{"id":11459,"date":"2013-03-01T10:03:11","date_gmt":"2013-03-01T10:03:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11459"},"modified":"2013-03-01T10:03:11","modified_gmt":"2013-03-01T10:03:11","slug":"assistencialismo-atrapalha-desenvolvimento-da-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/direitos-humanos\/assistencialismo-atrapalha-desenvolvimento-da-palestina\/","title":{"rendered":"Assistencialismo atrapalha desenvolvimento da Palestina"},"content":{"rendered":"<p>Ramal&aacute;, Palestina, 01\/03\/2013 &ndash; Alimentos locais para a popula&ccedil;&atilde;o local. Esta &eacute; a ideia que promove a Sharaka (&quot;compartilhar&quot;, em &aacute;rabe), uma organiza&ccedil;&atilde;o palestina que pretende levar &agrave; mesa familiar alimentos produzidos nos territ&oacute;rios ocupados. <!--more--> &quot;Nossa vis&atilde;o &eacute; uma Palestina com soberania alimentar, onde sejamos independentes do ponto de vista econ&ocirc;mico, usemos nossos recursos e nos apoiemos uns aos outros&quot;, explicou uma das fundadoras da Sharaka, Aisha Mansur. &quot;Isso leva a um desenvolvimento humano. &Eacute; a economia local. Por meio de uma economia local e de um sistema alimentar, se constr&oacute;i uma comunidade&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>&Eacute; uma luta convencer os agricultores e os consumidores a participarem deste tipo de iniciativa, reconheceu Mansur, mas a Sharaka conseguiu organizar v&aacute;rios mercados de sucesso na cidade cisjordana de Ramal&aacute; e continua conscientizando sobre os benef&iacute;cios de se alimentar com a produ&ccedil;&atilde;o local. Al&eacute;m disso, a organiza&ccedil;&atilde;o se nega a receber assist&ecirc;ncia internacional para realizar seu trabalho.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; um sistema falido. Todo mundo sabe&quot;, apontou Mansur &agrave; IPS, se referindo ao modelo de desenvolvimento e de assist&ecirc;ncia internacional. &quot;As pessoas que conhecem sua comunidade e querem se desenvolver, fazem coisas. Assim se desenvolvem, assim acontece o desenvolvimento. N&atilde;o &eacute; algo imposto de fora&quot;, ressaltou. Os palestinos est&atilde;o entre as pessoas que mais assist&ecirc;ncia internacional recebem no mundo. Desde 1994, quando chegaram as primeiras ajudas aos territ&oacute;rios ocupados, at&eacute; hoje, foram gastos milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares neste conceito.<\/p>\n<p>A primeira confer&ecirc;ncia de doadores para oferecer ajuda econ&ocirc;mica ao povo palestino aconteceu em outubro de 1993 em Washington, pouco depois da assinatura dos Acordos de Oslo entre Israel e a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Liberta&ccedil;&atilde;o da Palestina (OLP). &quot;Os Acordos de Oslo entre a OLP e Israel n&atilde;o teriam &ecirc;xito, nem mesmo funcionariam e nem durariam, sem o apoio dos doadores&quot;, observou Samir Abdullah, diretor-geral do Instituto de Pesquisa de Pol&iacute;tica Econ&ocirc;mica da Palestina, com sede em Ramal&aacute;.<\/p>\n<p>Abullah disse as IPS que as restri&ccedil;&otilde;es impostas aos palestinos pelo tratado inclu&iacute;ram receber apenas 80% da arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos e ter acesso a apenas 40% do territ&oacute;rio da Cisjord&acirc;nia, o que limitou seu crescimento e desenvolvimento. Isso for&ccedil;ou a Autoridade Nacional Palestina (ANP), &oacute;rg&atilde;o administrativo criado pelos Acordos de Oslo, a depender da ajuda de doadores internacionais para cobrir seu or&ccedil;amento. &quot;Agora a ANP tem uma d&iacute;vida de US$ 3 bilh&otilde;es. Se isto continuar, ir&aacute; &agrave; bancarrota. Se os doadores n&atilde;o derem dinheiro, a ANP n&atilde;o poder&aacute; fazer frente &agrave; d&iacute;vida&quot;, alertou.<\/p>\n<p>No Plano Nacional de Desenvolvimento para 2011-1013, a ANP declara: &quot;A arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos e fiscal, em aumento pelo crescimento econ&ocirc;mico impulsionado pelo setor privado, e a melhor gest&atilde;o dos fundos reduzir&atilde;o de forma progressiva a depend&ecirc;ncia da ajuda externa&quot;. Por&eacute;m, os esfor&ccedil;os para deixar a ANP independente da assist&ecirc;ncia estrangeira n&atilde;o deram resultados.<\/p>\n<p>Os doadores internacionais prometeram US$ 1 bilh&atilde;o &agrave; ANP em 2011 e 2012, para manter a organiza&ccedil;&atilde;o respirando. Mas quando essa quantia n&atilde;o foi transferida, o governo palestino sofreu a maior crise financeira de sua hist&oacute;ria. Agora n&atilde;o pode pagar com regularidade os sal&aacute;rios do setor p&uacute;blico, e o presidente, Mahmoud Abbas, costuma fazer apelos de emerg&ecirc;ncia aos Estados &aacute;rabes em busca de apoio para seu governo, com sede em Ramal&aacute;.<\/p>\n<p>A ajuda internacional aos palestinos tamb&eacute;m tem muito a ver com a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e, principalmente, com as negocia&ccedil;&otilde;es de paz com Israel. Depois que a ANP conseguiu melhorar o status da Palestina dentro do sistema da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), Israel amea&ccedil;ou reter US$ 100 milh&otilde;es da arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos por m&ecirc;s, e os Estados Unidos congelaram US$ 500 milh&otilde;es de sua ajuda.<\/p>\n<p>Segundo Nora Lester Murad, volunt&aacute;ria e uma das fundadoras da organiza&ccedil;&atilde;o Dalia, a assist&ecirc;ncia internacional teve impactos positivos na sociedade Palestina, como a gera&ccedil;&atilde;o de empregos e a constru&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas, mas, sobretudo, foi destrutiva.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o contribuiu para a defesa dos direitos do povo palestino. Tampouco ajudou a resolver o conflito palestino-israelense e, vou mais longe, prejudicou os direitos humanos e dificultou ou impediu a resolu&ccedil;&atilde;o do conflito&quot;, afirmou Murad, cuja organiza&ccedil;&atilde;o defende um uso melhor dos recursos locais e que o desenvolvimento sirva aos objetivos dos palestinos. &quot;Mas, as coisas est&atilde;o mudando. H&aacute; um grande descontentamento, e esse &eacute; o primeiro passo. Tamb&eacute;m h&aacute; discuss&otilde;es, e esse &eacute; um segundo passo&quot;, destacou.<\/p>\n<p>O desemprego nos territ&oacute;rios ocupados afetou em 2012 pouco menos de 23% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa. Na Cisjord&acirc;nia, o desemprego juvenil chegou a 30% em meados deste ano, e na Faixa de Gaza a 53%.<\/p>\n<p>Itiraf Remawi, diretor-geral do Centro Bisan de Pesquisa e Desenvolvimento, com sede em Ramal&aacute;, disse &agrave; IPS que os palestinos devem regressar a um sistema de desenvolvimento mais sustent&aacute;vel, semelhante ao que caracterizou a primeira Intifada (levante popular), no final dos anos 1980. &quot;O desenvolvimento deve ter um enfoque que facilite e reforce a exist&ecirc;ncia e a resist&ecirc;ncia palestina contra a ocupa&ccedil;&atilde;o&quot; israelense, acrescentou.<\/p>\n<p>Esse &quot;modelo era muito, muito melhor. Houve trabalho volunt&aacute;rio e coletivo. Houve uma rela&ccedil;&atilde;o muito estreita entre as pessoas. Lutaram contra a ocupa&ccedil;&atilde;o sem diferen&ccedil;as entre uns e outros e nem entre agremia&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Havia uma agenda comum&quot;, destacou Remawi. Para Mansur, esse &eacute; exatamente o tipo de comunidade que a Sharaka pretende construir.<\/p>\n<p>&quot;Como se pode construir um pa&iacute;s independente quando as pessoas est&atilde;o em uma situa&ccedil;&atilde;o em que devem lutar para levar p&atilde;o para casa?&quot;, perguntou Mansur. &quot;Este momento cr&iacute;tico deve servir para que as pessoas digam: bem, n&atilde;o h&aacute; mais dinheiro. temos que pensar em uma forma para seguir adiante, estejamos sob ocupa&ccedil;&atilde;o, ou n&atilde;o, e nos desenvolvermos&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ramal&aacute;, Palestina, 01\/03\/2013 &ndash; Alimentos locais para a popula&ccedil;&atilde;o local. 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