{"id":11479,"date":"2013-03-05T09:43:02","date_gmt":"2013-03-05T09:43:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11479"},"modified":"2013-03-05T09:43:02","modified_gmt":"2013-03-05T09:43:02","slug":"a-gua-a-beno-e-a-maldio-de-moambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/africa\/a-gua-a-beno-e-a-maldio-de-moambique\/","title":{"rendered":"A &aacute;gua &eacute; a ben&ccedil;&atilde;o e a maldi&ccedil;&atilde;o de Mo&ccedil;ambique"},"content":{"rendered":"<p>Maputo, Mo&ccedil;ambique, 05\/03\/2013 &ndash; Enquanto Mo&ccedil;ambique tenta se recuperar das piores inunda&ccedil;&otilde;es sofridas desde 2000, especialistas prop&otilde;em uma discuss&atilde;o nacional sobre a administra&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua e como maximizar seu uso a favor de um desenvolvimento sustent&aacute;vel.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11479\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/agua.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11479\" class=\"size-medium wp-image-11479\" title=\"Os sistemas de drenagem de Maputo n&atilde;o resistem aos transbordamentos causados pelas chuvas e inunda&ccedil;&otilde;es. - Johannes Myburgh\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/agua.jpg\" alt=\"Os sistemas de drenagem de Maputo n&atilde;o resistem aos transbordamentos causados pelas chuvas e inunda&ccedil;&otilde;es. - Johannes Myburgh\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11479\" class=\"wp-caption-text\">Os sistemas de drenagem de Maputo n&atilde;o resistem aos transbordamentos causados pelas chuvas e inunda&ccedil;&otilde;es. - Johannes Myburgh\/IPS<\/p><\/div>  &quot;V&aacute;rios rios da regi&atilde;o confluem em Mo&ccedil;ambique, mas ainda falta muito para maximizar esse potencial em favor do desenvolvimento nacional&quot;, disse &agrave; IPS Patr&iacute;cio Jos&eacute;, membro da divis&atilde;o de &Aacute;gua da organiza&ccedil;&atilde;o intergovernamental Comunidade para o Desenvolvimento da &Aacute;frica Austral.<\/p>\n<p>Cerca de 54% dos recursos h&iacute;dricos superficiais de Mo&ccedil;ambique t&ecirc;m sua fonte no estrangeiro e, devido &agrave; sua localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, o pa&iacute;s sempre foi vulner&aacute;vel a desastres naturais, particularmente inunda&ccedil;&otilde;es, segundo a rede de organiza&ccedil;&otilde;es Associa&ccedil;&atilde;o Mundial para a &Aacute;gua. &quot;Nos &uacute;ltimos anos, vimos que a &aacute;gua trouxe mais destrui&ccedil;&atilde;o do que benef&iacute;cios. E o pa&iacute;s tem o desafio de fazer mais para conseguir um desenvolvimento&quot; impulsionado pelo uso desse recurso, afirmou Jos&eacute;.<\/p>\n<p>Em Mo&ccedil;ambique a &aacute;gua &eacute; tanto uma ben&ccedil;&atilde;o quanto uma maldi&ccedil;&atilde;o. Em 2000, severas inunda&ccedil;&otilde;es afetaram 2,5 milh&otilde;es de pessoas, e nos &uacute;ltimos meses transbordaram os rios Limpopo, Save e Inkomati, devido a fortes chuvas em pa&iacute;ses vizinhos, como &Aacute;frica do Sul e Zimb&aacute;bue. Desde outubro de 2012, aproximadamente 114 pessoas morreram e outras 250 mil foram prejudicadas.<\/p>\n<p>Maria Filda, de 17 anos, &eacute; uma das afetadas. As inunda&ccedil;&otilde;es destru&iacute;ram sua casa no dia 13 de janeiro, um dia ap&oacute;s nascer sua filha. &quot;O barulho da chuva batendo no teto de zinco era muito forte. Vi que parte da parede caiu e entrei em p&acirc;nico. Peguei minha filha nos bra&ccedil;os e corri para a sala. Pouco depois meu quarto tamb&eacute;m desabou&quot;, contou &agrave; IPS. A jovem perdeu tudo o que tinha, incluindo as roupas novas da rec&eacute;m-nascida. Agora ela vive na escola comunit&aacute;ria de For&ccedil;a do Povo, no sub&uacute;rbio Hulene, a cinco quil&ocirc;metros de Maputo.<\/p>\n<p>Como muitas outras pessoas no pa&iacute;s, Filda tenta reconstruir sua vida. O Instituto Nacional para Manejo de Desastres evacuou milhares de pessoas das prov&iacute;ncias mais afetadas, Maputo e Gaza, ao sul, instalando 16 abrigos e fornecendo alimentos, cobertores, &aacute;gua e medicamentos nas comunidades locais. O maior n&uacute;mero de afetados est&aacute; em Chihaquelane, na prov&iacute;ncia de Gaza, onde os abrigos est&atilde;o lotados, com quase cem mil pessoas no total.<\/p>\n<p>A destrui&ccedil;&atilde;o causada pelas inunda&ccedil;&otilde;es &eacute; uma clara demonstra&ccedil;&atilde;o da m&aacute; infraestrutura e da neglig&ecirc;ncia na manuten&ccedil;&atilde;o das represas, advertiu Jos&eacute;. &quot;O pa&iacute;s tem poucas represas, e a maioria n&atilde;o est&aacute; operando ou funciona mal. Este &eacute; um dos problemas. A infreaestrutura n&atilde;o funciona adequadamente para desviar a &aacute;gua e conter os transbordamentos dos rios. Devemos melhorar seu funcionamento&quot;, destacou.<\/p>\n<p>As inunda&ccedil;&otilde;es podem dar uma ideia errada de que a falta de &aacute;gua n&atilde;o &eacute; um problema para Mo&ccedil;ambique. Segundo o Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a disponibilidade de &aacute;gua pot&aacute;vel deste pa&iacute;s diminuir&aacute; pelo menos pela metade at&eacute; 2025. Isto leva muitos especialistas a questionarem a viabilidade dos projetos florestais em andamento.<\/p>\n<p>O governo entregou 350 mil hectares na prov&iacute;ncia de Niassa, ao norte, a investidores estrangeiros, com a esperan&ccedil;a de converter este pa&iacute;s em um dos principais fornecedores de pinheiro e eucalipto para fins comerciais. Estes projetos j&aacute; motivaram den&uacute;ncias de apropria&ccedil;&atilde;o de terras e deslocamento de comunidades, mas agora numerosos especialistas tamb&eacute;m se preocupam com a possibilidade de se esgotar uma significativa por&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos do pa&iacute;s. O eucalipto, por exemplo, necessita de 800 a 1.200 mililitros de &aacute;gua por ano para crescer.<\/p>\n<p>Embora haja uma consider&aacute;vel diferen&ccedil;a na quantidade de chuvas entre as diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO) calcula que estas sejam de 800 a mil mililitros na costa e entre mil e dois mil no norte. O especialista em temas de &aacute;gua, &Aacute;lvaro Carmo Vaz, n&atilde;o tem d&uacute;vidas de que os projetos florestais afetar&atilde;o o equil&iacute;brio h&iacute;drico em Niassa. &quot;Se ali forem plantadas esp&eacute;cies como pinheiro e eucalipto, que t&ecirc;m grande capacidade de absor&ccedil;&atilde;o, haver&aacute; menos &aacute;gua fluindo para os rios&quot;, disse &agrave; IPS. E pediu um exame detalhado dos efeitos dos projetos e medidas diante de uma poss&iacute;vel diminui&ccedil;&atilde;o da disponibilidade de &aacute;gua pot&aacute;vel.<\/p>\n<p>&quot;A &aacute;gua deve ser um tema crucial no futuro&quot;, afirmou &agrave; IPS o professor-assistente de irriga&ccedil;&atilde;o e drenagem na Universidade Eduardo Mondlane de Maputo, Rui Miguel Ribeiro. &quot;Vendo o caso espec&iacute;fico da prov&iacute;ncia de Niassa, obviamente os projetos podem mudar o equil&iacute;brio h&iacute;drico&quot;, observou, lembrando que deveriam ser feitos estudos para confirm&aacute;-lo. No entanto, Charles Mchomboh, chefe de projetos da Chikweti Forests, companhia &agrave; qual o governo concedeu cem mil hectares de terra em Niassa, disse &agrave; IPS que n&atilde;o h&aacute; motivo para preocupa&ccedil;&atilde;o. Esta empresa, uma das seis em atividade nessa prov&iacute;ncia, prev&ecirc; plantar sete milh&otilde;es de &aacute;rvores por ano. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maputo, Mo&ccedil;ambique, 05\/03\/2013 &ndash; Enquanto Mo&ccedil;ambique tenta se recuperar das piores inunda&ccedil;&otilde;es sofridas desde 2000, especialistas prop&otilde;em uma discuss&atilde;o nacional sobre a administra&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua e como maximizar seu uso a favor de um desenvolvimento sustent&aacute;vel. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/africa\/a-gua-a-beno-e-a-maldio-de-moambique\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1429,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5],"tags":[],"class_list":["post-11479","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1429"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11479"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11479\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}