{"id":11481,"date":"2013-03-06T08:35:24","date_gmt":"2013-03-06T08:35:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11481"},"modified":"2013-03-06T08:35:24","modified_gmt":"2013-03-06T08:35:24","slug":"julgamento-do-plano-condor-para-reanimar-justia-lenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/julgamento-do-plano-condor-para-reanimar-justia-lenta\/","title":{"rendered":"Julgamento do Plano Condor para reanimar justi&ccedil;a lenta"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 06\/03\/2013 &ndash; O julgamento pela coordena&ccedil;&atilde;o criada pelas ditaduras da Am&eacute;rica do Sul nas d&eacute;cadas de 1970 e 1980 para perseguir e aniquilar opositores come&ccedil;ou ontem em Buenos Aires, com o ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla no banco dos r&eacute;us, junto com outros 24 repressores.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11481\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Manuel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11481\" class=\"size-medium wp-image-11481\" title=\"Manuel Cordero, descoberto em 2009 por um jornalista do Canal 12 do Uruguai quando passeava no Brasil, violando sua pris&atilde;o domiciliar. - Canal 12\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Manuel.jpg\" alt=\"Manuel Cordero, descoberto em 2009 por um jornalista do Canal 12 do Uruguai quando passeava no Brasil, violando sua pris&atilde;o domiciliar. - Canal 12\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11481\" class=\"wp-caption-text\">Manuel Cordero, descoberto em 2009 por um jornalista do Canal 12 do Uruguai quando passeava no Brasil, violando sua pris&atilde;o domiciliar. - Canal 12<\/p><\/div>  O processo est&aacute; centrado na estrat&eacute;gia coordenada dos regimes autorit&aacute;rios de Argentina, Bol&iacute;via, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai, idealizada para sequestrar, trasladar, torturar e assassinar qualquer pessoa que fosse vista como opositora.<\/p>\n<p>Isso inclu&iacute;a guerrilheiros e militantes pol&iacute;ticos, ativistas sindicais, estudantes e religiosos, jornalistas ou mesmo familiares que reclamavam por seus entes queridos. &quot;&Eacute; a primeira vez na Am&eacute;rica Latina que h&aacute; julgamentos pelo Plano Condor, para discutir e perseguir penalmente os respons&aacute;veis, al&eacute;m dos processos que houve em algum pa&iacute;s por casos espec&iacute;ficos&quot;, disse &agrave; IPS a advogada Luz Palmas, da Funda&ccedil;&atilde;o Liga pelos Direitos Humanos (ex-Liga Argentina pelos Direitos do Homem).<\/p>\n<p>O processo tem 25 acusados, entre eles Videla e outros ex-generais, com Reynaldo Bignone e Luciano Benjam&iacute;n Men&eacute;ndez. Tamb&eacute;m foi extraditado pelo Brasil para este julgamento o coronel da reserva uruguaio Manuel Cordero, que a justi&ccedil;a argentina requeria tamb&eacute;m por sua atua&ccedil;&atilde;o no centro clandestino de deten&ccedil;&atilde;o Automotores Orletti, em Buenos Aires. Para tr&ecirc;s acusados com problemas de sa&uacute;de foi determinada a suspens&atilde;o do processo, enquanto outros 15 originalmente imputados j&aacute; morreram.<\/p>\n<p>&quot;Orletti foi uma base operacional do Condor. Os sequestrados estrangeiros eram levados para esse lugar, por isso se decidiu realizar julgamento oral das duas causas juntas&quot;, explicou Palmas, que representa sobreviventes desse centro de deten&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m desaparecidos no contexto do plano repressivo transnacional. O processo, que pode se estender por dois anos, julga a priva&ccedil;&atilde;o ilegal da liberdade de 106 pessoas sequestradas e desaparecidas, na maioria uruguaias (48), mas tamb&eacute;m havendo argentinas, bolivianas, chilenas, paraguaias e uma peruana.<\/p>\n<p>O caso teve in&iacute;cio em 1999, quando ainda vigoravam as leis de ponto final e obedi&ecirc;ncia devida na Argentina, que frearam a atua&ccedil;&atilde;o judicial sobre crimes da &uacute;ltima ditadura (1973-1983). Foi ent&atilde;o utilizada a figura do desaparecimento for&ccedil;ado que, como crime permanente, n&atilde;o podia ser anistiado. Assim prosperou a causa at&eacute; que, em 2005, a Suprema Corte de Justi&ccedil;a declarou inconstitucionais as duas leis, bem como os indultos aos ex-comandantes. Assim, a investiga&ccedil;&atilde;o somou imputados e v&iacute;timas e o caso foi acelerado. O processo tamb&eacute;m busca determinar se houve associa&ccedil;&atilde;o il&iacute;cita.<\/p>\n<p>No caso Orletti, os crimes s&atilde;o &quot;priva&ccedil;&atilde;o ilegal da liberdade e tormentos&quot;. S&atilde;o 65 as v&iacute;timas, e delas h&aacute; v&aacute;rias sobreviventes. Algumas, como a uruguaia Ana In&eacute;s Quadros, j&aacute; depuseram em uma primeira fase do processo, realizada em 2010, contra quatro repressores que pertenciam a servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia argentinos. Quadros contou na &eacute;poca que fora sequestrada em Buenos Aires em julho de 1976 e levada para Orletti, onde Cordero a torturou e a violou. Depois foi transferida para um centro ilegal de deten&ccedil;&atilde;o no Uruguai, e mais tarde acabou solta.<\/p>\n<p>Entretanto, Cordero s&oacute; pode ser julgado por priva&ccedil;&atilde;o ilegal da liberdade no contexto do Plano Condor, e n&atilde;o pelos crimes cometidos em Orletti, isso porque a justi&ccedil;a brasileira n&atilde;o concedeu sua extradi&ccedil;&atilde;o para esta segunda causa. Para Lorena Balardini, coordenadora da &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o do Centro de Estudos Legais e Sociais da Argentina (Cels), este &quot;&eacute; o maior processo j&aacute; realizado at&eacute; agora na regi&atilde;o referente ao Plano Condor e pode servir de impulso para outros pa&iacute;ses que est&atilde;o lentos ou tiveram retrocessos&quot;.<\/p>\n<p>No Uruguai, por exemplo, houve um &quot;retrocesso&quot;, disse Balardini &agrave; IPS se referindo &agrave; decis&atilde;o do Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a desse pa&iacute;s que, em 22 de fevereiro, declarou inconstitucional uma lei que caracterizava como crimes de lesa humanidade, e, portanto, imprescrit&iacute;veis, os crimes cometidos durante a repress&atilde;o ditatorial (1973-1985). &quot;Este julgamento &eacute; uma maneira de tornar vis&iacute;vel estes fatos e julg&aacute;-los sob a &oacute;tica da coordena&ccedil;&atilde;o entre ditadores&quot;, afirmou Balardine. Para isso, o Cels, representante legal de v&aacute;rias v&iacute;timas, centrou sua estrat&eacute;gia em casos exemplares nos quais se prova essa articula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Por exemplo, o argentino Marcelo Gelman &#8211; filho do poeta Juan Gelman &#8211; e sua mulher, Mar&iacute;a Claudia Garc&iacute;a Irureta Goyena, sequestrados em Buenos Aires em 1976 quando ele tinha 20 anos e ela 19 e estava gr&aacute;vida de sete meses. Marcelo foi assassinado e seu corpo encontrado em 1989, mas Mar&iacute;a Claudia foi enviada de Orletti para o Uruguai, onde deu &agrave; luz a Macarena Gelman, que recuperou sua identidade em 2000 aos 23 anos. A m&atilde;e continua desaparecida.<\/p>\n<p>O Cels tamb&eacute;m vai reclamar pelos argentinos Horacio Campiglia e Susana Pinus, sequestrados em 1980 no aeroporto internacional do Gale&atilde;o, no Rio de Janeiro, e supostamente levados para a Argentina, onde desapareceram. No contexto do Plano Condor, houve outros casos de resson&acirc;ncia que foram investigados em causas espec&iacute;ficas, como os assassinatos em Buenos Aires dos legisladores de oposi&ccedil;&atilde;o uruguaios Zelmar Michelini e H&eacute;ctor Guti&eacute;rrez Ruiz, em maio de 1976, e do ex-presidente boliviano Juan Jos&eacute; Torres, cometido dias depois.<\/p>\n<p>Segundo explicou &agrave; IPS a advogada Carolina Varsky, diretora de lit&iacute;gio do Cels, estes crimes n&atilde;o foram integrados ao processo Condor, que foi instru&iacute;do procurando evitar as restri&ccedil;&otilde;es impostas pelas leis de anistia e, por isso, s&oacute; foram citados crimes permanentes, como o desaparecimento for&ccedil;ado. Sobre o papel central dentro do Plano Condor da Dire&ccedil;&atilde;o de Intelig&ecirc;ncia Nacional do Chile (Dina), a pol&iacute;cia secreta do regime do general Augusto Pinochet (1973-1990), Varsky lamentou n&atilde;o ter sido poss&iacute;vel avan&ccedil;ar no julgamento dos autores intermedi&aacute;rios ou diretos da repress&atilde;o.<\/p>\n<p>Para progredir na investiga&ccedil;&atilde;o, foi relevante que o advogado e ativista paraguaio Mart&iacute;n Almada encontrasse, em 1992, os Arquivos do Terror em uma depend&ecirc;ncia policial de Assun&ccedil;&atilde;o, com anota&ccedil;&otilde;es dos movimentos de v&iacute;timas do Condor nos sete pa&iacute;ses. Outra importante prova foram os documentos desclassificados pelo Departamento de Estado norte-americano, em particular um datado de 1976, em que um agente do Escrit&oacute;rio Federal de Investiga&ccedil;&otilde;es (FBI) descrevia as a&ccedil;&otilde;es coordenadas das ditaduras sul-americanas, que podiam chegar &quot;at&eacute; ao assassinato&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 06\/03\/2013 &ndash; O julgamento pela coordena&ccedil;&atilde;o criada pelas ditaduras da Am&eacute;rica do Sul nas d&eacute;cadas de 1970 e 1980 para perseguir e aniquilar opositores come&ccedil;ou ontem em Buenos Aires, com o ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla no banco dos r&eacute;us, junto com outros 24 repressores. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/julgamento-do-plano-condor-para-reanimar-justia-lenta\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,11],"tags":[],"class_list":["post-11481","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11481"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11481\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}