{"id":1145,"date":"2005-10-28T00:00:00","date_gmt":"2005-10-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1145"},"modified":"2005-10-28T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-28T00:00:00","slug":"mulheres-vento-a-favor-para-a-igualdade-na-islndia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/mulheres-vento-a-favor-para-a-igualdade-na-islndia\/","title":{"rendered":"Mulheres: Vento a favor para a igualdade na Isl&acirc;ndia"},"content":{"rendered":"<p>Reikjavik, 28\/10\/2005 &ndash; As mulheres da Isl&acirc;ndia, um pa&iacute;s invejado pelos defensores da igualdade de g&ecirc;nero de outras partes do mundo, n&atilde;o abandonam a luta: voltam &agrave;s ruas para exigir igualdade de sal&aacute;rio com os homens. A Isl&acirc;ndia est&aacute; em segundo lugar entre os pa&iacute;ses do mundo por seu alto desenvolvimento humano, segundo a medi&ccedil;&atilde;o anual da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, e em terceiro lugar de acordo com o &iacute;ndice de desenvolvimento a respeito de g&ecirc;nero, atr&aacute;s de Noruega e Austr&aacute;lia.<br \/> <!--more--> <br \/> Apesar de seus invej&aacute;veis indicadores na mat&eacute;ria, as islandesas voltaram a se manifestar, 30 anos depois da hist&oacute;rica greve de um dia que paralisou o pa&iacute;s em 1975, firmes em sua demanda de igualdade salarial com os homens. No dia 24 de outubro de 1975, 25 mil mulheres islandesas atra&iacute;ram a aten&ccedil;&atilde;o mundial ao deixarem suas casas e locais de trabalho para irem &agrave; greve. Durante duas horas ocuparam o centro de Reikjavik. Foi, possivelmente, o maior ato pol&iacute;tico realizado at&eacute; ent&atilde;o na Isl&acirc;ndia. Esta semana, as islandesas voltaram &agrave;s ruas.<\/p>\n<p> Mas desta vez foram mais: 50 mil apenas na capital e quase 10 mil em outras cidades do pa&iacute;s. A convoca&ccedil;&atilde;o foi muito superior &agrave; esperada pelas organizadoras, mais ainda considerando-se que este pa&iacute;s tem 292 mil habitantes. A maci&ccedil;a ades&atilde;o &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o foi evidente nos &ocirc;nibus lotados &#8211; normalmente quase vazios &#8211; e nas longas filas de ve&iacute;culos nas ruas, bem como nas ondas humanas que se dirigiam a p&eacute; ao centro de Reikjavik. As mulheres marcharam, cantaram e gritaram palavras de ordem. Algumas carregavam cartazes que diziam, entre outras coisas, &quot;Cuidar das crian&ccedil;as &eacute; trabalho&quot;, &quot;N&atilde;o sou 65% de uma pessoa&quot; e &quot;Direitos iguais&quot;.<\/p>\n<p> O local onde aconteceu a manifesta&ccedil;&atilde;o, na segunda-feira, com capacidade para cerca de sete mil pessoas, ficou lotado pelas mulheres. Mas os alto-falantes instalados do lado de fora permitiram que algumas pelo menos ouvissem os discursos. Tamb&eacute;m estiveram presentes alguns homens, a maioria em companhia de suas fam&iacute;lias. Segundo as mulheres que viveram as duas greves, a propor&ccedil;&atilde;o de homens desta vez foi notoriamente maior do que em 1975. &quot;Creio que h&aacute; 30 anos os homens se sentiam, de algum modo, amea&ccedil;ados, mas felizmente esse sentimento mudou&quot;, disse Mar&iacute;a Kristmanns, uma das manifestantes.<\/p>\n<p> Na Isl&acirc;ndia, para iguais horas de trabalho, anos de experi&ecirc;ncia e n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o os sal&aacute;rios das mulheres s&atilde;o 72% dos homens e a renda feminina m&eacute;dia equivale a apenas 64,15% da masculina. Em m&eacute;dia, se as mulheres recebessem o mesmo sal&aacute;rio que os homens e a jornada de trabalho fosse das 9h &agrave;s 17h elas teriam ganho seu sal&aacute;rio &agrave;s 14h08. Portanto, as mulheres pararam de trabalhar nessa hora. As organizadoras da manifesta&ccedil;&atilde;o disseram que, observando o quadro global, e n&atilde;o os aspectos salariais, se deve levar em conta as diferen&ccedil;as no pagamento de trabalhos tradicionalmente desempenhados por homens e mulheres.<\/p>\n<p> Como na greve de 1975, o objetivo foi mostrar o valor das mulheres na for&ccedil;a de trabalho da economia islandesa. Al&eacute;m disso, as responsabilidades familiares e a desigual divis&atilde;o do trabalho dom&eacute;stico &#8211; do qual as mulheres s&atilde;o respons&aacute;veis por 80% &#8211; prejudicam o potencial e as oportunidades das mulheres no mercado profissional. Se elas se casam e t&ecirc;m filhos, sua renda real diminui, enquanto que com a dos homens acontece o contr&aacute;rio. Por outro lado, as organizadoras do protesto mencionaram em sua plataforma a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, o uso de imagens de corpos femininos na publicidade, o status desigual das mulheres na sociedade, nos neg&oacute;cios e na pol&iacute;tica.<\/p>\n<p> Para que a greve tivesse &ecirc;xito, o apoio dos sindicatos foi essencial. E muitos deles apoiaram a a&ccedil;&atilde;o. Nos dias anteriores, grandes empregadores e sindicatos publicaram avisos de p&aacute;gina inteira na imprensa apoiando a manifesta&ccedil;&atilde;o. Permitiu-se que as mulheres faltassem para irem &agrave; manifesta&ccedil;&atilde;o e, inclusive, alguns locais de trabalho fecharam completamente &agrave;s 14h08, especialmente naqueles onde as mulheres s&atilde;o a maioria dos empregados. A condi&ccedil;&atilde;o das mulheres na Isl&acirc;ndia &eacute; melhor hoje do que h&aacute; 30 anos? A resposta das manifestantes pareceu ser: em geral, sim, mas ainda n&atilde;o &eacute; o suficiente.<\/p>\n<p> &quot;Em 1976 foi aprovada uma lei sobre igualdade de direitos com conseq&uuml;&ecirc;ncia da primeira greve. Mais mulheres t&ecirc;m hoje diploma universit&aacute;rio. As creches melhoraram, facilitando o trabalho das mulheres&quot;, disse &agrave; IPS Edda Jonsdottir, uma das organizadoras. &quot;Mais mulheres trabalham: 83%, que representam 49,5% da for&ccedil;a de trabalho&quot;, afirmou. &quot;A porcentagem de mulheres que trabalham na Isl&acirc;ndia &eacute; o mais alto da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE)&quot;, bloco que inclui entre seus 30 membros todas as economias industrializadas. &quot;Mas a maior parte das mulheres ainda realiza trabalho mal remunerado, tais como cuidar de pessoas e ensino&quot;, acrescentou Jonsdottir.<\/p>\n<p> &quot;A primeira greve de mulheres marcou um giro no problema da igualdade de g&ecirc;nero neste pa&iacute;s. &Eacute; poss&iacute;vel falar de um antes e um depois da greve&quot;, disse a escritora Steinunn Johannesdottir ao jornal Morgunbladid. &quot;Por exemplo, depois da manifesta&ccedil;&atilde;o foi criado o Partido Alian&ccedil;a de Mulheres. Vigdis Finnbogadottir foi eleita presidente da Isl&acirc;ndia (1980-1996) e a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres no parlamento aumento significativamente&quot;, afirmou. Atualmente, as islandesas ocupam 33% das cadeiras no parlamento. Com rela&ccedil;&atilde;o ao futuro, a prefeitura de Reikjavik e o Minist&eacute;rio de Assuntos Sociais j&aacute; prometeram examinar o problema de g&ecirc;nero em mat&eacute;ria de sal&aacute;rios. Mas a possibilidade de h&aacute; cada 10 anos se realizar uma greve com estas caracter&iacute;sticas recordar&aacute; aos islandeses qual &eacute; o papel da mulher na economia do pa&iacute;s. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reikjavik, 28\/10\/2005 &ndash; As mulheres da Isl&acirc;ndia, um pa&iacute;s invejado pelos defensores da igualdade de g&ecirc;nero de outras partes do mundo, n&atilde;o abandonam a luta: voltam &agrave;s ruas para exigir igualdade de sal&aacute;rio com os homens. A Isl&acirc;ndia est&aacute; em segundo lugar entre os pa&iacute;ses do mundo por seu alto desenvolvimento humano, segundo a medi&ccedil;&atilde;o anual da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, e em terceiro lugar de acordo com o &iacute;ndice de desenvolvimento a respeito de g&ecirc;nero, atr&aacute;s de Noruega e Austr&aacute;lia.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/mulheres-vento-a-favor-para-a-igualdade-na-islndia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":124,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1145","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/124"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1145"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1145\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}