{"id":1144,"date":"2005-10-27T00:00:00","date_gmt":"2005-10-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1144"},"modified":"2005-10-27T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-27T00:00:00","slug":"darfur-mais-violncia-menos-tropas-de-paz-e-fundos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/darfur-mais-violncia-menos-tropas-de-paz-e-fundos\/","title":{"rendered":"Darfur: Mais viol&ecirc;ncia, menos tropas de paz e fundos"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 27\/10\/2005 &ndash; A situa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a na regi&atilde;o sudanesa de Darfur continuar&aacute; se agravando e o processo pol&iacute;tico permanecer&aacute; paralisado ser a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e a Uni&atilde;o Africana n&atilde;o &quot;mudarem radicalmente de atitude e respeitarem seus compromissos&quot;, alertou o instituto de an&aacute;lise de conflitos Grupo Internacional de Crise (ICG). Para que Darfur consiga estabilidade no curto prazo, a Miss&atilde;o da Uni&atilde;o Africana no Sud&atilde;o (Amis) dever&aacute; receber mais tropas, um mandato mais s&oacute;lido e novos recursos, enquanto a UE ter&aacute; de redobrar sua contribui&ccedil;&atilde;o financeira, afirmou o ICG em seu informe &quot;A sociedade UE-Uni&atilde;o Africana em Darfur: combina&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o vencedora&quot;, apresentado na &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Qualquer das partes deve mudar seu comportamento de maneira radical e cumprir seus compromissos. O tamanho e o mandato da Amis t&ecirc;m de ser ampliados, e deve receber o apoio que necessita. Ao analisar a hist&oacute;ria do conflito, esta &eacute; a &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o real&quot;, disse David Mozersky, analista do ICG, com sede em Bruxelas. O relat&oacute;rio, que analisa os pontos fortes e os fracos da capacidade de resposta da UE ao conflito em Darfur e sugere vias para torn&aacute;-la mais efetiva, diz que a interven&ccedil;&atilde;o do bloco europeu no ocidente do Sud&atilde;o colocou &agrave; prova sua pr&oacute;pria estrutura de seguran&ccedil;a, bem como a da Uni&atilde;o Africana.<\/p>\n<p> Os problemas de Darfur, reino independente anexado pelo Sud&atilde;o em 1917, come&ccedil;aram nos anos 70 como uma disputa pelas terras de pastoreio entre n&ocirc;mades &aacute;rabes e agricultores ind&iacute;genas negros. As duas comunidades &eacute;tnicas compartilham a f&eacute; isl&acirc;mica. Mas a tens&atilde;o se transformou em uma guerra civil em fevereiro de 2003, quando guerrilheiros negros responderam &agrave;s hostilidades das mil&iacute;cias Janjaweed (homens &agrave; cavalo). A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas estima que desde o in&iacute;cio desse conflito j&aacute; morreram entre 180 mil e 300 mil pessoas e mais 1,8 milh&atilde;o tiveram de fugir de suas casas pelo ass&eacute;dio das mil&iacute;cias, que contam, segundo a maioria dos observadores, com apoio de Cartum. Al&eacute;m disso, centenas de milhares de pessoas tiveram de procurar ref&uacute;gio no vizinho Chade.<\/p>\n<p> &quot;A sociedade entre a UE e a Uni&atilde;o Africana para Darfur foi, no geral, de sucesso do ponto de vista t&eacute;cnico e, embora deva melhorar, a coordena&ccedil;&atilde;o estabeleceu uma boa base para uma futura coopera&ccedil;&atilde;o entre Addis Abeba e Bruxelas&quot;, destacou o ICG. Tamb&eacute;m reconheceu os esfor&ccedil;os da Uni&atilde;o Africana para solucionar a crise desde que come&ccedil;ou a guerra em 2003, bem como o apoio da UE, sem o qual &quot;o primeiro envio de tropas n&atilde;o teria sido poss&iacute;vel&quot;, mas insistiu em que se deve fazer mais para garantir um cessar-fogo na regi&atilde;o. &quot;A comunidade internacional como um todo deve fazer muito mais e adotar uma postura mais firme se quer que esses esfor&ccedil;os tenham frutos?, afirmou o vice-presidente do instituto para a Europa, Alain Deletroz.<\/p>\n<p> O ICG, organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental especializada em &quot;preven&ccedil;&atilde;o e resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos&quot;, alertou que a situa&ccedil;&atilde;o em Darfur &eacute; cada vez mais grave, pois nenhuma das partes respeita o cessar-fogo estabelecido e o processo pol&iacute;tico est&aacute; paralisado. &quot;A seguran&ccedil;a em Darfur se deteriorou rapidamente nas &uacute;ltimas semanas. S&atilde;o necess&aacute;rias milhares de soldados mais na regi&atilde;o imediatamente&quot;, disse o diretor do programa o ICG para a &Aacute;frica, Suleiman Baldo. &quot;Lamentavelmente, a comunidade internacional n&atilde;o est&aacute; preparada a esta altura para considerar o envio de uma for&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan) ou converter a miss&atilde;o da Uni&atilde;o Africana em uma da ONU a fim de aumentar o n&uacute;mero de soldados e doadores. Mas ainda se pode fazer muito&quot; com a Amis, acrescentou.<\/p>\n<p> A ONU considera a crise humanit&aacute;ria em Darfur, uma das zonas mais pobres do Sud&atilde;o, a pior do mundo. A Uni&atilde;o Africana, formalmente criada em julho de 2002, teve um papel-chave nos esfor&ccedil;os para por fim ao conflito sudan&ecirc;s, assumindo a lideran&ccedil;a nas negocia&ccedil;&otilde;es entre o governo e os rebeldes e enviando sua for&ccedil;a de 3.144 soldados para vigiar o cumprimento do cessar-fogo. A Amis obteve o apoio financeiro do Fundo de Paz na &Aacute;frica, um pacote da UE de US$ 310,7 milh&otilde;es. Por&eacute;m, o ICG alertou que esses fundos praticamente acabaram e devem ser repostos.<\/p>\n<p> O ICG disse que a UE deve encontrar a vontade pol&iacute;tica e os recursos necess&aacute;rios para expandir o mandato e a capacidade da Amis, al&eacute;m de melhorar a coordena&ccedil;&atilde;o com a Uni&atilde;o Africana. &quot;A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia tem de melhorar tamb&eacute;m a coordena&ccedil;&atilde;o entre suas pr&oacute;prias institui&ccedil;&otilde;es e Estados-membros ativos na quest&atilde;o de Darfur, bem como a coordena&ccedil;&atilde;o com a Uni&atilde;o Africana, dando ao seu novo representante especial no Sud&atilde;o, Pekka Haavisto, a autoridade e os recursos necess&aacute;rios para que possa falar com voz &uacute;nica e forte&quot;, diz o relat&oacute;rio.<\/p>\n<p> O instituto tamb&eacute;m insiste em que o n&uacute;mero de efetivos internacionais em Darfur deve ser de 12 mil a 15 mil soldados o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel para proteger os civis, estimular o regresso dos refugiados &agrave;s suas casas e criar todas as condi&ccedil;&otilde;es para um processo de negocia&ccedil;&otilde;es produtivo. &quot;Sempre dissemos que enviar uma for&ccedil;a da Otan seria a forma mais pr&aacute;tica de conseguir isso, mas, lamentavelmente, nem a Otan nem a Uni&atilde;o Africana parecem dispostas a considerar uma medida t&atilde;o radical&quot;, diz o informe co ICG. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 27\/10\/2005 &ndash; A situa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a na regi&atilde;o sudanesa de Darfur continuar&aacute; se agravando e o processo pol&iacute;tico permanecer&aacute; paralisado ser a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e a Uni&atilde;o Africana n&atilde;o &quot;mudarem radicalmente de atitude e respeitarem seus compromissos&quot;, alertou o instituto de an&aacute;lise de conflitos Grupo Internacional de Crise (ICG). Para que Darfur consiga estabilidade no curto prazo, a Miss&atilde;o da Uni&atilde;o Africana no Sud&atilde;o (Amis) dever&aacute; receber mais tropas, um mandato mais s&oacute;lido e novos recursos, enquanto a UE ter&aacute; de redobrar sua contribui&ccedil;&atilde;o financeira, afirmou o ICG em seu informe &quot;A sociedade UE-Uni&atilde;o Africana em Darfur: combina&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o vencedora&quot;, apresentado na &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/darfur-mais-violncia-menos-tropas-de-paz-e-fundos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1478,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1144","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1478"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1144"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1144\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}