{"id":1148,"date":"2005-10-28T00:00:00","date_gmt":"2005-10-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1148"},"modified":"2005-10-28T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-28T00:00:00","slug":"ndia-do-desarmamento-nuclear-no-proliferao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/ndia-do-desarmamento-nuclear-no-proliferao\/","title":{"rendered":"&Iacute;ndia: Do desarmamento nuclear &agrave; n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 28\/10\/2005 &ndash; Sete anos depois de a &Iacute;ndia conseguir um lugar, &agrave;s cotoveladas, entre os possuidores de armas nucleares, este pa&iacute;s abandonou sua posi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica em favor do desarmamento nuclear e aderiu &agrave; n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o. O secret&aacute;rio de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores do governo, Shyam Saran, anunciou a orienta&ccedil;&atilde;o da nova doutrina: a &Iacute;ndia &quot;se somar&aacute; ao novo consenso global de n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear&quot;. Esta nova postura tem correspond&ecirc;ncia com o acordo estrat&eacute;gico em mat&eacute;ria nuclear que Nova D&eacute;lhi assinou com os Estados Unidos, em julho passado. De agora em diante, se a &Iacute;ndia afirmar ter um compromisso com a aboli&ccedil;&atilde;o universal das armas nucleares, ser&atilde;o palavras vazias de conte&uacute;do.<br \/> <!--more--> <br \/> A meta tradicional de desarmamento nuclear teve seu sepultamento menos de 18 meses depois da posse do novo primeiro-ministro, Manmohan Singh, que na oportunidade jurou assumir &quot;um papel de lideran&ccedil;a&quot; na luta pela elimina&ccedil;&atilde;o total dessas armas no mundo. Na segunda-feira, ao anunciar a mudan&ccedil;a de pol&iacute;tica, Saran expressou uma posi&ccedil;&atilde;o dura em rela&ccedil;&atilde;o ao programa nuclear iraniano, no qual parecia pr&eacute;-anunciar o voto da &Iacute;ndia na pr&oacute;xima reuni&atilde;o, em Viena, da Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica (AIEA), no pr&oacute;ximo m&ecirc;s. Esta ag&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas examinar&aacute; nessa ocasi&atilde;o, por iniciativa de pa&iacute;ses ocidentais, se envia a an&aacute;lise do programa de energia nuclear do Ir&atilde; para o Conselho de Seguran&ccedil;a, que poderia determinar san&ccedil;&otilde;es ao pa&iacute;s isl&acirc;mico.<\/p>\n<p> Em setembro, a &Iacute;ndia surpreendeu seu pr&oacute;prio povo e o Movimento de Pa&iacute;ses N&atilde;o-Alinhados, do qual &eacute; um dos l&iacute;deres, ao apoiar no Conselho de Seguran&ccedil;a uma resolu&ccedil;&atilde;o que acusa o Ir&atilde; de n&atilde;o cumprir os estatutos da AIEA nem do Tratado de N&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o de Armas Nucleares (TNP). Por outro lado, Saran acusou o Paquist&atilde;o de fornecer material nuclear ao Ir&atilde; e pediu uma investiga&ccedil;&atilde;o do papel de A. Q. Khan, &quot;o pai da bomba at&ocirc;mica paquistanesa&quot;, nessas opera&ccedil;&otilde;es. At&eacute; agora, Nova D&eacute;lhi mantivera discreto sil&ecirc;ncio sobre as suspeitas que cercaram os neg&oacute;cios de material nuclear nos quais Khan esteve envolvido.<\/p>\n<p> Desde janeiro de 2004, a &Iacute;ndia tamb&eacute;m tentava melhorar a rela&ccedil;&atilde;o com o Paquist&atilde;o, seu vizinho e tradicional advers&aacute;rio, com o qual travou tr&ecirc;s guerras desde a cria&ccedil;&atilde;o dos dois pa&iacute;ses, em 1947, e que tamb&eacute;m possui armas nucleares. &quot;Agora, se v&ecirc; claramente o verdadeiro significado do acordo firmado entre &Iacute;ndia e Estados Unidos em julho&quot;, disse o especialista Kamal Mitra Chenoy, da Faculdade de Estudos Internacionais da Universidade Jawaharlal Nehru em Nova D&eacute;lhi. &quot;O acordo declara a &Iacute;ndia um Estado nuclear &quot;respons&aacute;vel&quot;, a admite no pequeno &quot;clube nuclear&quot; e, em um gesto excepcional e sem precedentes, a exime de cumprir as regras sobre com&eacute;rcio civil de material nuclear&quot;, explicou Chenou &agrave; IPS.<\/p>\n<p> Entretanto, esse tratado ainda deve passar por um &aacute;rduo processo de ratifica&ccedil;&atilde;o no Congresso norte-americano e no Grupo de Provedores Nucleares, organiza&ccedil;&atilde;o da qual 45 pa&iacute;ses s&atilde;o membros. O mantra da n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o, que a &Iacute;ndia entoa com dedica&ccedil;&atilde;o, tem a inten&ccedil;&atilde;o de persuadir os congressistas dos Estados Unidos a ratificarem o tratado. &quot;Nova D&eacute;lhi deve pagar o pre&ccedil;o do acordo com Washington sacrificando sua pol&iacute;tica independente e seu papel hist&oacute;rico de ap&oacute;stolo da paz e do desarmamento nuclear&quot;, disse Chenoy. Est&aacute; claro, segundo se depreende de recentes audi&ecirc;ncias no Congresso dos Estados Unidos, que o governo desse pa&iacute;s quer a ratifica&ccedil;&atilde;o da &quot;boa conduta&quot; da &Iacute;ndia, isto &eacute;, que mantenha uma atitude &quot;respons&aacute;vel&quot; e colabore com seu prop&oacute;sito de isolar o Ir&atilde;.<\/p>\n<p> Legisladores norte-americanos advertiram Nova D&eacute;lhi que dever&aacute; escolher entre &quot;o Ir&atilde; dos aiatol&aacute;s&quot;, com seu g&aacute;s e seu petr&oacute;leo, e &quot;o Ocidente democr&aacute;tico&quot;, com sua avan&ccedil;ada tecnologia e seu poderio nuclear. Isto vem ao caso porque a &Iacute;ndia negocia com o Ir&atilde; o tra&ccedil;ado de um gasoduto que passa pelo Paquist&atilde;o, com o qual garantir&aacute; o fornecimento a baixo custo. Mas os Estados Unidos se op&otilde;em a esse acordo. Depois do voto da &Iacute;ndia em Viena, a constru&ccedil;&atilde;o do gasoduto pareceu estar em perigo. Depois das declara&ccedil;&otilde;es de Saran, seguramente ficou em nada. O funcion&aacute;rio disse que a &Iacute;ndia foi bem mais al&eacute;m de exigir uma maior transpar&ecirc;ncia e uma descri&ccedil;&atilde;o detalhada das atividades nucleares do Ir&atilde; no passado, inclu&iacute;dos suas primeiras tentativas de enriquecimento de ur&acirc;nio, cujo produto pode ser utilizado tanto como combust&iacute;vel em reatores nucleares quanto para insumo de armas.<\/p>\n<p> Agora, a &Iacute;ndia diz que &quot;n&atilde;o aceitar&aacute; como leg&iacute;timas as atividades clandestinas que persigam a obten&ccedil;&atilde;o de tecnologias relacionadas ao desenvolvimento de armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa&quot;. O termo &quot;armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa&quot;, entretanto, inclui um amplo espectro, tanto o enriquecimento de ur&acirc;nio como o uso de reatores nucleares para a pesquisa, e que se prestam tanto para fins militares quanto pac&iacute;ficos. Em suas declara&ccedil;&otilde;es, Saran n&atilde;o mencionou o &quot;desarmamento nuclear&quot; uma &uacute;nica vez, mas repetiu a express&atilde;o &quot;n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o&quot; em 25 oportunidades. N&atilde;o se trata de uma simples mudan&ccedil;a de linguagem: significa que a &Iacute;ndia abandonou sua posi&ccedil;&atilde;o a favor do desarmamento nuclear mundial.<\/p>\n<p> O que deseja agora &eacute; evitar que os pa&iacute;ses ainda sem capacidade nuclear possam desenvolv&ecirc;-la. Mas pretende que aqueles j&aacute; que a possuam, como &eacute; seu caso, possam conserv&aacute;-la. Para conseguir isto a &Iacute;ndia defende &quot;normas globais que v&atilde;o al&eacute;m do TNP&quot;. Tudo isto est&aacute; perfeitamente alinhado com as prioridades dos Estados Unidos. Desde 11 de setembro de 2001, Washington rejeita todas as propostas para limitar seu armamento nuclear e mais ainda as iniciativas de desarmamento. Na confer&ecirc;ncia do TNP realizada em maio, Washington manifestou energicamente sua oposi&ccedil;&atilde;o frontal ao desarmamento nuclear. Ao mesmo tempo, redobrou seus esfor&ccedil;os de n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o com medidas agressivas, como interceptar cargas suspeitas em alto mar. Agora a &Iacute;ndia tamb&eacute;m ap&oacute;ia essa linha de a&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> &quot;Isto ser&aacute; interpretado como uma trai&ccedil;&atilde;o da &Iacute;ndia &agrave; sua pr&oacute;pria cultura e tradi&ccedil;&atilde;o, &agrave; sua campanha em favor da paz, &agrave; sua lideran&ccedil;a do Movimento de Pa&iacute;ses N&atilde;o-Alinhados e, inclusive, &agrave; sua pol&iacute;tica externa independente&quot;, disse Aijaz Ahmad, professor do Departamento de Estudos do Sul da &Aacute;sia da Universidade Jamia Millia Islamia de Nova D&eacute;lhi. &quot;Isto dar&aacute; lugar a uma profunda divis&atilde;o nacional. Ser&aacute; imposs&iacute;vel construir um consenso em torno desta desastrosa mudan&ccedil;a de pol&iacute;tica&quot;, acrescentou. A nova orienta&ccedil;&atilde;o do governo indiano a respeito do caso de A. Q. Khan est&aacute; dirigido tanto aos Estados Unidos, que v&ecirc;em em Islamabad um de seus principais aliados na guerra contra o terror, quanto ao Paquist&atilde;o, e quer chamar a aten&ccedil;&atilde;o sobre o papel que pode chegar a ter seu vizinho na prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m procura deixar claro que a &Iacute;ndia ter&aacute; um papel de protagonista e pr&oacute;-ativo na preven&ccedil;&atilde;o da difus&atilde;o das armas nucleares. Tudo isto est&aacute; desenhado para agradar Washington, embora seja duvidoso que derive em uma investiga&ccedil;&atilde;o das atividades de Khan, devido &agrave; alian&ccedil;a entre os Estados Unidos e o Paquist&atilde;o. A nova posi&ccedil;&atilde;o da &Iacute;ndia, tal como expressa Saran, &eacute; que as opera&ccedil;&otilde;es nucleares clandestinas devem ser investigadas tanto do lado da oferta quanto da demanda. &quot;N&atilde;o vemos motivo para se insistir tanto em entrevistar os cientistas iranianos e, ao mesmo tempo, se abre exce&ccedil;&atilde;o com uma pessoa (Khan) acusada de ser respons&aacute;vel de organizar um supermercado at&ocirc;mico mundial, um verdadeiro Wal-Mart nuclear&quot;, disse Saran.<\/p>\n<p> Suspeita-se que Khan forneceu ao Ir&atilde; os componentes das centrifugadoras usadas para enriquecer ur&acirc;nio. Esta escalada ret&oacute;rica pode turvar ainda mais as rela&ccedil;&otilde;es entre &Iacute;ndia e Paquist&atilde;o. De fato, o processo de di&aacute;logo j&aacute; foi paralisado. Os dois pa&iacute;ses tampouco souberam cooperar nas opera&ccedil;&otilde;es de resgate e ajuda humanit&aacute;ria ao longo da Linha de Controle que divide a Caxemira indiana da paquistanesa, depois do terremoto que assolou essa regi&atilde;o do Himalaia h&aacute; duas semanas. Ao entrar na &oacute;rbita dos Estados Unidos, e adotar a n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o em lugar do desarmamento nuclear, a &Iacute;ndia pode acabar colocando em risco a paz e a coopera&ccedil;&atilde;o com o Paquist&atilde;o. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 28\/10\/2005 &ndash; Sete anos depois de a &Iacute;ndia conseguir um lugar, &agrave;s cotoveladas, entre os possuidores de armas nucleares, este pa&iacute;s abandonou sua posi&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica em favor do desarmamento nuclear e aderiu &agrave; n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o. O secret&aacute;rio de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores do governo, Shyam Saran, anunciou a orienta&ccedil;&atilde;o da nova doutrina: a &Iacute;ndia &quot;se somar&aacute; ao novo consenso global de n&atilde;o-prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear&quot;. Esta nova postura tem correspond&ecirc;ncia com o acordo estrat&eacute;gico em mat&eacute;ria nuclear que Nova D&eacute;lhi assinou com os Estados Unidos, em julho passado. De agora em diante, se a &Iacute;ndia afirmar ter um compromisso com a aboli&ccedil;&atilde;o universal das armas nucleares, ser&atilde;o palavras vazias de conte&uacute;do.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/ndia-do-desarmamento-nuclear-no-proliferao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":827,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1148","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1148","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/827"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1148"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1148\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}