{"id":1150,"date":"2005-10-31T00:00:00","date_gmt":"2005-10-31T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1150"},"modified":"2005-10-31T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-31T00:00:00","slug":"ndia-escrevendo-a-histria-dos-mares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/ndia-escrevendo-a-histria-dos-mares\/","title":{"rendered":"&Iacute;ndia: Escrevendo a hist&oacute;ria dos mares"},"content":{"rendered":"<p>TORONTO, 31\/10\/2005 &ndash; Novos registros mostram como o modelo comercial esgota os locais de pesca em uma ou duas d&eacute;cadas.<br \/> <!--more--> Novos dados sobre a hist&oacute;ria do mar revelam que os oceanos do mundo est&atilde;o em uma grave crise, em grande parte pela pesca excessiva, e podem n&atilde;o se recuperar. &quot;Os oceanos s&atilde;o hoje drasticamente diferentes do que eram h&aacute; 150 anos&quot;, disse o cientista Poul Holm, do Centro para Estudos Marinhos e Regionais da Universidade do Sul, da Dinamarca. Naquela &eacute;poca, havia &quot;muitos predadores maiores, como o atum, e quase todos os peixes eram muito maiores e encontrados em &aacute;reas mais extensas do que hoje&quot;, disse Holm ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p> Centenas de historiadores e ocean&oacute;grafos de todo o mundo investigaram por mais de cinco anos como eram os oceanos 150 e at&eacute; 300 anos atr&aacute;s. Esta semana, suas descobertas foram apresentadas na confer&ecirc;ncia Oceanos Passados &#8211; Hist&oacute;ria das Popula&ccedil;&otilde;es de Animais Marinhos, em Kolding, na Noruega. Os registros hist&oacute;ricos revelam, por exemplo, que as popula&ccedil;&otilde;es de bacalhau da esp&eacute;cie lingue (Molva molva), do Mar do Norte, haviam dado sinais de esgotamento antes de 1920, embora at&eacute; agora se creia que a redu&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie come&ccedil;ou na d&eacute;cada de 70.<\/p>\n<p> Os dados sobre pesca s&oacute; existem desde poucas d&eacute;cadas atr&aacute;s, o que torna dif&iacute;cil conhecer o verdadeiro alcance da crise ou administrar as que restam, sem informa&ccedil;&atilde;o da era anterior &agrave; pesca industrial, ressaltou Holm. &quot;Necessitamos saber como mudaram os ecossistemas marinhos tanto quanto conhecer as modifica&ccedil;&otilde;es das popula&ccedil;&otilde;es de peixes&quot;, acrescentou. Ainda sem uma press&atilde;o direta por pesca excessiva, o lingue, bem como o bacalhau do &Aacute;rtico (Eleginus gracilis) e outras esp&eacute;cies, n&atilde;o se recuperaram, sugerindo que ocorreram mudan&ccedil;as ecol&oacute;gicas fundamentais.<\/p>\n<p> A nova informa&ccedil;&atilde;o sobre a hist&oacute;ria dos oceanos registra claramente o modelo comercial, que esgota esgota os locais de pesca em uma ou duas d&eacute;cadas e, ent&atilde;o, passa para outro. Esse padr&atilde;o resulta evidente na cole&ccedil;&atilde;o de 200 mil card&aacute;pios de restaurantes norte-americanos, de 1860 em diante. Na d&eacute;cada de 1870, as lagostas americanas (Homarus americanus) de nove quilos eram t&atilde;o comuns que eram vendidas enlatadas e raramente encontradas nos card&aacute;pios. &quot;Era considerada um prato sem valor, ningu&eacute;m gostava de ser visto comendo lagosta&quot;, disse Glenn Jones, da Universidade Texas A%26M, na localidade mar&iacute;tima de Galveston.<\/p>\n<p> Na medida em que outras esp&eacute;cies preferidas diminu&iacute;ram, a lagosta foi introduzida nos pratos oferecidos pelos restaurantes. Por volta de 1920, cobrava-se US$ 24 por meio quilo dessa esp&eacute;cie, quase o mesmo pre&ccedil;o de hoje, disse Jones. Os exemplares se reduziram notavelmente at&eacute; um quarto de quilo, o peso m&iacute;nimo autorizado para sua captura, mas as popula&ccedil;&otilde;es n&atilde;o est&atilde;o amea&ccedil;adas. &quot;A lagosta &eacute; um dos recursos marinhos melhor manejados que temos&quot;, acrescentou. Exemplares maiores, de tr&ecirc;s ou quatro quilos, apareceram nos card&aacute;pios da &uacute;ltima d&eacute;cada, sinal de que as capturas se moveram para zonas mais profundas da plataforma marinha exterior, 200 milhas mar adentro, afirmou o especialista. &quot;Em mais dez anos, esses exemplares grandes ter&atilde;o desaparecido&quot;, previu.<\/p>\n<p> O abalon (Haliotis rufescens), um tipo de crust&aacute;ceo, seguiu caminho semelhante. Muito popular nos anos 20, quando um prato dessa esp&eacute;cie custava US$ 7, a pesca excessiva o tornou mais e mais raro. Seus pre&ccedil;os aumentaram entre sete e dez vezes mais do que a infla&ccedil;&atilde;o, por volta de 1950. O Estado da Calif&oacute;rnia proibiu sua pesca comercial em 1997. A maioria dos que hoje s&atilde;o consumidos nos restaurantes californianos &eacute; importada da Austr&aacute;lia ou Nova Zel&acirc;ndia, e custa entre US$ 50 e US$ 70. <\/p>\n<p> A import&acirc;ncia de contar com informa&ccedil;&atilde;o de longo prazo &eacute; ilustrada por um estudo feito com pescadores mexicanos no Golfo da Calif&oacute;rnia. Quem tem mais de 55 anos poder&aacute; mencionar cinco vezes mais locais esgotados e igual propor&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies desaparecidas do que quem tem 30 anos, afirmou Andr&eacute;a S&aacute;enz-Arroyo, da Universidade de York, na Gr&atilde;-Bretanha. Os pescadores mais jovens n&atilde;o sabem que nos mares onde pescam abundaram alguma vez os tubar&otilde;es, enormes meros, pargos, tartarugas verdes, ostras de rocha e carac&oacute;is. &quot;Houve uma dr&aacute;stica mudan&ccedil;a na percep&ccedil;&atilde;o humana do que constitui o estado natural do meio ambiente&quot;, disse S&aacute;enz-Arroyo ao boletim Oceans Update, publicado pela organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental SeaWeb, com sede em Washington.<\/p>\n<p> Trezentos anos antes de nascerem os pescadores mais velhos, o Golfo da Calif&oacute;rnia era notavelmente diferente do que &eacute; hoje. Havia montes de madrep&eacute;rolas no leito marinho, segundo as cr&ocirc;nicas dos exploradores espanh&oacute;is. Os meros gigantes eram um alimento comum e preferido, mas nenhum pescador atual, nem mesmo os mais velhos, sabem deles. As pessoas n&atilde;o conseguem perceber a amplitude da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental que ocorre em suas pr&oacute;prias vidas. E isso reduz as expectativas humanas do que constitui um ecossistema &quot;saud&aacute;vel&quot;, acrescentou o especialista. &quot;A compreens&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es ambientais do passado &eacute; essencial para uma efetiva conserva&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> A mem&oacute;ria escassa e os mitos da abund&atilde;ncia e dos mares sem fim, com peixes em cont&iacute;nuo aumento, ainda persistem, apesar das grandes evid&ecirc;ncias da crise. Inclusive, esp&eacute;cies como o atum (Thunnus thynnus), que era abundante desde o norte da Noruega at&eacute; o Mar Negro e desde Newfolundland, no leste do Canad&aacute;, at&eacute; o sul do Brasil, desapareceram em quase a metade dessas vastas regi&otilde;es. Embora fosse pescado durante v&aacute;rios s&eacute;culos, a declina&ccedil;&atilde;o do atum &eacute; conseq&uuml;&ecirc;ncia do desenvolvimento de novas artes e t&eacute;cnicas de pesca durante o s&eacute;culo XX. Mais ainda, as modernas pr&aacute;ticas e normas (captura intencional ou n&atilde;o-intencional de exemplares muito jovens, perdas ou sub-registros) est&atilde;o reduzindo as possibilidades de o atum se recuperar, disseram especialistas na confer&ecirc;ncia da Noruega.<\/p>\n<p> A produ&ccedil;&atilde;o mundial de pescados e moluscos vem diminuindo h&aacute; v&aacute;rios anos, apesar da sempre crescente atividade pesqueira, afirmou Holm. &quot;A atual demanda de pescado e marisco est&aacute; muito al&eacute;m do que os oceanos podem fornecer atualmente&quot;, ressaltou. A pr&aacute;tica de perseguir novas esp&eacute;cies quando as popula&ccedil;&otilde;es de outras diminuem agora amea&ccedil;a a merluza negra, ou bacalhau de profundidade (Dissostichus eleginoides), da austral Patag&ocirc;nia, de lento crescimento. Barcos piratas pegam em suas redes cargas que valem milh&otilde;es de d&oacute;lares e as vendem no mercado negro. &quot;Faz muita falta um gerenciamento global sobre as regi&otilde;es de alto mar&quot;, concluiu Holm.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TORONTO, 31\/10\/2005 &ndash; Novos registros mostram como o modelo comercial esgota os locais de pesca em uma ou duas d&eacute;cadas.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/ndia-escrevendo-a-histria-dos-mares\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1150","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1150\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}