{"id":11427,"date":"2013-02-25T09:31:30","date_gmt":"2013-02-25T09:31:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11427"},"modified":"2013-02-25T09:31:30","modified_gmt":"2013-02-25T09:31:30","slug":"regresso-de-tuaregues-e-rabes-a-mali-ainda-demora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/africa\/regresso-de-tuaregues-e-rabes-a-mali-ainda-demora\/","title":{"rendered":"Regresso de tuaregues e &aacute;rabes a Mali ainda demora"},"content":{"rendered":"<p>Goudebo, Burkina Faso, 25\/02\/2013 &ndash; Fatimata Wallet Haibala est&aacute; sentada com seu filho deficiente sobre sua saia junto a outras mulheres e adolescentes em uma barraca de campanha.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11427\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/regresso.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11427\" class=\"size-medium wp-image-11427\" title=\"Ramatou Wallet Madouya (d) e sua irm&atilde; Fatma (e) no acampamento de Goudebo, em Burkina Faso - Marc-Andr&eacute; Boisvert\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/regresso.jpg\" alt=\"Ramatou Wallet Madouya (d) e sua irm&atilde; Fatma (e) no acampamento de Goudebo, em Burkina Faso - Marc-Andr&eacute; Boisvert\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11427\" class=\"wp-caption-text\">Ramatou Wallet Madouya (d) e sua irm&atilde; Fatma (e) no acampamento de Goudebo, em Burkina Faso - Marc-Andr&eacute; Boisvert\/IPS<\/p><\/div>  Poderia ser uma reuni&atilde;o de tuaregues no deserto, mas est&atilde;o em um acampamento de refugiados de Goudebo, em Burkina Faso, a cerca de cem quil&ocirc;metros de casa, em Mali. &quot;A vida &eacute; mais dura para as mulheres no acampamento&quot;, contou Haibala, que vive ali com seus cinco filhos. &quot;Temos que cuidar da fam&iacute;lia enquanto os homens perambulam livres&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Haibala &eacute; vi&uacute;va e ganha algum dinheiro vendendo leite em caixa e a&ccedil;&uacute;car que compra de outros refugiados fora do acampamento, onde vive h&aacute; um ano. Fugiu de Mali antes do come&ccedil;o do conflito em 2012, quando uma revolta de rebeldes tuaregues &#8211; um povo n&ocirc;made que se movimenta por parte desse pa&iacute;s, por N&iacute;ger e Arg&eacute;lia &#8211; eclodiu no norte. Em abril, uma coaliz&atilde;o de grupos isl&acirc;micos armados, aliados da rede extremista Al Qaeda, expulsou o Movimento Nacional para a Liberta&ccedil;&atilde;o de Azawad, como s&atilde;o chamados os tuaregues rebeldes e laicos.<\/p>\n<p>A coaliz&atilde;o isl&acirc;mica, integrada por Al Qaeda no Magreb Isl&acirc;mico, Movimento da Unicidade, a Jihad na &Aacute;frica Ocidental (Muyao) e Ansar Dine, manteve o controle do territ&oacute;rio at&eacute; que a interven&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as francesas e do ex&eacute;rcito de Mali recuperou a zona norte em janeiro. O conflito j&aacute; deixou 150 mil refugiados nos pa&iacute;ses vizinhos, 40 mil s&oacute; em Burkina Faso, al&eacute;m de 230 mil refugiados dentro de Mali. Todos os dias chegam novos refugiados a este acampamento, a maioria de &quot;pele clara&quot;, como os &aacute;rabes chamam os tuaregues em Mali.<\/p>\n<p>O marido de Haibala era um soldado tuaregue leal ao ex&eacute;rcito de Mali, que morreu lutando contra uma revolta em Agelhok, no leste, em fevereiro de 2012. Quando os combates se aproximaram de sua casa, Haibala decidiu fugir. Chegou a este acampamento em fevereiro de 2012, muito antes de os isl&acirc;micos imporem a shari&aacute; (lei isl&acirc;mica) no norte. &quot;Toda pessoa de pele clara fugiu de Gao&quot;, outra cidade ao norte de Mali, contou. &quot;Agora ouvimos que nos perseguem, n&atilde;o vejo o dia em que regressaremos&quot;, lamentou Haibala, de 49 anos.<\/p>\n<p>Os combates continuam e, no dia 21, o ex&eacute;rcito enfrentou um grupo armado. O medo de repres&aacute;lias &eacute; o principal motivo pelo qual os refugiados que est&atilde;o em Burkina Faso n&atilde;o regressam &agrave;s suas casas. Os relatos de ataques contra gente de pele clara, verdadeiros ou falsos, se misturam com as dolorosas lembran&ccedil;as das revoltas tuaregues dos anos 1990, quando o ex&eacute;rcito de Mali e grupos paramilitares executaram v&aacute;rios civis tuaregues e &aacute;rabes.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch, com sede em Nova York, expressou em v&aacute;rios comunicados que o ex&eacute;rcito de Mali executou v&aacute;rias pessoas suspeitas de serem rebeldes isl&acirc;micos ou seus partid&aacute;rios. Mas o presidente Dioncounda Traor&eacute; recha&ccedil;ou a acusa&ccedil;&atilde;o no dia 20. Entretanto, as mulheres do acampamento se re&uacute;nem em uma barraca de campanha para discutir sobre os boatos de viola&ccedil;&otilde;es e assassinatos. Nenhuma delas presenciou um fato violento, mas lhes chegam hist&oacute;rias. &quot;Sabemos que alguns comerciantes foram assassinados pelo ex&eacute;rcito no mercado de Gao&quot;, disse Fatma Targui.<\/p>\n<p>Mais longe, em outra barraca, Abou Haoula, de aproximadamente 50 anos, e alguns amigos bebem ch&aacute;. Em Goudebo prevalecem as tradi&ccedil;&otilde;es e homens e mulheres n&atilde;o se misturam muito. Eles chegaram em janeiro procedentes de Gao. Alguns vieram em autom&oacute;vel e outros em lombo de burro ou camelo. Ao cruzarem a fronteira com Burkina Faso, o Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados (Acnur) se encarregou deles. &quot;Fugimos por causa das bombas e dos combates, foi demasiado. Uma bala perdida poderia nos atingir. Tivemos que partir&quot;, contou.<\/p>\n<p>Desde a invas&atilde;o isl&acirc;mica, acrescentou Haoula, at&eacute; o come&ccedil;o dos bombardeios, recebiam ajuda alimentar da Arg&eacute;lia e de Mali de forma constante. Ap&oacute;s o ataque das for&ccedil;as francesas em janeiro, a vida parou e tamb&eacute;m as doa&ccedil;&otilde;es de insumos. Nesse momento, Haoula e outros refugiados decidiram partir. &quot;O Muyao foi duro, mas nos deixavam tranquilos se cumpr&iacute;ssemos as regras&quot;, disse Amidy Ag Habo, que foi vice-prefeito de N&#39;takala, um pequeno povoado a 60 quil&ocirc;metros de Gao.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o conhec&iacute;amos os isl&acirc;micos. Eram estrangeiros&quot;, disse Habo &agrave; IPS. Mas as pessoas de pele clara s&atilde;o consideradas aliadas do Muyao em Gao, acrescentou. O acampamento de Goudebo fica em uma regi&atilde;o &aacute;rida. Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais cuidam de cavar po&ccedil;os de &aacute;gua e reconstruir infraestrutura b&aacute;sica para atender as necessidades b&aacute;sicas de aproximadamente 7.440 refugiados que foram colocados aqui em janeiro. As autoridades mudaram o acampamento por medo de que os combates de Mali cruzassem a fronteira, bem como pela amea&ccedil;a de sequestros.<\/p>\n<p>Apesar das duras condi&ccedil;&otilde;es de vida, Haoula se sente aliviado por estar aqui. &quot;Agora podemos dormir. Em Mali n&atilde;o podia fechar os olhos&quot;, contou. Os homens, coincidem em que em Gao &eacute; o momento da vingan&ccedil;a. &quot;N&atilde;o h&aacute; governo no norte de Mali. O ex&eacute;rcito toma todas as decis&otilde;es. S&atilde;o pol&iacute;cia, ju&iacute;zes e governo. Os franceses n&atilde;o matam. Apenas ignoram o que faz o ex&eacute;rcito&quot;, apontou Habo.<\/p>\n<p>Por sua vez, Fatou Wallet Mahadi considera que os isl&acirc;micos n&atilde;o eram t&atilde;o ruins quanto o ex&eacute;rcito. &quot;N&atilde;o existe Mali sem o Azawad&quot;, afirmou. &quot;N&oacute;s, os tuaregues do Azawad, agora pertencemos ao Mali. Acreditamos que algum dia voltaremos. S&oacute; que agora &eacute; imposs&iacute;vel. Muita tens&atilde;o. Estamos fartos da viol&ecirc;ncia a cada dez anos. Quando voltarmos, teremos de trabalhar uma solu&ccedil;&atilde;o verdadeira para vivermos juntos&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Goudebo, Burkina Faso, 25\/02\/2013 &ndash; Fatimata Wallet Haibala est&aacute; sentada com seu filho deficiente sobre sua saia junto a outras mulheres e adolescentes em uma barraca de campanha. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/africa\/regresso-de-tuaregues-e-rabes-a-mali-ainda-demora\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1418,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[],"class_list":["post-11427","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1418"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}