{"id":11444,"date":"2013-02-27T08:47:24","date_gmt":"2013-02-27T08:47:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11444"},"modified":"2013-02-27T08:47:24","modified_gmt":"2013-02-27T08:47:24","slug":"mar-vermelho-poderia-reanimar-o-mar-morto-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/economia\/mar-vermelho-poderia-reanimar-o-mar-morto-parte-1\/","title":{"rendered":"Mar Vermelho poderia reanimar o Mar Morto &#8211; Parte 1"},"content":{"rendered":"<p>Ein Gedi, Israel, 27\/02\/2013 &ndash; O projeto para &quot;salvar o mar Morto&quot;, declarado vi&aacute;vel pelo Banco Mundial, &eacute; questionado por ambientalistas para os quais tal medida representa enormes riscos ambientais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11444\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/buracos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11444\" class=\"size-medium wp-image-11444\" title=\"Buracos como este lentamente engolem o Mar Morto. - Pierre Klochendler\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/buracos.jpg\" alt=\"Buracos como este lentamente engolem o Mar Morto. - Pierre Klochendler\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11444\" class=\"wp-caption-text\">Buracos como este lentamente engolem o Mar Morto. - Pierre Klochendler\/IPS<\/p><\/div>  O objetivo do &quot;canal mar Vermelho-mar Morto&quot; &eacute; &quot;dessalinizar a &aacute;gua e\/ou gerar energia hidrel&eacute;trica a um pre&ccedil;o acess&iacute;vel para Jord&acirc;nia, Israel e Autoridade Nacional Palestina (ANP)&quot; e &quot;construir um s&iacute;mbolo de paz no Oriente M&eacute;dio&quot;.<\/p>\n<p>O mar Morto, lago endorreico (sem sa&iacute;da para o mar) situado 426 metros abaixo do n&iacute;vel do mar, est&aacute; secando e morrendo no deserto ao ritmo aproximado de 1,1 metro por ano. Sua superf&iacute;cie diminuiu um ter&ccedil;o nos &uacute;ltimos 50 anos: de 960 quil&ocirc;metros quadrados passou para os atuais 620. Localizado entre a meseta b&iacute;blica de Moab e o deserto da Judeia, o mar hipersalino faz limites com Jord&acirc;nia, ao leste; Israel e o territ&oacute;rio palestino da Cisjord&acirc;nia, a oeste.<\/p>\n<p>&Eacute; um spa natural. Seus minerais s&atilde;o extra&iacute;dos para tratar enfermidades cut&acirc;neas devido &agrave;s suas propriedades curativas desde a &eacute;poca de Cle&oacute;patra. Atualmente, a ind&uacute;stria qu&iacute;mica realiza uma opera&ccedil;&atilde;o multimilion&aacute;ria em que as empresas Dead Sea Works, de Israel, e Arab Potash Company, da Cisjord&acirc;nia, exploram o recurso para fabricar pot&aacute;ssio para fertilizantes.<\/p>\n<p>O fluxo h&iacute;drico recebido pelo mar Morto diminuiu de 1, 250 bilh&atilde;o de metros c&uacute;bicos ao ano para 260 milh&otilde;es em 60 anos devido ao desvio de &aacute;gua para atividades agr&iacute;colas do rio Jord&atilde;o, seu principal tribut&aacute;rio no norte. Com os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, o mar Morto tem um futuro mais do que funesto, preso em uma &aacute;rea morta devido &agrave;s atividades humanas. A rota 90, que costumava margear a parte ocidental, agora passa a um quil&ocirc;metro da costa.<\/p>\n<p>Cerca de 300 quil&ocirc;metros quadrados de seu leito marinho ficaram ao ar livre na d&eacute;cada de 60, e o processo segue ao ritmo de cinco quil&ocirc;metros quadrados por ano. Vastas plan&iacute;cies ficaram descobertas e levaram &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de aproximadamente tr&ecirc;s mil buracos que aos poucos engolem terras, estradas e edif&iacute;cios, o que representa um risco significativo para a agricultura, a ind&uacute;stria e a infraestrutura tur&iacute;stica.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; surpresa que os tr&ecirc;s pa&iacute;ses vizinhos n&atilde;o tenham conseguido no passado que o mar Morto fizesse parte das Sete Maravilhas Naturais. Al&eacute;m disso, a possibilidade de figurar na lista de Patrim&ocirc;nio da Humanidade &eacute; um sonho distante.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o queremos que o mar Morto morra, queremos reviv&ecirc;-lo&quot;, disse &agrave; IPS o ministro de Desenvolvimento Regional de Israel, Silvan Shalom. &quot;Nosso principal objetivo &eacute; levar mais &aacute;gua a essa regi&atilde;o &aacute;rida. A melhor op&ccedil;&atilde;o &eacute; um canal que bombeie dois milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos por ano desde o Mar Vermelho&quot;, explicou. &quot;O que poderia salvar o mar Morto da morte seria o projeto de desenvolvimento de 180 quil&ocirc;metros chamado Rede Sea-Dead Sea Water Coveyance&quot; (Transfer&ecirc;ncia do mar Vermelho para o mar Morto).<\/p>\n<p>A iniciativa implica bombear &aacute;gua do mar Vermelho, mais ao sul, para o mar Morto. Um sistema de encanamento com seis tubula&ccedil;&otilde;es e um t&uacute;nel permitiria o fluxo de &aacute;gua gra&ccedil;as &agrave; gravidade, aproveitando as diferen&ccedil;as de eleva&ccedil;&otilde;es (ao n&iacute;vel do mar e abaixo dele), para uma esta&ccedil;&atilde;o de dessaliniza&ccedil;&atilde;o de alto n&iacute;vel e duas centrais hidrel&eacute;tricas.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s uma d&eacute;cada de estudos, o Banco Mundial concluiu que o canal Vermelho-Morto, como &eacute; conhecido este ambicioso projeto, &eacute; vi&aacute;vel do ponto de vista t&eacute;cnico, econ&ocirc;mico e socioecon&ocirc;mico. O custo total do projeto seria de US$ 9,7 bilh&otilde;es, segundo o Banco. &quot;Metade seria amortizada com a venda de &aacute;gua dessalinizada e energia hidrel&eacute;trica, e a outra teria financiamento mediante a assist&ecirc;ncia internacional ao desenvolvimento, &quot;uma situa&ccedil;&atilde;o ben&eacute;fica para todos&quot;, disse Shalom.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, &quot;o projeto n&atilde;o ret&eacute;m a &aacute;gua&quot;, disse Gidon Bromberg, diretor da Eco Peace\/Amigos da Terra Oriente M&eacute;dio, uma organiza&ccedil;&atilde;o que re&uacute;ne ambientalistas israelenses, jordanianos e palestinos pela paz. &quot;A mistura do Mar Vermelho com a salmora &uacute;nica do Mar Morto provavelmente gere um dep&oacute;sito sedimentar, leve ao surgimento de algas vermelhas e turve a pureza da &aacute;gua. Os dois corpos de &aacute;gua n&atilde;o se misturam, como a &aacute;gua e o &oacute;leo. A &aacute;gua do mar Vermelho flutuar&aacute; acima&quot; da outra, afirmou.<\/p>\n<p>De fato, especialistas do Banco Mundial disseram que a grande aflu&ecirc;ncia de &aacute;gua do mar Vermelho poderia branquear de forma duradoura o azul Fran&ccedil;a do mar Morto, mas &quot;que esse problema poderia ser mitigado acrescentando cristais de mineral de gesso no local de descarga, o que permitiria uma sedimenta&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pida&quot;.<\/p>\n<p>Outra preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; a contamina&ccedil;&atilde;o das reservas subterr&acirc;neas pelo poss&iacute;vel vazamento de &aacute;gua salgada enquanto se opera o sistema de tubula&ccedil;&otilde;es de transfer&ecirc;ncia ao longo do vale de Arav&aacute;, considerado uma &quot;zona de grande atividade s&iacute;smica&quot;. Sobre isto, Bromberg disse &agrave; IPS que &quot;as tubula&ccedil;&otilde;es poderiam explodir em meio a um terremoto, e milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos de &aacute;gua contaminaram as reservas subterr&acirc;neas&quot;. O Banco Mundial prop&ocirc;s alternativas especiais, como caixas de concreto envolvendo a tubula&ccedil;&atilde;o e v&aacute;lvulas de isolamento, entre outras. um sistema de controle fecharia estas &uacute;ltimas em caso de movimento s&iacute;smico.<\/p>\n<p>Quanto ao temor de que a esta&ccedil;&atilde;o de bombeamento possa ter impacto nos corais do mar Vermelho, um estudo modelo encomendado pelo Banco Mundial recomenda que a retirada de &aacute;gua esteja localizada a uma profundidade inferior a 140 metros. &quot;Quanto mais profundo o local de retirada, menos prov&aacute;vel que tenha um impacto&quot; negativo, diz o estudo. &quot;Houve muitas reuni&otilde;es, e os argumentos redundantes foram recha&ccedil;ados pelo Banco. As organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas n&atilde;o querem o projeto de maneira alguma&quot;, ressaltou Shalom.<\/p>\n<p>Antes de elaborar um informe final, o Banco Mundial realiza a &uacute;ltima s&eacute;rie de consultas em Israel, nos territ&oacute;rios palestinos e na Jord&acirc;nia. Se o projeto tiver apoio do Banco, as negocia&ccedil;&otilde;es intergovernamentais decidir&atilde;o como proceder. &quot;Ser&atilde;o necess&aacute;rios fundos de nossos respectivos governos, do pr&oacute;prio Banco Mundial e do setor privado&quot;, disse Shalom. &quot;Depois haver&aacute; a licita&ccedil;&atilde;o, os contratos para elabora&ccedil;&atilde;o do projeto, a aquisi&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o do canal. Isto se discutir&aacute; entre as partes&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O Banco Mundial prev&ecirc; que o canal seja constru&iacute;do em seis anos e comece a operar em 2020, atingindo seu ponto &oacute;timo em 2060. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Este &eacute; primeiro de dois artigos sobre quest&otilde;es ambientais e pol&iacute;ticas da proposta de recuperar o Mar Morto canalizando &aacute;gua do Mar Vermelho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ein Gedi, Israel, 27\/02\/2013 &ndash; O projeto para &quot;salvar o mar Morto&quot;, declarado vi&aacute;vel pelo Banco Mundial, &eacute; questionado por ambientalistas para os quais tal medida representa enormes riscos ambientais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/economia\/mar-vermelho-poderia-reanimar-o-mar-morto-parte-1\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,11],"tags":[16],"class_list":["post-11444","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11444"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11444\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}