{"id":11489,"date":"2013-03-07T11:01:24","date_gmt":"2013-03-07T11:01:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11489"},"modified":"2013-03-07T11:01:24","modified_gmt":"2013-03-07T11:01:24","slug":"argentina-legalizar-barriga-de-aluguel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/argentina-legalizar-barriga-de-aluguel\/","title":{"rendered":"Argentina legalizar&aacute; barriga de aluguel"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 07\/03\/2013 &ndash; A Argentina se prepara para ser o primeiro pa&iacute;s da Am&eacute;rica Latina a legalizar a gesta&ccedil;&atilde;o por substitui&ccedil;&atilde;o, uma alternativa para casais heterossexuais e homossexuais ou pessoas sozinhas que n&atilde;o podem conceber, mas que desejam ter um filho biol&oacute;gico. <!--more--> &quot;Foi um dos temas mais dif&iacute;ceis dentro do direito de fam&iacute;lia&quot;, admitiu &agrave; IPS a advogada Marisa Herrera, que participou da reda&ccedil;&atilde;o de uma profunda reforma do C&oacute;digo Civil, que data de 1869. Grupos de especialistas desenvolveram a tarefa dirigida pelo Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a, por iniciativa da presidente Cristina Fern&aacute;ndez.<\/p>\n<p>O projeto inicia, este m&ecirc;s, seu tr&acirc;mite no Congresso e sua aprova&ccedil;&atilde;o converter&aacute; a Argentina no primeiro pa&iacute;s latino-americano a regular esta pr&aacute;tica, tamb&eacute;m conhecida como barriga de aluguel. No Brasil e no M&eacute;xico, h&aacute; leis sobre o assunto, mas sem a amplitude de inova&ccedil;&atilde;o da que ser&aacute; sancionada neste pa&iacute;s, disseram &agrave; IPS especialistas brasileiros e mexicanos. A reforma prop&otilde;e um c&oacute;digo civil muito mais aberto em mat&eacute;ria de fam&iacute;lia. Incorpora o direito j&aacute; estabelecido do casamento entre pessoas do mesmo sexo, permite o div&oacute;rcio apenas com a vontade expressa do casal e substitui o conceito de p&aacute;trio poder pelo de responsabilidade dos pais.<\/p>\n<p>Mas o tema da gesta&ccedil;&atilde;o por substitui&ccedil;&atilde;o foi o mais complexo para os especialistas, disse Herrera, sobretudo pelas cr&iacute;ticas, &quot;algumas muito valiosas&quot;, de feministas e outros coletivos que temem a &quot;coisifica&ccedil;&atilde;o&quot; da mulher ou o eventual lucro com seu corpo, sobretudo entre as mais pobres. Na internet, s&atilde;o in&uacute;meros os an&uacute;ncios de mulheres de pa&iacute;ses latino-americanos que se oferecem para gerar filhos alheios em troca de dinheiro, bem como de casais que buscam uma mulher s&atilde;, capaz de carregar um embri&atilde;o at&eacute; o parto em troca de cuidados e de assist&ecirc;ncia m&eacute;dica e econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>Na Argentina, a pr&aacute;tica existe, mas sem regulamenta&ccedil;&atilde;o, como em outras na&ccedil;&otilde;es da regi&atilde;o. H&aacute; casais que preferem viajar a pa&iacute;ses onde existe a figura legal e voltar com seu beb&ecirc;. Mas isso significa gastos elevados, que nem todos podem enfrentar, o que redunda em uma discrimina&ccedil;&atilde;o, ponderou Herrera. A pr&aacute;tica est&aacute; legalizada na &Aacute;frica do Sul, Austr&aacute;lia, Gr&eacute;cia, &Iacute;ndia, Israel, R&uacute;ssia, alguns Estados dos Estado Unidos e do Canad&aacute;, e encontra-se em debate na B&eacute;lgica, Bulg&aacute;ria, Finl&acirc;ndia, Irlanda e Isl&acirc;ndia. Em outros Estados, onde existe com limita&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o debatidas leis de flexibiliza&ccedil;&atilde;o, como no Brasil.<\/p>\n<p>S&atilde;o dados do ensaio Por Que Sim &agrave; Regula&ccedil;&atilde;o da Gesta&ccedil;&atilde;o por Substitui&ccedil;&atilde;o Apesar de Tudo, que tem por autoras Herrera e outras duas redatoras do projeto de reforma, as advogada Eleonora Lamm e Aida Kemelmajer. Nesse estudo, argumentam as raz&otilde;es para regular este m&eacute;todo e os &quot;cuidados&quot; indispens&aacute;veis para torn&aacute;-lo mais seguro. &quot;N&atilde;o sei se este m&eacute;todo &eacute; ideal, mas existe. &Eacute; muito comum no estrangeiro e n&atilde;o &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o ignor&aacute;-lo. &Eacute; melhor ter uma lei que regule o processo, o controle e proteja em primeiro lugar a crian&ccedil;a, mas tamb&eacute;m a gestante e os que querem ter um filho biol&oacute;gico por este m&eacute;todo&quot;, ressaltou Herrera.<\/p>\n<p>O projeto estabelece que a gesta&ccedil;&atilde;o por substitui&ccedil;&atilde;o deve ser aprovada por um juiz antes de o embri&atilde;o ser implantado. O magistrado solicitar&aacute; certificados m&eacute;dicos e psicol&oacute;gicos que atestem a boa sa&uacute;de da gestante e seu consentimento &quot;livre, pleno e informado&quot;. Uma equipe multidisciplinar do tribunal dever&aacute; assessorar a gestante sobre os riscos e as implica&ccedil;&otilde;es de se submeter &agrave; pr&aacute;tica. A mulher n&atilde;o poder&aacute; contribuir com seus &oacute;vulos e pelo menos um dos pais dever&aacute; fornecer seu s&ecirc;men ou &oacute;vulo. Tudo para garantir que n&atilde;o haja disputa pela filia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As especialistas consideram que, para ter acesso &agrave; pr&aacute;tica, &quot;o casal ou a pessoa interessada deve mostrar incapacidade para conceber ou de levar a gravidez at&eacute; o fim&quot;. Tamb&eacute;m, para evitar que seja um &quot;trabalho imposto pela pobreza e tolerado pelo Estado&quot;, a gestante s&oacute; poder&aacute; alugar seu ventre duas vezes. Tamb&eacute;m dever&aacute; ter pelo menos um filho seu &quot;para garantir que compreende a gravidade de seu compromisso&quot;. O acordo deve ser gratuito. Os gastos m&eacute;dicos, de assist&ecirc;ncia ou alimenta&ccedil;&atilde;o que possam ser pagos n&atilde;o implica a perda do car&aacute;ter altru&iacute;sta de pr&aacute;tica. E, se houver uma retribui&ccedil;&atilde;o material, o limite ao &quot;com&eacute;rcio&quot; seria garantido com o teto de duas gesta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Os m&eacute;dicos n&atilde;o poder&atilde;o realizar o procedimento sem autoriza&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a em cada caso, diz o projeto. Dessa forma se d&aacute; seguran&ccedil;a jur&iacute;dica a todas as partes, porque n&atilde;o h&aacute; passagem de paternidade no momento do nascimento, mas que o casal ou pessoa interessada s&atilde;o pais legais desde que o tribunal autoriza a pr&aacute;tica, e respons&aacute;veis pelo filho desde a gravidez.<\/p>\n<p>No Brasil n&atilde;o h&aacute; legisla&ccedil;&atilde;o a respeito, mas desde 2010 o Conselho Federal de Medicina (CFM) regula a pr&aacute;tica, permitida apenas quando o casal n&atilde;o pode gerar um filho pr&oacute;prio e a gestante deve ser familiar at&eacute; segundo grau (m&atilde;e, irm&atilde; ou tia). O presidente da Comiss&atilde;o de Bio&eacute;tica e Biodireito da Ordem dos Advogados do Brasil, Bernardo Brasil, explicou &agrave; IPS que a Constitui&ccedil;&atilde;o pro&iacute;be o com&eacute;rcio de &oacute;rg&atilde;os, e &quot;isso inclui o &uacute;tero&quot;. Por isso, a f&oacute;rmula impede a entrega de benef&iacute;cios econ&ocirc;micos &agrave; doadora.<\/p>\n<p>O CFM permite o pagamento da assist&ecirc;ncia m&eacute;dica e os custos referentes &agrave; gravidez, &quot;mas n&atilde;o pode ser feito um contrato com fins comerciais. A pessoa que cede seu &uacute;tero n&atilde;o pode lucrar&quot;, esclareceu Brasil. Para este advogado, a resolu&ccedil;&atilde;o &quot;tem um car&aacute;ter limitado, pois s&oacute; alcan&ccedil;a a pr&aacute;tica m&eacute;dica, mas nada diz sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre quem cede o &uacute;tero e a futura m&atilde;e&quot;, que &eacute; familiar, por isso podem ocorrer lit&iacute;gios de paternidade entre as partes.<\/p>\n<p>&quot;H&aacute; implica&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas profundas e ainda provoca uma grande resist&ecirc;ncia em grupos religiosos no Congresso Nacional. O Brasil vive hoje um vazio legislativo, pois a resolu&ccedil;&atilde;o do CFM atua como recurso provis&oacute;rio, mas faltam diretrizes legais&quot;, pontuou Herrera.<\/p>\n<p>O M&eacute;xico tamb&eacute;m carece de legisla&ccedil;&atilde;o nacional. A pr&aacute;tica s&oacute; est&aacute; regulamentada no Estado de Tabasco, desde 1998, sem abordar seus aspectos lucrativos. Em 2010, o Distrito Federal, sede da Cidade do M&eacute;xico, aprovou uma Lei de Gesta&ccedil;&atilde;o Sub-Rogadas, restrita a casais heterossexuais unidos por matrim&ocirc;nio. Mas a lei foi vetada e atualmente se estuda outro projeto que, de todo modo, vigorar&aacute; somente na capital.<\/p>\n<p>A diretora da n&atilde;o governamental Funda&ccedil;&atilde;o Mexicana para o Planejamento Familiar, Ang&eacute;lica Garc&iacute;a, disse &agrave; IPS que se deve &quot;regular em apego a direitos sexuais e reprodutivos sobre liberdade de decis&atilde;o, que haja informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, que se cuide da sa&uacute;de mental e f&iacute;sica de quem cede o &uacute;tero e que n&atilde;o haja obriga&ccedil;&atilde;o nem chantagem&quot;, disse Garc&iacute;a. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Fab&iacute;ola Ortiz (Rio de Janeiro) e Emilio Godoy (Cidade do M&eacute;xico).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 07\/03\/2013 &ndash; A Argentina se prepara para ser o primeiro pa&iacute;s da Am&eacute;rica Latina a legalizar a gesta&ccedil;&atilde;o por substitui&ccedil;&atilde;o, uma alternativa para casais heterossexuais e homossexuais ou pessoas sozinhas que n&atilde;o podem conceber, mas que desejam ter um filho biol&oacute;gico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/america-latina\/argentina-legalizar-barriga-de-aluguel\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-11489","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11489","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11489"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11489\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}