{"id":11475,"date":"2013-03-05T09:31:46","date_gmt":"2013-03-05T09:31:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11475"},"modified":"2013-03-05T09:31:46","modified_gmt":"2013-03-05T09:31:46","slug":"mulheres-lutam-por-um-espao-poltico-no-pacfico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/direitos-humanos\/mulheres-lutam-por-um-espao-poltico-no-pacfico\/","title":{"rendered":"Mulheres lutam por um espa&ccedil;o pol&iacute;tico no Pac&iacute;fico"},"content":{"rendered":"<p>Sydney, Austr&aacute;lia, 05\/03\/2013 &ndash; O desafio de conseguir a igualdade de g&ecirc;nero nos pa&iacute;ses insulares do Oceano Pac&iacute;fico &eacute; enorme para as mulheres, que ocupam apenas 3% das cadeiras parlamentares.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11475\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Fiame.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11475\" class=\"size-medium wp-image-11475\" title=\"Fiame Naomi Mata&quot;\u2122afa, - Catherine Wilson\/IPS.\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Fiame.jpg\" alt=\"Fiame Naomi Mata&quot;\u2122afa, - Catherine Wilson\/IPS.\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11475\" class=\"wp-caption-text\">Fiame Naomi Mata&quot;\u2122afa, - Catherine Wilson\/IPS.<\/p><\/div>  Isto est&aacute; muito abaixo dos 20% da &Aacute;frica subsaariana e dos 18,5% do sudeste asi&aacute;tico. Ap&oacute;s o primeiro F&oacute;rum de Mulheres Parlamentares do Pac&iacute;fico, organizado pelo governo australiano em Sydney em fevereiro, Fiame Naomi Mata&#39;afa conversou com a IPS sobre os desafios de ocupar um cargo pol&iacute;tico e algumas das medidas buscadas para direcionar as severas desigualdades.<\/p>\n<p>Fiame &eacute; a legisladora com mais anos no parlamento na regi&atilde;o do Pac&iacute;fico. Chegou pela primeira vez &agrave; assembleia legislativa de Samoa em 1985. Este pa&iacute;s da Polin&eacute;sia foi o primeiro da regi&atilde;o a obter sua independ&ecirc;ncia, em 1962. Ela &eacute; uma &quot;matai&quot; (grande chefe), como seu pai, Fiame Mata&#39;afa Faumuina Mulinu&#39;u II, o primeiro a ocupar o cargo de primeiro-ministro de Samoa.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de representar o eleitorado de Lotofaga, no distrito de Atua, na ilha mais populosa, Upolu, Fiame foi ministra da Educa&ccedil;&atilde;o, de Mulheres e de Desenvolvimento Social e Comunit&aacute;rio, e atualmente est&aacute; &agrave; frente da pasta de Justi&ccedil;a e Administra&ccedil;&atilde;o de Tribunais. Ela esteve entre as 40 parlamentares das ilhas do Pac&iacute;fico e da Austr&aacute;lia que participaram da primeira consulta regional do Programa de Mulheres Parlamentares do Pac&iacute;fico. Outras figuras destacadas foram Selina Napa, da oposi&ccedil;&atilde;o em Ilhas Cook; Delilah Gore e Julie Soso Akeke, de Papua Nova Guin&eacute;.<\/p>\n<p> Parte do objetivo da iniciativa Mulheres do Pac&iacute;fico Desenhando o Desenvolvimento do Pac&iacute;fico, apoiada pela AusAid (ag&ecirc;ncia australiana para o desenvolvimento internacional), &eacute; aumentar as capacidades e habilidades profissionais das dirigentes pol&iacute;ticas da regi&atilde;o. &quot;&Eacute; um bom ponto de partida para dizer sim, n&oacute;s levamos isto a s&eacute;rio&quot;, ressaltou Fiame &agrave; IPS.<\/p>\n<p>&quot;Temos bem claro o tipo de enfoque que pode ser adotado. H&aacute; um site que pode ajudar com o desenvolvimento de uma rede de mulheres que permita o interc&acirc;mbio de informa&ccedil;&atilde;o e habilite o contato direto entre as integrantes, bem como a assist&ecirc;ncia &agrave; pesquisa em quest&otilde;es parlamentares e enfoques pol&iacute;ticos&quot;, acrescentou a legisladora. &quot;Nunca se pode fugir da capacita&ccedil;&atilde;o para ser candidata. No come&ccedil;o, sempre &eacute; necess&aacute;rio observar para identificar as lideran&ccedil;as, especialmente se a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; que sejam mais, bem como as oportunidades de forma&ccedil;&atilde;o que ter&atilde;o &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o&quot;, destacou.<\/p>\n<p>O terceiro dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, sobre promo&ccedil;&atilde;o dos direitos das mulheres, e a Plataforma do Pac&iacute;fico para a A&ccedil;&atilde;o, para o Avan&ccedil;o das Mulheres e a Igualdade de G&ecirc;nero, promovem o objetivo de que elas ocupem 30% dos cargos de decis&atilde;o. Em Samoa as mulheres ocupam 4,1% das cadeiras no Legislativo, com apenas duas parlamentares, em Ilhas Marshall, 3%, em Papua Nova Guin&eacute;, 2,7%, e em Vanuatu n&atilde;o h&aacute; nenhuma legisladora. Apesar disso, houve uma leve melhora, pois ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es do ano passado entraram tr&ecirc;s mulheres no parlamento de Palau, uma em Ilhas Salom&atilde;o e tr&ecirc;s em Papua Nova Guin&eacute;.<\/p>\n<p>H&aacute; muitas raz&otilde;es para explicar a persistente disparidade de g&ecirc;nero nesta regi&atilde;o, como a cultura patriarcal tradicional, a hist&oacute;rica influ&ecirc;ncia das administra&ccedil;&otilde;es coloniais dominadas por homens, a corrup&ccedil;&atilde;o e a falta de reformas nos partidos pol&iacute;ticos, bem como a escassez de recursos econ&ocirc;micos e de habilidade para fazer campanha. A desigualdade &eacute; um problema reconhecido por numerosos dirigentes regionais, o que faz surgir a d&uacute;vida quanto ao motivo de se conseguir avan&ccedil;os t&atilde;o pequenos.<\/p>\n<p>&quot;Creio que se deve &agrave;s op&ccedil;&otilde;es que fazem as mulheres. A pol&iacute;tica nem sempre &eacute; vista de forma positiva&quot;, observou Fiame. &quot;Muitas sentem que n&atilde;o &eacute; seu lugar, que n&atilde;o necessariamente lhes agrada a forma como s&atilde;o feitas as coisas, por isso algu&eacute;m pode perguntar: por que n&atilde;o participa e ajuda a mudar?&quot;, acrescentou. Nas elei&ccedil;&otilde;es de Samoa em 2011, houve nove mulheres entre os 158 candidatos.<\/p>\n<p>&quot;O desenvolvimento econ&ocirc;mico gera mais op&ccedil;&otilde;es, mas nos pa&iacute;ses em desenvolvimento os pap&eacute;is tradicionais de g&ecirc;nero est&atilde;o muito arraigados&quot;, pontuou Fiame. &quot;Em muitos pa&iacute;ses do Pac&iacute;fico, os governos n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es para se ocupar, nem oferecer uma prote&ccedil;&atilde;o social para toda a popula&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, as pessoas costumam considerar que sua seguran&ccedil;a se encontra nas redes sociais e culturais tradicionais&quot;, explicou.<\/p>\n<p>Ao ficar independente, a popula&ccedil;&atilde;o de Samoa decidiu por referendo manter o &quot;Fa&#39;a matai&quot;, tradicional sistema de governo em que &quot;matais&quot;, ou chefes eleitos, t&ecirc;m a responsabilidade de cuidar dos assuntos e das terras consuetudin&aacute;rias das fam&iacute;lias extensas. &quot;N&atilde;o temos uma sucess&atilde;o autom&aacute;tica. Quando o chefe morre, a fam&iacute;lia extensa se re&uacute;ne e decide quem ser&aacute; o sucessor. &Eacute; muito democr&aacute;tico, mas tamb&eacute;m &eacute; um processo pol&iacute;tico&quot;, detalhou Fiame. N&atilde;o havendo consenso, o Tribunal de T&iacute;tulos e Terras arbitra a decis&atilde;o.<\/p>\n<p>A Assembleia Legislativa tem 49 cadeiras, das quais 47 s&atilde;o reservadas para os e as &quot;matais&quot; e duas para os representantes das outras comunidades do pa&iacute;s. &quot;No contexto de Samoa, as mulheres t&ecirc;m o direito de serem chefes&quot;, contou Fiame. Embora as mulheres constituam 48% da popula&ccedil;&atilde;o, o censo de 2011 mostrou que 89% dos &quot;matais&quot; eram homens.<\/p>\n<p>Por outro lado, se conseguiu a igualdade de g&ecirc;nero em todos os n&iacute;veis de ensino. A educa&ccedil;&atilde;o como forma de mudar atitudes culturais e sociais e conseguir mais votos para as legisladoras &eacute; um objetivo de longo prazo na regi&atilde;o. Por&eacute;m, medidas especiais tempor&aacute;rias, como um sistema de cotas, podem fazer a diferen&ccedil;a, ainda que as pr&oacute;prias mulheres tenham opini&otilde;es divergentes a respeito.<\/p>\n<p>&quot;Ao conversar com as mulheres que entraram no parlamento, a maioria diz que n&atilde;o &eacute; a favor das medidas tempor&aacute;rias&quot;, afirmou Fiame. &quot;Mas, posso ter perspectiva e dizer que necessitam, porque, se algo n&atilde;o acontece, &eacute; preciso ter a vontade de fazer com que aconte&ccedil;a&quot;, enfatizou. No ano passado, foi apresentada uma reforma constitucional ao parlamento de Samoa, para reservar 10% das cadeiras &agrave;s mulheres, o equivalente a cinco assentos. O projeto &quot;est&aacute; em segunda leitura e, com sorte, ser&aacute; discutido na pr&oacute;xima sess&atilde;o&quot;, informou Fiame.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, ela reconhece que um dos assuntos delicados est&aacute; nos interesses pol&iacute;ticos de seus companheiros homens diante da poss&iacute;vel competi&ccedil;&atilde;o feminina em seu eleitorado. Apesar disso, Fiame realmente acredita ser necess&aacute;rio iniciar um di&aacute;logo s&eacute;rio sobre mulheres e governan&ccedil;a no pa&iacute;s para desafiar a mentalidade tradicional.<\/p>\n<p>Enquanto isso, &eacute; preciso ver o que acontecer&aacute; nas elei&ccedil;&otilde;es nacionais este ano em Nauru e nos Estados Federados da Micron&eacute;sia, bem como os avan&ccedil;os em Fiji para elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas em 2014, todas estas na&ccedil;&otilde;es sem mulheres nos c&iacute;rculos de poder. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sydney, Austr&aacute;lia, 05\/03\/2013 &ndash; O desafio de conseguir a igualdade de g&ecirc;nero nos pa&iacute;ses insulares do Oceano Pac&iacute;fico &eacute; enorme para as mulheres, que ocupam apenas 3% das cadeiras parlamentares. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/direitos-humanos\/mulheres-lutam-por-um-espao-poltico-no-pacfico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":604,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[17,21,24],"class_list":["post-11475","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11475","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/604"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11475\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}