{"id":11484,"date":"2013-03-06T08:40:29","date_gmt":"2013-03-06T08:40:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11484"},"modified":"2013-03-06T08:40:29","modified_gmt":"2013-03-06T08:40:29","slug":"o-empreendimento-social-decola-no-japo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/economia\/o-empreendimento-social-decola-no-japo\/","title":{"rendered":"O empreendimento social decola no Jap&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 06\/03\/2013 &ndash; Ap&oacute;s duas d&eacute;cadas de paralisia econ&ocirc;mica e desastres naturais em s&eacute;rie, cada vez mais japoneses acreditam que o empreendimento social &eacute; a melhor maneira de reconstruir sua sociedade.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11484\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Japao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11484\" class=\"size-medium wp-image-11484\" title=\"Ap&oacute;s duas d&eacute;cadas de crise, cada vez mais japoneses querem fazer neg&oacute;cios para o bem da sociedade e n&atilde;o apenas por dinheiro. - Daan Bauwens\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Japao.jpg\" alt=\"Ap&oacute;s duas d&eacute;cadas de crise, cada vez mais japoneses querem fazer neg&oacute;cios para o bem da sociedade e n&atilde;o apenas por dinheiro. - Daan Bauwens\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11484\" class=\"wp-caption-text\">Ap&oacute;s duas d&eacute;cadas de crise, cada vez mais japoneses querem fazer neg&oacute;cios para o bem da sociedade e n&atilde;o apenas por dinheiro. - Daan Bauwens\/IPS<\/p><\/div>  Masami Komatsu, de 37 anos, &eacute; um deles. Fundou sua companhia de investimentos Music Securities em 2001, poucos anos depois da crise banc&aacute;ria japonesa de 1998. &quot;N&atilde;o havia mais investimentos em setores vulner&aacute;veis como m&uacute;sica, artesanato ou produ&ccedil;&atilde;o de saqu&ecirc;&quot;, a bebida tradicional japonesa, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, &quot;fizemos o poss&iacute;vel para que as pessoas come&ccedil;assem a investir no que pessoalmente eu considerava importante e que deveria ser mantido vivo&quot;, descreveu Komatsu. No entanto, a Music Securities n&atilde;o funciona com doa&ccedil;&otilde;es. &Eacute; um fundo de investimento com retornos que atualmente ficam entre os de melhor desempenho do pa&iacute;s, manejando cerca de 33 bilh&otilde;es de ienes (US$ 352,5 milh&otilde;es) de aproximadamente 50 mil acionistas, entre eles algumas das empresas mais ricas do Jap&atilde;o.<\/p>\n<p>Em 2009, Komatsu criou o primeiro fundo de microfinan&ccedil;as do Jap&atilde;o, que permitiu &agrave;s pessoas investirem em projetos de microcr&eacute;ditos no Camboja. Atualmente, a Music Securities &eacute; a maior financiadora privada das empresas de reconstru&ccedil;&atilde;o que sofreram perdas devido ao terremoto e ao tsunami de 11 de mar&ccedil;o de 2011.<\/p>\n<p>&quot;Um m&ecirc;s depois da cat&aacute;strofe, visitamos a &aacute;rea e sugerimos nosso plano aos l&iacute;deres das empresas locais&quot;, contou Komatsu. &quot;Tivemos a sensa&ccedil;&atilde;o de que t&iacute;nhamos de fazer algo. N&atilde;o nos oferecemos como volunt&aacute;rios, mas sim usar nossa empresa j&aacute; existente para resolver os problemas das &aacute;reas danificadas&quot;, explicou. At&eacute; agora, mais de 25 mil pessoas investiram no total mais de US$ 1 bilh&atilde;o no fundo do tsunami.<\/p>\n<p>A Music Securites se adiantou ao seu tempo. Somente em 2005 a Universidade Keio, de T&oacute;quio, uma das mais antigas do Jap&atilde;o, come&ccedil;ou a usar o conceito de empreendimento social, um neg&oacute;cio gerador de ganhos cujo objetivo n&atilde;o &eacute; o lucro pessoal, mas o cumprimento de um objetivo social. E nos &uacute;ltimos anos o fen&ocirc;meno parece ter ganho impulso rapidamente.<\/p>\n<p>Em 2011, Fukuoka, na ilha japonesa de Kyushu, foi a segunda cidade do mundo a ser nomeada &quot;cidade de empresas sociais&quot; por difundir o conceito do empreendimento social em todo o continente asi&aacute;tico. Em Bangladesh, Mohammad Yunus, pr&ecirc;mio Nobel que desenvolveu a ideia do empreendimento social, inaugurou o primeiro centro mundial de empresas sociais na sede da Universidade de Kyushu.<\/p>\n<p>Segundo o Minist&eacute;rio da Economia do Jap&atilde;o, a quantidade de empresas sociais passou praticamente de zero em 2000 para mais de oito mil em 2008, que no conjunto empregam cerca de 320 mil pessoas. N&atilde;o h&aacute; dados sobre o n&uacute;mero atual, mas tudo indica que o fen&ocirc;meno aumentou ainda mais desde ent&atilde;o. Por exemplo, na Escola NEC-ETIC de Empreendimento Social de T&oacute;quio, o n&uacute;mero de candidatos cresceu cinco vezes desde 2010.<\/p>\n<p>Desde o come&ccedil;o, Nana Watanabe foi uma das for&ccedil;as motoras do empreendimento social no pa&iacute;s. Por interm&eacute;dio de seu trabalho como jornalista e fot&oacute;grafa independente, entre 2000 e 2005 apresentou ao p&uacute;blico japon&ecirc;s mais de cem empreendedores sociais mediante v&aacute;rias publica&ccedil;&otilde;es. &quot;O Jap&atilde;o ficou sem modelos para seguir ap&oacute;s o estouro da bolha econ&ocirc;mica. Isso levou a um estado geral de depress&atilde;o. O pa&iacute;s n&atilde;o sabia o que fazer&quot;, contou.<\/p>\n<p>Em 1999, &quot;descobri a nova onda do empreendedorismo social, que surgia entre os estudantes de elite nos Estados Unidos. Imediatamente pensei: &eacute; disto que precisamos&quot;, explicou Watanabe &agrave; IPS. Em 2011, ela fundou o cap&iacute;tulo japon&ecirc;s da Ashoka, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental internacional que apoia o trabalho de aproximadamente dois mil empreendedores sociais em 60 pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>&quot;O empreendimento social &eacute;, definitivamente, um fen&ocirc;meno emergente, e o motivo &eacute; simples: as pessoas est&atilde;o cada vez mais decepcionadas com as grandes empresas do Jap&atilde;o. Os jovens de agora viram seus pais sacrificarem suas vidas em troca da promessa de um emprego por toda a vida, s&oacute; que foram demitidos nos &uacute;ltimos anos&quot;, afirmou Watanabe. Cada vez mais jovens preferem iniciar um neg&oacute;cio por conta pr&oacute;pria, acrescentou.<\/p>\n<p>&quot;O mito da efici&ecirc;ncia do governo japon&ecirc;s ruiu&quot;, declarou Toshi Nakamura, l&iacute;der do Kopernik, um site que oferece solu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas para problemas em comunidades rurais de na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento. &quot;At&eacute; meados da d&eacute;cada de 1990, as pessoas tinham f&eacute; nos tecnocratas do governo para conduzir a economia e proporcionar servi&ccedil;os sociais&quot;, pontuou &agrave; IPS. &quot;Mas isto j&aacute; n&atilde;o acontece, e a popula&ccedil;&atilde;o se deu conta de que v&aacute;rios assuntos sociais t&ecirc;m que &#8211; e podem &#8211; ser abordados pelos cidad&atilde;os comuns&quot;, acrescentou Nakamura.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; apenas a desilus&atilde;o com as empresas tradicionais ou o governo que inspira os japoneses a participarem das empresas sociais. &quot;Depois da crise financeira, vimos uma volta aos valores tradicionais&quot;, opinou o analista empresarial Kumi Fujisawa. &quot;As pessoas n&atilde;o buscam lucro no curto prazo, preferem se concentrar em perspectivas de longo prazo. H&aacute; um regresso ao idealismo, as pessoas querem contribuir novamente com a sociedade&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Pesquisas encomendadas pelo governo indicam que o valor do trabalho come&ccedil;ou a ser reconsiderado no Jap&atilde;o desde o come&ccedil;o da crise financeira. A quantidade de pessoas que responderam que desejam trabalhar &quot;para contribuir com a sociedade&quot; aumentou drasticamente depois do estouro da bolha acion&aacute;ria, passando de 46% para 64% em 1991. Esse &iacute;ndice atualmente supera os 65%. &quot;Este &eacute; o resultado de uma nova atitude de olhar para dentro&quot;, afirmou Hirofumi Yokoi, presidente da Funda&ccedil;&atilde;o Akira, uma das organiza&ccedil;&otilde;es mais influentes do pa&iacute;s, que desde 2009 incentiva o empreendedorismo social.<\/p>\n<p>&quot;A crescente incerteza e ansiedade em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro levou a uma mudan&ccedil;a de comportamento. Para muitos jovens japoneses, o empreendimento social n&atilde;o &eacute; apenas uma maneira de solucionar problemas econ&ocirc;micos, sociais e ambientais. Tamb&eacute;m &eacute; uma maneira de enfrentar desafios pessoais&quot;, afirmou Yokoi. &quot;Ter&atilde;o de trabalhar como parte de uma comunidade e desenvolver a confian&ccedil;a em si mesmos, a amizade, a concentra&ccedil;&atilde;o, a autorrealiza&ccedil;&atilde;o e a inclus&atilde;o social&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Watanabe disse &agrave; IPS que &quot;&eacute; verdade que as pessoas come&ccedil;am a reconsiderar o valor do trabalho, mas a maioria ainda carece da coragem para agir a respeito. O empreendimento social, definitivamente, est&aacute; decolando, mas temos que ser cautelosos e n&atilde;o superestimar seu &ecirc;xito&quot;. E acrescentou que, &quot;primeiro &eacute; preciso que as pessoas sejam muito criativas. Depois, neste momento est&aacute; muito na moda dizer que algu&eacute;m iniciou uma empresa social. Mas, no fim, a maioria ainda busca seguran&ccedil;a e dinheiro&quot;, concluiu a fot&oacute;grafa. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 06\/03\/2013 &ndash; Ap&oacute;s duas d&eacute;cadas de paralisia econ&ocirc;mica e desastres naturais em s&eacute;rie, cada vez mais japoneses acreditam que o empreendimento social &eacute; a melhor maneira de reconstruir sua sociedade. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/economia\/o-empreendimento-social-decola-no-japo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":45,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5],"tags":[17,21],"class_list":["post-11484","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11484","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/45"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11484"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11484\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}