{"id":11433,"date":"2013-02-26T06:21:06","date_gmt":"2013-02-26T06:21:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11433"},"modified":"2013-02-26T06:21:06","modified_gmt":"2013-02-26T06:21:06","slug":"sonho-impossvel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/america-latina\/sonho-impossvel\/","title":{"rendered":"Sonho imposs&iacute;vel"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 26\/02\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- Ao completar tr&ecirc;s anos do tsunami que afetou o Chile, o &uacute;nico projeto de reconstru&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica contabiliza pequenos &ecirc;xitos e uma grande frustra&ccedil;&atilde;o.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11433\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/am21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11433\" class=\"size-medium wp-image-11433\" title=\"A aldeia de pescadores de Boyeruca depois do tsunami. - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/am21.jpg\" alt=\"A aldeia de pescadores de Boyeruca depois do tsunami. - \" width=\"200\" height=\"124\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11433\" class=\"wp-caption-text\">A aldeia de pescadores de Boyeruca depois do tsunami. - <\/p><\/div>  A reconstru&ccedil;&atilde;o da vila de pescadores de Boyeruca, arrasada pelo tsunami que varreu a regi&atilde;o centro-sul do Chile em 27 de fevereiro de 2010, surgiu como exemplo de reconstru&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica e sustent&aacute;vel. Por&eacute;m, a burocracia e a desorganiza&ccedil;&atilde;o travaram o projeto e mant&ecirc;m em suspense uma popula&ccedil;&atilde;o vulner&aacute;vel. Boyueruca &eacute; uma localidade costeira da Comunidade de Vichuqu&eacute;n, 293 quil&ocirc;metros ao sul de Santiago e &agrave;s margens do Oceano Pac&iacute;fico. Seus 300 habitantes sempre viveram da extra&ccedil;&atilde;o de produtos marinhos.<\/p>\n<p>O terremoto de 8,8 graus na Escala Richter e o posterior tsunami deixaram milh&otilde;es de afetados em uma faixa de 600 quil&ocirc;metros de extens&atilde;o e destru&iacute;ram 80% das casas de Boyeruca. Os testemunhos descrevem que o mar &quot;saiu tr&ecirc;s vezes&quot;. A primeira vez n&atilde;o causou maiores danos, mas na segunda destruiu tudo em sua passagem. Os danos levaram um grupo de organiza&ccedil;&otilde;es sociais, empresas e movimentos ecol&oacute;gicos e religiosos, coordenados pelo Instituto de Ecologia Pol&iacute;tica (IEP), a iniciar uma campanha para a reconstru&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel da aldeia.<\/p>\n<p>&quot;Ap&oacute;s a primeira visita a Boyeruca, detectamos tanta falta de tudo que decidimos fazer campanha para trabalhar e ajudar na reconstru&ccedil;&atilde;o&quot;, contou ao Terram&eacute;rica a coordenadora de difus&atilde;o e comunica&ccedil;&otilde;es do IEP, Claudia Lisboa. O projeto pretendia erguer um &quot;ecopovoado&quot; com energias renov&aacute;veis para o desenvolvimento produtivo local. A corpora&ccedil;&atilde;o mineira Barrick Gold se encarregou de reconstruir a Escola Ema Cornejo de Cardoen, que agora fica nos Montes de Boyeruca para evitar os embates das ondas em caso de novo tsunami.<\/p>\n<p>O coletivo refez a biblioteca da escola com uma tem&aacute;tica ambiental, com doa&ccedil;&atilde;o de livros e publica&ccedil;&otilde;es sobre temas ecol&oacute;gicos e instala&ccedil;&atilde;o de m&oacute;veis de madeira de pinheiro. &quot;Com ajuda de um grupo de estudantes da Universidade de Amsterd&atilde;, na Holanda, reconstru&iacute;mos a parte ecoeducativa, e com um grupo de chilenos e latino-americanos em Nuremberg, na Alemanha, rearmamos a biblioteca. Tamb&eacute;m fizemos o estudo para uma horta escolar ecol&oacute;gica, que est&aacute; pendente&quot;, detalhou Claudia.<\/p>\n<p>Outro grupo, liderado pela psic&oacute;loga Carmen Colomer, prestou assist&ecirc;ncia em sa&uacute;de mental integral para crian&ccedil;as e adultos. &quot;Realizamos pain&eacute;is na escola, a &#39;hora do conto&#39;, e iniciamos um apoio &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o da biblioteca, a elabora&ccedil;&atilde;o de pequenos projetos produtivos e cria&ccedil;&atilde;o de um fundo comunit&aacute;rio, baseando-se nas experi&ecirc;ncias do banco dos pobres&quot;, contou ao Terram&eacute;rica a especialista se referindo ao Banco Grameen, fundado em Bangladesh para promover os microcr&eacute;ditos.<\/p>\n<p>Hortensia Guerrero, do sindicato de pescadores Liberdade de Boyeruca, assegurou ao Terram&eacute;rica que a ajuda das organiza&ccedil;&otilde;es &quot;foi real&quot; e ajudou muito a comunidade em seu momento. Mas a burocracia das autoridades municipais e nacionais levou &quot;as pessoas a viverem pior do que antes&quot;, afirmou. Em 2010, as fam&iacute;lias foram transferidas para uma &aacute;rea alta, longe da margem costeira onde suas casas foram derrubadas. Mas voltaram para essa &quot;zona vermelha&quot; onde moram em casas prec&aacute;rias, entre os fantasmas da vida tranquila que algum dia tiveram.<\/p>\n<p>No come&ccedil;o de 2012, as autoridades prometeram construir casas dignas em locais altos, mas isso ainda n&atilde;o acontece, denunciou Hortensia. &quot;As pessoas est&atilde;o vivendo sem &aacute;gua pot&aacute;vel e sem luz&quot;, destacou. Antes do tsunami, a atra&ccedil;&atilde;o principal na vila era uma lagoa de origem estu&aacute;ria, onde se cultivava a ostra do Pac&iacute;fico (Crassostrea gigas). O &quot;cultivo de ostras que era a atra&ccedil;&atilde;o de Boyeruca. O turismo chegava por isso. Com o tsunami, a areia se foi para a lagoa, onde antes havia quatro metros de profundidade e hoje tem apenas meio metro ou 20 cent&iacute;metros&quot;, pontuou.<\/p>\n<p>A lagoa era rica em aves, como o cisne de pesco&ccedil;o negro e v&aacute;rias esp&eacute;cies de pato selvagem, que sumiram. Os moradores tamb&eacute;m aproveitavam as salinas de Boyeruca para processar sal para consumo humano. Tudo se perdeu ap&oacute;s o tsunami. &quot;Havia um mangue precioso, onde t&iacute;nhamos um terreno com uma fonte de onde tir&aacute;vamos &aacute;gua. Mas uma pessoa inescrupulosa a prejudicou com uma m&aacute;quina pesada e desviou a &aacute;gua e destruiu o mangue de quase um quil&ocirc;metro&quot;, contou Hortensia.<\/p>\n<p>Ao fechamento desta edi&ccedil;&atilde;o as autoridades chilenas n&atilde;o haviam entregue dados oficiais sobre casas reconstru&iacute;das ap&oacute;s tr&ecirc;s anos do terremoto, mas porta-vozes do governo anteciparam que se chegou a 85% da reconstru&ccedil;&atilde;o total e que 75% das casas necess&aacute;rias j&aacute; foram entregues ou est&atilde;o em constru&ccedil;&atilde;o. O presidente chileno, Sebasti&aacute;n Pi&ntilde;era, pretende encerrar seu mandato, em mar&ccedil;o de 2014, tendo feito toda a reconstru&ccedil;&atilde;o. Isto implica 110 mil casas reconstru&iacute;das e 112 mil novas, segundo o Minist&eacute;rio da Habita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para Tusy Urra, coordenadora do Movimento Nacional pela Reconstru&ccedil;&atilde;o Justa, a realidade n&atilde;o bate com os n&uacute;meros oficiais. &quot;Muitos afetados perderam tudo e nem mesmo puderam apresentar os documentos para ter acesso a um subs&iacute;dio&quot;, afirmou. Al&eacute;m disso, &quot;o processo &eacute; indigno para as fam&iacute;lias que est&atilde;o vivendo em meia-&aacute;gua (casas pr&eacute;-fabricadas de madeira e sem banheiro). N&atilde;o h&aacute; um plano com pol&iacute;ticas de sustentabilidade&quot;, ressaltou ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>A reconstru&ccedil;&atilde;o respondeu &agrave; &quot;pressa&quot;, acrescentou Tusy. O governo &quot;perdeu uma grande oportunidade. O ideal seria haver pol&iacute;ticas de constru&ccedil;&atilde;o de moradias de acordo com os novos tempos e as necessidades dos locais, resguardando sua hist&oacute;ria, seu patrim&ocirc;nio, segundo as novas tecnologias e a sustentabilidade. Lamentavelmente, isso n&atilde;o ocorreu&quot;, enfatizou. Envolverde\/Terram&eacute;rcia<\/p>\n<p>* A autora &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 26\/02\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- Ao completar tr&ecirc;s anos do tsunami que afetou o Chile, o &uacute;nico projeto de reconstru&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica contabiliza pequenos &ecirc;xitos e uma grande frustra&ccedil;&atilde;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/america-latina\/sonho-impossvel\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-11433","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11433","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11433"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11433\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11433"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11433"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11433"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}