{"id":11488,"date":"2013-03-07T10:59:49","date_gmt":"2013-03-07T10:59:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11488"},"modified":"2013-03-07T10:59:49","modified_gmt":"2013-03-07T10:59:49","slug":"coluna-criando-cidades-seguras-para-mulheres-e-meninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/mundo\/coluna-criando-cidades-seguras-para-mulheres-e-meninas\/","title":{"rendered":"COLUNA: Criando cidades seguras para mulheres e meninas"},"content":{"rendered":"<p>Dublin, Irlanda, 07\/03\/2013 &ndash; N&atilde;o h&aacute; nenhuma cidade ou um pa&iacute;s no mundo onde mulheres e meninas possam viver sem medo da viol&ecirc;ncia. <!--more--> Nenhum l&iacute;der pode garantir: &quot;Isso n&atilde;o est&aacute; acontecendo no meu quintal&quot;.<\/p>\n<p>Em 2012, dois casos de maior repercuss&atilde;o em suas na&ccedil;&otilde;es acendeu a ira p&uacute;blica, que se espalhou por todo o mundo: o assassinato a balas da paquistanesa Malala, ativista pela educa&ccedil;&atilde;o das meninas, e a viola&ccedil;&atilde;o e tr&aacute;gica morte de uma estudante de 23 anos por parte de um bando de homens em um &ocirc;nibus, em Nova D&eacute;lhi. Em todas as regi&otilde;es do mundo ocorreram outros incont&aacute;veis casos que n&atilde;o figuraram nos t&iacute;tulos da imprensa internacional.<\/p>\n<p>Seja andando pela rua em uma cidade, viajando em transporte p&uacute;blico, indo &agrave; escola ou ao mercado, as mulheres e as meninas s&atilde;o submetidas &agrave; amea&ccedil;a de ass&eacute;dio sexual e viol&ecirc;ncia. Esta realidade da vida cotidiana cerceia sua liberdade de serem educadas, trabalharem, participarem da pol&iacute;tica ou simplesmente desfrutarem de seus pr&oacute;prios bairros.<\/p>\n<p>No entanto, apesar dessa preval&ecirc;ncia, a viol&ecirc;ncia e o ass&eacute;dio contra mulheres e meninas em espa&ccedil;os p&uacute;blicos s&atilde;o quest&otilde;es amplamente negligenciadas, com poucas leis ou pol&iacute;ticas que as abordem.<\/p>\n<p>Nos dias 20 e 21 de fevereiro, 600 delegados se reuniram em Dublin, de prefeitos a l&iacute;deres do setor privado e da sociedade civil, para o 8&ordm; F&oacute;rum Bianual da Alian&ccedil;a Mundial das Cidades Contra a Pobreza. Eles chegaram de todo o mundo para discutir abordagens inovadoras sobre como deixar as cidades inteligentes, seguras e sustent&aacute;veis.<\/p>\n<p>Uma abordagem inovadora &eacute; a Iniciativa Global de Cidades Seguras. Esta associa&ccedil;&atilde;o de governos municipais, comunidades locais e organiza&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), trabalha para desenvolver um ambiente urbano mais seguro para mulheres e meninas.<\/p>\n<p>Originalmente lan&ccedil;ada pela ONU Mulheres e a ONU Habitat em cinco cidades-piloto (Cairo, Kigali, Nova D&eacute;lhi, Quito e Port Moresby), a Iniciativa se expandiu para mais de 20 cidades, e continua crescendo.<\/p>\n<p>Uma das li&ccedil;&otilde;es mais importantes que aprendemos &eacute; que cada cidade &eacute; &uacute;nica e exige uma resposta local. Isto pode ser alcan&ccedil;ado por meio da realiza&ccedil;&atilde;o de um estudo de diagn&oacute;stico contendo dados e provas, e envolvendo membros da comunidade. As cidades t&ecirc;m adotado medidas para melhorar a ilumina&ccedil;&atilde;o, o trajeto de ruas e os projetos de edif&iacute;cios, e a forma&ccedil;&atilde;o e sensibiliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia, com a contrata&ccedil;&atilde;o de mais mulheres na for&ccedil;a. Essas respostas concretas podem fazer um mundo de diferen&ccedil;a.<\/p>\n<p>Um estudo de diagn&oacute;stico feito em Nova D&eacute;lhi, por exemplo, descobriu que uma estrat&eacute;gia comum contra o ass&eacute;dio foi simplesmente manter meninas e mulheres em suas casas.<\/p>\n<p>Uma menina disse: &quot;Se dizemos aos nossos pais que existem homens que nos assediam, punimos a n&oacute;s mesmas. Nossos pais podem at&eacute; mesmo impedir de sairmos de casa&quot;.<\/p>\n<p>Conclus&otilde;es como esta chamam para a a&ccedil;&atilde;o, uma vez que as mulheres e meninas permanecerem em suas casas n&atilde;o &eacute; uma solu&ccedil;&atilde;o. Moradores desses lugares organizaram grupos comunit&aacute;rios de sensibiliza&ccedil;&atilde;o, para denunciar crimes e trabalhar com as autoridades para melhorar a seguran&ccedil;a p&uacute;blica e a justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>Em Quito, as mulheres foram encorajadas a quebrar o sil&ecirc;ncio sobre suas experi&ecirc;ncias por interm&eacute;dio da campanha Cartas de Mulheres, e foi realizado um estudo. O governo da cidade emendou as leis sobre elimina&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra as mulheres para coibi-la tamb&eacute;m em espa&ccedil;os p&uacute;blicos. As autoridades receberam cerca de dez mil cartas.<\/p>\n<p>Em Port Moresby, Papua Nova Guin&eacute;, 55% das vendedoras no mercado, no ano passado, sofreram viol&ecirc;ncia. Em resposta, as autoridades locais trabalham junto com uma associa&ccedil;&atilde;o de vendedoras no mercado, para adotar a&ccedil;&otilde;es cooperativas.<\/p>\n<p>No Cairo, o governo nacional realizou pesquisas sobre a seguran&ccedil;a das mulheres por meio das quais foram identificadas as condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a nos seus bairros, e logo se incorporar&aacute; ao planejamento urbano solu&ccedil;&otilde;es para os problemas encontrados.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, as comunidades identificam os riscos de seguran&ccedil;a em dez favelas ou bairros de alto risco. Mulheres e adolescentes foram treinadas para utilizarem seus smartphones para mapear os riscos &agrave; seguran&ccedil;a, como infraestrutura ou servi&ccedil;os defeituosos, ruas escuras e falta de ilumina&ccedil;&atilde;o. Estes resultados iniciais foram apresentados &agrave;s autoridades locais e s&atilde;o atualmente utilizados para desenvolver solu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A ONU Mulheres est&aacute; associada com a Microsoft a fim de encontrar formas de usar a tecnologia m&oacute;vel para coibir o ass&eacute;dio sexual e a viol&ecirc;ncia em espa&ccedil;os p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Mais esfor&ccedil;os devem ser desenvolvidos por meio de uma parceria entre a ONU Mulheres e as cidades globais, governos locais e regionais, os esfor&ccedil;os ser&atilde;o concentrados na coleta de dados sobre a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na pol&iacute;tica, e na expans&atilde;o das atividades bem-sucedidas Iniciativa Cidades Seguras.<\/p>\n<p>Aqui, em Dublin, estou satisfeita em saber que o prefeito, Naoise &Oacute; Muir&iacute;, manifestou interesse em parcerias com a iniciativa, e Dublin ser&aacute; a primeira cidade da Europa Ocidental a se juntar a n&oacute;s.<\/p>\n<p>Conforme mais mulheres, homens e jovens levantam suas vozes e se tornam ativos no governo local e a maioria dos l&iacute;deres adotem medidas para a seguran&ccedil;a das mulheres e meninas, a mudan&ccedil;a acontece.<\/p>\n<p>A reuni&atilde;o em Dublin reconhece que deixar as cidades mais inteligentes, mais seguras e sustent&aacute;veis requer parceria e colabora&ccedil;&atilde;o entre moradores, governo, setor privado e sociedade civil. Ao incluir as mulheres na tomada de decis&otilde;es, os governos municipais estar&atilde;o em melhor posi&ccedil;&atilde;o para cumprirem suas responsabilidades no sentido de garantirem a seguran&ccedil;a de seu povo, especialmente de mulheres e meninas. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Michelle Bachelet &eacute; diretora-executiva da ONU Mulheres e ex-presidente do Chile.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dublin, Irlanda, 07\/03\/2013 &ndash; N&atilde;o h&aacute; nenhuma cidade ou um pa&iacute;s no mundo onde mulheres e meninas possam viver sem medo da viol&ecirc;ncia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/mundo\/coluna-criando-cidades-seguras-para-mulheres-e-meninas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1396,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,4,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-11488","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-mundo","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11488","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1396"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11488"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11488\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}