{"id":11499,"date":"2013-03-11T10:26:29","date_gmt":"2013-03-11T10:26:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11499"},"modified":"2013-03-11T10:26:29","modified_gmt":"2013-03-11T10:26:29","slug":"diplomacia-humanitria-contra-as-armas-nucleares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/mundo\/diplomacia-humanitria-contra-as-armas-nucleares\/","title":{"rendered":"&quot;Diplomacia humanit&aacute;ria&quot; contra as armas nucleares"},"content":{"rendered":"<p>Oslo, Noruega, 11\/03\/2013 &ndash; Pela primeira vez se recorrer&aacute; &agrave; &quot;diplomacia humanit&aacute;ria&quot; para promover a proibi&ccedil;&atilde;o das armas at&ocirc;micas, apesar da autoexclus&atilde;o dos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), que concentram 19 mil ogivas nucleares com capacidade para destruir o mundo v&aacute;rias vezes. <!--more--> O primeiro passo coube ao governo da Noruega, que organizou uma confer&ecirc;ncia em Oslo nos dias 4 e 5 deste m&ecirc;s. O M&eacute;xico convocar&aacute; outra no seu &quot;devido tempo&quot; e &quot;ap&oacute;s as prepara&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias&quot;, anunciou Juan Jos&eacute; G&oacute;mez Camacho, representante mexicano junto &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n<p>Da confer&ecirc;ncia de Oslo participaram representantes de 127 Estados, da ONU, do Comit&ecirc; Internacional da Cruz Vermelha, do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e da Meia-Lua Vermelha, e tamb&eacute;m de organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, entre as quais a Campanha Internacional para a Aboli&ccedil;&atilde;o das Armas Nucleares (Ican), por seu papel ativo. A Ican organizou um f&oacute;rum da sociedade civil, nos dias 2 e 3 deste m&ecirc;s, com apoio do governo da Noruega e do qual participaram cerca de 500 ativistas, cientistas e f&iacute;sicos, entre outros especialistas. O f&oacute;rum deu uma forte dimens&atilde;o &agrave; campanha mundial para proibir todas as armas nucleares.<\/p>\n<p>Representantes da Ican disseram que trabalhariam com governos e com o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e da Meia-lua Vermelha, entre outros, para promover um novo tratado de proibi&ccedil;&atilde;o de armas at&ocirc;micas. O diretor de projeto da Ican, Magnus Lovold, aplaudiu a Proposta de Paz de 2013 de Daisaku Ikeda, o presidente da organiza&ccedil;&atilde;o budista Soka Gakkai International (SGI), com sede em T&oacute;quio. Ikeda prop&ocirc;s que as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais e os governos progressistas criassem um grupo de a&ccedil;&atilde;o para redigir um rascunho de conven&ccedil;&atilde;o proibindo as armas nucleares, dizendo que, al&eacute;m de desumanas, consomem US$ 105 bilh&otilde;es por ano, segundo o gasto atual.<\/p>\n<p>O diretor-executivo da SGI para assuntos de paz, Hirotsugu Terasaki, disse que tanto o f&oacute;rum da Ican quanto a confer&ecirc;ncia organizada pelo governo noruegu&ecirc;s deram um impulso significativo &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o contra as armas nucleares. A organiza&ccedil;&atilde;o espera que a c&uacute;pula do Grupo dos Oito pa&iacute;ses mais poderosos em 2015 e tamb&eacute;m o 70&ordm; anivers&aacute;rio do bombardeio at&ocirc;mico sobre Hiroshima e Nagasaki sirvam para promover um grande f&oacute;rum internacional por um mundo sem esta tecnologia letal.<\/p>\n<p>Numerosos participantes da confer&ecirc;ncia de Oslo se mostraram consternados pela decis&atilde;o do P-5 (os membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU: China, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia) de ficarem &agrave; margem do encontro sem explicar os motivos. Por&eacute;m, muitas pessoas demonstraram interesse em explorar o enfoque humanit&aacute;rio &quot;de forma a garantir uma participa&ccedil;&atilde;o global&quot;, afirmou o chanceler noruegu&ecirc;s, Espen Barth Eide, ao resumir o resultado da confer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Evitando o sarcasmo pelo boicote do P-5, Eide declarou que &quot;a vis&atilde;o da presid&ecirc;ncia &eacute; que a ampla participa&ccedil;&atilde;o reflete a crescente preocupa&ccedil;&atilde;o global pelos efeitos das detona&ccedil;&otilde;es das armas nucleares, bem como o reconhecimento de que este &eacute; um assunto com um significado fundamental para n&oacute;s&quot;. Seus coment&aacute;rios s&atilde;o significativos, considerando que a Noruega &eacute; membro fundador da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan), de 28 membros e encabe&ccedil;ada pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Esta alian&ccedil;a militar anunciou um &quot;conceito estrat&eacute;gico&quot; em uma reuni&atilde;o realizada em Lisboa em novembro de 2010, que o &quot;compromete com o objetivo de criar condi&ccedil;&otilde;es para um mundo sem armas at&ocirc;micas, mas confirma que, enquanto existirem, a Otan continuar&aacute; sendo uma alian&ccedil;a nuclear&quot;. Eide confirmou &agrave; IPS que a Noruega tem o compromisso de &quot;criar as condi&ccedil;&otilde;es para um mundo sem armas nucleares&quot;.<\/p>\n<p>A preocupa&ccedil;&atilde;o pela prolifera&ccedil;&atilde;o de armas nucleares gerou consci&ecirc;ncia sobre os cont&iacute;nuos riscos atuais, mais do que em qualquer outro momento, pois a maioria dos Estados assinou o Tratado de N&atilde;o Prolifera&ccedil;&atilde;o Nuclear (TPN) em 1968. Desde a confer&ecirc;ncia de revis&atilde;o das partes do TPN de 2010 existe um crescente, embora ainda nascente, movimento para proibir estas armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa. O documento final desse encontro diz: &quot;H&aacute; uma grande preocupa&ccedil;&atilde;o pelas consequ&ecirc;ncias humanit&aacute;rias catastr&oacute;ficas de qualquer uso de armas nucleares&quot;. Tamb&eacute;m reafirma &quot;a necessidade de todos os Estados a todo momento cumprirem a legisla&ccedil;&atilde;o internacional aplic&aacute;vel, inclu&iacute;do o direito humanit&aacute;rio internacional&quot;.<\/p>\n<p>A isso seguiu-se uma resolu&ccedil;&atilde;o de novembro de 2011 do conselho de delegados do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e da Meia-Lua Vermelha pedindo a todos os Estados &quot;que persigam de boa f&eacute; e concluam com urg&ecirc;ncia e determina&ccedil;&atilde;o negocia&ccedil;&otilde;es que pro&iacute;bam o uso e eliminem completamente as armas nucleares por interm&eacute;dio de um acordo internacional legalmente vinculante&quot;. Posteriormente, na primeira sess&atilde;o do comit&ecirc; preparat&oacute;rio para a confer&ecirc;ncia de revis&atilde;o do TPN de 2015, realizada em maio do ano passado, 16 pa&iacute;ses liderados por Noruega e Su&iacute;&ccedil;a divulgaram uma declara&ccedil;&atilde;o conjunta sobre a dimens&atilde;o humanit&aacute;ria do desarmamento nuclear.<\/p>\n<p>Nela afirmam que &quot;preocupa muito o fato de, mesmo depois da Guerra Fria, a amea&ccedil;a da aniquila&ccedil;&atilde;o nuclear continuar sendo parte do contexto internacional da seguran&ccedil;a do s&eacute;culo 21. &Eacute; de extrema import&acirc;ncia que estas armas n&atilde;o voltem a ser usadas jamais, sob nenhuma circunst&acirc;ncia (&#8230;). Todos os Estados devem intensificar seus esfor&ccedil;os para proibi-las e conseguir um mundo sem armas nucleares&quot;. Depois, em outubro de 2012, essa declara&ccedil;&atilde;o, com revis&otilde;es menores, foi apresentada ao primeiro comit&ecirc; da Assembleia Geral da ONU por 35 membros e Estados observadores.<\/p>\n<p>Em sintonia com o sentimento geral, o presidente do Movimento Internacional da Cruz Vermelha, Peter Maurer, aplaudiu a iniciativa do governo da Noruega de organizar a confer&ecirc;ncia sobre o impacto humanit&aacute;rio das armas at&ocirc;micas. Embora estas tenham sido objeto de debate em termos militares, t&eacute;cnicos e geopol&iacute;ticos durante d&eacute;cadas, &eacute; surpreendente que os Estados nunca tenham se reunido para discutir sobre suas consequ&ecirc;ncias humanit&aacute;rias, insistiu.<\/p>\n<p>Nenhum pa&iacute;s nem organismo internacional teria a capacidade de atender como se deve a uma emerg&ecirc;ncia humanit&aacute;ria imediata causada pela detona&ccedil;&atilde;o de uma arma nuclear, nem de oferecer assist&ecirc;ncia suficiente &agrave;s pessoas afetadas. Seria imposs&iacute;vel criar essas capacidades, ainda que se tentasse. Os efeitos da detona&ccedil;&atilde;o de uma arma nuclear, independente da causa, n&atilde;o ficariam limitados &agrave;s fronteiras nacionais, afetando Estados e popula&ccedil;&otilde;es de maneira significativa, tanto em escala regional quanto global.<\/p>\n<p>Ira Helfand, da Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de M&eacute;dicos para a Preven&ccedil;&atilde;o de uma Guerra Nuclear, explicou que a contamina&ccedil;&atilde;o radioativa generalizada prejudicaria moradias, alimentos e fornecimentos de &aacute;gua. O custo econ&ocirc;mico em danos, perturba&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio e da atividade econ&ocirc;mica em geral, bem como o impacto no desenvolvimento pela exist&ecirc;ncia de refugiados, seria enorme. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Jamshed Baruah &eacute; correspondente para temas de desarmamento da IDN &#8211; InDepth News.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oslo, Noruega, 11\/03\/2013 &ndash; Pela primeira vez se recorrer&aacute; &agrave; &quot;diplomacia humanit&aacute;ria&quot; para promover a proibi&ccedil;&atilde;o das armas at&ocirc;micas, apesar da autoexclus&atilde;o dos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), que concentram 19 mil ogivas nucleares com capacidade para destruir o mundo v&aacute;rias vezes. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/mundo\/diplomacia-humanitria-contra-as-armas-nucleares\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":887,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[18],"class_list":["post-11499","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/887"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11499"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11499\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}