{"id":11448,"date":"2013-02-27T09:36:30","date_gmt":"2013-02-27T09:36:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11448"},"modified":"2013-02-27T09:36:30","modified_gmt":"2013-02-27T09:36:30","slug":"meninas-e-adolescentes-afegs-prejudicadas-pelo-casamento-precoce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/direitos-humanos\/meninas-e-adolescentes-afegs-prejudicadas-pelo-casamento-precoce\/","title":{"rendered":"Meninas e adolescentes afeg&atilde;s prejudicadas pelo casamento precoce"},"content":{"rendered":"<p>Cabul, Afeganist&atilde;o, 27\/02\/2013 &ndash; No Afeganist&atilde;o, a mortalidade materna aumenta, os hospitais est&atilde;o cheios de mulheres e meninas an&ecirc;micas e as escolas secund&aacute;rias de aproximadamente 200 distritos n&atilde;o t&ecirc;m uma &uacute;nica aluna.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11448\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/meninas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11448\" class=\"size-medium wp-image-11448\" title=\"Cerca de 82% das meninas afeg&atilde;s abandonam a escola antes da sexta s&eacute;rie, em parte devido ao casamento precoce. - Najibullah Musafer\/Killid\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/meninas.jpg\" alt=\"Cerca de 82% das meninas afeg&atilde;s abandonam a escola antes da sexta s&eacute;rie, em parte devido ao casamento precoce. - Najibullah Musafer\/Killid\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11448\" class=\"wp-caption-text\">Cerca de 82% das meninas afeg&atilde;s abandonam a escola antes da sexta s&eacute;rie, em parte devido ao casamento precoce. - Najibullah Musafer\/Killid<\/p><\/div>  Estes n&atilde;o s&atilde;o dados isolados, mas a consequ&ecirc;ncia do mesmo problema social: o casamento precoce. Segundo Sadia Fayed Ayubi, diretora do departamento de sa&uacute;de reprodutiva do Minist&eacute;rio de Sa&uacute;de P&uacute;blica, o casamento precoce (de menores de 16 anos) &eacute; ilegal neste pa&iacute;s de 35 milh&otilde;es de habitantes. por&eacute;m, &eacute; comum que se force meninas de 13 anos a casarem, frequentemente com homens muito mais velhos.<\/p>\n<p>Neste ano, j&aacute; foram registrados 53 casos, disse Nazia Faizi, representante do departamento de direitos do Minist&eacute;rio de Assuntos da Mulher. Foram in&uacute;meros em anos anteriores, mas tampouco representam o problema real, pois &quot;h&aacute; muitos casos que n&atilde;o s&atilde;o denunciados em &aacute;reas rurais, onde as mulheres est&atilde;o mais desfavorecidas, n&atilde;o t&ecirc;m seus direitos respeitados, nem acesso &agrave; assist&ecirc;ncia legal&quot;, detalhou Faizi. Os casamentos precoces s&atilde;o mais comuns em quatro prov&iacute;ncias do norte &#8211; Kunduz, Sarpol, Faryab e Herat -, onde as mulheres n&atilde;o t&ecirc;m &quot;um adequado acesso &agrave; justi&ccedil;a&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>As meninas s&atilde;o entregues em casamento com pouca idade porque muitas fam&iacute;lias consideram uma vergonha n&atilde;o estarem casadas aos 16 anos. Outras vezes as meninas s&atilde;o &quot;trocadas&quot; para salvar a honra da fam&iacute;lia ou como forma de compensar um crime cometido contra a fam&iacute;lia &agrave; qual &eacute; entregue.<\/p>\n<p>O religioso Sayed Salahudin Hashimi, pregador da mesquita de Abu Bakr Siddiq, no distrito de Khair Khana, na capital, explicou que a lei isl&acirc;mica permite o casamento de meninas adolescentes, mas a decis&atilde;o de aceitar o marido &eacute; totalmente delas, que n&atilde;o podem ser obrigadas e t&ecirc;m o direito de dizer n&atilde;o. Contudo, a realidade para milh&otilde;es de meninas e adolescentes &eacute; muito diferente.<\/p>\n<p>Nayela, uma adolescente da prov&iacute;ncia afeg&atilde; de Sarpol, est&aacute; internada no Hospital da Maternidade de Malalai, em Cabul, por causa de uma f&iacute;stula obst&eacute;trica, uma grave les&atilde;o que ocorre em certas situa&ccedil;&otilde;es de parto. Trata-se de um orif&iacute;cio an&ocirc;malo entre o canal de parto e a bexiga ou o reto, e &eacute; comum entre mulheres e adolescentes que recebem pouca ou nenhuma assist&ecirc;ncia profissional durante a gravidez e o trabalho de parto. O problema tamb&eacute;m gera incontin&ecirc;ncia, infec&ccedil;&otilde;es urin&aacute;rias, infertilidade e problemas nos rins, al&eacute;m de ser doloroso e humilhante.<\/p>\n<p>Nayela pariu um beb&ecirc; morto, o que lhe causou v&aacute;rios ferimentos internos. Quando seu marido e sua sogra se convenceram de que seu estado de sa&uacute;de n&atilde;o melhoraria, a puseram para fora de casa. Sua m&atilde;e a levou ao hospital para tratamento, o que incluiu uma cirurgia. A vice-presidente da Maternidade de Malalai, Hafiza Omarkhail, disse que f&iacute;stula obst&eacute;trica &eacute; um problema que prolifera entre as mulheres, agravado pelos casamentos precoces. Nayela perdeu seu pai quando era muito pequena, e ao chegar &agrave; adolesc&ecirc;ncia seu av&ocirc; a obrigou a casar com um homem de 30 anos, &quot;por raz&otilde;es econ&ocirc;micas&quot;.<\/p>\n<p>Sadia Fayed Auybi, diretora do departamento de sa&uacute;de reprodutiva, afirmou que as meninas s&atilde;o entregues em casamento com idades entre 13 e 17 anos, e costumam engravidar entre os 17 e 19. Uma em cada 50 afeg&atilde;s tem probabilidade de morrer por causas vinculadas &agrave; gravidez e ao parto, segundo a Pesquisa de Mortalidade de 2010.<\/p>\n<p>O risco de morrer em consequ&ecirc;ncia da gravidez ou do parto ao longo de sua vida &eacute; cinco vezes maior para as mulheres de zonas rurais do que para as que vivem em povoados e cidades. A mortalidade materna indicada por esse estudo, de 327 para cada cem mil nascidos vivos nas &aacute;reas estudadas, que n&atilde;o incluem as zonas em conflito, muito menor do que as 1.400 apontadas pelas ag&ecirc;ncias da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e pelo Banco Mundial para esse mesmo ano.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a quantidade de div&oacute;rcios, suic&iacute;dios e imola&ccedil;&otilde;es aumenta, disse Parwin Rahimi, encarregado do departamento de apoio &agrave;s mulheres da Comiss&atilde;o Independente de Direitos Humanos do Afeganist&atilde;o. O ex-vice-ministro da Sa&uacute;de, Faizullah Kakar, terminou em 2010 um estudo com base em informes hospitalares e dados dessa pasta, que indicou que 2.300 mulheres e meninas com idades entre 15 e 40 anos tentavam se suicidar a cada ano.<\/p>\n<p>Em 2010 foram registrados cem casos de imola&ccedil;&atilde;o no hospital de Herat, e 76 delas morreram devido &agrave;s queimaduras. Especialistas e ativistas suspeitam que o casamento precoce &eacute; o que leva cada vez mais mulheres a recorrerem a esses atos desesperados e frequentemente fatais. Rahimi acredita que &eacute; um &quot;problema legal&quot; que as meninas possam se casar aos 16 anos e formar uma fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>A maioria das adolescentes &eacute; explorada e sofre uma viol&ecirc;ncia inimagin&aacute;vel da parte de seus maridos e seus familiares. N&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave; justi&ccedil;a e a maior parte das vezes seus lamentos n&atilde;o s&atilde;o ouvidos. Tamb&eacute;m se atribui ao casamento precoce a alta taxa de deser&ccedil;&atilde;o escolar das meninas no Afeganist&atilde;o.<\/p>\n<p>Segundo a organiza&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento internacional Brac, 82% das meninas abandonam a escola antes de terminarem o sexto grau. O Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o diz que a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; muito pior em zonas rurais, onde raramente as meninas terminam os estudos. Estima-se que 70% das afeg&atilde;s s&atilde;o analfabetas. A maioria das meninas est&aacute; resignada com seu destino, mas alguns o enfrentam.<\/p>\n<p>Mahjooba, de 19 anos, estava comprometida com seu primo desde que era crian&ccedil;a. Quando se negou a casar, a fam&iacute;lia ficou descontente. &quot;Continuei estudando at&eacute; a nona s&eacute;rie. Fiz um exame para o curso de enfermeira. Quando a fam&iacute;lia da minha tia ficou sabendo, quis que eu deixasse os estudos. Mas n&atilde;o concordei e me divorciei&quot;, contou. A Comiss&atilde;o de Direitos Humanos pressiona para que os casamentos sejam registrados nos tribunais como forma de evitar o casamento precoce. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Abida M. Telaee escreve para a Killid, uma organiza&ccedil;&atilde;o de meios de comunica&ccedil;&atilde;o independentes afeg&atilde;os associada &agrave; IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cabul, Afeganist&atilde;o, 27\/02\/2013 &ndash; No Afeganist&atilde;o, a mortalidade materna aumenta, os hospitais est&atilde;o cheios de mulheres e meninas an&ecirc;micas e as escolas secund&aacute;rias de aproximadamente 200 distritos n&atilde;o t&ecirc;m uma &uacute;nica aluna. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/02\/direitos-humanos\/meninas-e-adolescentes-afegs-prejudicadas-pelo-casamento-precoce\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1431,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[17,21],"class_list":["post-11448","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11448","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1431"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11448"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11448\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}