{"id":11500,"date":"2013-03-11T10:29:30","date_gmt":"2013-03-11T10:29:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11500"},"modified":"2013-03-11T10:29:30","modified_gmt":"2013-03-11T10:29:30","slug":"haiti-em-guerra-contra-a-violncia-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/direitos-humanos\/haiti-em-guerra-contra-a-violncia-sexual\/","title":{"rendered":"Haiti em guerra contra a viol&ecirc;ncia sexual"},"content":{"rendered":"<p>Porto Pr&iacute;ncipe, Haiti, 11\/03\/2013 &ndash; O Haiti est&aacute; a caminho de introduzir grandes reformas em seu C&oacute;digo Penal, com a finalidade de facilitar que se fa&ccedil;a justi&ccedil;a nos casos de viola&ccedil;&atilde;o de mulheres.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11500\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n6-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11500\" class=\"size-medium wp-image-11500\" title=\"Mulheres protestam contra a inseguran&ccedil;a em um acampamento de Porto Pr\u00c3\u00adncipe. - Valeria Vilardo\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/n6-300x225.jpg\" alt=\"Mulheres protestam contra a inseguran&ccedil;a em um acampamento de Porto Pr\u00c3\u00adncipe. - Valeria Vilardo\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11500\" class=\"wp-caption-text\">Mulheres protestam contra a inseguran&ccedil;a em um acampamento de Porto Pr\u00c3\u00adncipe. - Valeria Vilardo\/IPS<\/p><\/div>  As emendas ao C&oacute;digo definir&atilde;o com precis&atilde;o o crime de agress&atilde;o sexual de acordo com o direito internacional, legalizar&atilde;o alguns tipos de aborto em casos de gravidez por viola&ccedil;&atilde;o e castigar&atilde;o os abusos dentro do casamento. As mudan&ccedil;as tamb&eacute;m ordenam a assist&ecirc;ncia legal financiada pelo Estado &agrave;s v&iacute;timas que n&atilde;o podem pagar e pro&iacute;bem, pela primeira vez na lei haitiana, a discrimina&ccedil;&atilde;o por &quot;orienta&ccedil;&atilde;o sexual&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Creio que &eacute; um momento emocionante&quot;, declarou Rashida Manjoo, relatora especial das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Viol&ecirc;ncia Contra as Mulheres, em uma confer&ecirc;ncia realizada no m&ecirc;s passado sobre as reformas. &quot;&Eacute; um pequeno come&ccedil;o com o C&oacute;digo Penal, mas um bom come&ccedil;o&quot;, afirmou. Advogados e ativistas presentes nesse encontro analisaram um rascunho de tr&ecirc;s p&aacute;ginas sobre as reformas, e expressaram sua confian&ccedil;a de que o parlamento as aprovar&aacute; este ano. Por&eacute;m, Manjoo alertou que a lei n&atilde;o poder&aacute; ser plenamente implantada sem um adequado financiamento de doadores e sem a colabora&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nos tr&ecirc;s anos passados desde o terremoto de 2010, o problema da viol&ecirc;ncia sexual se agravou neste pa&iacute;s. Ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o internacionais se referiram a uma &quot;epidemia de viola&ccedil;&otilde;es&quot; nos acampamentos de desalojados instalados em raz&atilde;o do terremoto, que s&atilde;o in&uacute;meros em Porto Pr&iacute;ncipe. Estudo de 2012, realizado por uma coaliz&atilde;o de grupos legais e de mulheres, mostra que pelo menos uma integrante de 14% das fam&iacute;lias desalojadas foi v&iacute;tima de um ataque sexual. Cidad&atilde;os, pol&iacute;cia e advogados tentam combater a viol&ecirc;ncia contra as mulheres nas comunidades.<\/p>\n<p>Em alguns acampamentos os refugiados formaram brigadas de seguran&ccedil;a. Um informe da coaliz&atilde;o de solidariedade haitiana Poto Fanm+Fi concluiu que essas brigadas s&atilde;o, de fato, mais efetivas do que as patrulhas das for&ccedil;as de paz da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Em todas as delegacias da capital agora h&aacute; funcion&aacute;rios capacitados para atender e ajudar v&iacute;timas de agress&otilde;es sexuais, explicou &agrave; IPS a coordenadora para Assuntos das Mulheres da Pol&iacute;cia Nacional Haitiana, Marie Gauthier. Entretanto, &quot;agora precisamos &eacute; de ve&iacute;culos para transportar rapidamente e prender o respons&aacute;vel&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>As v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia sexual muitas vezes apelam ao apoio moral e humanit&aacute;rio fornecido pelo grupo de mulheres Kofaviv. O terremoto destruiu a sede central desta organiza&ccedil;&atilde;o, deslocando suas fundadoras para uma barraca de campanha. Por&eacute;m, logo conseguiram garantir apoio financeiro de doadores, inclusive do governo dos Estados Unidos, o que lhes permitiu ter acesso a um pr&eacute;dio de dois andares e expandir seus programas.<\/p>\n<p>Mulheres chegam de todas as partes de Porto Pr&iacute;ncipe para participar de reuni&otilde;es semanais, nas quais v&iacute;timas de ataques sexuais podem estreitar os la&ccedil;os e compartilhar informa&ccedil;&atilde;o. Aos tribunais chegam cada vez mais casos de viola&ccedil;&otilde;es, segundo afirma o Bureaus des Avocats Internationaux (BAI). Quase um ter&ccedil;o dos julgamentos no &uacute;ltimo ver&atilde;o boreal no tribunal de Porto Pr&iacute;ncipe foi por acusa&ccedil;&otilde;es de viola&ccedil;&atilde;o. Tr&ecirc;s homens foram condenados.<\/p>\n<p>&quot;Isto &eacute; muito significativo, considerando que h&aacute; apenas dez anos quase nenhum caso era processado&quot;, disse &agrave; IPS a advogada Nicole Phillips, da BAI, acrescentando que se trata de um &quot;enorme passo adiante&quot;. Antes, os ju&iacute;zes pediam &agrave;s v&iacute;timas que apresentassem atestados m&eacute;dicos no prazo de 48 a 72 horas demonstrando terem sido violadas. Mas era dif&iacute;cil, ou mesmo imposs&iacute;vel, obt&ecirc;-los, devido ao estigma, ao trauma e aos custos econ&ocirc;micos.<\/p>\n<p>&quot;Os julgamentos est&atilde;o ficando mais sofisticados&quot;, pontuou Phillips. Os tribunais agora dependem mais de depoimentos de especialistas e profissionais m&eacute;dicos. A advogada elogiou os ju&iacute;zes e a pol&iacute;cia em Porto Pr&iacute;ncipe por levarem mais a s&eacute;rio as acusa&ccedil;&otilde;es de viola&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, os progressos no Haiti no combate &agrave; viol&ecirc;ncia contra as mulheres enfrentaram um grande teste no come&ccedil;o deste ano. Quando Marie-Danielle Bernadin contou pela primeira vez aos seus amigos mais pr&oacute;ximos que foi violada por seu chefe, o presidente do Conselho Eleitoral, Josue Pierre-Louis.<\/p>\n<p>Todos a aconselharam a abandonar o pa&iacute;s. &quot;Onde conseguir&aacute; justi&ccedil;a aqui? N&atilde;o denuncie&quot;, recordou o que lhe diziam. &quot;Mas, n&atilde;o posso manter algo assim escondido. Quando algu&eacute;m te machuca, te viola e tudo termina. Simplesmente, pode-se guardar isso? Isso me deixaria louca&quot;, destacou &agrave; IPS. Bernadin foi &agrave; pol&iacute;cia em novembro de 2012, pouco depois do incidente, e denunciou que Pierre-Louis, um dos homens mais poderosos do pa&iacute;s, a violentara depois que ela o questionou sobre fotos de mulheres nuas em seu telefone celular. Pierre-Louis negou essas acusa&ccedil;&otilde;es e a acusou de &quot;espionagem&quot;.<\/p>\n<p>Em uma audi&ecirc;ncia preparat&oacute;ria, em janeiro, partid&aacute;rios de Pierre-Louis se manifestaram com cartazes diante dos tribunais. Cinco dias depois, Bernadin retirou as acusa&ccedil;&otilde;es. Em um comunicado, afirmou: &quot;Decidi retirar a acusa&ccedil;&atilde;o, mas reafirmo que apanhei e fui violada por Josue Pierre-Louis&quot;. Bernadin contou que foram os meses mais dif&iacute;ceis de sua vida, e afirmou que partid&aacute;rios de Pierre-Louis tentaram silenci&aacute;-la de diversas maneiras. Ao seu pai foi oferecido um emprego no exterior, sua fam&iacute;lia nos Estados Unidos recebeu amea&ccedil;as telef&ocirc;nicas e na internet circulou uma foto falsa sua com a inten&ccedil;&atilde;o de caluni&aacute;-la. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Pr&iacute;ncipe, Haiti, 11\/03\/2013 &ndash; O Haiti est&aacute; a caminho de introduzir grandes reformas em seu C&oacute;digo Penal, com a finalidade de facilitar que se fa&ccedil;a justi&ccedil;a nos casos de viola&ccedil;&atilde;o de mulheres. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/03\/direitos-humanos\/haiti-em-guerra-contra-a-violncia-sexual\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[15,21,24],"class_list":["post-11500","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-caribe","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11500"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11500\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}