{"id":11460,"date":"2013-03-01T10:05:38","date_gmt":"2013-03-01T10:05:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11460"},"modified":"2013-03-01T10:05:38","modified_gmt":"2013-03-01T10:05:38","slug":"brasil-indstria-atrasada-economia-enigmtica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/brasil-indstria-atrasada-economia-enigmtica\/","title":{"rendered":"BRASIL: Ind&uacute;stria atrasada, economia enigm&aacute;tica"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 01\/03\/2013 &ndash; A ind&uacute;stria &eacute; o &oacute;rg&atilde;o enfermo da economia do Brasil. <!--more--> A produ&ccedil;&atilde;o do setor caiu 2,7% em 2012, apesar dos est&iacute;mulos recebidos do governo, contrariando indicadores relacionados, como a forte expans&atilde;o do com&eacute;rcio varejista e o desemprego em seu n&iacute;vel m&iacute;nimo hist&oacute;rico. O enigma de uma economia paralisada, mas com sintomas de crescimento excessivo para as potencialidades do pa&iacute;s, incluindo escassez da m&atilde;o de obra e infla&ccedil;&atilde;o em alta, parece ter sido revelado segundo v&aacute;rias explica&ccedil;&otilde;es apresentadas.<\/p>\n<p>Algumas causas com as quais lidam os economistas seriam uma queda na quantidade de jovens que se incorporam ao mercado de trabalho e o excesso de estoques acumulados. A redu&ccedil;&atilde;o da atividade manufatureira &eacute; o que mais preocupa o governo de Dilma Rousseff e os operadores econ&ocirc;micos, porque acentua uma tend&ecirc;ncia e colocam em xeque o futuro do pa&iacute;s. A desindustrializa&ccedil;&atilde;o, h&aacute; anos reconhecida por empres&aacute;rios do setor e poucos economistas, agora est&aacute; dif&iacute;cil de ser negada.<\/p>\n<p>As expectativas repousam nas proje&ccedil;&otilde;es de melhorias para este ano. Mas os baixos investimentos refletidos no retrocesso de 11,8% na produ&ccedil;&atilde;o de bens de capital em 2012 e o auge inflacion&aacute;rio, que pode provocar medidas do Banco Central para conter a demanda, n&atilde;o permitem esperar que a recupera&ccedil;&atilde;o tenha o vigor pretendido.<\/p>\n<p>Os resultados no fechamento de 2012 foram &quot;uma ducha fria&quot;, frustrando esperan&ccedil;as de retomar o crescimento e indicando que na ind&uacute;stria brasileira &quot;a crise &eacute; mais profunda&quot;, n&atilde;o apenas um efeito conjuntural devido aos graves problemas da economia global, afirmou Julio de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).<\/p>\n<p>O Brasil &quot;n&atilde;o acompanhou a evolu&ccedil;&atilde;o industrial do mundo&quot; nos &uacute;ltimos 20 anos, como fizeram China, Coreia do Sul e &Iacute;ndia. Assim, sem desenvolver setores mais din&acirc;micos, como o eletr&ocirc;nico e o farmac&ecirc;utico, tampouco avan&ccedil;ou suficientemente em inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, disse Almeida &agrave; IPS. Al&eacute;m disso, h&aacute; cerca de 15 anos, a ind&uacute;stria e alguns &quot;servi&ccedil;os organizados&quot; sofrem um ac&uacute;mulo de custos, sejam log&iacute;sticos, financeiros ou energ&eacute;ticos, que reduzem sua competitividade.<\/p>\n<p>Agravando tudo, os sal&aacute;rios aumentaram nos &uacute;ltimos cinco anos muito acima da produtividade. Somente no ano passado, cresceram, em m&eacute;dia, 5,8%, enquanto o rendimento caiu 0,8%, segundo o Iedi.<\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel sobreviver sendo pouco competitivo se a economia mundial crescer em um bom ritmo, mas os problemas apareceram com a crise iniciada em 2008 nos Estados Unidos e que depois se espalhou especialmente para a Europa, que &quot;estreitou o mercado industrial&quot; no mundo e colocou o mercado interno brasileiro sob intensa disputa, observou Almeida.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, este economista acredita que este ano pode haver uma recupera&ccedil;&atilde;o, gra&ccedil;as &agrave;s medidas governamentais que baratearam a eletricidade e reduziram tributos para alguns setores industriais, al&eacute;m de baixar juros, estabilizar a taxa de c&acirc;mbio e anunciar fortes investimentos em infraestrutura de transporte. Por&eacute;m, ser&aacute; necess&aacute;rio aumentar a produtividade com fortes investimentos em inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, especialmente porque o Brasil tem &quot;uma ind&uacute;stria avantajada&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>De fato, a ind&uacute;stria da velha gera&ccedil;&atilde;o metal-mec&acirc;nica, especialmente a automobil&iacute;stica, &eacute; predominante no pa&iacute;s, com um peso crescente. Com uma longa cadeia produtiva, incluindo pe&ccedil;as de autom&oacute;veis e m&aacute;quinas agr&iacute;colas, o segmento de ve&iacute;culos representava 21% do produto industrial em 2011, segundo a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Fabricantes de Ve&iacute;culos Automotores (Anfavea).<\/p>\n<p>Essa participa&ccedil;&atilde;o duplicou nos &uacute;ltimos 20 anos, enquanto a ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o, em seu conjunto, transitou o caminho inverso em sua contribui&ccedil;&atilde;o para o produto interno do pa&iacute;s, caindo para 14,6% em 2011. Ou seja, a import&acirc;ncia do autom&oacute;vel para a economia brasileira continua crescendo.<\/p>\n<p>Por isso, a principal medida do governo para atenuar os efeitos recessivos da crise financeira internacional de 2008 foi reduzir impostos sobre os ve&iacute;culos a partir de dezembro daquele ano, ap&oacute;s tr&ecirc;s meses de abrupta queda nas vendas. &Eacute; uma f&oacute;rmula repetida em outras crises. O petr&oacute;leo e o a&ccedil;o tamb&eacute;m continuam sendo elementos fundamentais do esfor&ccedil;o brasileiro para reverter a desindustrializa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Agora se busca recuperar a ind&uacute;stria naval, aproveitando o petr&oacute;leo descoberto debaixo da camada de sal no leito do Oceano Atl&acirc;ntico, perto da costa brasileira. Para impulsionar a produ&ccedil;&atilde;o nacional foi criada uma legisla&ccedil;&atilde;o que exige componentes vari&aacute;veis e crescentes de origem nacional, que podem chegar a at&eacute; 70% do total da constru&ccedil;&atilde;o de cada navio, plataforma, sonda e demais equipamentos destinados &agrave; atividade petroleira.<\/p>\n<p>Todo esse esfor&ccedil;o, baseado em interven&ccedil;&otilde;es do Estado, como est&iacute;mulos tribut&aacute;rios ou financeiros a setores escolhidos e medidas consideradas protecionistas, incluindo barreiras aduaneiras e a imposi&ccedil;&atilde;o de muito conte&uacute;do nacional em produtos como autom&oacute;veis, al&eacute;m dos navios petroleiros, provoca a rejei&ccedil;&atilde;o por parte de muitos analistas de correntes liberais, com forte audi&ecirc;ncia entre os operadores e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o especializados em economia.<\/p>\n<p>A desindustrializa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; necessariamente uma &quot;doen&ccedil;a&quot;, j&aacute; que &quot;a ind&uacute;stria vai mal, mas o Brasil vai muito bem&quot;, com muito emprego e sal&aacute;rios elevados, resumiu o economista Edmar Bacha, em entrevistas realizadas no ano passado ao anunciar o livro coletivo que organizou sob o t&iacute;tulo O futuro da ind&uacute;stria no Brasil, publicado este m&ecirc;s.<\/p>\n<p>Em sua an&aacute;lise, o setor manufatureiro brasileiro perdeu competitividade principalmente pela explos&atilde;o salarial que elevou custos. A m&eacute;dia salarial no Brasil, em d&oacute;lares, cresceu 14,4% ao ano entre 2006 e 2011, um recorde mundial longe de ser amea&ccedil;ado por Austr&aacute;lia, que aparece em segundo lugar com 9%, segundo os coautores do livro, Beny Parnes e Gabriel Hartung.<\/p>\n<p>Bacha, que participou de governos anteriores que implantaram pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas mais liberais, afirmou que a competitividade n&atilde;o se constr&oacute;i com protecionismos, mas com maior abertura comercial, que permita a integra&ccedil;&atilde;o com as cadeias produtivas internacionais. O M&eacute;xico &eacute; apresentado como um exemplo disso.<\/p>\n<p>Ampliando o olhar dos especialistas, a &uacute;nica coincid&ecirc;ncia sobre as causas da perda de capacidade industrial &eacute; a falta de competitividade. H&aacute; divis&otilde;es tanto na interpreta&ccedil;&atilde;o de suas origens como em seu significado e rem&eacute;dios, segundo o lugar onde se det&eacute;m cada observador. Os analistas vinculados ao setor prim&aacute;rio, por exemplo, questionam a primazia atribu&iacute;da &agrave; ind&uacute;stria como promotora do progresso e da inova&ccedil;&atilde;o. Argumentam que a agricultura agrega hoje muita tecnologia e muito conhecimento, incorporando pesquisa cient&iacute;fica e mecaniza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mas no governo brasileiro se destacam os &quot;desenvolvimentistas&quot;, come&ccedil;ando pela presidente Dilma Rousseff. Por isso &eacute; ir&ocirc;nico que a queda da ind&uacute;stria se acentue enquanto o pa&iacute;s &eacute; administrado por dirigentes que priorizam o setor e que, para recuperar sua competitividade, adotaram medidas acusadas de serem extremamente intervencionistas pelos partid&aacute;rios de solu&ccedil;&otilde;es de mercado. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 01\/03\/2013 &ndash; A ind&uacute;stria &eacute; o &oacute;rg&atilde;o enfermo da economia do Brasil. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/brasil-indstria-atrasada-economia-enigmtica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[27],"class_list":["post-11460","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11460\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}