{"id":11473,"date":"2013-03-05T08:38:17","date_gmt":"2013-03-05T08:38:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11473"},"modified":"2013-03-05T08:38:17","modified_gmt":"2013-03-05T08:38:17","slug":"justia-florestal-pelas-prprias-mos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/justia-florestal-pelas-prprias-mos\/","title":{"rendered":"Justi&ccedil;a florestal pelas pr&oacute;prias m&atilde;os"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 05\/03\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- O choque entre madeireiros e ind&iacute;genas amaz&ocirc;nicos do Brasil que capturaram um carregamento de madeira ilegal pode sofrer uma escalada. Os nativos asseguram que a cabe&ccedil;a de um de seus l&iacute;deres j&aacute; tem pre&ccedil;o.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11473\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/am2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11473\" class=\"size-medium wp-image-11473\" title=\"Integrantes do povo pukobj&ecirc;-gavi&atilde;o em Governador, sua terra ind\u00c3\u00adgena. - Gilderlan Rodrigues\/Cortesia Cimi\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/am2.jpg\" alt=\"Integrantes do povo pukobj&ecirc;-gavi&atilde;o em Governador, sua terra ind\u00c3\u00adgena. - Gilderlan Rodrigues\/Cortesia Cimi\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11473\" class=\"wp-caption-text\">Integrantes do povo pukobj&ecirc;-gavi&atilde;o em Governador, sua terra ind\u00c3\u00adgena. - Gilderlan Rodrigues\/Cortesia Cimi<\/p><\/div>  Uma comunidade ind&iacute;gena brasileira decidiu fazer cumprir a lei com suas pr&oacute;prias m&atilde;os, ao enfrentar madeireiros ilegais que entram em suas terras em busca de valiosas madeiras. Uma nova modalidade de corte se concentra em terras ind&iacute;genas, ricas em esp&eacute;cies madeireiras e cuja popula&ccedil;&atilde;o se torna alvo de madeireiros ilegais, que apelam tanto para o suborno quanto para a amea&ccedil;a.<\/p>\n<p>O epis&oacute;dio mais recente aconteceu no final de janeiro, na terra ind&iacute;gena Governador, no sudoeste do Maranh&atilde;o, perto da cidade de Amarante e a 900 quil&ocirc;metros da capital S&atilde;o Lu&iacute;s. Nesse lugar que marca o limite da Amaz&ocirc;nia oriental, nativos do povo pukobj&ecirc;-gavi&atilde;o confiscaram quatro caminh&otilde;es e um trator com quase 20 metros c&uacute;bicos de troncos de ip&ecirc;-amarelo (Tabebuia chrysotricha) e sapucaia (&aacute;rvore do g&ecirc;nero Lecythis).<\/p>\n<p>&quot;Cansamos de denunciar e ent&atilde;o decidimos tomar nossas provid&ecirc;ncias. V&iacute;amos os caminh&otilde;es dentro da reserva. O que aconteceria se n&atilde;o fiz&eacute;ssemos nada?&quot;, perguntou o cacique Evandro Gavi&atilde;o, da aldeia Governador, uma das seis tribos pukobj&ecirc;-gavi&atilde;o dessa terra ind&iacute;gena. O jovem l&iacute;der de 24 anos conversou por telefone com o Terram&eacute;rica enquanto estava reunido com chefes de outras aldeias para discutir um plano de monitoramento e prote&ccedil;&atilde;o da reserva.<\/p>\n<p>Segundo Gavi&atilde;o, a comunidade havia denunciado em 2009 o desmatamento em suas terras, que incluam uma &aacute;rea de transi&ccedil;&atilde;o entre a Amaz&ocirc;nia e o bioma Cerrado e, por isso, s&atilde;o ricas em esp&eacute;cies como ip&ecirc;-amarelo e sapucaia, aroeira (Schinus terebinthifolius), copa&iacute;ba (Copaifera sp.) e cerejeira (g&ecirc;nero Amburana). &quot;Mas as &aacute;rvores est&atilde;o acabando&quot;, lamentou.<\/p>\n<p>Segundo o cap&iacute;tulo brasileiro do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a extra&ccedil;&atilde;o ilegal de madeira est&aacute; intimamente ligada &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de estradas e aos movimentos migrat&oacute;rios. O acesso vi&aacute;rio facilita o ingresso na floresta.<\/p>\n<p>Entre setembro e novembro de 2012, a Interpol prendeu 200 pessoas em 12 pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, na primeira opera&ccedil;&atilde;o internacional contra o desmatamento e o com&eacute;rcio ilegal de madeira. A opera&ccedil;&atilde;o aconteceu no Brasil, Bol&iacute;via, Chile, Col&ocirc;mbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, Paraguai, Peru, Rep&uacute;blica Dominicana e Venezuela, e foram apreendidos 50 mil metros c&uacute;bicos de madeira avaliados em US$ 8 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>Na terra ind&iacute;gena de Governador, seus habitantes reclamam a presen&ccedil;a da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e da Pol&iacute;cia Federal para garantir a seguran&ccedil;a de mil pessoas distribu&iacute;das em seis aldeias.<\/p>\n<p>&quot;O que fizemos foi perigoso, mas foi a &uacute;nica forma de chamar a aten&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os respons&aacute;veis&quot;, explicou Gavi&atilde;o. Desde o confisco dos caminh&otilde;es, a retirada ilegal de madeira n&atilde;o parou, mas mudou de rota. &quot;A sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; que pode piorar e que as amea&ccedil;as que sofremos continuar&atilde;o. Sabemos que j&aacute; est&atilde;o negociando a cabe&ccedil;a do cacique da aldeia Nova em R$ 30 mil para mat&aacute;-lo. Mas o povo gavi&atilde;o n&atilde;o vai parar&quot;, afirmou o cacique.<\/p>\n<p>Os ind&iacute;genas atribuem o aumento de amea&ccedil;as e press&otilde;es &agrave; redefini&ccedil;&atilde;o dos limites da reserva. A terra ind&iacute;gena Governador est&aacute; em processo de uma nova demarca&ccedil;&atilde;o desde 1999, ap&oacute;s ser homologada em 1980. Os limites de usufruto tradicional dos ind&iacute;genas n&atilde;o foram respeitados, e estes precisam sair de seu territ&oacute;rio para ter acesso a recursos naturais para sua alimenta&ccedil;&atilde;o e seus rituais, explicou ao Terram&eacute;rica Rosimeire Diniz, do Conselho Indigenista Mission&aacute;rio (Cimi), da Igreja Cat&oacute;lica, do Maranh&atilde;o.<\/p>\n<p>Partes do territ&oacute;rio antes usado pelos pukobj&ecirc;-gavi&atilde;o ficaram fora da demarca&ccedil;&atilde;o e foram ocupadas por fazendeiros. Durante anos ind&iacute;genas tiveram &quot;uma rela&ccedil;&atilde;o mais ou menos amistosa&quot; com esses pecuaristas, mas quando pediram uma revis&atilde;o dos limites os conflitos e a viol&ecirc;ncia se exacerbaram, pontuou Diniz. A terra ind&iacute;gena Governador tem 42 mil hectares e a nova demarca&ccedil;&atilde;o pode ampli&aacute;-la at&eacute; 80 mil. Segundo Evandro Gavi&atilde;o, a &aacute;rea atual n&atilde;o &eacute; &quot;suficiente&quot;, pois foi determinada pelo regime militar da &eacute;poca &quot;&agrave;s pressas&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Os lugares onde nossos antepassados pescavam e ca&ccedil;avam est&atilde;o fora da terra ind&iacute;gena. N&atilde;o consultaram os ind&iacute;genas para saber onde pescavam onde ca&ccedil;avam, onde colhiam. Por isso pedimos a revis&atilde;o. Sabemos que pode demorar muito tempo, mas temos uma responsabilidade com nosso povo. Por isso estamos lutando&quot;, destacou Gavi&atilde;o.<\/p>\n<p>Pelo menos desde a d&eacute;cada de 1980, acontece o desmatamento ilegal em terras origin&aacute;rias, mas antes ocorria sem conhecimento de seus habitantes. &quot;Agora &eacute; muito mais vis&iacute;vel. Por meio do suborno, os madeireiros transferem a autoria do crime ambiental aos ind&iacute;genas. A situa&ccedil;&atilde;o era insustent&aacute;vel, os nativos decidiram realizar uma a&ccedil;&atilde;o para se proteger. O corte de &aacute;rvores era t&atilde;o vis&iacute;vel que os caminh&otilde;es passavam por dentro das aldeias&quot;, afirmou Diniz.<\/p>\n<p>F&aacute;bio Teixeira, delegado da Pol&iacute;cia Federal da cidade de Imperatriz, a segunda maior do Maranh&atilde;o, a cem quil&ocirc;metros de Governador, disse ao Terram&eacute;rica que ao longo dos anos s&oacute; madeireiros migraram para essa parte da reserva e atualmente existem ali pelo menos sete grandes serrarias. &quot;Desmatamento sempre houve, mas era pontual. Depois de uma grande opera&ccedil;&atilde;o de combate em outras localidades, muitos madeireiros se mudaram para Governador&quot;, detalhou.<\/p>\n<p>Teixeira tamb&eacute;m admitiu que a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; &quot;muito conflitante&quot; entre ind&iacute;genas e fazendeiros e madeireiros que est&atilde;o se unindo contra eles. O delegado contou que, no incidente dos caminh&otilde;es, a pr&oacute;pria popula&ccedil;&atilde;o do pequeno munic&iacute;pio de Amarante, a apenas 20 minutos de autom&oacute;vel de Governador, fez uma barricada com fogo e pedras na estrada para bloquear o acesso dos ind&iacute;genas &agrave; cidade, e a seguran&ccedil;a foi refor&ccedil;ada com 20 agentes federais e 30 policiais militares.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o sabia que a cidade estava t&atilde;o comprometida com a explora&ccedil;&atilde;o ilegal&quot;, reconheceu Teixeira. &quot;Sua economia se sustenta na madeira e na atividade pecu&aacute;ria. O pr&oacute;prio poder municipal est&aacute; implicado. N&atilde;o posso dar detalhes de nossas opera&ccedil;&otilde;es, mas a fiscaliza&ccedil;&atilde;o ser&aacute; intensificada&quot;, assegurou.<\/p>\n<p>Para Teixeira, a a&ccedil;&atilde;o dos ind&iacute;genas foi &quot;um ato de desespero&quot; que pode terminar em &quot;um banho de sangue&quot;. A partir de ent&atilde;o, &quot;os orientamos a registrar com fotos o que considerarem a&ccedil;&otilde;es ilegais dentro da reserva, pois servir&atilde;o como material de investiga&ccedil;&atilde;o&quot;, enfatizou. Envolverde\/Terram&eacute;rica<\/p>\n<p>* A autora &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 05\/03\/2013 &ndash; (Terram&eacute;rica).- O choque entre madeireiros e ind&iacute;genas amaz&ocirc;nicos do Brasil que capturaram um carregamento de madeira ilegal pode sofrer uma escalada. Os nativos asseguram que a cabe&ccedil;a de um de seus l&iacute;deres j&aacute; tem pre&ccedil;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/justia-florestal-pelas-prprias-mos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-11473","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11473"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11473\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}