{"id":11471,"date":"2013-03-05T08:34:58","date_gmt":"2013-03-05T08:34:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11471"},"modified":"2013-03-05T08:34:58","modified_gmt":"2013-03-05T08:34:58","slug":"biodiversidade-e-qualidade-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/biodiversidade-e-qualidade-de-vida\/","title":{"rendered":"Biodiversidade e qualidade de vida"},"content":{"rendered":"<p>Sinanch&eacute;, M&eacute;xico,, 05\/03\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- &quot;Aqui n&atilde;o combatemos a pobreza, melhoramos a qualidade de vida&quot;, afirma um integrante da comunidade costeira mexicana que h&aacute; 18 anos estava devastada pelos furac&otilde;es.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11471\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/am1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11471\" class=\"size-medium wp-image-11471\" title=\"Um canal no meio do mangue de San Crisanto. - Emilio Godoy\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/am1.jpg\" alt=\"Um canal no meio do mangue de San Crisanto. - Emilio Godoy\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11471\" class=\"wp-caption-text\">Um canal no meio do mangue de San Crisanto. - Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>  Os habitantes de San Crisanto, um ejido (campo comum) em uma zona id&iacute;lica do Estado mexicano de Yucat&aacute;n, aprenderam o valor dos recursos naturais, e cuidando deles geram empregos e ganham dinheiro. A iniciativa, que combina ecoturismo e outras atividades produtivas, &eacute; um modelo para outras comunidades localizadas ao longo da costa mexicana do Mar do Caribe, rica em diversidade biol&oacute;gica e exposta aos imprevistos meteorol&oacute;gicos.<\/p>\n<p>O visitante pode percorrer em lancha as vias aqu&aacute;ticas, nadar cenotes (olhos de &aacute;gua doce e cristalina), ca&ccedil;ar, se hospedar em cabanas ecol&oacute;gicas e comprar artesanato e alimentos elaborados a partir do coco. Em 2012, receberam 12 mil visitantes, embora sua capacidade seja para 50 mil, segundo os moradores do lugar. Al&eacute;m disso, &quot;se trabalha muito na educa&ccedil;&atilde;o. A maioria das pessoas tem consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia de cuidar dos recursos. Cuidamos em raz&atilde;o da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, diante dos furac&otilde;es&quot;, contou ao Terram&eacute;rica Reyes Cetz, de 44 anos e um dos 35 camponeses que compartilham a &aacute;rea.<\/p>\n<p>A ci&ecirc;ncia n&atilde;o pode determinar se furac&otilde;es muito fortes e destrutivos ocorridos nos &uacute;ltimos anos podem ser atribu&iacute;dos &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, mas &eacute; muito prov&aacute;vel que o aquecimento da atmosfera incida na intensidade e frequ&ecirc;ncia de eventos extremos. Em 1995, os furac&otilde;es Opal e Roxanne arruinaram os mangues de San Crisanto, 1.400 quil&ocirc;metros a sudeste da capital do M&eacute;xico.<\/p>\n<p>Inicialmente, os moradores se organizaram para reduzir os danos, e depois para fortalecer o ecossistema, tra&ccedil;ando canais de &aacute;gua para que esta flua livremente. &quot;Os mangues se refizeram rapidamente, porque as correntes h&iacute;dricas transportaram os nutrientes. Havendo mais mangues, h&aacute; mais aves, peixes e crocodilos&quot;, afirma Jos&eacute; Loria, de 56 anos e diretor de opera&ccedil;&atilde;o do ejido, que em 2001 criou a Funda&ccedil;&atilde;o San Crisanto.<\/p>\n<p>O ejido &eacute; um sistema pr&eacute;-colombiano, restabelecido na d&eacute;cada de 1930, que se baseia na posse e explora&ccedil;&atilde;o comum de terras p&uacute;blicas. O de San Crisanto come&ccedil;ou em 1957, quando um grupo de camponeses solicitou ao governo estadual terras para plantar coco. A autoriza&ccedil;&atilde;o s&oacute; chegou em 1973. A comunidade possui 850 hectares de mangues e outros cem de coqueirais, nos quais desenvolve, al&eacute;m de ecoturismo, agricultura, artesanato e extra&ccedil;&atilde;o de sal.<\/p>\n<p>Agora &quot;nos dedicamos a vender paisagem. Criamos um aparato corporativo para aproveitar os recursos. Aqui n&atilde;o combatemos a pobreza, melhoramos a qualidade de vida&quot;, detalhou Loria. A renda m&eacute;dia de cada membro do ejido &eacute; de US$ 6 mil, proveniente do ecoturismo, da extra&ccedil;&atilde;o de sal e do pagamento por servi&ccedil;os ambientais, como reflorestamento e prote&ccedil;&atilde;o do mangue. E as atividades d&atilde;o emprego a 300 pessoas.<\/p>\n<p>&quot;Nestes meses (entre fevereiro e maio) nos concentramos em extrair sal e nos preparamos para atender o turista&quot;, explicou Cetz. Este ano j&aacute; obtiveram 250 toneladas que o ejido vende a US$ 39 a unidade. Desde 2001, foram restaurados 11.300 metros de canais e 45 cenotes alimentados por fluxos subterr&acirc;neos. H&aacute; menos perigo de inunda&ccedil;&atilde;o e as esp&eacute;cies end&ecirc;micas se multiplicaram. A regi&atilde;o de San Crisanto, de 570 habitantes, est&aacute; exposta a furac&otilde;es e ondas devido &agrave; eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar. Por isto, &eacute; urgente uma adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s varia&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas.<\/p>\n<p>Entretanto, Yucat&aacute;n, vulner&aacute;vel a estes problemas e muito estudado pelos cientistas, ainda n&atilde;o tem um plano para enfrentar a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica O M&eacute;xico perde 10 mil hectares de mangues ao ano. No momento, subsistem mais de 770 hectares destes complexos sistemas costeiros, segundo a Comiss&atilde;o Nacional para o Conhecimento e Uso da Biodiversidade. Mantido o ritmo de destrui&ccedil;&atilde;o, em 2025 Yucat&aacute;n ter&aacute; perdido quase 30% dos mangues que tinha em 2010, prev&ecirc; o Instituto Nacional de Ecologia e Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica.<\/p>\n<p>Os mangues, formados por v&aacute;rias esp&eacute;cies de &aacute;rvores adaptadas a terrenos inundados e salobres, abrigam grande quantidade de fauna, t&ecirc;m uma fun&ccedil;&atilde;o purificadora da &aacute;gua e protegem as costas de ondas, furac&otilde;es, e da natural eros&atilde;o marinha. Em seu crescimento podem absorver grandes volumes de di&oacute;xido de carbono. Sua destrui&ccedil;&atilde;o se deve &agrave; urbaniza&ccedil;&atilde;o e &agrave; expans&atilde;o do turismo, em particular o setor hoteleiro. Outros fatores s&atilde;o a fragmenta&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie e os conte&uacute;dos contaminantes &#8211; fertilizantes, pesticidas e esgoto &#8211; que v&atilde;o para rios, riachos e canais que chegam at&eacute; eles.<\/p>\n<p>Nesta regi&atilde;o &quot;h&aacute; dois elementos fundamentais&quot; a se proteger, &quot;a barreira de arrecifes costeiros e os mangues&quot;, afirmou o diretor-executivo do n&atilde;o governamental Fundo Mexicano para a Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza, Lorenzo Rosenzweig. &quot;O melhor neg&oacute;cio para proteger a costa &eacute; proteger os mangues&quot;, destacou em entrevista ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>A entidade participou da cria&ccedil;&atilde;o do Fundo para o Sistema de Arrecifes Mesoamericano, delineado em 2004 para cuidar desses ecossistemas marinhos no M&eacute;xico, Belize, Guatemala e Honduras, e elaborou, entre 2009 e 2012, programas de adapta&ccedil;&atilde;o em quatro complexos naturais do sudeste mexicano, entre eles o Caribe. Os &ecirc;xitos de San Crisanto atra&iacute;ram a aten&ccedil;&atilde;o nacional e internacional. Em 2010, o projeto recebeu do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) o Pr&ecirc;mio Equatorial bianual, e no ano seguinte ganhou o Pr&ecirc;mio Nacional de M&eacute;rito Florestal.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, foi objeto do estudo Camponeses-pescadores de Yucat&aacute;n: uso da biodiversidade e apropria&ccedil;&atilde;o de recursos naturais costeiros, publicado em 2010 por Luis Arias e Salvador Montiel, do Centro de Pesquisas e Estudos Avan&ccedil;ados do Instituto Polit&eacute;cnico Nacional. Esse estudo identificou 144 esp&eacute;cies aproveitadas em San Crisanto e constatou que o ecoturismo se tornava a atividade dominante, por seu sucesso econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>O plano estrat&eacute;gico 2009-2029 do ejido intensificar&aacute; essa tend&ecirc;ncia. &quot;Nos vemos como uma comunidade que vive do turismo&quot;, ressaltou Loria. &quot;Temos que diversificar e elaborar melhor os produtos, para chegar a um mercado de massa&quot;, acrescentou, alertando que, &quot;se o mangue desaparecer, adeus San Crisanto&quot;. Envolverde\/Terram&eacute;rica<\/p>\n<p>* O autor &eacute; correspondente da IPS, enviado especial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sinanch&eacute;, M&eacute;xico,, 05\/03\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- &quot;Aqui n&atilde;o combatemos a pobreza, melhoramos a qualidade de vida&quot;, afirma um integrante da comunidade costeira mexicana que h&aacute; 18 anos estava devastada pelos furac&otilde;es. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/biodiversidade-e-qualidade-de-vida\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-11471","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11471\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}