HGW) em Porto Pr&iacute;ncipe e L&eacute;og&acirc;ne concluiu que havia mais meninos e meninas nas escolas, mas tamb&eacute;m descobriu uma longa lista de promessas n&atilde;o cumpridas, inadequados n&iacute;veis de financiamento, atraso nos pagamentos e at&eacute; suspeitas de corrup&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Na minha opini&atilde;o, o Psugo &eacute; um fracasso&quot;, afirmou Jean Clauvin Joly, diretor do Centre Culturel du Divin Roi, uma escola privada localizada em Croix-des-Bouquets, cerca de 15 quil&ocirc;metros ao norte da capital. &quot;No ano passado, sofremos com esse programa. Uma das muitas coisas terr&iacute;veis que nos aconteceram foi que nos pagaram tarde. Por culpa do atraso, muitos de nossos professores se demitiram&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Na escola de Joly, os alunos de primeiro e segundo graus compartilham a sala e a professora: Francie D&eacute;og&egrave;ne. Uma fina chapa, que tamb&eacute;m serve como quadro-negro, separa sua classe das demais. D&eacute;rog&egrave;ne n&atilde;o tem uma sala particular. Empilha tudo sobre uma cadeira de pl&aacute;stico. Diante dela, em quatro bancos, dez alunos repetem em un&iacute;ssono: &quot;Uma pinha, um mel&atilde;o&#8230;&quot;. Esta &eacute; uma aula de escrita.<\/p>\n<p>Na campanha para as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2011, a escola gratuita foi o leitmotiv do cantor travestido de candidato Joseph Michel Martelly. Mas no Haiti a garantia de uma educa&ccedil;&atilde;o livre de custos n&atilde;o &eacute; apenas a promessa de um pol&iacute;tico, mas principalmente uma obriga&ccedil;&atilde;o. Segundo a Constitui&ccedil;&atilde;o, o Estado &quot;garante o direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o&#8230; sem custo&quot;.<\/p>\n<p>O Psugo pretende manter essa promessa pagando escola para crian&ccedil;as no prim&aacute;rio: cerca de US$ 6 para os de escolas p&uacute;blicas e aproximadamente US$ 90 para os de escolas particulares. No Haiti, pouco mais de 80% das escolas s&atilde;o privadas. O Psugo prev&ecirc; inaugurar novas escolas e garantir que os estudantes tenham livros e outros materiais, bem como que os professores estejam adequadamente capacitados.<\/p>\n<p>O governo afirma que, gra&ccedil;as a esse programa, este ano h&aacute; quase 1,3 milh&atilde;o a mais de estudantes nas escolas. O n&uacute;mero &eacute; impactante, considerando que o Haiti tem apenas cerca de 3,5 milh&otilde;es de habitantes com menos de 15 anos. A HGW n&atilde;o conseguiu confirmar esse n&uacute;mero e tem motivos para duvidar deles. A HGW n&atilde;o teve acesso ao or&ccedil;amento do Psugo, nem p&ocirc;de visitar as dez mil escolas supostamente inscritas no programa.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, jornalistas visitaram 20 desses estabelecimentos, na maioria dos quais trabalham professores que n&atilde;o escondem seu descontentamento ou frustra&ccedil;&atilde;o. Jean Marie Monfils, professor e diretor de uma escola em L&eacute;og&acirc;ne, cerca de 30 quil&ocirc;metros a oeste de Porto Pr&iacute;ncipe, fica indignado com as falsas promessas do programa. &quot;Falaram sobre uniforme, almo&ccedil;o quente e outras coisas. Mas n&atilde;o recebemos praticamente nada. Somos os esquecidos de L&eacute;og&atilde;ne&quot;, denunciou.<\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia de Monfils n&atilde;o &eacute; &uacute;nica. Hercule Andr&eacute;, de aproximadamente 50 anos, que dirige uma escola p&uacute;blica em Darbonne, nos arredores de L&eacute;og&acirc;ne, elogia a iniciativa, mas apontou que &quot;o &uacute;nico benef&iacute;cio que os estudantes recebem &eacute; n&atilde;o pagar nada. Fora isso, mais nada. Os alunos v&atilde;o &agrave; escola, mas n&atilde;o t&ecirc;m os livros prometidos para estudar&quot;.<\/p>\n<p>A pesquisa da HGW na capital e na &aacute;rea de L&eacute;og&acirc;ne revelou que apenas duas das 20 escolas visitadas receberam os livros e demais materiais. Desde o final de novembro de 2010 (dez semanas depois de terem come&ccedil;ado as aulas), apenas uma das 20 escolas informaram ter recebido pelo atual ano letivo, e 16 delas afirmaram que ainda n&atilde;o receberam o pagamento final referente ao ano passado.<\/p>\n<p>&quot;Nem mesmo posso dizer se somos partes do programa, ou n&atilde;o&quot;, admite Monfils. &quot;At&eacute; agora n&atilde;o recebemos nada das autoridades. Realmente, &eacute; um problema enorme, porque muitas das escolas que aderiram ao Psugo nem mesmo receberam o que lhes correspondia pelo ano escolar 2011-2012.<\/p>\n<p>A Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional de Educadores e Educadoras Haitiana (CNEH) confirma isto. &quot;O fato de o governo n&atilde;o ter desembolsado o dinheiro a tempo &eacute; um grande problema para os diretores de escolas, que n&atilde;o podem pagar seus professores&quot;, afirmou Edith D&eacute;lourdes Delouis, professora e secret&aacute;ria-geral da CNEH.<\/p>\n<p>Aparentemente, o governo tampouco pode supervisionar os novos professores no n&iacute;vel em que se prop&ocirc;s. Apesar do an&uacute;ncio de que o per&iacute;odo 2012-2013 experimentaria &quot;um giro para a qualidade&quot; com mais controles, os diretores das escolas visitadas pela HGW disseram que praticamente n&atilde;o podem fazer o que querem. Das 20 escolas, 25% n&atilde;o receberam uma &uacute;nica visita, e 24% receberam apenas uma.<\/p>\n<p>Talvez por ser t&atilde;o amplo e possuir or&ccedil;amento muito elevado, o Psugo parece ter atra&iacute;do fraudadores. Em julho de 2012, um funcion&aacute;rio do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o Nacional e Forma&ccedil;&atilde;o Profissional (MENFP) em Port-de-Paix supostamente roubou US$ 119 mil. Segundo a imprensa, ele usou um grupo de homens jovens como falsos diretores de escolas e lhes entregou cheques com valores entre US$ 4.760 e US$ 7.140. O funcion&aacute;rio envolvido fugiu para a Rep&uacute;blica Dominicana.<\/p>\n<p>A HGW n&atilde;o tem como investigar uma potencial fraude do Psugo em &acirc;mbito nacional, ou mesmo na capital. Por&eacute;m, jornalistas descobriram na lista do MENFP o nome de uma escola que &eacute; apontada como tendo recebido pagamentos, embora nunca tenha funcionado. &quot;Breve, o Justin Lh&eacute;risson College&quot;, anuncia um pequeno cartaz empoeirado na estrada de Darbonne, perto de L&eacute;og&acirc;ne. &quot;Esse foi um projeto criado por um dos prefeitos locais quando foi candidato que, ap&oacute;s ser eleito, o abandonou&quot;, contou um morador.<\/p>\n<p>No ano passado, um estudo da Civil Society Initiative concluiu que o programa criara v&aacute;rias &quot;escolas fantasmas&quot;. E &quot;descobrimos que um ter&ccedil;o ou um quarto das escolas que recebiam pagamentos do governo nem mesmo tinham sido aprovadas oficialmente&quot;, afirmou &agrave; HGW o diretor dessa organiza&ccedil;&atilde;o, Rosny Desroches, ex-ministro da Educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em outra escola que recebe tanto dinheiro do Psugo quanto ajuda estrangeira, j&aacute; &eacute; quase meio-dia. Sob o sol abrasador, dezenas de estudantes se concentram em seu trabalho. A escola nacional Charlotin Marcadieu foi destru&iacute;da no terremoto de 2010 e atualmente funciona em dez barracas de campanhas dispostas em tr&ecirc;s filas. O cascalho range sob os p&eacute;s dos alunos. Antes de ir para sua aula, um dos professores disse, com amargura: &quot;Depois das 10h da manh&atilde;, estas barracas s&atilde;o como fornos&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* A Haiti Grassroots Watch &eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o entre AlterPresse, Sociedade de Anima&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o Social (Saks), Rede de Mulheres de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias (Refraka), r&aacute;dios comunit&aacute;rias e estudantes do Laborat&oacute;rio de Jornalismo da Universidade do Estado do Haiti.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Pr&iacute;ncipe, Haiti, 21\/02\/2013 &ndash; Desde que foi eleito 2011, o presidente do Haiti, Michel Martelly, invoca seu programa de &quot;escolas gratuitas&quot; como um dos principais eixos de seu governo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/economia\/promessas-de-escolas-gratuitas-desaparecem-no-haiti\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,11],"tags":[15,21],"class_list":["post-11414","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-caribe","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11414","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11414"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11414\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}